domingo, 3 de febrero de 2013

Balzac batendo à porta.

A mulher de 30.
Por Honoré de Balzac*

“Tome a mesma moça aos 20 e aos 30 anos. No segundo momento ela será umas sete ou oito vezes mais interessante, sedutora e irresistível do que no primeiro.
Ela perde o frescor juvenil, é verdade. Mas também o ar inseguro de quem ainda não sabe direito o que quer da vida, de si mesma e de um homem. Não sustenta mais aquele ar ingênuo, uma característica sexy da mulher de 20. Só que isso é compensado por outros atributos encantadores que reveste a mulher de 30.
Como se conhece melhor, ela é muito mais autêntica, centrada, certeira no trato consigo mesma e com seu homem. Aos 30, a mulher tem uma relação mais saudável com o próprio corpo e orgulho da sua vagina, das suas carnes sinuosas, do seu cheiro cítrico. Não briga mais com nada disso. Na verdade, ela quer brigar o menos possível. Está interessada em absorver do mundo o que lhe parecer justo e útil, ignorando o que for feio e baixo – astral. Quer é ser feliz. Se o seu homem não gosta dela do jeito que é, que vá procurar outra. Ela só quer quem a mereça.
Aos 30 anos, a mulher sabe se vestir. Domina a arte de valorizar os pontos fortes e disfarçar o que não interessa mostrar. Sabe escolher sapatos e acessórios, tecidos e decotes, maquiagem e corte de cabelo.  Gasta mais porque tem mais dinheiro. Mas, sobretudo, gasta melhor. E tem gestos mais delicados e elegantes.
Aos 30, ela carrega um olhar muito mais matador quando interessa matar. E finge indiferença com muito mais competência quando interessa repelir. Ela não é mais bobinha. Não que fique menos inconstante. Mulher que é mulher,se pudesse, não vestiria duas vezes a mesma roupa nem acordaria dois dias seguidos com o mesmo humor. Mas, aos 30 ela,já sabe lidar melhor com esse aspecto peculiar da sua condição feminina. E poupa (exceto quando não quer) o seu homem desses altos e baixos hormonais que aos 20 a atingiam e quem mais estivesse por perto, irremediavelmente.
Aos 20, a mulher tem espinhas. Aos 30, tem pintas, encantadoras trilhas de pintas, que só sabem mesmo onde terminam uns poucos e sortudos escolhidos.
Sim, aos 20 a mulher é escolhida. Aos 30, é ela quem escolhe. E não veste mais calcinhas que não lhe favorecem. Só usa lingeries com altíssimo poder de fogo. Também aprende a se perfumar na dose certa, com a fragrância exata.
A mulher de 30, mais do que aos 20, cheira bem, dá gosto de olhar, captura os sentidos, provoca fome. Aos 30, ela é mais natural, sábia e serena. Menos ansiosa, menos estabanada. Até seus dentes parecem mais claros; seus lábios, mais reluzentes; sua saliva, mais potável. E o brilho da pele não é a oleosidade dos 20 anos, mas pura luminosidade.
Aos 20 ela rói as unhas. Aos 30, constrói para si mãos plásticas e perfeitas. Ainda desenvolve um toque ao mesmo tempo firme e suave. Ocorre algo parecido com os pés, que atingem uma exatidão estética insuperável. Acontece alguma coisa também com os cílios, o desenho das sobrancelhas, o jeito de olhar. Fica tudo mais glamouroso, mais sexualmente arguto.
Aos 30, quando ousa, no que quer que seja, a mulher costuma acertar em cheio. No jogo com os homens já aprendeu a atuar no contra – ataque. Quando dá o bote é para liquidar a fatura. Ela sabe dominar seu parceiro sem que ele se sinta dominado. Mostra a sua força na hora certa e de forma sutil.
Não para exibir poder, mas para resolver tudo ao seu favor antes de chegar ao ponto de precisar exibi-lo. Consegue o que pretende sem confrontos inúteis. Sabiamente, goza das prerrogativas da condição feminina sem engolir sapos supostamente decorrentes do fato de ser mulher.”
Diria que este texto é uma versão mais apimentada da mulher de 30. Na cama, elas dão um banho em qualquer uma de 20. E ainda existem os homens que acham que trocar uma de 30 por uma de 20, é um bom negócio. Não sabem o que estão perdendo. O fogo e o vigor da mulher de 30, é imbatível.



