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domingo, 8 de noviembre de 2015

SAÚDE DAS MULHERES NEGRAS*

Texto para o Boletim da Marcha Mundial das Mulheres sobre a Marcha das Mulheres Negras.


*Ângela Pereira, integrante do Comitê Impulsor da Marcha das Mulheres Negras de Garanhuns e Fisioterapeuta, Residente Multiprofissional em Saúde da Família com Ênfase em Saúde da População do Campo, atuando em Comunidades Quilombolas na Região de Garanhuns, Pernambuco.

Em termos conceituais e filosóficos, a saúde há tempos deixou de se restringir a ausência de doença. Numa visão de totalidade, cada vez mais tem se analisado a determinação social da saúde como uma perspectiva capaz de contemplar a análise e a intervenção na complexidade das relações sociais estabelecidas na sociedade capitalista, patriarcal, racista, homo e lesbotransfóbica. Na prática, ainda existem muitas dificuldades para se realizar ações no campo da saúde nessa perspectiva.
Nesse sentido e considerando todo o contexto da formação social e econômica do país, processo de uma colonização escravocrata, é preciso reconhecer como os impactos decorrentes da negação histórica de direitos atinge significativamente a população negra e, principalmente, nós, mulheres negras.
Carregamos a marca de um papel social subalternizado, que nos restringe, em maioria, a trabalhos precarizados, a condições de moradia inadequadas, ao acesso à educação e permanência nos espaços institucionais de formação dificultado, a índices altíssimos de violências diversas, a solidão afetiva, a banalização e a mercantilização de nossa sexualidade, ao acesso a serviços de saúde precarizados que reproduzem o racismo institucional associado ao machismo, a homo, lesbo e transfobia como forma de seguir negando a condição digna de vida a essa população.
A nossa experiência do nascimento, do viver, do adoecer e do morrer é diferente. Estudos mostram que as consultas ginecológicas e de pré-natal de mulheres negras tendem a ser menos demoradas e incompletas, as adolescentes com 16 anos ou menos possuem maior chance de engravidarem, sendo a gestação desejada ou não e  tem mais chances de não receber consultas no pré-natal ou  recebê-las de forma insuficiente.
Durante o parto, tendem a permanecer mais tempo, aguardando o procedimento, em razão da idéia do imaginário coletivo de que são mais “fortes” e que por isso conseguem suportar mais as dores das contrações do parto. Muitas vezes a espera forçada e a demora no atendimento resultam em problemas graves para as crianças com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e o aumento da carga do trabalho doméstico e de cuidados. O registro da mortalidade materna é mais frequente entre mulheres pobres da região Nordeste segundo resultados de pesquisa da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre mortalidade materna realizada em 2001, sendo que muitas dessas mortes têm relação com complicações de abortos realizados em condições inseguras.
Além disso, a população negra é acometida mais frequentemente por algumas doenças e agravos que tem caráter genético ou estão relacionado a causas extrernas.  A Anemia Falciforme, por exemplo, é uma doença de caráter hereditário, cujo gene foi trazido da África e que por isso atinge a população negra. Os sintomas são graves e no caso das mulheres apresentam maior risco de abortamento e complicações durante o parto (natimorto, prematuridade, toxemia grave, placenta prévia e descolamento prematuro de placenta entre outros). Como esta doença é mais prevalente entre as negras, elas estão expostas a um maior risco durante a gravidez e, portanto, necessitam de um acompanhamento mais intensivo.
A hipertensão arterial acomete principalmente essa população, tendo sua prevalência acentuada pelas condições de vida que impactam a saúde emocional. No Brasil, as doenças hipertensivas constituem a principal causa de morte materna, responsáveis por um terço dessas mortes.
Nós também sofremos com a violência que nos acomete e nossos jovens, companheiros.  De acordo com a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, o risco de uma pessoa negra morrer por causa externa é 56% maior que o de uma pessoa branca; no caso de um homem negro, o risco é 70% maior que o de um homem branco.  E quando se fala em violência contra as mulheres, observa-se que mais de 60% das mulheres assassinadas no Brasil entre 2001 e 2011 eram negras, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).  Vale salientar que a violência que nos atinge se expressa nas suas variadas formas, sendo estas formas pouco notificadas no Sistema Único de Saúde pela naturalização ou pela negligência.

Por isso, a Marcha Mundial das Mulheres soma-se a Marcha das Mulheres Negras pela garantia de atendimento e acesso à saúde de qualidade às mulheres negras e pela penalização de discriminação racial e sexual nos atendimentos dos serviços públicos.

jueves, 2 de octubre de 2014

Movimento feminista e de mulheres da PB divulga carta de solidariedade a Dona Marlene e pela vida das mulheres


Estado viola direitos e a dignidade das mulheres
Nós, representantes dos movimentos feminista e de mulheres, movimentos sociais, sujeit@s polític@s, organizações sociais em defesa dos direitos humanos e da vida das mulheres, tornamos pública a nossa indignação com a injusta prisão de Dona Marlene da Silva Alves, 74 anos, acusada, sem provas, de provocar a morte de Josicleide Gomes de Sousa, em decorrência de um abortamento inseguro, em maio deste ano, em João Pessoa, estado da Paraíba. 

Desde o dia 15 de julho deste ano, Dona Marlene aguarda o resultado das investigações num presídio, sem as mínimas condições que garantam sua dignidade de mulher idosa e com saúde debilitada, dormindo em condições precárias, sem se alimentar adequadamente e com sua saúde física e mental abalada pela inesperada acusação e pela distância de seus familiares.

