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lunes, 20 de agosto de 2012

Mulherfagia

 " Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é."
 Caetano  Veloso.

Ando com uma fome insaciável. Quanto mais passam por meus dentes verdades ditas lá fora sobre como devo ser, mas me acomete uma vontade de comer-me. Devorar-me. Porque sou construção de um mundo de verdades que a mim não pertencem, eu-mulher.
A cada mordida. A cada saliva que molha minha carne e as idéias que a ela dão vida, mais tenho fome.
Entre uma mordida e outra, dou-me conta: " Não és, meu bem, a mesma mulher".
Respiro histórias como a minha. Ganho fôlego pra seguir dilacerando verdades, que não são minhas.

Ângela Pereira.


domingo, 25 de julio de 2010

07 de maio de 2010.

A crise bate na pele
Assola estômagos
Esquenta os ânimos

Na Usina Pumaty, Zona da Mata Sul de Pernambuco cerca de 800 trabalhadores rurais se mobilizaram pelo pagamento de seus salários atrasados. Enquanto outros submeteram-se calados a redução salarial.
Dois meses de espera e a repetição do episódio fizeram os trabalhadores perderem a paciência. Como os três fechamentos da BR anteriores, em 2009, já não mais adiantaram, eles radicalizaram a ação. Munidos de foices, facões, pedras, porretes , material inflamável e sangue nos olhos atearam fogo em três caminhões e um trator
Quebraram o escritório central da Usina até terem seus salários pagos...

Às nove horas, o carro forte chega e provisoriamente acalma os ânimos. Vitória?
Hoje... Os trabalhadores que lideravan a mobilização foram demitidos...
E os demais estão convencidos de que se mobilizar é perigoso, mas os que se mobilizaram por certo entenderam que o caminho é a luta.

Então camaradas, quais os nossos desafios? Como canalizar as revoltas espontâneas ou não, econômicas e/ou políticas para um projeto de revolução brasileira? Como reaprendera lutar? E estimular trabalhadoras/trabalhadores a perderem a paciência?

O desafio está posto! O que faremos nós?

miércoles, 13 de enero de 2010

Com sinceridade:

Às vezes as mesmas palavras que se unem em prosa e em verso com tamanha congruência, separam-se e perdem sentido diante das inconstâncias da estima e da vida.

Estou me sentindo assim: como letras soltas, mas mesmo assim às vezes, com muito sentido e direção e persuasivas pela lúcida clareza que se juntam em palavras. Mas, na maioria das vezes, como letras que se juntam em palavras que não têm liga. Palavras sem liga, sem preposição (para que ou para quem, de que ou de quem, com que ou com quem...) ficam ao léo num dicionário para serem decifradas ou pegas quando alguém lhes acha conveniente.


(...)

Ângela Pereira

13 de janeiro de 2010.

domingo, 30 de agosto de 2009

Pacto!

Por que essa ânsia por respostas? Por que a paciência transparece? Embora por dentro... Por que a pressa em tudo fazer?
Acho que é amor pela vida. A impressão de que o tempo severo, algoz e perverso não vai permitir tudo viver
(talvez sim... talvez não...)
Respira... não se preocupa com esse tempo... quem sabe ele não corre a seu favor?
Procura sentir profundamente... anima tua alma com cada novo dia, com cada novo som de pássaros... com cada raio de sol e gota de chuva... com cada lembrança boa e até ruim porque estas ensinam a viver.
Busca o equilíbrio! Porque não são partes... É o todo!
Alimenta teu corpo de vida e o espírito de amor...
Enfrenta os problemas ainda mais de frente!
Enxerga além do óbvio... além da frente... enxerga os lados e atrás...
Aguça teus outros olhos, teus vários sentidos. Escute mais, cheire mais, veja mais, deguste mais, toque mais. Expresse-se mais. Ame mais, mas demonstre esse amor!
Sinta mais os outros, colocando-se no lugar deles.
Seja bondosa, mas não boba! Invista no seu potencial e caso não tenha jeito para determinada coisa... tente! Sempre há o que melhorar...
Fale sobre o que tem certeza e argumente bem. Comprometa-se e cumpra, mas se não puder cumprir, reconheça seus limites. Então assuma apenas o que vai poder cumprir!
Valorize-se, mas não esqueça de valorizar (a)os outr(a)os importâncias são relativas, mas s sentimentos não!
Pense positivo! Sonhe e acredite que é possível, mas mantenha os pés no chão!
As conquistas vem aos poucos... aprecie cada uma delas! Agradeça sempre! Com um sorriso, com uma lágrima, com uma carta, mas agradeça.
Escreve, dança, desenha...
Isso! Faz o que gosta de fazer!
Não se culpe quando a culpa não for sua e quando for... Reconheça que errou ... todos erram e a magia disso é admitir e aprender com os erros. Seja sincera, mesmo que não fale o que o outro que ouvir.
Seja honesta consigo mesmo, depois com os outros ou vice-versa, depende do momento.
“Seja generosa consigo mesmo”.
Quando a dor da alma superar a do corpo, fica atenta, mas procura ajuda...
Quem sabe no ar, no mar, no som, na natureza! Por que é nela que você encontra Deus!

