A poetisa registrou nos seus rascunhos: Está liberado o carpe-diem! Enquanto a liberdade não chega. Por Ângela Pereira.
Etiquetas
- Poesias... (166)
- Citações... (91)
- Música... (48)
- Pensamentos... (36)
- Crônicas... (32)
- Poesias feministas... (19)
- Cartas. Luta... (13)
- Economia Política- Trabalhos (11)
- Homenagens... (11)
- Filmes e documentários. (8)
- Notas (7)
- Prosas poéticas... (7)
- Frases... (6)
- Literatura - Comentários e citações... (5)
- Contos... (4)
- Ensaios... (4)
- Vídeos (4)
- Astrologia... (3)
- Crônicas.... (3)
- Lembrete... (3)
- Artigo (2)
- Haikais... (2)
- Livros... (2)
- Mestrado- Serviço Social (2)
- Resenhas (2)
- Teatro (2)
- Meus riscos... (1)
- Negritude... (1)
- Saúde (1)
- Tirinhas... (1)
lunes, 26 de noviembre de 2012
Até quando?**
miércoles, 4 de enero de 2012
A relação entre o Serviço Social e as políticas sociais, referenciada pelos determinantes históricos e o debate teórico da profissão.
IAMAMATO, Marilda Villela; Relações Sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica/ Marilda Villela Iamamoto, Raul de Carvalho- 20 ed. São Paulo: Cortez; [Lima, Peru]: CELATS, 2007.
NETTO, José Paulo. Capitalismo Monopolista e Serviço Social. São Paulo: Cortez, 2005
Ângela Pereira. Fevereiro de 2010.
jueves, 13 de mayo de 2010
A maternidade como escolha: Ser ou não ser mãe? Eis a questão.
Qual a relação que existe entre a maternidade e a opressão das mulheres? Toda mulher tem que ser mãe? Por que as mulheres têm o direito de decidir ser ou não mãe? Essas são algumas questões que queremos trazer para reflexão neste breve texto.
Vivemos numa sociedade em que historicamente ser mulher é sinônimo de maternidade. Essa relação quase que obrigatória foi construída ideológica e socialmente a partir de instituições como a família, a Igreja e o Estado.
A mulher durante muito tempo assumiu apenas a tarefa de cuidar da família e dos afazeres domésticos. Enquanto que ao homem cabia a tarefa de trabalhar apenas fora de casa, para suprir as necessidades financeiras. Essa separação de tarefas é chamada de divisão sexual do trabalho. Essa divisão de tarefas permite a manutenção do sistema Capitalista, uma vez que retira do sistema o gasto com pagamento do trabalho doméstico e do Estado, o papel de implantar e manter creches, lavanderias públicas e outros equipamentos sociais que lhes garanta uma vida mais tranqüila; além de reproduzir a forma de pensar dessa sociedade através de gerações pela criação das/dos filhas/os e manter o poder de provedor ao homem como “chefe” da família -o patriarca.
A maternidade também foi e continua sendo divinizada e naturalizada pela igreja, como único fim do ato sexual, cabendo a mulher o espaço doméstico, a tarefa de educar os filhos para a ordem sócio-econômica vigente e a manutenção de comportamentos recatados tidos como de “bons costumes”.
Somente depois de muitas lutas feministas, as mulheres começaram a sair de casa para trabalhar, a ter direito ao voto e a terem um maior domínio sobre as suas vidas e seus corpos. Embora isso não as tenha livrado da cansativa tarefa de lidar com uma jornada dupla de trabalho, representou um significativo avanço para a mudança do papel das mulheres na sociedade moderna. É verdade ainda, que muitas mulheres foram induzidas a buscar trabalho fora de casa, por necessidade de sobrevivência e complementação da renda dos maridos ou como única renda em casos de algumas famílias em que a mulher lidera, e então isso não necessariamente representou liberdade e diminuição da opressão contra as mulheres como afirma Helena Hirata:
E o que isso tem a ver com a maternidade?
Ser mãe não é tarefa fácil, principalmente para mulheres em condições financeiras precárias. A sobrecarga de trabalho externo e doméstico acaba tornando desgastante a tarefa de criar, educar, cuidar dos filhos, visto que somente ou principalmente a ela é destinada essa tarefa. Além disso, os filhos em alguns relacionamentos são colocados como empecilhos para a separação de um casal cuja vida conjugal não é estável por violência ou por não existir mais condições de manter o casamento, havendo uma condição imposta de submissão da mulher ao homem.