A prisão deu-se de forma arbitrária, desconsiderando o fato de ela ter residência fixa há 50 anos num mesmo bairro da capital paraibana e não possuir antecedentes criminais, o que já lhe garantiria o direito de aguardar o resultado das investigações em liberdade. Entretanto, a revogação de sua prisão foi negada pela Justiça. Que tipo de ameaça esta mulher, de 74 anos, oferece à sociedade para ser mantida presa aguardando as investigações de um suposto crime, do qual não existem provas concretas, apenas acusações?
Em qualquer outra situação, Dona Marlene, uma mulher idosa, negra e pobre, estaria aguardando o resultado das investigações em liberdade. Mas este direito tem lhe sido negado. Encarcerada antes mesmo do julgamento, sua prisão é injusta, desnecessária e sem justificativa que subsista aos mínimos requisitos legais.
Nossa indignação também deve-se ao fato de que Josicleide Gomes de Sousa, 32 anos, foi mais uma mulher que morreu desnecessariamente em nosso estado, em decorrência de um aborto inseguro, quarta causa de morte materna no Brasil. Somente em 2014, sete mulheres foram vítimas de morte materna na Paraíba, em uma média mensal assustadora. Em 2013, o número de mulheres que morreu no estado durante a gravidez, parto e puerpério cresceu em 200% em relação a 2012.
É inaceitável que essas mortes – evitáveis em 99% dos casos – ainda aconteçam devido à negligência na atenção à saúde integral das mulheres por parte dos serviços públicos de saúde no Brasil, consequência de uma legislação que abre espaço para a negligência e a violação dos direitos humanos das mulheres. Muito provavelmente em um país onde os direitos das mulheres são respeitados e garantidos pelo Estado, Josicleide estaria viva e Marlene, em liberdade.
Defendemos a vida, a saúde e a dignidade de todas as mulheres!
Pela liberdade imediata de D. Marlene!
Por nenhuma morte materna evitável!

Assinam esta nota:
Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto
Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB)
Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB)
Rede de Mulheres em Articulação da Paraíba
Marcha Mundial de Mulheres
Fórum de Mulheres da Paraíba
União de Mulheres Brasileiras (UBM)
Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
Fórum Goiano de Mulheres
Fórum de Mulheres de Pernambuco
Frente Feminista do Levante Popular da Juventude
Conselho Municipal de Saúde de João Pessoa
Movimento Ibiapiano de Mulheres (MIM-CE)
Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação Sobre Mulher e a Relações de Sexo e Gênero da UFPB (NIPAM)
Rede Sapatá
Rede de Apoio a Maternidade Ativa – RAMA
Movimento de Mulheres de Cabo Frio
Comitê Latino-americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres (CLADEM Brasil)
IMais
Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero
Bamidelê – Organização de Mulheres Negras na Paraíba

Católicas pelo Direito de Decidir
CCR – Comissão de Cidadania e Reprodução
Cépia Cidadania, Estudo, Pesquisa Informação e Ação
Cunhã Coletivo Feminista
Instituto Papai
Instituto Patrícia Galvão
SOF – Sempre Viva Organização Feminista
SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia
Coletivo Alumiá: Gênero e Cidadania (Mauá/SP)


Fonte: http://cunhanfeminista.org.br/movimento-feminista-e-de-mulheres-da-pb-divulga-carta-de-solidariedade-a-dona-marlene-e-pela-vida-das-mulheres

viernes, 25 de julio de 2014

25 de julho- Dia de luta latino-americano e caribenho das mulheres negras!




Nós, mulheres negras brasileiras, descendentes das aguerridas quilombolas e que lutam pela vida, vimos neste 25 de Julho – Dia da Mulher Afrolatinoamericana e Afrocaribenha denunciar a ação sistemática do racismo e do sexismo com que somos atingidas diariamente mediante a conivência do poder público e da sociedade, com a manutenção de uma rede de privilégios e de vantagens que nos expropriam oportunidades de condição e plena participação da vida social.
Nesta data vimos visibilizar a incidência do racismo e do sexismo em nossas vidas, assim como as nossas estratégias de sobrevivência, nosso legado ancestral e nossos projetos de futuro e afirmar que a continuidade de nossa comunidade, da nossa cultura e dos nossos saberes se deve única e exclusivamente, a nós, mulheres negras. Transcorrido esse marco histórico e a atualidade de nossas lutas, nos valemos do Dia da Mulher Afrolatinoamericana e Afrocaribenha para anunciar a realização da Marcha das Mulheres Negras 2015 Contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, que realizaremos em 13 de maio do próximo ano, em Brasília.
Somos 49 milhões de mulheres negras, isto é, 25% da população brasileira. Vivenciamos a face mais perversa do racismo e do sexismo por sermos negras e mulheres. No decurso diário de nossas vidas, a forjada superioridade do componente racial branco, do patriarcado e do sexismo, que fundamenta e dinamiza um sistema de opressões que impõe, a cada mulher negra, a luta pela própria sobrevivência e de sua comunidade. Enfrentamos todas as injustiças e negações de nossa existência, enquanto reivindicamos inclusão a cada momento em que a nossa exclusão ganha novas formas.
Impõe-se na luta pela terra e pelos territórios quilombolas, de onde tiramos o nosso sustento e mantemo-nos ligadas à ancestralidade.
A despeito da nossa contribuição, somos alvo de discriminações de toda ordem, as quais não nos permitem, por gerações e gerações de mulheres negras, desfrutarmos daquilo que produzimos.
Fomos e continuamos sendo a base para o desenvolvimento econômico e político do Brasil sem que a distribuição dos ativos do nosso trabalho seja revertida para o nosso próprio benefício.
Consideramos que, mesmo diante de um quadro de mobilidade social pela via do consumo, percebido nos últimos anos, as estruturas de desigualdade de raça e de gênero mantêm-se por meio da concentração de poder racial, patriarcal e sexista, alijando a nós, mulheres negras, das possibilidades de desenvolvimento e disputa de espaços como deveria ser a máxima de uma sociedade justa, democrática e solidária.
Não aceitamos ser vistas como objeto de consumo e cobaias das indústrias de cosméticos, moda ou farmacêutica. Queremos o fim da ditadura da estética europeia branca e o respeito à diversidade cultural e estética negra. Nossa luta é por cidadania e a garantia de nossas vidas.
Estamos em Marcha para exigir o fim do racismo em todos os seus modos de incidência, a exemplo da saúde, onde a mortalidade materna entre mulheres negras estão relacionadas à dificuldade do acesso aos serviços de saúde, à baixa qualidade do atendimento recebido aliada à falta de ações e de capacitação de profissionais de saúde voltadas especificamente para os riscos a que as mulheres negras estão expostas; da segurança pública cujos operadores e operadoras decidem quem deve viver e quem deve morrer mediante a omissão do Estado e da sociedade para com as nossas vidas negras.
Denunciamos as batalhas solitárias contra a drogadição e a criminalização do nosso povo e contra a eliminação de nossas filhas e filhos pelas forças policiais e pelo tráfico, há muito tempo! Denunciamos o encarceramento desregrado de nossos corpos, vez que representamos mais de 60% das mulheres que ocupam celas de prisões e penitenciárias deste país.
Ao travarmos batalhas solitárias por justiça num quadro de extrema violência racial, denunciamos a cruel violência doméstica que vem levando aos maus tratos e homicídios de mulheres negras, silenciados em dados oficiais. Lutamos pelo fim do racismo estrutural patriarcal que promove a inoperância do poder público e da sociedade sobre a exterminação da nossa população negra .
Estamos em marcha para reivindicamos o livre culto de nossas divindades de matriz africana sem perseguições, nem profanações e depredações de nossos templos sagrados.
Estamos em marcha contra a remoção racista das populações das localidades onde habitam.Lutamos por moradia digna; por cidades que não limitem nosso direito de ir e vir e contra a segregação racial do espaço urbano e rural; por transporte coletivo de qualidade; por condições de trabalho decente nas diferentes profissões que exercemos. Valorizamos nosso patrimônio imaterial em terreiros, escolas de samba, blocos afros, carimbó, literatura e todas as demais manifestações culturais, definidoras da nossa identidade negra.
Estamos em marcha porque somos a imensa maioria das que criam nossos filhos e filhas sozinhas, as chefes de famílias, com parcos recursos e o suor de nosso único e exclusivo trabalho.
Estamos em Marcha:
 pelo fim do femicídio de mulheres negras e pela visibilidade e garantia de nossas vidas;
 pela investigação de todos os casos de violência doméstica e assassinatos de mulheres negras, com a penalização dos culpados;
 pelo fim do racismo e sexismo produzidos nos veículos de comunicação promovendo a violência simbólica e física contra as mulheres negras;
 pelo fim dos critérios e práticas racistas e sexistas no ambiente de trabalho;
 pelo fim das revistas vexatórias em presídios e as agressões sumárias às mulheres negras em casas de detenções;
 pela garantia de atendimento e acesso à saúde de qualidade às mulheres negras e pela penalização de discriminação racial e sexual nos atendimentos dos serviços públicos;
 pela titulação e garantia das terras quilombolas, especialmente em nome das mulheres negras, pois é de onde tiramos o nosso sustento e mantemo-nos ligadas à ancestralidade;
 pelo fim do desrespeito religioso e pela garantia da reprodução cultural de nossas práticas ancestrais de matriz africana;
 pela nossa participação efetiva na vida pública.
Buscamos num processo de protagonismo político das mulheres negras, em que nossas pautas de reivindicação tenham a centralidade neste país. Nosso ponto de chegada e início de uma nova caminhada é 13 de maio de 2015 – Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo – em Brasília/DF.
Conclamamos, a todas as mulheres negras, para que se juntem a esse processo organizativo, nos locais onde estiverem, e a se integrarem nessa Marcha pela nossa cidadania.
Imbuídas da nossa força ancestral, da nossa liberdade de pensamento e ação política, levantamo-nos – nas cinco regiões deste país – para construir a Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, para que o direito de vivermos livres de discriminações seja assegurado em todas as etapas de nossas vidas.
ESTAMOS EM MARCHA !
“UMA SOBE E PUXA A OUTRA!”
Brasil, 25 de Julho de 2014.
Comitê Impulsor Nacional da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver 2015

