domingo, 30 de agosto de 2009

Pacto!

Por que essa ânsia por respostas? Por que a paciência transparece? Embora por dentro... Por que a pressa em tudo fazer?
Acho que é amor pela vida. A impressão de que o tempo severo, algoz e perverso não vai permitir tudo viver
(talvez sim... talvez não...)
Respira... não se preocupa com esse tempo... quem sabe ele não corre a seu favor?
Procura sentir profundamente... anima tua alma com cada novo dia, com cada novo som de pássaros... com cada raio de sol e gota de chuva... com cada lembrança boa e até ruim porque estas ensinam a viver.
Busca o equilíbrio! Porque não são partes... É o todo!
Alimenta teu corpo de vida e o espírito de amor...
Enfrenta os problemas ainda mais de frente!
Enxerga além do óbvio... além da frente... enxerga os lados e atrás...
Aguça teus outros olhos, teus vários sentidos. Escute mais, cheire mais, veja mais, deguste mais, toque mais. Expresse-se mais. Ame mais, mas demonstre esse amor!
Sinta mais os outros, colocando-se no lugar deles.
Seja bondosa, mas não boba! Invista no seu potencial e caso não tenha jeito para determinada coisa... tente! Sempre há o que melhorar...
Fale sobre o que tem certeza e argumente bem. Comprometa-se e cumpra, mas se não puder cumprir, reconheça seus limites. Então assuma apenas o que vai poder cumprir!
Valorize-se, mas não esqueça de valorizar (a)os outr(a)os importâncias são relativas, mas s sentimentos não!
Pense positivo! Sonhe e acredite que é possível, mas mantenha os pés no chão!
As conquistas vem aos poucos... aprecie cada uma delas! Agradeça sempre! Com um sorriso, com uma lágrima, com uma carta, mas agradeça.
Escreve, dança, desenha...
Isso! Faz o que gosta de fazer!
Não se culpe quando a culpa não for sua e quando for... Reconheça que errou ... todos erram e a magia disso é admitir e aprender com os erros. Seja sincera, mesmo que não fale o que o outro que ouvir.
Seja honesta consigo mesmo, depois com os outros ou vice-versa, depende do momento.
“Seja generosa consigo mesmo”.
Quando a dor da alma superar a do corpo, fica atenta, mas procura ajuda...
Quem sabe no ar, no mar, no som, na natureza! Por que é nela que você encontra Deus!

Ângela Maria Pereira.
20 de junho de 2007.

Algo a declarar!!!

O que a voz miúda do dia a dia não diz ...
As letras juntas da poesia põem significado!

O que seria de mim sem...
Os papéis.. e as canetas....
Sem os dedos frenéticos e a tela branca...
Sem as palavras, a sintaxe e a semântica???
O que seria de mim sem esses meus amigos e amigas!?

O que a voz miúda do dia a dia não diz ...
As letras tortas da poesia revelam....


O que seria de mim sem...
A imaginação e a realidade....
Sem o escape.. sem o prazer???
Sem os versos livres.. as rimas mal e bem formadas??


O que a voz miúda do dia a dia não diz ...
As letras juntas da poesia encorajam a expressão.

Há de chegar o dia em que a poesia e sua companhia
Sairão do branco papel, das letras e do pensamento
E se tornarão um fato concreto!

1º de maio de 2008.
Ângela Pereira.
Nas primeiras horas do dia...
Entre o abstrato e o concreto.

Quadrilha!

Sempre achei que essas coisas fossem histórias de novelas mexicanas... Mas como já dizia o poeta... a vida imita a arte ( mesmo que a arte seja medíocre) ou será o contrário???
Queria, caro leitor, desenhar aqui uma história diferente da “Quadrilha” de Drummond, mas ao que tudo indica essa será mais uma arte que imita a vida ( ou vice-versa). Será mais um sentimento perdido, abafado nas intrigas da insegurança, nas disputas inertes ou nas tentativas lentas e frustradas.
Será mais uma vontade incompleta... que azucrinará meus ouvidos-olhos-mente e coração por um tempo.. até que eu num de um dos meus mais despertar rompantes tombe e machuque o que resta de vida... trágico? A vida é uma trage-comédia!!!
Quando descobrirem formas/fórmulas de entender as pessoas, por favor me repassem.. mas não se esqueçam... não adianta uma, duas ou três .. precisamos de milhões de fórmulas! Enquanto isso, vou tentando descobrir a minha própria fórmula...