Atualmente, com o desenvolvimento de métodos contraceptivos, o controle da gravidez e o planejamento familiar são possíveis, a despeito de descuido, desinformação ou situações de violência contra a mulher e opressão/imposição à relação sexual sem camisinha ou uso de outros métodos contraceptivos. O fato de a mulher ser disponibilizado métodos de contracepção foi também um dos fatores impulsionadores do adiamento da maternidade para maiores idades ou pela escolha de não se ter filhos. A maior liberação da sexualidade e a permissão aos prazeres sexuais também foi um importante avanço na concepção do controle das mulheres sobre o próprio corpo.
As possibilidades cada vez maiores de proteção e de planejamento familiar oferecidas no Sistema Único de Saúde são importantes elementos para fortalecer a decisão das mulheres a terem ou não filhos. Todavia muito a que se avançar na realização de atividades de promoção da saúde junto às mulheres e às famílias, como por exemplo, a formação de grupos de mulheres, na realização de ações intersetoriais que garantam a mulher o direito de escolha pela maternidade a partir de políticas públicas, por exemplo, de enfrentamento à violência contra a mulher.
A maternidade deve ser uma escolha condicionada a viabilidade de oferecer uma vida digna ao/à filho/a, sendo essa responsabilidade não apenas da família , mas do Estado também . Nesse caso, a maternidade realmente será um ato de amor e uma escolha acertada.
*Integrante do Coletivo de Mulheres Alexandra Kollontai e Fisioterapeuta.
jueves, 23 de julio de 2009
O sonho da liberdade humana e a práxis como elemento fundante.
Parto daí: o sonho da Liberdade Humana. Uma necessidade que foi se constituindo ao longo da história, ganhando sentidos de acordo com a posição de classe que cada um assume nessa história. A necessidade de usufruir o mundo através dos prazeres, e não da dor, move homens e mulheres na disputa por um modelo de sociedade justo.
O modelo de sociedade capitalista tem demonstrado ao longo dos anos que não é capaz de suprir as necessidades de uma maioria de pessoas que tem sido explorada por uma minoria. A quantidade de pessoas que não tem sequer um prato de comida para se alimentar enquanto outros têm mesas fartas; a quantidade de pessoas que não tem uma moradia digna em detrimento de outras que acumulam mais de uma casa e de proporções desnecessárias; grandes concentrações de terra nas mãos de poucos enquanto uma maioria está ávida por um pedaço de terra onde possa plantar, cultivar e colher os frutos; a impossibilidade de usufruir do trabalho criativo sem que lhe roubem o tempo e as crises que freqüentemente sacrificam trabalhadores e trabalhadoras e a natureza são alguns poucos exemplos do que esse sistema político-econômico e social tem produzido.
Todavia essas relações de exploração não são percebidas de tal forma por todos aqueles a que o sistema submete. O sistema apresenta além das bases materiais para a sua sustentação, mecanismos de acorrentamento e de consolidação através da dominação das mentes dos indivíduos. A aparência sobrepõe a essência e faz as pessoas aceitarem normalmente as condições impostas.
Ao mundo da aparência determinado pela dominação da classe burguesa que coisifica, fragmenta e simplifica a realidade a fim de hegemonizar o seu projeto, Kosik (2002) dá o nome de pseudoconcreção.
A pseudoconcreção burguesa dispõe de mecanismos para normalizar, consensuar a aparência de que tudo está bem e não deve ser questionado. Exterioriza fenômenos, transformando tudo em coisas aparentes. Coisifica relações. Formula meios de reproduzir essas exteriorizações e determina verdades do sistema. Para isso dispõe de instrumentos ideológicos como a educação formal e informal que se da nas células escola, família, religião, mídia, partidos políticos, movimentos sociais, organizações não-governamentais, sindicatos e estado.
A reprodução dessas verdades se dá de forma fragmentada, conduzindo os indivíduos à perda da totalidade. Essa reprodução social leva as pessoas a terem respostas prontas, pré-determinadas e a formarem representações comuns de verdades absolutas e inquestionáveis.
Diante desse acarbouço de mecanismos de dominação, muitos pensadores vêm sistematizando as idéias de trabalhadores e trabalhadoras sobre o desejo de modificar as relações de dominação burguesa imposta desde o surgimento do capital.
Sergio Lessa e Ivo Tonet (2008), em Introdução a Filosofia de Marx, situam a existência de duas grandes linhas ideológicas para uma questão que vem permeando o debate sobre a “exploração do homem pelo homem”.
Para uma corrente mais conservadora, a exploração do homem sobre o homem não é possível de ser superada, visto que corresponde a verdadeira essência humana. Autores como Martin Heidegger, J. Habermas, H.Arendt, N.Bobbio e J. Rawls formalizam a idéia de que o capitalismo, a democracia burguesa e o mercado são mecanismos de mediação insuperáveis da vida civilizada.
