domingo, 19 de octubre de 2014

Como as nossas mães e os nossos pais... Mas é preciso força!

Ontem duas músicas me acompanharam durante o dia todo:  "Como os nossos pais" e "Maria Maria" ambas na voz de Elis Regina. 
A primeira faz menção aos tempos que as flores cantadas numa música não necessariamente eram flores, mas uma substituição de palavras para burlar a censura da ditadura militar. A segunda me faz lembrar e afirmar a força que temos, nós mulheres da classe trabalhadora, para virar o jogo. 

Ainda sinto cheiro da nova estação!




Com elas, lembrei-me de como a história se repete, mesmo em proporções diferentes e com peculiaridades. Hoje como quando era com as nossas mães e com os nossos pais, a história se repete como farsa, parafraseando Marx " A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa". 

A constatação de que acontecimentos da história  tendem a si repetir, nesse caso me refiro a conjuntura político-eleitoral com os apoios da mídia burguesa ao candidato de sua classe, Aécio Neves, bem como com as agressões sofridas por quem quer se expressar sem ter sua voz coagida pela polícia, denota como nós mulheres precisamos continuar sendo fortes porque somos parte importante da luta pela superação do sistema capitalista patriarcal. 

A luta de classes, tema trabalhado por Marx, por exemplo, em " O 18 brumário de Louis Bonaparte", salta aos olhos vistos.  Os adesivos nas portas das casas, nos automóveis e nas roupas expressam não apenas uma posição eleitoral, mas a posição e aspirações de classe de cada um/a.  Logo adesivos da candidatura de Aécio Neves apregoadas em celulares e casas de policiais ou  adesivos de Dilma em carros de catadores de papelão não representam mera posição eleitoral. Representam, em aparência, as decisões, posições e aspirações de classe da população brasileira.  Há mediações a serem feitas nessa afirmação, entretanto,  mas de forma geral pode-se compreender desta forma. 

Até as mobilizações nas universidades públicas estão sendo coagidas em nome de um Estado de Direito, que sabemos tem uma posição de classe, como aconteceu na semana passada na UFPB.  ( vide nota das entidades representativas dos professores,  técnicos administrativos e estudantes no endereço eletrônico  http://www.adufpb.org.br/site/nota-oficial-em-defesa-dos-direitos-a-liberdade-de-expressao-da-autonomia-universitaria-e-contra-a-repressao-na-ufpb/)

Outra constatação em relação a conformação das forças políticas no congresso brasileiro após o 1º turno das e eleições ( vide texto "Mais fisiológico, mais conservador"  disponpivel em http://www.asmetro.org.br/portal/gestao/21-clipping/4621-revista-carta-capital-mais-fisiologico-mais-conservador-a-estacao-uruguai),  pede um processo de reflexão-ação  das organizações da classe trabalhadora quanto à sua atuação. 

Nesse quesito, estamos (a esquerda) com sérios problemas a serem analisados e trabalhados em busca da construção de uma correlação de forças que nos dê condições de virar o jogo.

De algumas reflexões que venho fazendo, e da análise de outras leituras, penso que desafios importantes já discutidos em outros espaços estão mais que atuais. 
> Ou a esquerda partidária, sindical e dos movimentos sociais fazem uma autocrítica franca de sua forma de intervenção, voltando-se para as bases ou o cenário vai piorar consideravelmente.  É preciso conquistar companheiras na universidade, mas sair dela e colocar os pés nos chão das comunidades, trabalhando numa perspectiva de educação popular feminista. Aqui me refiro ao movimento feminista.
> Restringir-se aos espaços institucionais, enquanto espaço da política é ao meu ver seguir dando tiros nos pés de quem já está cambaleante... É preciso atuar nele, mas a prioridade precisa ser a elevação da consciência das pessoas para se organizarem nas ruas;
>Enquanto se continuar olhando pros umbigos de cada organização e não se colocar os pés no solo das comunidades  desse país como hoje as igrejas pentecostais , principalmente, vem fazendo diuturnamente será difícil revertermos esse quadro.  
Tem-se visto nas comunidades o crescimento frenético de igrejas evangélicas.  Além de todo trabalho de pregação nas ruas em cultos em calçadas. Essa perspectiva de religião surge juntamente com a revolução industrial baseado na filosofia da acumulação capitalista, logo é uma "saída" fácil para aliviar os pesos do cotidiano da classe trabalhadora, mas em contrapartida aprisiona a consciência desta aos valores conservadores capitalistas.  Funcionam, portanto, então enquanto partido da burguesia, assim como faz a mídia burguesa. 
>Construir instrumentos feministas de comunicação alternativa: Rádios comunitárias feministas ou se incorporar com rádios comunitárias  já existentes com participações; investir em folhetins com linguagem acessível. Para as mulheres mais instruídas investir nos blogs como alternativa para furar a grande mídia.  E seguir utilizando o facebook, mas atentar com cautela para exposições desnecessárias. 
A nossa luta é longa, precisamos estar fortes, seguras e unidas para somar as forças das mulheres da classe trabalhadora.
"Não há de ser inutilmente" 