Ângela Pereira.

Se o coração falasse...

Às vezes parece que o coração quer falar quando nem mesmo os olhos de ressaca, as rugas da testa e as gotas de lágrimas correm pela beira dos olhos, porém sem cair, são capazes de falar.
Remexe o coração ... Ora saltitante... Ora passivo, quase entorpecido de repressão...
Enganam-se os poetas e as poetisas que este órgão musculoso pode resistir a tanta pressão!
Mas seguem eles e elas a teimar... a oferecer resistência a este tão frágil órgão!
Será que os corações ficam doentes apenas pelos excessos da gula e da inércia moderna?
Assim como os músculos do tronco se estrangulam pelo excesso de somatização das emoções e se enchem de nódulos de tensão. Por certo esse órgão deve ficar também doente por tantos outros excessos do super- ego, do ID e de sentimentos diversos ...
É preciso salvar as bombas de vida humanas enquanto ainda é tempo.
Deixar o corpo ressoar a voz do coração.
Deixar que o equilíbrio chegue aos segundos das batidas no peito.
Não negar demais as vontades desse tão frágil órgão.
E treiná-lo para que este seja forte o suficiente para agüentar até o final da vida!

Ângela Pereira.
09 de janeiro de 2009.

Meia-noite

Meia- vida...
Meio-sono
Meia ... pés descalços...
Meio- passos
Meio-caminho
Meio-sonho
Meia- sensação
Meio-som
Meia-realização
Meia- realidade
Meia ...
Verdade!

Meia -noite de 14 de janeiro de 2009.
Ângela Pereira.

Ensaios sobre a cegueira... Humana! (I)

Estamos sujeitos a tudo, inclusive a perdermos a visão.
Se é que já não perdemos há tempos...
Perdemos a visão pelo que de mais simples há no mundo.
As belezas naturais do cotidiano...
A pedra com cores diferentes em detrimento do grande edifício na avenida mais movimentada da grande cidade.
A pequena rosa no cantinho de terra do vaso esquecido na janela do escritório.
A luz que vem do céu, emitida por uma estrela quase sem força, em detrimento da luz de néon da placa da loja mais cara do shopping.
A borboleta que sôfrega voa entre os carros arriscando-se entre os vidros, os ombros das motos e os retrovisores dos carros.
O crepúsculo cinzento que se vê na janela enquanto se prendem os olhos na novelinha das cinco.
O apelo do gatinho que lhe suplica atenção concorrendo com a internet.
O sorriso do outro em detrimento do nosso individual sofrimento.
A cegueira do outro em detrimento da nossa cegueira inventada.

Ângela Pereira.

Em cinzas...
25 de fevereiro de 2009.

Antítese aos covardes.

Gritem os mudos!
Ouçam os surdos!
Vejam os cegos!
Toquem os insensíveis!

Morram os fantasmas!
Chorem as pedras!
Chova o deserto!

Escondam as aparências!
Completem as reticiências!
Apaguem a escuridão!

Anti-fodam-se os incapazes
de ver além da carcaça!

Ou fodam-se, mesmo...
Aquém da graça!

A ordem é VOCÊ é quem diz!
Ângela Pereira.

17 de janeiro de 2009.

Vida latente...

Sinto as forças querendo se esvairem...
Sinto as energias sugadas pela imprecisão dos fatos...
Sinto as ausências como se fossem presenças...

Mas...
Sinto ainda uma força que resiste!
Sinto a vida pulsar...
Latente...
Insistente!

Ângela Pereira
20 de março de 2009.

Olhos.

Curiosos caçam...
Reviram...
Disfarçam...
Caem no solo e sobem pro céu...
Dão de cara com outros...
Dão de cara com os muitos do céu noturno...

Vêem com-sem a luz...
Sofrem com o que vêem...
Riem com o que vêem...
Sentem o que não podem ver...
Fogem.