Reproduzido do site: http://2015marchamulheresnegras.com.br/

jueves, 27 de febrero de 2014

Mujeres con la revolucion bolivariana! MMM


MUJERES CON LA REVOLUCION BOLIVARIANA DE VENEZUELA
DEFENDEMOS LA DEMOCRACIA Y LA VIDA: NO A LA VIOLENCIA GOLPISTA



Un nuevo episodio en la escalada de desestabilización contra la democracia y la Revolución Bolivariana de Venezuela ha ocurrido en este mes de febrero. Las acciones generadas por opositores internos e internacionales evidencian, cada vez más, una estrategia que anuda viejas y nuevas formas de violencia buscando implantar un ambiente de guerra contra el pueblo, que las mujeres latinoamericanas denunciamos y repudiamos.


·      Denunciamos la violencia económica, que se despliega constantemente por medio de la especulación, el acaparamiento de productos básicos para crear escasez, los rumores para generar pánico, el ataque y boicot a los bienes y servicios públicos. Todo esto se traduce en una alteración de las condiciones y calidad de vida de las mujeres y de las familias, abocadas a resolver en lo cotidiano su sobrevivencia en medio de la adversidad, lo que supone más y más trabajo y desgaste emocional.



·      Denunciamos la violencia política y social, ejercida por medio de episodios desestabilizadores y golpistas como el de estos días y de ataques sistemáticos a las instituciones y decisiones democráticas de un país que, como ningún otro en estos tiempos, ha promovido y respetado la soberanía popular expresada en 19 procesos electorales.  A esto se suma el ataque abierto a la organización popular, acosada por violencia directa, por la criminalización mediática, por los rumores difamatorios.


·      Denunciamos la violencia mediática, que no conoce límites en su infame tarea de desinformar, de mentir y fraguar versiones alteradas de los hechos, para proyectar al mundo falsas imágenes de una sociedad dividida en dos bandos, o incluso de una sociedad levantada contra un gobierno ilegítimo, cuando la realidad muestra un pueblo y un gobierno acosados por la escalada desestabilizadora que impulsan élites y poderes nacionales e internacionales. Esta violencia mediática afecta los derechos y dignidad del pueblo bolivariano como también el derecho de todos los pueblos del mundo de tener acceso a información veraz y fidedigna.


·      Denunciamos la violencia armada, que hemos visto en estos días en la actuación de grupos de perfil paramilitar, cuyas acciones dejan ya un saldo de seis víctimas mortales y numerosos heridos.  Alertamos sobre la peligrosidad extrema de esta forma de violencia, que siembra la muerte y el terror para inducir un escenario de conflicto y caos que justifique cualquier intervención.


·      Denunciamos la violencia imperialista, que no ha cesado en sus maniobras de intervencionismo, usando medios de todo tipo, en sus afanes de poner fin a la Revolución Bolivariana, a los procesos de integración alternativa, de recuperar y ampliar el control político, económico y cultural en Venezuela y en la región.

Convocamos a todas las mujeres de la región y del mundo a mantener, desde hoy, una campaña permanente de denuncia de estos hechos violentos, de sus impactos en la vida de las mujeres y el pueblo venezolano, de acompañamiento a nuestras hermanas que se encuentran en pie de lucha para defender el camino democrático y soberano de la Revolución Bolivariana, y de apoyo incondicional a la alternativa de PAZ que enarbolan el gobierno y el pueblo.