*Honoré de Balzac  foi um escritor francês de romances clássicos que está entre as grandes figuras da literatura mundial. Seu nome original foi Balssa Honoré nasceu em Tours, em 20 de maio de 1799. Filho de um oficial do camponês, teve uma infância infeliz. Forçado por seu pai, estudou direito em Paris 1818-1821. No entanto, ele decidiu dedicar-se à escrita, apesar da oposição dos pais. Entre 1822 e 1829 viveu na pobreza abjeta e teatro trágico escrever romances melodramáticos mal sucedidas. Em 1825, ele tentou a sorte como um editor e impressora, mas foi forçado a sair do negócio em 1828 à beira da falência e da dívida para o resto de sua vida. Em 1829, ele escreveu o romance Os Chouans, o primeiro que leva o seu nome, baseado na vida de Breton camponeses e seu papel na insurreição monarquista de 1799, durante a Revolução Francesa. Embora ele pode ver algumas das imperfeições de seus primeiros escritos, é o seu primeiro romance importante e marca o início de sua evolução imparável como escritor. Trabalhador incansável, Balzac poderia produzir cerca de 95 romances e vários contos, peças de teatro e artigos de jornal nos próximos 20 anos. Em 1832, ele começou sua correspondência com uma condessa polonesa, Eveline Hanska, Balzac, que prometeu casar após a morte de seu marido. Ele morreu em 1841, mas Eveline e Balzac não se casar até março de 1850. Balzac morreu em 18 de agosto de 1850. Em 1834, ele concebeu a ideia de fundir todos os seus romances em uma única obra, "A Comédia Humana". Sua intenção era proporcionar um grande afresco da sociedade francesa em todos os seus aspectos, desde a Revolução de seu tempo. Em uma famosa introdução escrita em 1842, explicou a filosofia do trabalho, que se reflete em alguns dos pontos de vista dos escritores naturalista Jean Baptiste Lamarck e Geoffroy Saint-Hilaire Étienne. Balzac disse que, como os diferentes ambientes e património produzir diversas espécies de animais, as pressões sociais criam diferenças entre os seres humanos. Propõe-se assim para descrever cada um o que ele chamou de "espécie humana". O trabalho deve incluir 150 novelas, divididas em três grupos principais: costumes, estudos filosóficos e analíticos. O primeiro grupo, que cobre a maior parte de seu trabalho como está escrito, é subdividida em seis cenas: privado, provincial, parisiense, militares, políticos e camponesa. Os livros incluem dois mil caracteres, a mais importante das quais aparecem ao longo do trabalho. Balzac foi capaz de completar cerca de dois terços deste grande projeto. Entre os melhores romances mais conhecidos da série incluem Goriot (1834), que narra o sacrifício excessivo de um pai com suas filhas ingratas, Eugenia Grandet (1833), que conta a história de um pai avarento e obcecado com o dinheiro que destrói felicidade de sua filha, Cousin Bette (1846), um relato da vingança cruel de um ciumento velho e pobre, a busca do absoluto (1834), um estudo fascinante de monomania e ilusões perdidas (1837-1843). O objetivo foi o de fornecer uma descrição Balzac sociedade absolutamente realista francês, algo fascinante para o autor. Mas sua grandeza está na capacidade de transcender a mera representação e dar seus romances uma espécie de surrealismo. A descrição do ambiente no seu trabalho é quase tão importante como o desenvolvimento dos caracteres. Balzac disse uma vez que "os acontecimentos da vida pública e privada estão intimamente relacionados à arquitetura", e assim descreve as casas e quartos em que seus personagens se movem de forma a revelar as suas paixões e concupiscências. Embora personagens de Balzac são perfeitamente crível e real, quase todos eles são de propriedade da sua monomania própria. Todo mundo parece mais ativo, vivo e desenvolveram seus modelos ao vivo, ainda vida é superar uma característica de seus personagens. Balzac se torna mediocridade sublime da vida, expondo as partes mais escuras da sociedade. Dá o usurário, a cortesã e grandeza dandy de heróis épicos. Outro aspecto do extremo realismo de Balzac é a sua atenção para as exigências mundanas da vida diária. Longe de trazer vidas idealizadas, seus personagens continuam obsessivamente preso em um comércio de mundo materialista e crises financeiras. Na maioria dos casos, essas questões estão no cerne de sua existência. Por exemplo, a ganância é um de seus assuntos preferidos. Balzac em seus diálogos demonstra um comando extraordinário da linguagem, adaptando com incrível capacidade de retratar uma variedade de personagens. Sua prosa, embora às vezes excessivamente detalhado, possui uma riqueza e dinamismo que o torna irresistível e absorvente. Entre suas muitas obras são, além dos já mencionados, os romances A Pele Fatal (1831), O lírio do vale (1835-1836), César Birotteau (1837), Esplendor e miséria das cortesãs (1837-1843) e O sacerdote de Tours (1839); Tales Libertines (1832-1837), O jogo Vautrin (1839) e suas famosas cartas para o estrangeiro, que representam a longa correspondência que durou de 1832 a Eveline Hanska. ( Fonte: http://epdlp.com/escritor.php?id=1432)

2 comentarios:

  1. Numa sociedade em que a necessidade pelo corpo cada vez mais jovem beira a pedofilia é muito bom ver um elogio como esse às mulheres que estão vivendo a década dos 30. Os trinta, por si só já é uma fase muito difícil da vida e lembrar o quanto estamos bem, mesmo que a mídia diga o contrário é muito bom! Obrigada, Ângela, em nome de todas as "trintonas"!

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  2. Priscilla,querida! Sempre atenta às postagens e deixando comentários interessantes. A descrição é de Balzac, mas me senti bem contemplada. Parece entretanto que ele aponta nos seus escritos, algo sobre o que seria o destino das mulheres. Estou à procura do livro de Balzac, " A mulher de trinta" para confirmar esse comentário que li à respeito do livro dele. beijão!

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