Mas esperam uma nova oportunidade.

Ângela Pereira.
22 de março de 2009.

Vivo poesia!

Respiro Clarice...
Como Quintana.
Ouço Chico.
Penso Drummond
Canto Djavan.
Escrevo Ângela.


Ângela Pereira.
22 de março de 2009.

Tempo sem dono

Nesse lugar retorno querendo paz.
Ou pelo menos clareza
De que passos seguir
Deixando cair e o vento levar tristezas
Ou medos que hão por vir
Procurando entender cada sinal que julgo sentir
Tentando deixar a culpa dos outros, as dores dos outros, a covardia dos outros rolarem pelo ar...
Querendo regar com lágrimas o papel e a tinta borrar
E ver desenhar o que a vontade quiser expressar...
Não chamo tristeza
Nem solidão e muito menos desilusão
Tem dias que nem o sentido sabemos sentir
Tem dias que nem a vontade parece florir..
Somente o tempo sem dono, em completo abandono, é capaz de sorrir...

1º de abril de 2009.

Ângela Pereira.

Fraqueza?

Espero não esperando o amanhã!

Ângela Pereira.
18 de maio de 2009.

Se não me queres...

Se não me queres de desalento
Hás de evitar o tormento
De viver apenas do que é passível de respostas...

Se não me queres de rabujento
Hás de ver o rebento
Despontar pelo mundo a fora como quem quer descubrir à liberdade...

Se não me queres ao relento
Hás de perceber que o evento
É apenas um ponto-tempo do que posso lhe dar

Se não me queres...
É uma pena!

Não sabes o que vida lhes deixou de dar.

Ângela Pereira.
18 de abril de 2009.

Coisas recorrentes...

Os olhos piscam...
Os poros suam...
O sono vem...
A noite vai...
O sol aparece...
Os carros passam...
As vozes soam...
Os pés andam...
A mente pensa...

Insistentemente!!!


Ângela Pereira.
09 de maio de 2009.

Embaçada

Nesse momento é assim que sinto a minha visão. Minha visão sobre o caminho a seguir parece embaçada. Embaçada pela imposição de me submeter ao sistema. De estar numa posição que desagrada pelo motivo de conseguir aquilo que é motivo das maiores discórdias do mundo- o dinheiro. O medo de correr o risco, não é maior que a vontade de continuar insistindo... Mas embaça a minha visão. Talvez seja um momento de recolher-me, não desdizendo às opções tomadas, mas para se ter mais clareza sobre para que lugar-situação ir. Não sei...
Preciso mergulhar em mim, sofrer a pressão interna que tal caos e mergulho provocam para daí se ter respostas. [intimista demais? é uma forma de dizer... Preciso me concentrar nas possibilidades de fuga do que me incomoda, mesmo sabendo que muitos sapos ainda terei que engolir] Em outra situação-mundo talvez não precisasse dessas respostas. Mas a situação-mundo de hoje me sufoca. Preciso de respostas!

Preciso desembaçar a minha visão! Preciso mesmo é de coragem e de força externa...

28 de maio de 2009.
Ângela Pereira.

E se eu tentar dormir?

E se eu tentar dormir...
Esquecerei por um momento
As ausências
As clemências
As dormências

Esquecerei por um tempo
O que não gostaria de lembrar
Pelo menos até os olhos se abrirem...

Ângela Pereira.
13 de junho de 2009.

jueves, 27 de agosto de 2009

Duda de mí? Lo siento!

Duda de mí?

Pero lo siento.

Cómo puedes usted hablar del que lo no sabes?

Duda de mí?

Solamente siento!

Hay que probar...

Del mi amor!


Ângela Pereira.

En la noche...

26 de agosto de 2009.

domingo, 23 de agosto de 2009

Querem calar nossas bocas...

“Contra a Intolerância dos ricos, a intrasingência dos pobres”

(Florestan Fernandes)


Querem calar nossas bocas...

Com o corte do pulso...

Com o tiro de revolver...

Com a força do Estado...

Com a intimidação pelas mortes...


Querem nos dominar pelo medo...

O medo da fome...

O medo da doença...

O medo do despejo...

O medo da morte...




