Mostrando las entradas con la etiqueta Pensamentos.... Mostrar todas las entradas
Mostrando las entradas con la etiqueta Pensamentos.... Mostrar todas las entradas

lunes, 15 de febrero de 2016

Casulo.


Cada vez que me ponho a executar uma tarefa difícil ponho-me a recriar meus casulos. Gosto da idéia de olhar para dentro e reconectar-me ao que sou, considerando o que o mundo que tento romper me exige.


Sons e luzes tentam me seduzir para sair antes do tempo do casulo. Aprendi em outros momentos que essa ansiedade pode atrapalhar na qualidade do resultado.

Hoje, amarro minha ansiedade nas teias do casulo e transformo-a em matéria prima.
Alimento o meu amor pela escrita como arma de transformação e lembro das várias mulheres que também a amaram como tal.
Reconheço as minhas habilidades adormecidas ou confundidas pela correria da vida que nem sempre escolho.
Elimino as energias ruins que querem interferir na minha caminhada e assumo para mim, mais uma vez, a minha tarefa de atravessar sozinha a ponte.

Sei que depois descasularei mais forte e mais feliz com a vida.


Castainho, 15 de fevereiro de 2016.

miércoles, 29 de octubre de 2014

O exercício da crítica é necessário.

Tenho insistentemente escrito pequenos textos sobre preocupações com os rumos políticos do nosso país.  Vejo que esse debate  ganha força nos períodos eleitorais, mas deveria ser motivo de muita conversa nas praças, ruas, escolas, clubes e tantos outros espaços cotidianamente. 
Compreendo, mas não me contento com essa restrição. 
Resta-me a paciência histórica e a parte que me cabe na tentativa de contribuir com a elevação do nível de consciência a partir do pouco que tenho buscado entender as tramas das relações socioeconômicas e políticas dessa sociedade nefasta, sem pretensões de estar totalmente correta. 
É um ponto de vista que vem sendo forjado desde as minhas primeiras inquietações nas terras das usinas de cana-de-açúcar por onde morei e atiçado, posteriormente, pela práxis militante em processo.

Nesse sentido, o exercício da crítica é necessário e não posso me furtar dele. 

Incomoda-me como companheiras/os de esquerda  temem o debate sobre a condução política desse país como se não fosse necessário discutir e como se tudo estivesse caminhando bem. 
Sussurram aos "ouvidos amigos":  "cuidado com as críticas, pois podemos estar jogando força  para o outro lado (o da direita). Vamos nos dispersar..."


Eu pergunto então: 

> Será que não aumentamos a força da direita na medida em que não nos permitimos discutir de forma franca e aberta, mas respeitosa os rumos de um governo que se diz da classe trabalhadora, mas que já demonstrou ser um governo de coalizão de classes? 

> Que custa dialogarmos com outras/os camaradas da esquerda as questões que sempre nos incomodaram  e muitas vezes nos uniram na ação como, por exemplo,  a luta contra as privatizações e terceirizações em diversas áreas? 

>Por que não podemos fazer análises críticas entre nós, buscando um caminho unitário de luta? 

>O que de fato tem dispersado a esquerda?


Deixar que sussurrem ao meu ouvido amigo sem me posicionar é um atentado à posição crítica que venho assumindo desde minha adolescência sobre o meu papel social diante das injustiças do mundo sobre os mais pobres. 

Não gosto de passar a mão na cabeça de quem parece não ser justo, nem gosto de colocar o lixo para debaixo do tapete.  Prefiro olhar no olho e  avaliar até que ponto é interessante intervir, no que dá pra avançar e no que é preciso recuar. Além disso,  gosto da assertividade ao invés da passividade.

Desta maneira, não posso aceitar que em nome de uma tática que suponho ter elegido como atuação a defesa de uma "reforma política" como saída para os problemas políticos dos próximos anos, esqueça-se de lutas históricas, por exemplo, pelo acesso universal e gratuito à saúde, condições de trabalho, pela educação e saúde públicas , gratuitas, estatal e de qualidade. 

Mais uma vez pergunto: 

>Somente é possível  prestar assistência a saúde com qualidade nesse país cedendo aos interesses do capital que vibra de alegria com o repasse do dinheiro público  para Organizações Sociais, Fundações Estatais de Direito Privado,  ou Empresa Brasileira de Serviço Hospitalares em detrimento das condições de trabalho dos profissionais da saúde?

>Para se atender às necessidades de assistência médica nos diversos rincões desse país é preciso aliar um programa a EBSHER? 