Convocamos a conmemorar el legado y la presencia del compañero eterno Hugo Chávez, cuyo compromiso feminista confluye ya con la celebración del Día Internacional de las Mujeres.

Hacemos nuestra la consigna de nuestras hermanas bolivarianas:

POR LA MATRIA, POR LA PAZ y POR LA VIDA

Marcha Mundial de las Mujeres – América Latina
Red Latinoamericana Mujeres Transformando la Economía –REMTE

Enviar adhesiones a:
communication@marchemondiale.orgcommunication@marchemondiale.org
>
remte2@fedaeps.orgremte2@fedaeps.org>

martes, 25 de febrero de 2014

Carta da MMM- 8 de março de 2014.





CARTA DO 08 MARÇO DE 2014
Feminismo em Marcha para Mudar o Mundo

Neste 8 de março, dia internacional de luta das mulheres, nós da Marcha Mundial das Mulheres reafirmamos com nossa presença nas ruas que o feminismo é um movimento popular que está e continuará em luta denunciando a opressão vivida por nós nesse  sistema que combina o patriarcado com o capitalismo, a desigualdade, o racismo, a lesbofobia e a destruição da natureza.
As mulheres do mundo inteiro resistem à ofensiva do capitalismo que apresenta “falsas soluções” baseadas na expansão do mercado como mais exploração dos recursos naturais, novas tecnologias de controle do nosso corpo, da natureza e do conhecimento. As respostas do capital para tentar sair de sua crise e aumentar suas taxas de lucro são falsas soluções que só promovem a opressão com mais concentração de renda, militarização, criminalização das lutas por meio de um processo violento dos Estados.
Em uma sociedade baseada no incentivo do consumo orientando a vida e as relações, percebemos a expansão da mercantilização em todas as dimensões. Isso se dá especialmente com a exploração do corpo das mulheres, desde a indústria da beleza, até o tráfico e a prostituição. Nosso corpo é constantemente controlado e regulado a partir de padrões morais de sexualidade que estimulam a violência e a discriminação de lésbicas, em uma sociedade em que tudo gira a favor do prazer dos homens e, para as mulheres, a maternidade continua sendo uma obrigação.
Denunciamos a imposição da maternidade como destino obrigatório das mulheres e reafirmamos a autonomia de decisão sobre os nossos corpos. Exigimos o direito de decidir se queremos ou não manter uma gravidez indesejada. Para isto lutamos pela legalização do aborto realizado pelo SUS de forma gratuita e segura.
Repudiamos a cooptação do discurso feminista “meu corpo me pertence” para “meu corpo é meu negócio”. Por isso, somos contra o projeto do Dep. Jean Wyllys que, ao invés de contribuir para a melhoria de condições de vida das mulheres prostituídas, legaliza a cafetinagem, consolida a sexualidade como um serviço comercial de compra e venda, e aprofunda a exploração das mulheres. Refirmamos nosso compromisso na luta pelo fim da prostituição e nossa solidariedade com as mulheres que se encontram nessa situação. Denunciamos a máfia milionária da prostituição e da pornografia que se apresentam com a maquiagem da indústria do lazer e do entretenimento.
Denunciamos as grandes obras e mega eventos como copa do mundo e Formula 1 como espaços para naturalizar a prostituição, facilitar o trafico de mulheres e meninas e como uma forma de aprofundar a pobreza e desorganizar a vida da população pobre, via remoções de favelas e terrenos ocupados. Denunciamos a FIFA como uma máfia cada vez mais autoritária e corrupta e reivindicamos o esporte como um direito das mulheres como atividade de lazer, integração e amizade entre os povos.
Neste dia de luta, nos solidarizamos com as mulheres e meninas do Brasil e de todo mundo que sobrevivem e lutam contra a violência que sofrem em casa, nas ruas, no trabalho e as mulheres vítimas de conflitos produzidos e estimulados pelo imperialismo.
Denunciamos a impunidade e lentidão da justiça brasileira, em especial nos casos de estupro de meninas na cidade de Coari, Amazonas, onde o prefeito Adail Pinheiro, pratica pedofilia, alicia e compra meninas para a exploração sexual há mais de 10 anos. Exigimos que este caso seja tratado pela justiça nacional já que os órgãos do Estado do Amazonas tem sido conivente com a situação.
Exigimos que o Estado Brasileiro não aceite mais nenhuma morte de mulheres e meninas vítimas da violência sexista e que implemente a lei Maria da Penha em sua totalidade. Para isto, os estados e municípios devem aplicar recursos em políticas de enfrentamento a violência e o judiciário precisa enfrentar o machismo dos juízes e outros profissionais do setor.  Queremos outro modelo de segurança que garanta o efetivo combate à violência contra a mulher e que não sirva para criminalizar os movimentos sociais e a pobreza. 
Estamos em luta para transformar o modelo de produção e consumo. Por isso, denunciamos a imposição dos agrotóxicos e das sementes transgênicas que geram dependência das agricultoras e agricultores. Denunciamos os projetos de irrigação para beneficiar o agronegócio como o projeto do Perímetro Irrigado da Chapada do APODI, no Rio Grande do Norte, que, se concluído, destruirá a organização e produção das trabalhadoras desta região. Conclamamos todas a resistir e lutar! 
Nos somamos à luta dos movimentos do campo para que as prioridades do governo, hoje, voltadas para o agronegócio se revertam para a reforma agrária, demarcação das terras indígenas e quilombolas como único caminho para garantia de soberania alimentar livre de transgenia, de veneno no ar, na água e na terra e nos alimentos que chegam a nossa mesa.
A estrutura patriarcal do Estado brasileiro não exclui apenas as mulheres da política, como também exclui as mulheres da própria cidadania. Isso coloca barreiras para o avanço das nossas reivindicações históricas, como o combate mais efetivo a violência contra as mulheres, a descriminalização e a legalização do aborto e, principalmente, a implementação de políticas que garantam a autonomia das mulheres sobre suas vidas e seus corpos.
No Brasil, embora tenhamos uma presidenta e sejamos 51% do eleitorado, ocupamos menos de 10% do senado e menos de 9% na câmara de deputados. Os mecanismos que nos afastam dos espaços de poder e decisão, são: a dupla jornada de trabalho, a falta de financiamento público para campanhas, a insuficiência de políticas públicas como creches, educação infantil em período integral, dentre outras.
Para despatriarcalizar o Estado e a política é preciso radicalizar a democracia e construir espaços e processos efetivos de participação popular. Essa é nossa agenda para 2014, ano em que construímos com mais de cem movimentos sociais o plebiscito popular por uma constituinte exclusiva, soberana e popular sobre o sistema político.
Conclamamos às mulheres para a auto-organização e afirmamos nossa estratégia de fortalecimento como sujeito político que constrói uma força mundial em aliança com os movimentos sociais.
Nesse 8 de março de 2014 renovamos nosso compromisso na luta por um mundo anticapitalista, antirracista e antilesbofóbico, por uma sociedade baseada nos valores de liberdade, igualdade, justiça, paz e solidariedade.