viernes, 10 de octubre de 2014

Para sublimar as intempéries. Palavras emprestadas de Eduardo Galeano.

Em tempos de coisas presas nas "goelas" e respostas insuficientes, somente poesia, música, esperança e resiliência para seguir acreditando em dias melhores. 
Peço ajuda ao companheiro Eduardo Galeano:





“Ainda que não possamos adivinhar o futuro, sim, temos ao menos o direito de imaginar como queremos que seja. Em 1948 e em 1976, as Nações Unidas proclamaram extensas listas de direitos humanos; mas a imensa maioria da humanidade não tem mais do que o direito de ver, ouvir e calar. Que tal se começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal se delirarmos, um pouquinho? Vamos a fixar os olhos mais além da infâmia, para adivinhar outro mundo possível.
- O ar das ruas limpo de todo o veneno que não venha dos medos e das paixões humanas;
- Os carros sendo esmagados pelos cães;
- As pessoas não mais dirigidas pelos carros, nem programadas pelo computador, nem compradas por supermercados, nem também assistidas pela TV;
- A TV deixará de ser o membro mais importante da família e será tratada como um ferro de passar ou máquina de lavar roupa;
- Será incorporado aos códigos penais o crime de estupidez para aqueles que cometem: viver para ter ou para ganhar ao invés de viver para viver simplesmente, assim como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca;
- Os historiadores não mais acreditarão que os países gostam de ser invadidos;
- Os políticos que os pobres adoram comer promessas;
- Ninguém viverá para trabalhar, mas todos trabalharão para viver;
- Os economistas não chamarão mais o nível de vida de nível de consumo e nem chamarão de qualidade de vida a quantidade de coisas acumuladas;
- Os cozinheiros não mais acreditarão que as lagostas amam ser fervidas vivas;
- A morte e o dinheiro perderão seus poderes mágicos e nem por falecimento e nem por fortuna um canalha se tornará um virtuoso cavalheiro;
- Ninguém levará a sério alguém que não seja capaz de tirar sarro de si mesmo;
- O mundo não estará em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza e a indústria militar não terá escolha a não ser declarar falência;
- Nenhum país irá prender os rapazes que se recusarem a cumprir o serviço militar, mas aqueles que quiserem podem servi-lo;
- A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio porque a comida e a comunicação são direitos humanos;
- Ninguém morrerá de fome;
- As crianças de rua não serão mais tratadas como lixo, porque não haverá mais crianças de rua, as crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá mais crianças ricas;
- A educação não será privilégio daqueles que podem pagá-la;
- A polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la;
- A justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viver separadas, serão novamente juntas de volta, bem grudadinhas, costas com costas;
- Na Argentina, as “Loucas de la Plaza de Mayo” serão um exemplo de saúde mental porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória;
- A Santa Madre Igreja corrigirá algumas erratas das tábuas de Moisés, e o sexto mandamento mandará festejar o corpo, a igreja também ditará outro mandamento que Deus havia esquecido: “amaras a natureza da qual fazes parte”;
- Serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma;
- Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles se desesperaram de tanto esperar e se perderam de tanto procurar;
- Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os tenham vontade de beleza e vontade de justiça, tenham nascido onde tenham nascido e tenham vivido quando tenham vivido, sem se importarem nem um pouquinho com as fronteiras do mapa e ou do tempo,
- Seremos imperfeitos porque a perfeição continuará sendo um chato privilégio dos Deuses;
- Neste mundo trapalhão, seremos capazes de viver cada dia como se fosse o primeiro e cada noite como se fosse a última.”
Eduardo Galeano

Não dá pra ficar em cima do muro! "Privatizações: a distopia do Capital" de Sílvio Tendler.

Pessoal, bom dia.

Em tempos de definições políticas para os rumos do país nos próximos quatro anos, um documentário recém- lançado de Sílvio Tendler, intitulado Privatizações: a distopia do Capital vem a calhar para ajudar nas definições. 