Questionar ou criticar determinada opção  não significa, por outro lado,  não reconhecer que  importantes  mudanças na condição de miserabilidade do povo brasileiro pobre, bem como nas relações internacionais brasileiras tem se processado.  

O que eu convido as/os camaradas a refletirem é sobre o que está bom que precisa ser continuado e sobre o que está ruim e não deve prosseguir e deve ser mudado.

Colocando-me a disposição dentro das minhas possibilidades de quem hoje está desempregada e que está buscando alguma estabilidade fugindo da precarização extrema do trabalho que é tão comum aos profissionais da saúde  para me juntar ao trabalho de formação política da classe trabalhadora na base em torno de reformas estruturais de que o nosso país necessita. 

Ai quem sabe teremos força para não apenas fazer uma "reforma política", mas também para saber eleger parlamentares que realmente representem o povo e que possam ser pressionados para operacionalizarem legislações que atendam as necessidades prioritária da classe trabalhadora sem ilusões de que as soluções para os nossos problemas, em essência, virão do Estado nos marcos da ordem capitalista.  
Realizando formação e luta com a classe trabalhadora, de preferência no "chão de terra batida", caminharemos  para nossa elevação da consciência a ponto de elegermos pessoas comprometidas com à diversidade sexual e a criminalização da homofobia,  com a legalização  e criminalização do aborto, com as reformas estruturais de que o nosso povo necessita.  Ou abriremos espaço, por exemplo, para mais mulheres ruralistas e fundamentalistas ocuparem as cadeiras do parlamento para manter o status quo da sociedade brasileira. 

Ao contrário de alguns camaradas da esquerda, não afirmo que tudo está ruim e que assim permanecerá. Essa posição me parece tão conformista quanto a dos pessimistas conservadores que sempre ficam torcendo para que tudo dê errado. 

Eu não. Torço para que nosso país seja capaz de superar as mazelas de um histórico de subserviência colonialista aos que querem ser donos do mundo tirando de outros humanos a felicidade de viver livremente sem exploração. 

Mas não torço apenas pelo nosso país, torço por um mundo livre da exploração capitalista.  

martes, 28 de octubre de 2014

Sem basismo, estou com o povo que não é bobo!

Reforçando o desabafo- reflexão de Romero Venâncio, socializo uma breve narrativa de um episódio por mim vivenciado num bar de um bairro periférico dessa cidade na noite em que a comemoração pela vitória de Dilma/Ricardo ganhava principalmente as ruas da orla pessoense.
Um homem, com seus aproximados 47 anos, um pouco ébrio e com uma leve deficiência intelectual, baixo, negro, com nome de um santo católico apostólico-romano, com o corpo sujo de suor e de poeira se aproximou e me cumprimentou.
Eu estava com uma camisa vermelha toda cheia de adesivos de Dilma, por isso suponho tê-lo atraído. Começo então a conversar com ele perguntando com o que trabalhava. Ele me respondeu que trabalha com limpeza.


Aí dialogamos um pouco sobre a vitória de Dilma. Os comentários dele me pareciam bem coerentes. E me chamou atenção a frase " Eu votei nela, mas eu quero saber o que ela vai trazer para a Paraíba". E depois completa "o povo não é bobo". Eu retirei um dos adesivos da minha camisa e coloquei na camisa dele. No mesmo momento chega outro homem, pedindo dinheiro, ai ele me alertou " Cuidado com ele: é um esperto". O Homem com nome de santo chega perto do outro e diz " Você é tão jovem. Vá trabalhar! ". O outro sai aborrecido e resmungando.
O Homem com nome de santo resolve conversar com outras pessoas no bar e nos deixa por alguns minutos. Depois ele retorna e me explica: " Voltei. Voltei porque gostei de você." E me pediu para que tirasse o adesivo de Dilma. Eu falei por três vezes seguidas " Mas me explique por que?" A boca que liberou os argumentos tão facilmente alguns minutos atrás se calou. Ele não respondeu a minha pergunta e seguiu retirando o adesivo de Dilma.
Depois apertou minha mão e beijou o meu rosto.
A minha opção de comemorar a vitória de Dilma num bairro periférico ao invés de ir a orla valeu muito à pena.
Sei que não posso generalizar a fala do Homem com nome de santo para analisar a conjuntura política, mas já me lembro de ter ouvido essa expressão ("o povo não é bobo!") várias vezes, de bocas muito parecidas com a do Homem com nome de santo.
Mesmo não sendo religiosa, mas concordando com o sentido de algumas expressões desse cunho, encerro esse comentário com um trecho do versículo 34 de Mateus 12 "a boca fala do que está cheio o coração" (Mateus 12:34)
O "coração" do povo pobre brasileiro anda machucado, mas não desiste. Sabe que precisa sobreviver e quer melhorar de vida.
E o povo pobre por estar com o "coração" machucado, sabe bem que há sempre que desconfiar... 
Vota em Dilma, mas "quer saber o que ela (Dilma) trará para a Paraíba".


