viernes, 18 de diciembre de 2009

Tornar-se mulher!

“Ninguém nasce mulher: tornar-se mulher”
Simone de Beauvoir


Não devo como mulher que venho me tornando

Permitir-me ao erro de me magoar por não me amar

E não amar a outras companheiras com quem tenho em comum

A opção pela classe trabalhadora.


Não devo como mulher que venho me tornando

Ceder aos impulsos da carência

Meramente para tentar supri-la.

Depois da sensação provisória de preenchimento,

o “vazio” volta porque o ponto não preenche o todo

E o todo é profundo e sensível!


Não devo como mulher que venho me tornando

Permitir que outra mulher seja machucada,

Torturada, explorada

Sem abrir a boca e soltar o grito.


Não devo como mulher que venho me tornando

Em desatino ser impaciente

Com os anos de luta que virão

Sob julgo dos valores patriarcais

Que vingaram.


Não devo como mulher que venho me tornando

Esconder de mim mesma

As marcas que riscaram na história:

O grito mais alto da voz grossa

A comida na mesa servida

A toalha na porta do banheiro

O dinheiro na mão retido

A pressão psicológica das filhas na saia

E a tristeza das traições...


Não devo como mulher que venho me tornando

Deixar de avançar com a dor coletiva

De milhares de mulheres mortas,

Violentadas pelo poder do homem

E do capital.


E devo, sobretudo, não deixar de sonhar alegremente

Com a emancipação feminina

Pois é em busca dela

Que venho me tornando mulher!


Ângela Pereira.

Praia do Cabo Branco. 18 de dezembro de 2009.

2 comentarios:

  1. Companheira,
    De arrepiar...Estou muito emocionada ao sentir esta poesia...Tudo que ela simboliza bate todos os dias em meu corAção...

    Cheiros de revolução Feminista e Popular!
    Ivanessa Catingueira.

    ResponderEliminar
    Respuestas
    1. Obrigada,camarada!

      Que venha... porque a luta é dura, mas é deliciosa!

      Poesias , sensibilidade e força!
      Xero grande!

      Eliminar