Não dá pra ficar em cima do muro! 

Depois é seguir ocupando ruas, praças, meios de comunicação alternativos, fazendo os enfrentamentos nas lutas necessárias.



( Matéria televisiva sobre o filme)

Abaixo segue descrição do filme encontrado no link: 

https://www.youtube.com/watch?v=A8As8mFaRGU



O novo filme de Silvio Tendler ilumina e esclarece a lógica da política em tempos marcados pelo crescente desmonte do Estado brasileiro. A visão do Estado mínimo; a venda de ativos públicos ao setor privado; o ônus decorrente das políticas de desestatização traduzidos em fatos e imagens que emocionam e se constituem em uma verdadeira aula sobre a história recente do Brasil. Assim é Privatizações: a Distopia do Capital. Realização do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), com o apoio da CUT Nacional, o filme traz a assinatura da produtora Caliban e a força da filmografia de um dos mais respeitados nomes do cinema brasileiro.

Em 56 minutos de projeção, intelectuais, políticos, técnicos e educadores traçam, desde a era Vargas, o percurso de sentimentos e momentos dramáticos da vida nacional. A perspectiva da produtora e dos realizadores é promover o debate em todas as regiões do país como forma de avançar “na construção da consciência política e denunciar as verdades que se escondem por trás dos discursos hegemônicos”, afirma Silvio Tendler.

Vale registrar, ainda, o fato dos patrocinadores deste trabalho, fruto de ampla pesquisa, serem as entidades de classe dos engenheiros. Movido pelo permanente combate à perda da soberania em espaços estratégicos da economia, o movimento sindical tem a clareza de que “o processo de privatizações da década de 90 é a negação das premissas do projeto de desenvolvimento que sempre defendemos”.
 
Bom filme e vamos ajudar a divulgar!

Ângela.

Não precisamos que nos ensinem! Nós já somos mulheres!

Mulheres, o cenário é preocupante para nós. Mas como somos mulheres corajosas, não nos furtaremos da luta.

Diante do cenário pós-eleições, com um congresso mais conservador por pelo menos mais quatro anos, senti a necessidade de dizer que:

> Preparemos-nos para investir na nossa formação político-ideológica, fortalecermos  a nossa auto-estima e estimulemos outras mulheres a se amarem mais e agregar mais pessoas a nossa luta feminista anticapitalista, antipatriarcal, anti-racista, anti homofóbica/lesbofófica/transfóbica (mulheres e homens). 


> Preparemo-nos para pensar em mecanismos que dialoguem com as mulheres nas periferias, no campo e na cidade sobre como construir rupturas cotidianas num modo de pensar definido pelas bases materiais estabelecidas, considerando que essas mesmas mulheres, assim como nós , mas em situação menos privilegiada,estão imersas em todas as contradições que a ordem determina, buscando alívio para suas dores em ideologias religiosas, funks e pancadões, por exemplo, que as aprisionam mais. 

> Penso que é chegado o tempo de colocar os pés no barros e  nas lamas das ruas não saneadas e quem sabe bater de porta em porta para pedir um simples copo d'água, iniciando processos de formação com poucas mulheres em algumas comunidades, dentro das nossas condições.

> Um mínimo de questionamento da ordem patriarcal capitalista estabelecida faz reavivar  a essência da falsa democracia racial brasileira, deixando "regressar" dos porões dos navios negreiros o  ódio ao povo negro ( que as Cláudia's,  mães, irmãs , filhas da juventude negra não nos deixem esquecer disso); das disputas coloniais o ódio ao povo nordestino (que os resultados da eleição na capital paulista não nos deixem esquecer disso); das entranhas fascistas, capitalistas e ignóbeis das religiões fundamentalistas  o ódio ao livre exercício da sexualidade e afetividade ( que as  milhões/milhares de mulheres lésbicas, bissexuais, heterossexuais  violentadas no mundo nos  lembrem de que não podemos parar).

> É tempo de se aproximar das mulheres que estão nas comunidades populares e periféricas, no campo e na cidade, ouvindo-as num exercício de educação popular feminista e a partir daí maturar propostas,ferramentas de diálogo e formação política-ideológica.  Sem pressa, com paciência histórica, sem afobação, mas também sem  titubear.

> É tempo de olharmos para a história  de vida das mulheres feministas das organizações diversas na Paraíba e aprendermos com a história delas aprendendo, então, a respeitar suas escolhas, mesmo que no meio do caminho as divergências apareçam... A unidade na ação deve prosseguir e as divergências devem ser respeitadas.