Ângela Pereira.



UM DESABAFO OU REFLEXÃO... TANTO FAZ... VAI...


Em 1989 a maioria dos pobres do Nordeste e Norte votou em peso no Collor (vivi e sofri este ano). Lula, candidato dos trabalhadores e ex-lider operário à época perdeu exatamente entre os pobres (ninguém disse nada ou caiu a gritaria de que pobre não sabe votar). Em 1994 mais uma vez os pobres votaram em FHC na onda do plano real (ninguém disse que pobre não sabe votar)... em 1998 mais uma vez FHC (ano símbolo da quebradeira do Brasil e desmonte do setor público brasileiro) e ninguém falou dos pobres que não sabiam votar (até FHC gostou e aplaudiu os rincões que o elegeram)... Estranho, preconceituoso, fascista e elitista é este papo de que os pobres do Norte e Nordeste votaram nesse 26 de outubro de 2014 por “bolsa família” e políticas sociais... De fato... e como não votariam? A necessidade tem falado mais alto entre os pobres em quase todas as eleições desde os anos 80... Por que só agora vem a gritaria? Olhemos as palavras e de onde estão saindo as pérolas do tipo: “ignorantes”, “burros”, “famélicos” ou daquelas senhoras da marcha com Deus e outras merdas dos dias atuais: corrupção, imoralidade, Impeachment (com as fontes da Veja e Globo). Será que precisa dizer de quais estados do Brasil são essa gente que grita assim???? Na verdade a questão é mais funda: um brutal preconceito de classe (histórico desde a montagem da casa grande) e pautado no velho cinismo (ainda de classe, também) dos “bem educados” que tudo sabem... São os 500 anos do cipó de aroeira no lombo de pobres e pretos... Isto é que essa gente não quer que mude... e olhe que Dilma/Lula/PT nem vão mudar nada e nem vão tirar os privilégios dessa gente (nem tenho ilusões)... “Só quero ver quando Zumbi chegar”... Por fim, dedico a essa gente escrota a música de Geraldo Vandré dos anos 60... Me representa!!!!!!!!!!!!!!




sábado, 25 de octubre de 2014

Somos nós, a esquerda, que daremos o tom VERMELHO.

A história se repete. A VEJA sempre teve um lado:o lado da burguesia.


Dilma é diferente de Aécio, sem dúvidas. E o PT é diferente do PSDB, mas o PT e toda a esquerda (inclusive a oposição de esquerda) precisam fazer uma autocrítica de sua atuação frente a ofensiva capitalista e ao consequente conservadorismo de quem deixou de fazer formação política e trabalho de base nas comunidades, nos sindicatos, nos movimentos sociais e em outros espaços ou veremos quem de fato ganhará no cotidiano da vida do trabalhador.




Eu digo não ao retrocesso, mas não desejo um "país da classe média".
Quero um país (um mundo) onde de fato a desigualdade social em suas variantes seja superada, porque, em essência, a desigualdade social não foi banida.






Defendo o projeto de saúde da Reforma Sanitária Brasileira ( não o do "SUS possível") e digo NÃO às privatizações e terceirizações na saúde (NÃO às OS's, OSCIP's, FEDP, EBSERH).
Quero que a atenção à saúde da mulher seja integral e que as mulheres sejam mais que mães ( e não " cegonhas"- REDE CEGONHA), tendo o direito de decidir pelo aborto, porque as mulheres da classe trabalhadora estão morrendo ao fazerem os procedimentos sem condições para tal.
Quero que a dívida histórica para com aqueles que compartilham a cor da minha pele seja paga para que tenhamos acesso à educação, à saúde, ao emprego e demais políticas públicas. Mas acredito que nós, povo de pele preta da classe trabalhadora, precisamos de mais que políticas afirmativas.
Quero que o Estado repasse o dinheiro suado das/os trabalhadoras/es destinado ao fundo público para políticas públicas de fato universalizantes, públicas e estatais. E sei que o Estado Social Keynesiano (que é liberal) não resolveu, nem resolverá os problemas da classe trabalhadora em toda a sua radicalidade (Vide o exemplo da Europa).
Por isso continuo acreditando que o Estado representa majoritariamente uma classe (a classe dominante- a classe burguesa) e que, portanto, deve ser suplantado.
Quem jogará o peso dessa disputa a não ser nós militantes da esquerda (populares, socialistas e comunistas)?
Como vimos e sabemos, o outro lado já tem sua força e seus instrumentos, nós temos perdido força consideravelmente com a ofensiva capitalista neoliberal desde os governos Collor de Mello e FHC e com os "respingos"(?) ( aqui é onde estão as maiores divergências) no governo Lula e Dilma.