Marcha Mundial das Mulheres

miércoles, 24 de abril de 2013

É isso: Carta de mulheres negras (americanas) sobre a Marcha das Vadias.


Em ocasião das novas movimentações  em construção das reedições da " Marcha das Vadias" reafirmando a Carta da MMM sobre a Marcha, reproduzo aqui a carta de mulheres negras americanas posicionando-se contrárias a apropriação do nome "vadias" e o reforço à violência contra as mulheres ( negras, sobretudo).
Não somos vadias! SOMOS MULHERES!
Segue:
Nós, abaixo assinadas, mulheres de descendência africana, anti-violência, ativistas, estudantes, líderes organizacionais e espirituais, queremos nos dirigir à Marcha das Vadias. Primeiro, elogiamos quem organizou essa ousada e vasta mobilização para acabar com a humilhação e culpabilização de vítimas de assédio sexual. Estamos orgulhosas de estarmos vivendo nesse momento em que garotos e garotas têm a oportunidade de serem testemunhas dos atos de mulheres extraordinárias, resistindo à opressão e desafiando os mitos que alimentam a cultura do estupro em todos os lugares. 
Os comentários do policial em Toronto, que motivaram a organização da primeira Marcha das Vadias, foram comentários que trivializaram, omitiram e desconsideraram as experiências contínuas de mulheres com exploração sexual, assédio e opressão, sendo um ataque ao nosso espírito coletivo. Se a desconsideração de estupro e outras violações do corpo da mulher ocorre pelo modo como ela se veste, seu nível alcóolico, sua classe, e nos casos de mulheres de diferentes raçãs e etinias - sua raça, estamos todas de acordo que ninguém merece ser estuprada.
A questão:
Estamos profundamente preocupadas. Como mulheres e meninas de diferentes raãs e etnias, por não encontramos espaço na Marcha das vadias para participarmos e denunciarmos estupro e assédio sexual da maneira que nós o experimentamos. Estamos perplexas pelo uso do termo ‘Vadia’ e a implicação de que esta palavra, bem como as palavras “puta” ou “The N word” deveriam ser ‘reapropriadas’. (nota da tradução: “The N word” se refere à palavra ofensiva usada historicamente contra pessoas negras nos EUA,palavra esta que tem passado por uma enorme banalização no país)
A maneira como somos percebidas, e o que acontece conosco antes, durante e após o assédio sexual vai muito além das barreiras do modo como nos vestimos. Muito disso é ligado a nossa história em particular. Nos Estados Unidos,  onde a escravidão construiu a sexualidade da mulher Negra, sequestros Jim Crow (nota da tradução: “Jim Crow” era o sequestro de crianças negras para serem vendidas como escravas) estupros e enforcamentos, representações de gênero incorretas, e mais recentemente, a luta das mulheres Negras imigrantes, “vadia” tem diferentes associações para mulheres Negras.  Nós não nos reconhecemos nem vemos as experiências vividas por nós refletidas dentro da Marcha das Vadias, especialmente dentro da sua marca registrada.
Como Mulheres Negras, não temos o privilégio ou o espaço de nos chamarmos de “Vadia” sem validar a ideologia historicamente intrincada e recorrente de quem é a Mulher Negra. Nós não temos o privilégio de brincar com representações destrutivas que foram marcadas no nosso imaginário coletivo, nos nossos corpos e nossas almas por gerações. Apesar de compreendermos o ímpeto válido por trás do uso da palavra ‘vadia’ como linguagem usada para enquadrar e representar um movimento anti-estupro, estamos gravemente preocupadas.  Para nós, a trivialização do estupro e a ausência de justiça são cruelmente ligadas à narrativas de vigilância sexual, acesso legal e disponibilidade da nossa humanidade. É ligado a ideologia institutionalizada de nossos corpos como objetos sexuais da propriedade de outra pessoa, espetáculos de sexualidade e desejo sexual. É ligado as noções de nosso corpos, com roupas ou sem roupas, serem impossíveis de serem estuprados, seja na plataforma de leilão (nota: local onde se colocavam escravos à venda), nos campos ou na tela da televisão. A percepção, e a larga aceitação de especulações sobre o que a Mulher Negra quer, o que ela precisa e o que ela merece, há muito tempo ultrapassou as barreiras de somente como ela se veste. 
Sabemos que a Marcha das Vadias é um chamado para ação, e nós te escutamos. Mas ainda lutamos com a decisão de responder a esse chamado nos juntando a vocês, ou apoiando algo que mesmo no nome exemplifica a maneira com que movimentos de mulheres têm repetidamente excluído mulheres de diferentes raças e etnias, mesmo em espaços onde nossa participação é mais relevante. Estamos com dificuldade com o como, o porquê e o quando e nos perguntamos a que ponto a Marcha das Vadias deveria ter incluído representações substanciais de mulheres negras na construção e na marca desse movimento com base nos Estados Unidos que desafia a cultura do estupro. 
Mulheres Negras vêm trabalhando incansavelmente desde o século 19 para livrar a sociedade do vernáculo sexista/racista de vadia, jezebel, hottentot, mammy, mule, sapphire (nota da tradução: todos estes são termos da língua inglesa usados como estreótipo e/ou xingamento para mulheres negras. No Brasil, também temos estes termos que objetificam, segregam e ofendem mulheres negras, dividindo-as em ‘tipos’)  Fizemos isso para construir nosso senso de nós mesmas e redefinir o que mulheres que parecem com a gente representam. Apesar de veementemente apoiar que uma mulher tem o direito de usar a roupa que quiser, quando quiser, dentro do contexto da Marcha das Vadias, nós não temos o privilégio de andar pelas ruas de New York, Detroit, D.C., Atlanta, Chicago, Miami, L.A. etc., nem semi-nuas nem cobertas de roupas nos identificando como ‘vadias’ e achar que é isso que vai fazer as mulheres ficarem mais seguras em nossas comunidades uma hora depois, um mês depois, um ano depois. E ainda mais, temos muito cuidado para não passarmos para garotas jovens a mensagem de que podemos nos identificar como ‘vadias’ enquanto ainda estamos trabalhando para erradicar a palavra ‘Ho”, derivada da palavra ‘Hooker’ ou “Whore’, que foi uma palavra inventada com a intenção de desumanizar (nota da tradução: apesar de Ho e Hooker serem traduzidas comumente como ‘puta’ e ‘prostituta’, estas palavras na verdade têm uma carga negativa maior no inglês, que também tem a palavra ‘prostitute’ - que em muitos casos não é considerada tão ofensiva como ‘hooker’ ou ‘whore’.) E por último, não queremos encorajar nosso jovens homens, nossos pais, filhos e irmãos Negros, a reforçar a identidade de mulheres Negras como ‘vadias’, normalizando o termo em camisetas, bottons, folhetos e cartazes.