Querem pacificar a luta de classes...

Com falsos dizeres...

Direitos e deveres...

Com falsas notícias...

Com a novela das oito...

Com a música de amor da indústria cultural...


Mas quem sofre, não perece!

Se torna exemplo!

Se fortalece e permanece!

Pelo amor à vida!

Pela força dos mortos-vivos!

Pela justiça proletária!


Querem calar nossas bocas...

Mas a voz, os pés e as mãos

Da classe trabalhadora tem mais força

e não padecem!



Não à Criminalização dos Movimentos Sociais e da Pobreza !!!!

Por nossos mortos, nem mais um minuto de silêncio!


Homenagem aos companheiros Miltinho e Osvaldo (MST- Pocinhos-PB), Odilon ( MAB-Pedro-Velho), Elton Brum ( MST- São Gabriel-RS) e tantos outras/os companheiras/os vitimados pela intolerância dos ricos, criminalizados pela coerção do Estado e dos capitalistas .


Ângela Pereira.

23 de agosto de 2009.

Inusitado e misterioso.

A curiosidade humana é instigadora...
Atualmente as coisas estão muito à mostra...
Acho sinceramente que as pessoas perdem oportunidades valiosas ao se exporem demais a ponto de se vulgarizarem. Nem 8 nem 80.

Quer coisa mais inusitada e misteriosa que conhecer o outro passo a passo, como se encaixasse peças de quebra cabeças ... ou então brincasse de esconde e esconde? Como se pistas estivessem sendo descobertas... conquistas abruptas são boas... mas conquistas que se dão a cada dia são muito melhores. Conquistas vindas sem muito esforços tornam-se fugazes... a fugacidade até pode ser bonita e intensa. Mas prefiro intensidades duradoras. Intensidades saudáveis. Tamanha intensidade e profundidade requerem também respostas intensas, inusitadas e misteriosas...

Que as conquistas venham aos poucos de forma inusitada e misteriosa...

Ângela Pereira.
29 de abril de 2009.

sábado, 22 de agosto de 2009

Medo...

Que é o medo senão a ordem latente de fracasso!? Pode ser também um alerta, em cima de experiências já vividas. Nesse caso, podemos até ceder e reconhecê-lo como prudência. Mas e quando o medo não tem base material? Quando temos medo daquilo que não fizemos? E quando temos medo de tentar... Esse medo é uma ordem para o fracasso!
Como existem diversos tipos de seres humanos: uns mais sensíveis, outros mais enrijecidos pelo tempo, pela mágoa, covardia... enfim por sentimentos ruins... outros vencidos pelo complexo de inferioridade e pela limitação,muitas podem ser as formas de enfrentar o medo, inclusive fugindo dele.
Prefiro a forma que encara uma "ordem" como uma afronta a autonomia de cada um e a capacidade de cada um se empoderar de sua vida e ser sujeito de sua história.
Já enfrentei alguns medos e embora não tenha vencido todos, confirmei um ditado popular dos mais bem ditos e reais. “Melhor se arrepender de ter feito, que se arrepender de não ter feito”.
Preciso constantemente me lembrar dessa frase. Subverter a ordem e vencer os medos, para não me arrepender de não ter feito, de ter deixado de viver...


Ângela Pereira
21 de abril de 2009.

A inconsistência humana.

Coração pulsa rápido.
Mente pede parada.
Como conseguir equilíbrio?



Ângela Pereira.
19 de abril de 2009.

Deixar rolar naturalmente...

Querendo estar ao teu lado faço planos.

Crio expectativas
Mas de pronto, caio em mim...
E vejo as outras possibilidades
Acalmo-me...
Respiro...
Transpiro...
E tranqüilizo-me.

A vida ensina.

Tranqüilizo-me.
Transpiro
Respiro
Acalmo-me

Pra que fazer planos?

Quando se pode ter a chuva que cai sem ao menos planejarmos...


Ângela Pereira.
29 de abril de 2009.

Entre a vontade e as paradas que a vida nos impõe...

Queros
Meros
Eros


Ângela Pereira
11 de maio de 2009.

O meu sono.