Nesses governos tem se dado um processo de fragilização da classe trabalhadora sem tamanho, expressos na flexibilização e consequente precarização das condições e relações de trabalho sejam elas no setor privado ou público.
Permanece atravancando os caminhos a lei de Responsabilidade Fiscal e o condicionamento de investimentos nas folhas salariais dos trabalhadores. Segue a prevalência de concursos públicos por meio de CLT em detrimento do Regime Jurídico Único/ Estatutário ( derrotado no governo de FHC) e não se avança por exemplo, com o Plano de Cargo de Carreira dos trabalhadores da saúde. Segue o repasse de dinheiro público para entidades de interesse privado como as OS's, Oscips,FEDP e EBSHER.
Nas universidades públicas, com o REUNI, mesmo com a importante entrada de estudantes da classe trabalhadora, segue a precarização do trabalho docente e das condições de ensino, pesquisa e extensão, sendo os professores massacrados com cargas horárias extensas e interferindo nas condições de ensino-aprendizagem.

Mas podemos fazer uma opção: A) Ou Continuaremos nos chamando de governistas ou nos alcunhando de esquerdistas, numa luta fraticida b) Ou entenderemos que a unidade é necessária, com os devidos respeitos às divergências e a compreensão de até onde se pode andar junto e por isso, no mínimo é preciso ter diálogo.
Eu prefiro a opção B. E tenho posição.
Vou com Dilma para não retroceder.

Sigo apostando na força dos que vem de baixo que podem estar superando as suas necessidades primeiras, vindas do estômago, para poderem pensar, trabalhar...
SE vão pensar como classe média ( setor médio= pequena burguesia) ou como classe trabalhadora, nós -a esquerda organizada e não apenas o PT- é que daremos o tom.
Eu prefiro o tom vermelho que é o mesmo tom do sangue daquelas/es que já perderam a vida em luta pela liberdade socialista/feminista. 

É o mesmo tom da REVOLUÇÃO SOCIALISTA, SEM ETAPISMOS, SEM ILUSÕES AUTO-IMPOSTAS, SEM PERDER A BASE, porque a CABEÇA PENSA ONDE OS PÉS PISAM.

No dia 26, compartilharei do tom vermelho de Dilma, que pode ficar cada vez mais vermelho se nós (classe trabalhadora/esquerda) quisermos e nos movimentarmos para tal.
Ou o vermelho ficará cada vez mais desbotado. Daí repito: somos nós, a esquerda, que daremos o tom
.

domingo, 19 de octubre de 2014

Como as nossas mães e os nossos pais... Mas é preciso força!

Ontem duas músicas me acompanharam durante o dia todo:  "Como os nossos pais" e "Maria Maria" ambas na voz de Elis Regina. 
A primeira faz menção aos tempos que as flores cantadas numa música não necessariamente eram flores, mas uma substituição de palavras para burlar a censura da ditadura militar. A segunda me faz lembrar e afirmar a força que temos, nós mulheres da classe trabalhadora, para virar o jogo. 

Ainda sinto cheiro da nova estação!




Com elas, lembrei-me de como a história se repete, mesmo em proporções diferentes e com peculiaridades. Hoje como quando era com as nossas mães e com os nossos pais, a história se repete como farsa, parafraseando Marx " A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa". 

A constatação de que acontecimentos da história  tendem a si repetir, nesse caso me refiro a conjuntura político-eleitoral com os apoios da mídia burguesa ao candidato de sua classe, Aécio Neves, bem como com as agressões sofridas por quem quer se expressar sem ter sua voz coagida pela polícia, denota como nós mulheres precisamos continuar sendo fortes porque somos parte importante da luta pela superação do sistema capitalista patriarcal. 

A luta de classes, tema trabalhado por Marx, por exemplo, em " O 18 brumário de Louis Bonaparte", salta aos olhos vistos.  Os adesivos nas portas das casas, nos automóveis e nas roupas expressam não apenas uma posição eleitoral, mas a posição e aspirações de classe de cada um/a.  Logo adesivos da candidatura de Aécio Neves apregoadas em celulares e casas de policiais ou  adesivos de Dilma em carros de catadores de papelão não representam mera posição eleitoral. Representam, em aparência, as decisões, posições e aspirações de classe da população brasileira.  Há mediações a serem feitas nessa afirmação, entretanto,  mas de forma geral pode-se compreender desta forma. 