O pessoal é político. Para nós, o problema da banalização do estupro e ausência de justição está interligado com raça, gênero, sexualidade, pobreza, imigração e comunidade. Como mulheres Negras na América, devemos ter cuidado para não esquecermos disso, senão, podemos comprometer mais do que estamos dispostas a recuperar. Mesmo que somente em um nome, não podemos nos dar ao luxo de nos rotular, proclamar uma identidade, de gritar uma retórica desumanizadora contra nós mesmas em qualquer movimento. Podemos aprender com movimentos bem-sucedidos como o Civil Rights Movement, o Sufrágio das Mulheres, os movimentos Black Nationalist e Black Feminist, que podemos conquistar mudanças sem ter que reapropriar palavras que nunca foram nossas, e na verdade foram usadas contra nós no processo de nossa desvalorização e desumanização.
O que nós pedimos:
Irmãs de Toronto, estupro e assédio sexual é uma arma radical de opressão e concordamos absolutamente que isso requer pessoas radicais e estratégias radicais para a luta. Nesse espírito, e porque ainda há muito trabalho a se fazer e um enorme potencial para fazermos isso juntas, pedimos que a Marcha das Vadias seja ainda mais radical e acabe com o que foi historicamente o apagamento de mulheres de diferentes raãs e etnias e suas necessidades particulares, bem como seu potencial e suas contribuições para os movimentos feministas e todos os outros movimentos.  
Mulheres nos Estados Unidos são racialmente e etnicamente diversas. Todas as táticas para conquistar direitos civis e humanos deve não somente consultar mulheres negras e pardas, mas sim igualmente centralizar todas as nossas experiências e nossas comunidades na contrução, lançamento, apresentação e sustentabilidade do movimento.
Pedimos que a Marcha das Vadias tome atitudes críticas para se tornar coerente com a história de mulheres de diferentes raças e etnias, e envolva-as  de maneira que respeite sua cultura, sua linguagem e seu contexto.
Pedimos que a Marcha das Vadias considere se engajar em um processo de re-identificação e acreditamos que, devido a atual popularidade da Marcha, seus/suas milhares de seguidores/as não vão abandonar o movimento simplesmente porque mudou de nome. 
Nós pedimos que organizadores participantes da Marcha das Vadias façam mais ações para acabar com a banalização do estupro em todos os níveis da sociedade. Tome ações para acabar com o uso da palavra ‘estupro’ como se fosse uma metáfora, e também ações para acabar com o uso de palavras inventadas para perpetuar estruturas racistas/sexistas , desumanizar e desvalorizar.
No espírito de construirmos um movimento revolucionário para acabar com o assédio sexual, o estupro, acabar com mitos sobre estupro e a cultura do estupro, pedimos que a Marcha das Vadias dê um passo a frente em verdadeira autenticidade e solidariedade para se organizar além das marchas e demonstrações como ‘Marcha das Vadias’. Que desenvolvam um plano mais crítico, mais estratégico e mais sustentável para juntar todas as mulheres, para exigir que países, comunidades, famílias e indivíduos apoiem os direitos um dos outros à integridade do seu corpo, e coletivamente falar um NÃO poderoso para a violência contra mulheres. 
Nós estaríamos abertas a uma reunião com organizadores/as da Marcha das Vadias, para discutir o potencial intrinseco, o alcance global e o enorme número de seguidores que mobilizou. Nós iríamos dar boas vindas à oportunidade de ter conversas críticas com organizadores/as de Marchas das Vadias, sobre estratégias de nos mantermos com aresponsabilidade pelos milhares de mulheres e homens em marcha deixadxs pra trás no Brasil, em Nova Déli, na Coréia do Sul e em vários outros lugares. — marchas que continuam precisando de segurança e recursos, marchadores/as que voltaram pra suas casas, suas comunidade e suas vidas. Daríamos boas vindas a uma conversa sobre o trabalho a ainda  ser feito e como isso pode ser feito juntamente com grupos através de várias barreiras, para acabar com o assédio sexual além das marchas.
Como mulheres Negras na interseção de raça, sexualidade, gênero, classe e mais, continuaremos em luta incansável para desmantelar os sistemas inaceitáveis de opressão, planejados para sitiar nossas vidas cotidianas. Continuaremos a lutar pelo desenvolvimento de políticas e iniciativas que priorizem a prevenção primária do assédio sexual respeito a direitos de mulheres e direitos individuais, agência e liberdades, e responsabilizar os agressores. Vamos consistentemente exigir justiça, seja sob a lei governamental, no nível de comunidades, via estrategias comunitárias para as pessoas vítimas de assédio, e nos organizar para acabar com o assédio sexual de pessoas de todas as diferentes vidas, todos os gêneros, todas sexualidades, todas as raças, todas as etnias e todas as histórias. 
Assinado: The Board of Directors and Board of Advisors, Black Women’s Blueprint | Farah Tanis, Co-Founder, Executive Director, Black Women’s Blueprint  

Fonte: Blog "Uma feminista cansada" http://www.feministacansada.com/post/44143444731

viernes, 8 de marzo de 2013

Declaração da Marcha Internacional das Mulheres para o 8 de março 2013 - Dia Internacional das Mulheres



 Nós, mulheres do mundo, transformamos nossa dor em fortaleza.