O meu sono tem vontade própria.
Às vezes arredio incomoda os sonhos.
Às vezes disciplinado descansa o meu corpo,
Esperando o outro dia para fazer festa nele.
Às vezes, levanta desejos.
Às vezes se perde em lágrimas.
Às vezes esquece as vezes ....
Que precisa pousar no corpo da dona
Para no outro dia, descansar no inconsciente.
Às vezes é fuga...
Às vezes é vontade de fazer o corpo da Dona se iludir
Com a madrugada na esperança de nela encontrar
Respostas pras dúvidas do dia.
Alguém precisa dizer a ele:
Seja suficientemente necessário!
E descanse o corpo de quem parece não querer descansar...

Ângela Pereira.
24 de abril de 2009. 00h35 min

Círculo.

Às vezes acho que circulo e não saio do mesmo lugar. Esta forma tão bonita e vazia ora me parece favorável ora me tira esperanças e desestimula. A perfeição me incomoda!
O circulo da história que não permite a linearidade ainda me anima por me informar que às voltas que a vida dá não sou mais a mesma. Mesmo que as situações vividas se assemelhem, a cada semelhança várias diferenças são acrescentadas.

A mesmice já não é mais a mesma...
A lágrima já não é mais a mesma.
O corpo já não é mais o mesmo.
Os sonhos já não mais os mesmos.
Os pensamentos já não são mais os mesmos.
As músicas já não são mais as mesmas.
Eu não sou mais a mesma!

Nas voltas que a vida dá, não perco o já vivido, tudo se acumula e afirma os traços do círculo.

Ângela Pereira.
23 de maio de 2009.

Vômito

A ânsia de me firmar embrulha o estomago.
Mostra que algo não flui como deveria...
Se deveria...
Busco a felicidade em algo que não está em mim.
Busco a afirmação na materialidade das coisas.
E compreendo que a felicidade
assim como qualquer outro sentimento
É um fator social.
Somos produtos e produtores sociais.
Preciso que as coisas fluam... não espontaneamente..sem sentido.
Preciso de sentido! Mas não sentido isolado, individualizado, personificado...
Preciso de sentido social, coletivo!
Preciso da precisão dos atos, da definição de fatos e posições.
Preciso da fluição mediada pela angústia de viver.
Preciso vomitar o que me incomoda e regurgitar o que de bom e reaproveitável ainda posso extrair.
Preciso, sobretudo, de força extraída dos outros para poder prosseguir.


Ângela Pereira.
23 de maio de 2009.

Quando cai a noite...

As sensações parecerem tomar vida animal...
O medo vira lobo.
A dor vira iena.
O amor vira lagarta.
A fome vira baleia.
O toque vira porco-espinho.
O sono vira abelha.
A esperança vira preguiça.

Quando amanhece tenho a terrível notícia de que os animais da noite anterior estavam presos! Minhas sensações estavam presas. Sem elas não sou ninguém.
Tenho receio da noite.


Ângela Pereira.
24 de maio de 2009.

Voltar...

É hora de voltar!

Somente preciso pensar que é hora de voltar
É hora de voltar
No tempo
Nos pensamentos
Nas vivências

E encontrar as respostas que procuro
E também as que não procuro...

Na cabeça de adolescente
Misturar as idéias
E caleidoscopicamente
Construir o novo misturado com o velho.

É hora de voltar!

No corpo da menina
Encontrar respostas de mulher

No choro de criança...
Resgatar a força vital...

No útero da mãe
Voltar como fuga...

Proteger-me do mundo
Enquanto ele não se protege de mim.

É tarde!
O tempo passou e...
Já não mais é possível voltar!
Mas não sei exatamente em qual fase estou
Talvez seja melhor assim...

Ângela Pereira.
06 de junho de 2009.

Preciso escrever...

Preciso jogar no papel o que me encolhe... me suga... me tira as forças...
Preciso!
Preciso, mesmo que achem fuga... Fragilidade... Irrealidade!

Preciso jogar na tela branca
Tintas vermelhas.
Linhas lilás.
Letras por trás, pela frente e pelos lados...
Textos sem lógica
Versos sem prosa
Jogos de letras...
Semântica romântica
Sintaxe sem nexo...