Até as mobilizações nas universidades públicas estão sendo coagidas em nome de um Estado de Direito, que sabemos tem uma posição de classe, como aconteceu na semana passada na UFPB.  ( vide nota das entidades representativas dos professores,  técnicos administrativos e estudantes no endereço eletrônico  http://www.adufpb.org.br/site/nota-oficial-em-defesa-dos-direitos-a-liberdade-de-expressao-da-autonomia-universitaria-e-contra-a-repressao-na-ufpb/)

Outra constatação em relação a conformação das forças políticas no congresso brasileiro após o 1º turno das e eleições ( vide texto "Mais fisiológico, mais conservador"  disponpivel em http://www.asmetro.org.br/portal/gestao/21-clipping/4621-revista-carta-capital-mais-fisiologico-mais-conservador-a-estacao-uruguai),  pede um processo de reflexão-ação  das organizações da classe trabalhadora quanto à sua atuação. 

Nesse quesito, estamos (a esquerda) com sérios problemas a serem analisados e trabalhados em busca da construção de uma correlação de forças que nos dê condições de virar o jogo.

De algumas reflexões que venho fazendo, e da análise de outras leituras, penso que desafios importantes já discutidos em outros espaços estão mais que atuais. 
> Ou a esquerda partidária, sindical e dos movimentos sociais fazem uma autocrítica franca de sua forma de intervenção, voltando-se para as bases ou o cenário vai piorar consideravelmente.  É preciso conquistar companheiras na universidade, mas sair dela e colocar os pés nos chão das comunidades, trabalhando numa perspectiva de educação popular feminista. Aqui me refiro ao movimento feminista.
> Restringir-se aos espaços institucionais, enquanto espaço da política é ao meu ver seguir dando tiros nos pés de quem já está cambaleante... É preciso atuar nele, mas a prioridade precisa ser a elevação da consciência das pessoas para se organizarem nas ruas;
>Enquanto se continuar olhando pros umbigos de cada organização e não se colocar os pés no solo das comunidades  desse país como hoje as igrejas pentecostais , principalmente, vem fazendo diuturnamente será difícil revertermos esse quadro.  
Tem-se visto nas comunidades o crescimento frenético de igrejas evangélicas.  Além de todo trabalho de pregação nas ruas em cultos em calçadas. Essa perspectiva de religião surge juntamente com a revolução industrial baseado na filosofia da acumulação capitalista, logo é uma "saída" fácil para aliviar os pesos do cotidiano da classe trabalhadora, mas em contrapartida aprisiona a consciência desta aos valores conservadores capitalistas.  Funcionam, portanto, então enquanto partido da burguesia, assim como faz a mídia burguesa. 
>Construir instrumentos feministas de comunicação alternativa: Rádios comunitárias feministas ou se incorporar com rádios comunitárias  já existentes com participações; investir em folhetins com linguagem acessível. Para as mulheres mais instruídas investir nos blogs como alternativa para furar a grande mídia.  E seguir utilizando o facebook, mas atentar com cautela para exposições desnecessárias. 
A nossa luta é longa, precisamos estar fortes, seguras e unidas para somar as forças das mulheres da classe trabalhadora.
"Não há de ser inutilmente" 

viernes, 10 de octubre de 2014

Não precisamos que nos ensinem! Nós já somos mulheres!

Mulheres, o cenário é preocupante para nós. Mas como somos mulheres corajosas, não nos furtaremos da luta.

Diante do cenário pós-eleições, com um congresso mais conservador por pelo menos mais quatro anos, senti a necessidade de dizer que:

> Preparemos-nos para investir na nossa formação político-ideológica, fortalecermos  a nossa auto-estima e estimulemos outras mulheres a se amarem mais e agregar mais pessoas a nossa luta feminista anticapitalista, antipatriarcal, anti-racista, anti homofóbica/lesbofófica/transfóbica (mulheres e homens). 


> Preparemo-nos para pensar em mecanismos que dialoguem com as mulheres nas periferias, no campo e na cidade sobre como construir rupturas cotidianas num modo de pensar definido pelas bases materiais estabelecidas, considerando que essas mesmas mulheres, assim como nós , mas em situação menos privilegiada,estão imersas em todas as contradições que a ordem determina, buscando alívio para suas dores em ideologias religiosas, funks e pancadões, por exemplo, que as aprisionam mais. 

> Penso que é chegado o tempo de colocar os pés no barros e  nas lamas das ruas não saneadas e quem sabe bater de porta em porta para pedir um simples copo d'água, iniciando processos de formação com poucas mulheres em algumas comunidades, dentro das nossas condições.