 Nós, mulheres de todos os povos, idades, classes e sexualidade, resistimos à crescente criminalização que pesa sobre nós e os nossos protestos e propostas. As ruas e os demais espaços públicos são nossos! Organizamo-nos em movimentos sociais, sem nos sujeitarmos à pressão para que nos confinemos ao espaço doméstico. Seguimos em luta por leis progressistas que reforcem nossos direitos reais, apesar da violência dos governos e das instituições religiosas com as quais nos deparamos. Todas somos mulheres resistindo e celebrando os avanços que vamos obtendo. Somos todas mulheres filipinas celebrando o avanço da lei  de saúde reprodutiva!
Dizemos " Basta" à violência contra nós mulheres! Uma vez mais tomamos a iniciativa e as  ruas para protestar contra todas as formas de violência e a sua banalização em nossas sociedades. Denunciamos a violência como elemento estrutural do sistema patriarcal, neocolonialista e capitalista e instrumento de controle de nossas vidas, nossos corpos e de nossa sexualidade. Todas somos mulheres da Índia e do Bandladesh fazendo frente aos estupros e à violência, assim como à impunidade dos agressores. Todas somos mulheres maias rompendo o silêncio dos tribunais e exigindo justiça!  Todas somos  mulheres moçambicanas na vitória da luta pela aprovação da lei de violência doméstica!



Nós, mulheres indígenas seguimos lutando, mobilizando-nos em massa em nível local e internacional. Usando de forma criativa os instrumentos de luta de que dispomos, exigimos dos nossos governos que respeitem nossos direitos e os dos nossos povos e territórios.Todas somos mulheres B’laan das Filipinas, mulheres maias, xincas e mestiças guatelmatecas defendendo nossos territórios – nossas terras e nossos corpos da indústria mineira e hidroelétrica! Todas somos militantes de Idle no More e todas somos mulheres dos povos originários do Canadá, fazendo frente à discriminação e às injustiças históricas contra os povos autóctones!
Nós, meninas e jovens resistimos às ofensivas do patriarcado em nossas próprias famílias – onde as ideias de “apropriado” e “correto” restringem os nossos movimentos – e na sociedade em geral - onde o acesso à educação, à saúde reprodutiva e à saúde pública nos é negado ou limitado. Seguimos desafiando estas restrições organizando-nos, debatendo, mobilizando e dando respaldo à nossas batalhas. Seguimos dando dinamismo à nossa luta. Todas somos jovens paquistanesas indo à escola apesar das ameaças físicas que enfrentamos! Todas somos estudantes chilenas gritando “não” à privatização do sistema educativo e exigindo uma educação gratuita e de qualidade!
Nós, feministas, seguindo lutando pela autonomia dos nossos corpos, nossa sexualidade e fertilidade. Exigimos a legalização do aborto naqueles países onde ainda somos criminalizadas por exercer o direito de não ser mãe. Não aceitamos retrocessos em matéria de aborto nem de direitos reprodutivos, conseguidos nas nossas lutas das últimas décadas. Todas somos as milhares de mulheres da Turquia, insurgindo-nos contra as acusações governamentais que nos classificam de assassinas! Somos todas jovens europeias lutando contra as ofensivas sobre o direito ao aborto em todo o continente! Todas somos mulheres uruguaias, celebrando a legislação sobre o direito ao aborto no país, mas ao mesmo tempo mantendo-nos alertas frente ao controle em relação às mulheres que desejam exercer este direito e perante possíveis restrições ao mesmo!
Nós, activistas em sindicatos e partidos políticos desafiamos o sexismo e a misoginia manifestados por nossos irmãos de luta, pressionando permanentemente a introdução do nosso feminismo anticapitalista e anticolonialista e de base nos debates, declarações e lutas. Coletivamente, seguimos reforçando-nos, reforçando nossas alianças e reivindicações feministas. Todas somos mulheres nos espaços de convergência dos movimentos sociais – por exemplo, o Florença 10+10, Itália – afirmando nossas análises e reivindicações feministas!
Nós, todas as mulheres, somos cada vez mais rebeldes face à ofensiva conservadora e fundamentalista e à militarização de nossas comunidades. Somos todas mulheres do Mali, desafiando a opressão islâmica ao andar de moto, ao deixar nossos lares para desenvolver nossa vida diária nos espaços públicos e ao lutar contra as violações, a violência sexual e a impunidade dos agressores!
Todas somos europeias, desafiando os nossos governos a fazer frente às medidas de austeridade! Todas somos egípcias desafiando as ameaças graves de violência sexual cada vez que vamos protestar na Praça Tahrir!
Todas somos mulheres da Tunísia lutando pelo comprimento das reivindicações da revolução-trabalho, liberdade, dignidade e cidadania- e contra as tentativas de impor mecanismos de discriminação às mulheres desde a tenra infância (o pré-escolar não misto, o uso do véu no pré-escolar e a incitação ao casamento precoce)!
Nós, mulheres da Marcha Mundial das Mulheres estamos marchando neste 8 de março de 2013, como milhares de nós fizemos nas 24 Horas de Ação Feminista Através do Mundo, a 10 de Dezembro.
Numa onda de ação em todos os continentes estamos transformando a nossa dor em fortaleza.
Marcha Mundial das Mulheres

domingo, 3 de marzo de 2013

SOLIDARIEDADE REVOLUCIONÁRIA.Quanto vale a dignidade de um/a trabalhador/a?




POR NÃO SER RACIONAL RENUNCIAR A SER LIVRE.

Onde estão os grilhões invisíveis que te prendem ao solo?
Não vês, mas sentes o peso nas pernas.
E as mordaças transparentes que te impedem de gritar?
Não vês, mas te sufoca a voz.

E as vendas que te colocaram nos olhos?
Não vês, mas há alguma luz que atravessa o tecido.

Por não ser racional renunciar a ser livre.
E se te levantares?
Verás bem, mas te rasgarão a pele,
te pisarão e  te jogarão no  próximo carro de lixo.

Mas como não é racional renunciar a ser livre
 a verdade proletária hás de espalhar.

Ângela Pereira.