> É tempo de unidade com quem vai no mesmo rumo, construindo alianças táticas e estratégicas.

> Que o nosso amor pela luta revolucionária feminista, popular e socialista seja expresso através da solidariedade de gênero-classista, permitindo-nos compreender que o cenário é verdadeiramente preocupante para a luta contra as opressões advindas da formação social e econômica desse país e do restante do mundo. 

> É tempo, portanto, de olhar no olho da(s) outra(s), reconhecer-nos como companheiras, dar as mãos umas às outras e seguir em Marcha até sejamos livres nas várias trincheiras: nas nossas casas, nas nossas escolas, nas nossas creches, nas nossas universidades, nas nossas comunidades, nos postos de trabalho...

A revolução é permanente. 
O cenário pode ser difícil, mas agente já sabe quem tem o poder. E nós já sabemos ser mulheres!

Abaixo segue matéria que me estimulou a escrever esse texto:

Jovem é estuprada para “aprender a ser mulher”

06/10/2014 , by Redação 






estupro

A estudante de 25 anos, lésbica, relata ter sido vítima de violência sexual em plena via pública em SP; dois homens teriam a abordado na região da Consolação e a forçado a ter relações sexuais com ambos pelo simples fato de ser homossexual; até agora não há suspeitos 
Por Ivan Longo 
Em meio a intensas discussões sobre homofobia e crimes de ódio, principalmente por conta do cenário eleitoral, a intolerância faz mais uma vítima. Uma jovem de 25 anos que preferiu não se identificar relata ter sido vítima de um “estupro corretivo” no último dia 13, em plena via pública e bastante movimentada da capital.
De acordo com a joven, que estuda artes visuais, ela estava caminhando pela avenida Rebouças – como costuma a fazer usualmente – por volta das 22h quando foi abordada por dois homens. Eles teriam desferido palavras de ódio contra a garota pelo fato de ser lésbica. Ela respondeu à altura e os indivíduos a teriam agarrado e realizado um estupro para que ela “aprendesse a ser mulher”.
“Ainda não consegui retornar as minhas atividades práticas cotidianas ou sequer ao normal funcionamento intelectual/cognitivo do meu cérebro”, contou a jovem, mais de uma semana após o ocorrido. Ela informou ainda ter desmaiado durante o ato e acordado sozinha, sem receber ajuda de ninguém.
A estudante, depois de passar por tratamento médico, chegou a abrir um boletim de ocorrência na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) e voltou até o local com dois investigadores da Polícia Civil. Como não encontraram nenhuma câmera de segurança, ainda não há suspeitos.  “Fui com dois investigadores da polícia civil ao local e constatamos que não há câmeras por ali. Os 99% de improbabilidade de encontrar os sujeitos me desestimularam a dar continuidade ao processo criminal, aos encontros estressantes com advogados, legistas e afins”, contou.
Confira o relato da jovem na íntegra:
No sábado 13/09/2014 fui vítima de violência sexual homofóbica, ou estupro corretivo. Ainda não consegui retornar as minhas atividades práticas cotidianas ou sequer ao normal funcionamento intelectual/cognitivo do meu cérebro. Funções como sono e fome foram substituídas por insonia e náusea.
Recebi atendimento exemplar no Hospital Pérola Byington, Centro de referência da saúde da mulher. Lá tive acesso a fármacos preventivos de DSTs, gratuitos, infelizmente o tratamento também é penoso devido a agressividade dos remédios e de seus efeitos colaterais, são 28 dias de retrovirais contra AIDS.
Subia a Rebouças em direção à Consolação, a pé, como sempre faço, sou defensora dos benefícios de uma boa caminhada e da locomoção alternativa. Ao passar pelo viaduto, na ladeira próxima a Praça José Molina, fui abordada por dois indivíduos do sexo masculino que atiravam em minha direção palavras de cunho homofóbico e afirmavam coisas do tipo: “se quer ser homem, vai ser tratada como homem”, mandei-os ir para aquele lugar e que me deixassem em paz. Em seguida fui agarrada por quatro braços e forçada a ter relações sexuais com ambos os indivíduos que agora paradoxalmente bradavam que “me ensinariam a ser mulher”. Claro que as expressões exatas foram eufemizadas pela minha incapacidade psicológica de repeti-las.
Isso aconteceu numa via pública onde passavam automóveis, ninguém ofereceu ajuda, ou quiçá se incomodou. Desmaiei. Quando acordei estava perturbada e foi difícil aceitar o que tinha acontecido. Demorei 24h para poder falar com a minha mãe, mais ainda para falar com outras pessoas.
Agora sinto que é necessário, estimulada pelo discurso homofóbico do presidenciável Levi Fidelix e o apoio que esse tem recebido de pastores e outras personalidades. Fui com dois investigadores da polícia civil ao local e constatamos que não há câmeras por ali. Os 99% de improbabilidade de encontrar os sujeitos me desestimularam a dar continuidade ao processo criminal, aos encontros estressantes com advogados, legistas e afins.
É certo que a impunidade mais uma vez vigorará. Agradeço aos carinhosos amigos que me têm apoiado, também minha mãe que sempre apoiou todos minhas escolhas e é a primeira defensora da minha individualidade! Espero fazer do facebook e do acontecimento plataforma e ferramenta de luta para que não aconteçam mais tais crimes de homofobia!
  Fonte: http://spressosp.com.br/2014/10/06/jovem-e-estuprada-para-aprender-ser-mulher/
Pelo fim da lesbofobia, homofobia, machismo e violência contra as mulheres!