> Um mínimo de questionamento da ordem patriarcal capitalista estabelecida faz reavivar  a essência da falsa democracia racial brasileira, deixando "regressar" dos porões dos navios negreiros o  ódio ao povo negro ( que as Cláudia's,  mães, irmãs , filhas da juventude negra não nos deixem esquecer disso); das disputas coloniais o ódio ao povo nordestino (que os resultados da eleição na capital paulista não nos deixem esquecer disso); das entranhas fascistas, capitalistas e ignóbeis das religiões fundamentalistas  o ódio ao livre exercício da sexualidade e afetividade ( que as  milhões/milhares de mulheres lésbicas, bissexuais, heterossexuais  violentadas no mundo nos  lembrem de que não podemos parar).

> É tempo de se aproximar das mulheres que estão nas comunidades populares e periféricas, no campo e na cidade, ouvindo-as num exercício de educação popular feminista e a partir daí maturar propostas,ferramentas de diálogo e formação política-ideológica.  Sem pressa, com paciência histórica, sem afobação, mas também sem  titubear.

> É tempo de olharmos para a história  de vida das mulheres feministas das organizações diversas na Paraíba e aprendermos com a história delas aprendendo, então, a respeitar suas escolhas, mesmo que no meio do caminho as divergências apareçam... A unidade na ação deve prosseguir e as divergências devem ser respeitadas.

> É tempo de unidade com quem vai no mesmo rumo, construindo alianças táticas e estratégicas.

> Que o nosso amor pela luta revolucionária feminista, popular e socialista seja expresso através da solidariedade de gênero-classista, permitindo-nos compreender que o cenário é verdadeiramente preocupante para a luta contra as opressões advindas da formação social e econômica desse país e do restante do mundo. 

> É tempo, portanto, de olhar no olho da(s) outra(s), reconhecer-nos como companheiras, dar as mãos umas às outras e seguir em Marcha até sejamos livres nas várias trincheiras: nas nossas casas, nas nossas escolas, nas nossas creches, nas nossas universidades, nas nossas comunidades, nos postos de trabalho...

A revolução é permanente. 
O cenário pode ser difícil, mas agente já sabe quem tem o poder. E nós já sabemos ser mulheres!

Abaixo segue matéria que me estimulou a escrever esse texto:

Jovem é estuprada para “aprender a ser mulher”