Ângela Maria Pereira.
20 de junho de 2007.

domingo, 23 de agosto de 2009

Inusitado e misterioso.

A curiosidade humana é instigadora...
Atualmente as coisas estão muito à mostra...
Acho sinceramente que as pessoas perdem oportunidades valiosas ao se exporem demais a ponto de se vulgarizarem. Nem 8 nem 80.

Quer coisa mais inusitada e misteriosa que conhecer o outro passo a passo, como se encaixasse peças de quebra cabeças ... ou então brincasse de esconde e esconde? Como se pistas estivessem sendo descobertas... conquistas abruptas são boas... mas conquistas que se dão a cada dia são muito melhores. Conquistas vindas sem muito esforços tornam-se fugazes... a fugacidade até pode ser bonita e intensa. Mas prefiro intensidades duradoras. Intensidades saudáveis. Tamanha intensidade e profundidade requerem também respostas intensas, inusitadas e misteriosas...

Que as conquistas venham aos poucos de forma inusitada e misteriosa...

Ângela Pereira.
29 de abril de 2009.

sábado, 22 de agosto de 2009

Medo...

Que é o medo senão a ordem latente de fracasso!? Pode ser também um alerta, em cima de experiências já vividas. Nesse caso, podemos até ceder e reconhecê-lo como prudência. Mas e quando o medo não tem base material? Quando temos medo daquilo que não fizemos? E quando temos medo de tentar... Esse medo é uma ordem para o fracasso!
Como existem diversos tipos de seres humanos: uns mais sensíveis, outros mais enrijecidos pelo tempo, pela mágoa, covardia... enfim por sentimentos ruins... outros vencidos pelo complexo de inferioridade e pela limitação,muitas podem ser as formas de enfrentar o medo, inclusive fugindo dele.
Prefiro a forma que encara uma "ordem" como uma afronta a autonomia de cada um e a capacidade de cada um se empoderar de sua vida e ser sujeito de sua história.
Já enfrentei alguns medos e embora não tenha vencido todos, confirmei um ditado popular dos mais bem ditos e reais. “Melhor se arrepender de ter feito, que se arrepender de não ter feito”.
Preciso constantemente me lembrar dessa frase. Subverter a ordem e vencer os medos, para não me arrepender de não ter feito, de ter deixado de viver...


Ângela Pereira
21 de abril de 2009.

martes, 23 de junio de 2009

Descasulando...


Que faz uma lagarta sair do casulo? É a “vontade”, mesmo que fisiológica, de viver. É a ordem da natureza, contrastada com a profunda beleza de apresentar-se ao mundo.
Entre fibras-correntes, uma beleza simples, colorida se transforma. Uma lagarta vira borboleta.
Não entenda, caro leitor, como depreciativa a imagem que fazemos da lagarta ou como esplendorosa a da borboleta que se liberta. O equívoco pode ser fatal, se formos deterministas ao extremo. Cada tempo tem a sua importância e a sua beleza.
O tempo de dentro do casulo é necessário e belo. O tempo de transição, também o é. O tempo da permissão, então, é mais que belo e necessário é imprescindível.

A natureza manda sinais. Mas o cotidiano e as imposições do mundo conservador, não nos deixa aproveitá-los.
Observemos mais a natureza... e aí seremos mais permissivos, mais generosos e sensíveis com a vida humana.


Ângela Pereira.
19 de abril de 2009.