domingo, 5 de octubre de 2014

A militância revolucionária socialista é uma questão de amor.


Senti-me compelida a escrever a respeito desse tema após uma série de conflitos por mim vivenciados que na conjuntura atual são reincidentes como expressão da miserabilidade ideo-política que atinge as/os sujeitas/os políticas/os do nosso tempo. Interessa-me falar aqui das práticas das/os militantes da esquerda.

Ressalto antes que não se trata de uma análise ideal, ou seja, que parte de algo em que não se implica nela e que é tirada, metaforicamente, de uma estante de idéias. Trata-se, todavia, de uma análise em que enquanto sujeita política, incorporo-me em processo constante de auto-crítica na práxis militante.

Quando falo de miserabilidade ideo-política não me restrinjo à concepção de ideologia enquanto projeção de futuro. Refiro-me a ideologia como aparato de ideias, produto das condições materiais, que forjam a consciência social de uma determinada época. Falo da ideologia da classe dominante, que se impregna “nas mentes e corações” de todas/os aqueles que vivem sobre a égide desse sistema capitalista-patriarcal.

A meu ver, esta condição é sintetizada muito bem pela frase “A cabeça pensa onde os pés pisam”. Como o “solo” da sociabilidade capitalista-patriarcal acolhe diversos relevos, caminhos tortuosos, em outras palavras, é cheio de contradições, estamos suscetíveis em maior ou menor proporção a se impregnar dos piores valores éticos da ordem vigente, ou seja, os valores burgueses.

Viver sob a ideologia do sistema capitalista-patriarcal significa sofrer constante influência de valores que são inerentes a ele como, por exemplo, o individualismo, o egoísmo, a vaidade e a opressão entre e intergêneros.

Hoje, pergunto-me em que medida somos/seremos capazes de subtrair de nossa prática militante as expressões dos valores burgueses que caracterizam a mediocridade ideo-política na nossa época?

Estamos de fato nos permitindo ao exercício de auto-crítica e crítica franca e fraterna com objetivo de somarmos forças na contra-maré  que a superação dos valores burgueses exige de nós?

Temos de fato interesse em superar os equívocos da esquerda fraticida que parece não enxergar a perda de força da classe trabalhadora para, em contra-mão, recolher a arrogância, o orgulho, a vaidade e os disputismos ignóbeis  no mais fundo dos buracos do solo capitalista de modo a inutilizá-los?

Até quando continuaremos somando motivos para os sorrisos dos capitalistas que agem de forma bem unitária quando o objetivo é fragmentar os opositores à ordem socioeconômica burguesa?

A partir de várias reflexões sobre essas questões avanço para a compreensão-práxis de que A MILITÂNCIA REVOLUCIONÁRIA SOCIALISTA É UMA QUESTÃO DE AMOR.

Esse amor passa muito longe do amor romântico gestado na sociedade burguesa industrial.  Há pessoas que fingem ter amor, às vezes para se projetar e ganhar visibilidade, mas há pessoas (muito poucas) que realmente tem amor e se doam pela luta revolucionária. E conseguem sentir a dor da/o outra/o provocada pelas agruras da ordem capitalista patriarcal como se fosse a própria dor. E assim agir sobre a realidade. Isso pra mim é amor. 
Mais amor ainda o é, pelo fato de apesar das contradições da esquerda seguir acreditando, defendendo e materializando ações que visam a superação dos equívocos dos que também se impregnaram dos valores capitalistas, machistas e racistas.