06/10/2014 , by Redação 






estupro

A estudante de 25 anos, lésbica, relata ter sido vítima de violência sexual em plena via pública em SP; dois homens teriam a abordado na região da Consolação e a forçado a ter relações sexuais com ambos pelo simples fato de ser homossexual; até agora não há suspeitos 
Por Ivan Longo 
Em meio a intensas discussões sobre homofobia e crimes de ódio, principalmente por conta do cenário eleitoral, a intolerância faz mais uma vítima. Uma jovem de 25 anos que preferiu não se identificar relata ter sido vítima de um “estupro corretivo” no último dia 13, em plena via pública e bastante movimentada da capital.
De acordo com a joven, que estuda artes visuais, ela estava caminhando pela avenida Rebouças – como costuma a fazer usualmente – por volta das 22h quando foi abordada por dois homens. Eles teriam desferido palavras de ódio contra a garota pelo fato de ser lésbica. Ela respondeu à altura e os indivíduos a teriam agarrado e realizado um estupro para que ela “aprendesse a ser mulher”.
“Ainda não consegui retornar as minhas atividades práticas cotidianas ou sequer ao normal funcionamento intelectual/cognitivo do meu cérebro”, contou a jovem, mais de uma semana após o ocorrido. Ela informou ainda ter desmaiado durante o ato e acordado sozinha, sem receber ajuda de ninguém.
A estudante, depois de passar por tratamento médico, chegou a abrir um boletim de ocorrência na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) e voltou até o local com dois investigadores da Polícia Civil. Como não encontraram nenhuma câmera de segurança, ainda não há suspeitos.  “Fui com dois investigadores da polícia civil ao local e constatamos que não há câmeras por ali. Os 99% de improbabilidade de encontrar os sujeitos me desestimularam a dar continuidade ao processo criminal, aos encontros estressantes com advogados, legistas e afins”, contou.
Confira o relato da jovem na íntegra:
No sábado 13/09/2014 fui vítima de violência sexual homofóbica, ou estupro corretivo. Ainda não consegui retornar as minhas atividades práticas cotidianas ou sequer ao normal funcionamento intelectual/cognitivo do meu cérebro. Funções como sono e fome foram substituídas por insonia e náusea.
Recebi atendimento exemplar no Hospital Pérola Byington, Centro de referência da saúde da mulher. Lá tive acesso a fármacos preventivos de DSTs, gratuitos, infelizmente o tratamento também é penoso devido a agressividade dos remédios e de seus efeitos colaterais, são 28 dias de retrovirais contra AIDS.
Subia a Rebouças em direção à Consolação, a pé, como sempre faço, sou defensora dos benefícios de uma boa caminhada e da locomoção alternativa. Ao passar pelo viaduto, na ladeira próxima a Praça José Molina, fui abordada por dois indivíduos do sexo masculino que atiravam em minha direção palavras de cunho homofóbico e afirmavam coisas do tipo: “se quer ser homem, vai ser tratada como homem”, mandei-os ir para aquele lugar e que me deixassem em paz. Em seguida fui agarrada por quatro braços e forçada a ter relações sexuais com ambos os indivíduos que agora paradoxalmente bradavam que “me ensinariam a ser mulher”. Claro que as expressões exatas foram eufemizadas pela minha incapacidade psicológica de repeti-las.
Isso aconteceu numa via pública onde passavam automóveis, ninguém ofereceu ajuda, ou quiçá se incomodou. Desmaiei. Quando acordei estava perturbada e foi difícil aceitar o que tinha acontecido. Demorei 24h para poder falar com a minha mãe, mais ainda para falar com outras pessoas.
Agora sinto que é necessário, estimulada pelo discurso homofóbico do presidenciável Levi Fidelix e o apoio que esse tem recebido de pastores e outras personalidades. Fui com dois investigadores da polícia civil ao local e constatamos que não há câmeras por ali. Os 99% de improbabilidade de encontrar os sujeitos me desestimularam a dar continuidade ao processo criminal, aos encontros estressantes com advogados, legistas e afins.
É certo que a impunidade mais uma vez vigorará. Agradeço aos carinhosos amigos que me têm apoiado, também minha mãe que sempre apoiou todos minhas escolhas e é a primeira defensora da minha individualidade! Espero fazer do facebook e do acontecimento plataforma e ferramenta de luta para que não aconteçam mais tais crimes de homofobia!
  Fonte: http://spressosp.com.br/2014/10/06/jovem-e-estuprada-para-aprender-ser-mulher/
Pelo fim da lesbofobia, homofobia, machismo e violência contra as mulheres!

domingo, 5 de octubre de 2014

A militância revolucionária socialista é uma questão de amor.


Senti-me compelida a escrever a respeito desse tema após uma série de conflitos por mim vivenciados que na conjuntura atual são reincidentes como expressão da miserabilidade ideo-política que atinge as/os sujeitas/os políticas/os do nosso tempo. Interessa-me falar aqui das práticas das/os militantes da esquerda.

Ressalto antes que não se trata de uma análise ideal, ou seja, que parte de algo em que não se implica nela e que é tirada, metaforicamente, de uma estante de idéias. Trata-se, todavia, de uma análise em que enquanto sujeita política, incorporo-me em processo constante de auto-crítica na práxis militante.

Quando falo de miserabilidade ideo-política não me restrinjo à concepção de ideologia enquanto projeção de futuro. Refiro-me a ideologia como aparato de ideias, produto das condições materiais, que forjam a consciência social de uma determinada época. Falo da ideologia da classe dominante, que se impregna “nas mentes e corações” de todas/os aqueles que vivem sobre a égide desse sistema capitalista-patriarcal.

A meu ver, esta condição é sintetizada muito bem pela frase “A cabeça pensa onde os pés pisam”. Como o “solo” da sociabilidade capitalista-patriarcal acolhe diversos relevos, caminhos tortuosos, em outras palavras, é cheio de contradições, estamos suscetíveis em maior ou menor proporção a se impregnar dos piores valores éticos da ordem vigente, ou seja, os valores burgueses.

Viver sob a ideologia do sistema capitalista-patriarcal significa sofrer constante influência de valores que são inerentes a ele como, por exemplo, o individualismo, o egoísmo, a vaidade e a opressão entre e intergêneros.

Hoje, pergunto-me em que medida somos/seremos capazes de subtrair de nossa prática militante as expressões dos valores burgueses que caracterizam a mediocridade ideo-política na nossa época?

Estamos de fato nos permitindo ao exercício de auto-crítica e crítica franca e fraterna com objetivo de somarmos forças na contra-maré  que a superação dos valores burgueses exige de nós?