Preciso.
E faço!

Refaço
Relaxo...


Ângela Pereira.
13 de junho de 2009.

Prisão

A maior prisão do homem e da mulher é explorar o/a outro/a tendo consciência dessa ação.

Ângela Pereira.

viernes, 21 de agosto de 2009

Se o acaso me escolher...

SE o acaso me escolher...

Ficarei grata pela mira falha...

Pela vez que tarda...

Mas que o caminho atalha...


SE o acaso me escolher...

Ficarei feliz pela ânsia perdida

Pela dor não sentida.

Que a minha negra cor há de envolver...


Ângela Pereira.

22 de agosto de 2009.

Finjo que finjo!

Sob barulho da chuva

Finjo que sinto...

Fingir às vezes é bom!

Fingir outras tantas vezes é ruim...


Entre o bom e o ruim.

Finjo que finjo!

Ausência.

Essência!


Ângela Pereira.

22 de agosto de 2009.

jueves, 20 de agosto de 2009

Além da fé

Como deixar de acreditar

Se tudo é possível

Mesmo quando irracional

Imaginar o fim das guerras

O fim da fome

Do preconceito


De tudo o que nos faz piores

E nessa direção nos tornando vazios

Sedentos de coisas que um dia vão se perder

Quando a terra há de comer

Quando o dia só existir incógnitas

O que há além dos nossos olhos


Além da nossa fé

E por que agora histórias de bondade

Onde o que nos rege é nossa ira

Onde machucamos pra vencer

Onde o choro é aplauso pra nossa vitória

Onde tudo que se deixa pra trás é a fé


Demócrito Madruga.

lunes, 17 de agosto de 2009

O grito!

Esse som que sai sob forma de impulso.
Esse pôr pra fora o que é dor...
O que é incomodo...

O que é pesadelo...
ou o que é real.

Esse d
esatar o que se prende...
Esse jogar
fora o que não presta.
Esse pesar que em forma de lágrimas se expressa
Essa fúria sem fato aparente...

Ou com fato veemente...
Esse fardo freqüente...
Esse parto de mente...


O grito.

Mas que direito (“Porque há o direito ao grito então eu grito”. CL.)
Necessidade!

Ângela Pereira. 19 de junho de 2009.

Quem disse ser fácil ?

Quem disse ser fácil ?
Separar as incongruências...
Disfarçar as delinqüências
Segurar as evidências...

Quem disse ser fácil?
Abafar as opulências...
Segregar as desavenças...
Desfazer as aparências...

Quem disse ser fácil?
Agüentar as divergências...
Desapego x apego
Paixão x despaixão
Ideação x concreção

É pra ser fácil mesmo?
Sigamos na difícil tarefa de (nos) libertar...



Ângela Pereira.
17 de agosto de 2009.

martes, 11 de agosto de 2009

Marcharemos! Até a vitória!



“Contra a intolerância dos ricos a intransigência dos pobres”

Florestan Fernandes.

Marcharemos para não calar, diante da aparência de que tudo está bem!

Marcharemos pelas mulheres trabalhadoras exploradas pela mão pesada do capital!

Marcharemos pelas crianças que pedem comida com estômagos vazios!

Marcharemos pelo suor e mãos calejadas de trabalhadores e trabalhadoras vitimados pela intolerância dos ricos!

Marcharemos pelas terras produtivas nas quais iremos plantar!

Marcharemos pela organização de trabalhadoras e trabalhadores no Brasil a fora!

Marcharemos pelos que tombaram pela ganância e pela desumanidade dos ricos!

Marcharemos! Porque basta de sentir a dor da exploração e não gritar mais alto!

Marcharemos para fazer tremer as pernas dos ricos!

Marcharemos pela natureza que está sendo destruída pelo capital!

Marcharemos pela soberania do país diante do olho gordo dos capitalistas!

Marcharemos para dizer que não pagaremos por uma crise que não é nossa!

Marcharemos pela alegria da resistência de 20 anos de existência!

Marcharemos pela denúncia do direito negado, da vida impedida de nascer, da terra impedida de gerar feijão.


Gritaremos! Águas para a vida, não para morte!