Dificuldade de ouvir: Ode à escutatória de Rubem Alves 

(http://www.descasulando.blogspot.com.br/2014/08/rubem-alves-segue-vivo-escutatoria.html)

Às vezes a gente tem dificuldade de ouvir e entender o que a/o outra/o coloca nas reuniões. As respostas rápidas, recheadas de passionalidade e de certezas pré-estabelecidas, não colaboram com o mundo novo que queremos construir. Essa prática não vem de hoje, vem de longos tempos. 

Pessoalmente, estou nesse difícil exercício de a partir da escuta, analisar as diversas possibilidades e enunciar reflexões. 

Sobre os desvios dos instrumentos da esquerda:

Nem sempre o que está no plano da mente se materializa na prática e a resistência às reflexões sobre a prática militante denunciam o nível da mediocridade ideo-política.

Tenho realmente preocupação com os estragos que partidos de esquerda podem estar trazendo aos espaços de organização política.  Ressalvo que isso não é uma declaração fascista de negação dos partidos. Pelo contrário, urge fortalecermos instrumentos organizativos sejam eles partidos, movimentos sociais, associações e outras possibilidades.

Após algumas reflexões, tenho me permitido a olhar a realidade de outra localização do solo capitalista. Como se trata, do solo capitalista, tenho, portanto, grandes possibilidades de incorrer em equívocos os quais critico. Mas dou minha cara à tapa as  possíveis divergências, sem prescindir da possibilidade de outras pessoas divergirem de mim. Esse é o exercício do respeito à divergência sem opressão da outra/o.

Tenho contato com camaradas do movimento estudantil que não estão organizados em partidos, mas que querem se organizar e que expressam desapontamento com práticas partidárias que criticavam desvios militantes, mas que seguem cometendo erros históricos da esquerda com objetivo de se fortalecer enquanto partido, negando outras possibilidades e experiências organizativas e a divergência, a exemplo de erros como o vanguardismo, o sectarismo e tantos “ismos”. A preocupação se estende a esquerda de forma geral. 

As reflexões não surgem de prateleiras de idéias. Precisei sentir na pele o controle da minha voz para poder compreender os equívocos da esquerda. Que bom que senti as correntes que me prendiam, movimentando-me. Lembrando da famosa frase de Rosa Luxemburgo “ Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem”.
Nunca pensei que faria o uso dessa reflexão de Rosa Luxemburgo, para avaliar as práticas militantes da esquerda, mas a mesma é bem vinda.

Tenho refletido a importância de não se reproduzir a sectarização de debates nas organizações. Estes precisam ser feitos de forma democrática no todo da organização, considerando os níveis diversos de consciência política e feminista e os acúmulos na experiência militante.

O papel das/os mais experientes é estimular as/os menos experientes a serem militantes revolucionárias/os socialistas e feministas (pró-feministas no caso dos homens), a desenvolverem suas habilidades de agitação-propaganda, de escutatória e oratória, escrita, análise e outras tantas habilidades que a militância revolucionária por amor à classe trabalhadora exige de nós.

O amor é tamanho que a necessidade de fazer diferente e fortalecer a luta da classe trabalhadora (que tem dois sexos) segue em maratona, onde os bastões de revezamento passam de mãos em mãos.

É tempo de pausa no ativismo, mas a luta não pára.

 A minha vida é parte da luta. 



Ângela Pereira. 

viernes, 3 de octubre de 2014

"Para as que virão" (...) "Amar não é aceitar tudo"




(Adaptação da poesia " Para os que virão" de  Thiago de Mello)

Como sei pouco, e sou pouco, 
Faço o pouco que me cabe
Me dando inteira.
sabendo que não vou ver
a mulher que eu quero ser.

Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra 
da opressão, e nem sabem.

Não, não tenho o sol escondido
No meu bolso de palavras.
Sou simplesmente uma mulher 
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular-foi deixando, 
devagar , sofridamente, 
de ser, para transformar-se
-muito mais sofridamente_
Na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo 
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo, 
mesmo que longe ainda esteja de aprender a conjugar 
o verbo amar.

É tempo sobretudo de deixar de ser apenas 
a solitária vanguarda de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro. 
( Dura no peito, arde a límpida
verdade de nossos erros.)
Se trata de abrir rumo.

As que virão, serão povo, 
e saber serão lutando. 






MAS TAMBÉM....


Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.
Vladimir Maiakóvski.