Temos de fato interesse em superar os equívocos da esquerda fraticida que parece não enxergar a perda de força da classe trabalhadora para, em contra-mão, recolher a arrogância, o orgulho, a vaidade e os disputismos ignóbeis  no mais fundo dos buracos do solo capitalista de modo a inutilizá-los?

Até quando continuaremos somando motivos para os sorrisos dos capitalistas que agem de forma bem unitária quando o objetivo é fragmentar os opositores à ordem socioeconômica burguesa?

A partir de várias reflexões sobre essas questões avanço para a compreensão-práxis de que A MILITÂNCIA REVOLUCIONÁRIA SOCIALISTA É UMA QUESTÃO DE AMOR.

Esse amor passa muito longe do amor romântico gestado na sociedade burguesa industrial.  Há pessoas que fingem ter amor, às vezes para se projetar e ganhar visibilidade, mas há pessoas (muito poucas) que realmente tem amor e se doam pela luta revolucionária. E conseguem sentir a dor da/o outra/o provocada pelas agruras da ordem capitalista patriarcal como se fosse a própria dor. E assim agir sobre a realidade. Isso pra mim é amor. 
Mais amor ainda o é, pelo fato de apesar das contradições da esquerda seguir acreditando, defendendo e materializando ações que visam a superação dos equívocos dos que também se impregnaram dos valores capitalistas, machistas e racistas.


Dificuldade de ouvir: Ode à escutatória de Rubem Alves 

(http://www.descasulando.blogspot.com.br/2014/08/rubem-alves-segue-vivo-escutatoria.html)

Às vezes a gente tem dificuldade de ouvir e entender o que a/o outra/o coloca nas reuniões. As respostas rápidas, recheadas de passionalidade e de certezas pré-estabelecidas, não colaboram com o mundo novo que queremos construir. Essa prática não vem de hoje, vem de longos tempos. 

Pessoalmente, estou nesse difícil exercício de a partir da escuta, analisar as diversas possibilidades e enunciar reflexões. 

Sobre os desvios dos instrumentos da esquerda:

Nem sempre o que está no plano da mente se materializa na prática e a resistência às reflexões sobre a prática militante denunciam o nível da mediocridade ideo-política.

Tenho realmente preocupação com os estragos que partidos de esquerda podem estar trazendo aos espaços de organização política.  Ressalvo que isso não é uma declaração fascista de negação dos partidos. Pelo contrário, urge fortalecermos instrumentos organizativos sejam eles partidos, movimentos sociais, associações e outras possibilidades.

Após algumas reflexões, tenho me permitido a olhar a realidade de outra localização do solo capitalista. Como se trata, do solo capitalista, tenho, portanto, grandes possibilidades de incorrer em equívocos os quais critico. Mas dou minha cara à tapa as  possíveis divergências, sem prescindir da possibilidade de outras pessoas divergirem de mim. Esse é o exercício do respeito à divergência sem opressão da outra/o.

Tenho contato com camaradas do movimento estudantil que não estão organizados em partidos, mas que querem se organizar e que expressam desapontamento com práticas partidárias que criticavam desvios militantes, mas que seguem cometendo erros históricos da esquerda com objetivo de se fortalecer enquanto partido, negando outras possibilidades e experiências organizativas e a divergência, a exemplo de erros como o vanguardismo, o sectarismo e tantos “ismos”. A preocupação se estende a esquerda de forma geral. 

As reflexões não surgem de prateleiras de idéias. Precisei sentir na pele o controle da minha voz para poder compreender os equívocos da esquerda. Que bom que senti as correntes que me prendiam, movimentando-me. Lembrando da famosa frase de Rosa Luxemburgo “ Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem”.
Nunca pensei que faria o uso dessa reflexão de Rosa Luxemburgo, para avaliar as práticas militantes da esquerda, mas a mesma é bem vinda.

Tenho refletido a importância de não se reproduzir a sectarização de debates nas organizações. Estes precisam ser feitos de forma democrática no todo da organização, considerando os níveis diversos de consciência política e feminista e os acúmulos na experiência militante.

O papel das/os mais experientes é estimular as/os menos experientes a serem militantes revolucionárias/os socialistas e feministas (pró-feministas no caso dos homens), a desenvolverem suas habilidades de agitação-propaganda, de escutatória e oratória, escrita, análise e outras tantas habilidades que a militância revolucionária por amor à classe trabalhadora exige de nós.

O amor é tamanho que a necessidade de fazer diferente e fortalecer a luta da classe trabalhadora (que tem dois sexos) segue em maratona, onde os bastões de revezamento passam de mãos em mãos.

É tempo de pausa no ativismo, mas a luta não pára.

 A minha vida é parte da luta. 



Ângela Pereira.