Companheiras e companheiros,

        Quanto vale a dignidade de um/a trabalhador/a? E a vida?  Há tempos ouso dizer que vale o quanto o capital consegue expropriar e oprimir, contrariando a idéia de que não “vale nada”.
O capital não é um corpo físico, não podemos pegá-lo, estrangulá-lo, queimá-lo como de verdade mereceria. Entretanto, ele (digo, a sua ideologia) penetra nos nossos poros, nossos olhos, nos nossos ouvidos, nos nossos ventres, nas nossas bocas e língua, impregna-se nas nossas mentes e suga impiedosamente a energia e a vida. É um parasita!
Coloca trabalhadores contra trabalhadores a serviço da desumanização progressiva.
Milhões de nós, enfeitiçados, circulam das suas casas, aos escritórios, às fábricas e aos shoppings como se nada estivesse errado. Outras/os, entretanto, apesar do sofrimento de uma vida marcada pela dor de ser trabalhador nesse sistema, não se ajoelham por não ser racional renunciar a ser livre:

Fim do mês no “país do carnaval” e na cidade do “pôr do sol mais oriental das Américas” vê-se mais uma cena dolorosa e indignante.
Marli, uma artesã sensível e com um bom nível de consciência crítica, que nos caminhos da vida foi empurrada pela necessidade de sobrevivência para o trabalho informal, resistindo a cooptação de um trabalho como prestadora de serviço, tentava vender mensageiros do vento, filtros dos sonhos, coqueirinhos de material reciclável e algumas garrafas e copos de água, próximo do Shopping Tambiá, no centro de João Pessoa. Foi abordada na manhã do dia 28 de fevereiro (quinta-feira) pelos “bombados” (nome usualmente dado pelos vendedores ambulantes aos fiscais), enquanto vendia suas mercadorias. Dois agentes solicitaram que a mesma “circulasse” na área, caso não o fizesse, seus materiais seriam apreendidos. Como não tinha condições de obedecer à ordem dos agentes, em razão da sua condição de saúde e dificuldade de transportar o seu carrinho pesado confeccionado com partes de geladeira, a caixa de isopor cheia de garrafinhas com água e seus artesanatos, a mesma falou que poderiam levar o material.
Pelo telefone a artesã tentou entrar em contato com um amigo para obter ajuda e entrar em contato com o Secretário de Desenvolvimento Urbano (SEDURB) Assis Freire, conhecido dela e conterrâneo da cidade de Belém, interior da Paraíba. Ao perceberem o telefonema, os agentes assumiram ainda mais a postura de autoridade, sendo grosseiros com a mesma.  Depois de algum tempo, repentinamente, a mesma é surpreendida pela abordagem truculenta, arrogante, machista e desumana de cerca de seis agentes de controle urbano que pegam os seus instrumentos de trabalho e colocam sobre uma caminhonete, deixando pelo caminho algumas mercadorias e danificando parte dos materiais entre eles, os óculos dela.
Mesmo emocionalmente abalada, Marli vai ao encontro do secretario Assis Freire para solicitar uma intervenção e o mesmo entrega-lhe o valor de 40 (quarenta) reais, apesar de não concordar com a situação, como estava com as contas de energia, água e aluguel atrasadas, ela se vê obrigada a aceitar, mas fala que necessita de emprego digno e não daquele tipo de “ajuda”. É orientada a ir buscar os materiais dela em setor da Guarda Municipal no dia seguinte (sexta-feira).
Procura ainda a Secretaria de Políticas para as mulheres e tenta falar com a Secretária Socorro Borges, mas não consegue. Sendo atendida por uma recepcionista que a orientou se cadastrar no empreender mulher. Foi orientada a tirar cópia de documentação, mas precisou dizer que não tinha dinheiro para poder sensibilizar a atendente a tirar a cópia da documentação dela e ser cadastrada. Marli diz ter se sentido invisível na secretaria.
No dia posterior, 1º de março (sexta-feira) estive com ela no setor da guarda municipal para reaver seus instrumentos de trabalho.  O ambiente parecia inadequado com pouca circulação de ar e com uma “energia pesada”. Tão brutalizante quanto à aparência dos trabalhadores ali presentes. O machismo paraiva no ar, saltava pelos olhos e saia com as palavras na saliva da boca dos homens e mulher ali presentes. Os primeiros atendimentos foram insensíveis, a sensação de impotência e irresolutividade eram veementes.  Até decidirmos entrar em contato com a secretaria da SEDURB e reivindicar a vinda do responsável pelo setor, Magalhães.
Somente com a chegada de Magalhães e com a escuta realizada por ele e pela psicóloga Jô nos sentimos escutadas e atendidas. Segundo os mesmos, ambos estão há apenas cerca de um mês no setor com a tarefa de tentar modificar  a forma de intervenção e a administração do setor. Magalhães e Jô assumiram o compromisso de encaminhar uma solução para o caso de Marli em conjunto com o Secretário Assis Freire.
Ficamos manhã e tarde lá entre escuta, averiguação de materiais e transporte dos mesmos para a oficina de Marli.  Com a impossibilidade de vender as mercadorias na rua, Marli retornou para casa sabendo que três dias sem a possibilidade de vender algo custará muito para a sua sobrevivência –“três leões não mortos por três dias”.
Quantas Marli’s, Maria’s, Joaõ’s e José’s estão em situação semelhante ou pior?
Marli recebe dinheiro do Bolsa Família, mas sabe que não é a solução para os seus problemas. Conhece na pele o papel coercitivo e consensuador do Estado.

Marli por saber que não é racional renunciar a ser livre não aceita ser explorada e escravizada por um trabalho como prestadora de serviço. Marli precisa de “emprego digno” e tempo para fazer seus mensageiros de ventos e filtros dos sonhos.

OBSERVAÇÃO: Enquanto Marli não consegue um “emprego digno” e recupera os rendimentos dos dias em que não pode estar na rua para vender seus artesanatos e algumas garrafas de água, precisa comer e pagar algumas contas.  Provisoriamente Marli precisa de ajuda financeira ou de doação de alimentos. Mas o que Marli e todas trabalhadoras e trabalhadores querem mesmo é “emprego digno”, condições para respirar sem sentir a dor da exploração e opressão.

Caso alguém possa contribuir com Marli, favor entrar em contato comigo pelo e-mail: anja.pereira@yahoo.com.br e telefones: (83) 98012570/87982170.

Ângela Pereira.
Trabalhadora.