Gritaremos! Não às demissões! Pela redução da Jornada de Trabalho!

Gritaremos! Reforma Agrária Já!

Gritaremos! O petróleo tem que ser nosso!

Gritaremos! Trabalhadoras e trabalhadores não pagarão pela crise!

Gritaremos: “Vida em Primeiro Lugar -A Força da Transformação está na Organização Popular”!

Marcharemos!

Gritaremos!

Lutaremos!

Até a vitória!


Ângela Pereira.

12 de agosto de 2009.

João Pessoa-PB.


Homenagem às mulheres, aos homens e às crianças, lutadores e lutadoras do povo que todo dia, o dia todo marcham na esperança de viver num país digno! Homenagem aos marchantes da Marcha Estadual da Via Campesina “Contra a Crise: Reforma Agrária já”.

viernes, 7 de agosto de 2009

Coisa boa é abraçar!


“Se o abraço for além de um minuto... aí é fatal...”

(Dante Ozzetti)

Como é um bom receber e dar um abraço!

Mente aquele que não se desarma diante de um abraço dado com sinceridade. Não o abraço de tapinhas nas costas sem graça ou há “metros” de distância, mas o abraço em que os corpos se colam e ficam algum tempo confortando... matando saudades... Excitando-se... Transmitindo energia! Calor humano!

Hummmm! Coisa boa é abraçar!

Se algum dia eu perder a sensibilidade pela vida, um dos primeiros sinais disso será a falta de abraços...

Sofrerei. Quero bem longe de mim a frieza do não-abraço.

Quero, sobretudo, não perder a sensibilidade pela vida!

Dica: Abrace ouvindo, cantando... Sentindo! Essa música. Faz um bem danado!

Alguém Total

(Compositor:Dante Ozzetti; Intérprete: Ceumar )

Vem me abraçar, vem
Vem reparar bem
Quem é que abraçou quem
Pois vou lhe abraçar também

Quem dá um abraço
Não sabe se deu
Ou se devolveu

Ou se perdeu

Quando o abraço sai de alguém e não volta
Não envolveu
Anunciou
Renunciou
Dissolveu

Quem quer um pedaço
Um pouco de alguém
Abraçando tem
E ainda mais
Se o abraço for além de um minuto
Aí é fatal
Envolveu
Você tem
Um alguém Total



Ângela Pereira.

07 de agosto de 2009.

Quis...será!

Camarada...
Quisera pousar teu rosto no meu colo
Quisera sentir teu fôlego...
Quisera trocar carícias...
Quisera ouvir sussurros....
Ah! Quisera...

Quisera porém também o respeito mútuo!
Quisera o correto furto!
Quisera as palavras nuas.
Quisera mais!
Quisera a coragem...

Levanta! Anda! Senta aqui...

Ângela Pereira
23 de dezembro de 2008.

Correnteza!

Os sons ao fundo são meros batuques.
Os risos ao longe são sutileza...
Os olhos em volta são correnteza.
Correm os líquidos...
Correm os olhos...
Correm as gotas...
Correm os passos...

Fincam-se os pés.
Molham-se os troncos.
Socorrem-se do dilúvio os corpos.

A lua escondida... será confidência!
A mata em transe... será referência!
Nomes... ouvido!
Toques... sentido!
Pele... retidos!
Cheiros... sentidos!
Beijos. Perdidos!

Ângela Pereira.
23 de dezembro de 2008.

jueves, 6 de agosto de 2009

Louca beija Boca!


desvia... desce...

Olha... pisca...rir... abre... anda... toca...

boca... cheira... beija...Vai...vem... sobe...

Vêm! Olha...toca... cheira... fixa...

beija... louca vêm!

Louca beija Boca!



Ângela Pereira.

Poeta! Desbrava-me!

Todo poeta é um fingidor?

Todo poeta é um desbravador!


Desbrava letras.

Desbrava sons munidos de sentimento.

Desbrava vontades.


Desbrava o sentimento alheio.

Desbrava o fingimento e o tormento.

Desbrava, sobretudo, a si mesmo

Em si mesmo!


Poeta! Desbrava-me!


Ângela Pereira.

06 de agosto de 2009.