Todos eles, cada um a sua maneira, buscam conservar o capitalismo e consideram a impossibilidade a sociedade emancipada comunista tal como proposta por Marx.(Lessa e Tonet, 2008, p.13)
Para esses conservadores, essa essência humana não pode ser alterada pela história.
Contrapondo-se a essa visão, os revolucionários acreditam que não apenas é possível como também necessário a humanidade superar a exploração e opressão, uma vez que a evolução do modo de produção e organização social capitalista caminha para a destruição da humanidade e a forma de evitá-la e superar as desumanidades do sistema capitalista.
Dizem os revolucionários que o capitalismo não é o fim da historia. (...) existe a possibilidade histórica de a fraternidade comunista se tornar, nas nossas vidas cotidianas, um fato tão característico da futura essência humana. (Lessa e Tonet, 2008 p.15)
Essa concepção se coloca como a mais plausível. Assim cabe ao sujeito revolucionário num processo dialético construir a sua história, seduzindo outros para em conjunto chegar à práxis libertária.
A tarefa de modificar as relações materiais de exploração e o arcabouço ideológico, constituído pelo sistema capitalista não se trata de algo fácil e determinado apenas pelas vontades de homens e mulheres sonhadores.
Marx analisando os pensamentos precedentes aos dele percebe que apenas boas idéias não são suficientes para mudar a correlação de forças entre a classe burguesa e o proletariado. Da mesma forma, identifica que apenas ações práticas, sem reflexão não conduzem às mudanças estruturais que o concreto vivido exige.
Assim Marx critica o idealismo de Hegel e a praticidade simplificada dos materialistas vulgares como Feurbach, contudo assimilando das duas fontes constitui o que mais tarde se consolidaria como um método cientifico para a leitura da realidade e preparação para atuar sobre ela- o materialismo histórico e dialético (MHD).
O método marxista se apresenta então como uma ferramenta da classe trabalhadora para interpretar a realidade com vistas à superação do sistema capitalista.
A atuação sobre a realidade deve se dá de forma refletida ou a reflexão de forma prática. Esse exercício se apresenta para os pensadores marxistas como a práxis.
“A práxis é tanto objetivação do homem e domínio da natureza quanto realização da liberdade humana” (kosik, 2002).
Ê através da práxis que o homem toma consciência de si e de sua existência, assumindo a dimensão de totalidade que foi roubada, destruída pelo capitalismo. Mantendo relação com a natureza (meio), modificando-o ou e avançando para a libertação humana.
Fala-se na existência de vários estágios da práxis.
A práxis reificadora como o estágio em que a dominação do pensamento e prática burguesa (de uma classe dominante sobre outra) prevalece. Nesse estágio, as pessoas reproduzem o que o sistema capitalista dita sem refletir sobre ele e os impactos de cada uma dessas determinações.
A práxis reflexiva como etapa em que os indivíduos conseguem refletir sobre o mundo e suas determinações podendo ou não, proporem-se a modificar a realidade a partir dessa reflexão. São exemplos desse estágio a percepção de uma pessoa sobre a injustiça de ter que trabalhar horas a mais, recebendo pelo tempo trabalhado o mesmo valor que por um tempo menor de trabalho antes realizado e, no entanto, aceitar essa condição como algo imutável ou no outro caso, de alguém que numa mesma situação e percepção contribui na organização de uma greve com os trabalhadores. Esse estágio é tido como revelador de condições de mudanças, ou simplificadamente, o “dar conta de si”.
Superando essa etapa, o individuo - coletivo pode atingir a práxis revolucionaria. Esta permite a desocultação da verdade burguesa e a superação desta através da implantação de um projeto. A existência de um projeto é o diferencial desse estagio.
E por fim a práxis libertária como aquela em que os indivíduos coletivos libertam e se libertam por completo, expressando a realização completa do ser humano no mais essencial significado da palavra.
Nesse estágio o homem tem condições de concretizar o sonho da liberdade humana.
Esse processo de libertação, todavia não se dá de forma linear ou
Sem a práxis revolucionaria o ser humano não modifica o mundo em que vive. “O homem supera (transcende) originariamente a situação não com a sua consciência, as intenções e projetos, mas com a práxis.” (Kosik, 2002). Para o sonho da liberdade se tornar, portanto, realidade, homens e mulheres precisarão constantemente exercitar a práxis revolucionaria.
Referência
Kosik, Karel.A dialética do Concreto. Rio de Janeiro: Paz e terra. 7ª edição, 2002.
Lessa, Sergio. Tonet, Ivo. Introdução a filosofia de Marx. São Paulo: expressão popular, 2008.
Km 44, CIDAP/CEFORMA, Espírito Santo- ES.