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viernes, 7 de noviembre de 2014

" VISTA, VOCÊ,UMA BURCA E APRISIONE-SE!"

Para você que acha que o machismo é história contada por "mulheres mal-amadas" segue mais elementos para informar que não. O machismo existe e nos atinge cotidianamente:
Sorrir e cumprimentar as pessoas com simpatia é essencial, mas estou cansada de sorrir para homens e ser assediada como se um sorriso fosse abertura para um flerte ou, mais além, para um convite sexual.
Costumo cumprimentar cobradores e motoristas de ônibus sempre ao entrar no ônibus.Para mim é questão de educação.
Ontem, como costumeiramente faço, entrei num ônibus e cumprimentei o cobrador. Mas eis que um simples sorriso já parece um convite. O interesse não aparece em palavras, mas em olhares que parecem querer lhe despir.
Essa sensação de invasão do nosso corpo com olhares inconvenientes realmente é desconcertante e desrespeitosa para a nossa condição de mulher.
Para piorar, enquanto o ônibus estava parado em um dos sinais na calçada passa uma mulher com roupas muçulmanas e o cobrador solta a frase infeliz: "Todas as mulheres deveriam se vestir assim. Ficam usando roupas curtinhas e se mostrando".
Na hora aguentei-me para não aumentar o tom de voz e no meio do ônibus começar a discutir com aquele machista infeliz.
Na luta feminista aprendi onde gastar energia e onde não gastar. Respirei fundo, levantei-me e saltei do ônibus.
Engoli a minha vontade de em alto e bom tom dizer " VISTA, VOCÊ, UMA BURCA E APRISIONE-SE!"
Pensei que naquele momento seria melhor gastar minha energia para contribuir com a luta feminista junto a outras mulheres e dialogar com homens que não violam a minha condição de mulher.
Um homem machista,cheio de preconceitos, invasivo com o meu corpo sinceramente não merece o meu bom dia, muito menos o meu sorriso.
"Minha nova poesia (repete)
é antiga poesia,
(...)
A baixa alto-estima da dona Maria,
da sua prima, da sua filha e sua vizinha.
Isso me intriga, isso me instiga
e se você não entendeu o que significa feminista.
Esquento a barriga no fogão, esfrio na bacia,
cuido do filho do patrão,minha filha ta sozinha
a mão ta no trampo a mente ta na filha
um monte de gaiato em volta ainda pequenina.
Porque depois dos 40 é de casa pra igreja,
é tudo é por ninharia, pretendente Jesus o Messias
tive que trabalhar não pude parar
guerreira estradeira capoeira na ginga.
Disseram pra neta que a vó era analfabeta
"o mundão ta doido Acaba" mas ela não,
minha vó formou na vida e nunca soube o que é reprovação
Eis a questão!!!!
Se não me espelhou não me espelhou
não chamo de educação
manhã eu acendi(???) o nariz da esfinge
de racha to cercado OIA Yemanja vive
aqui não tem trama ou gente inocente
aqui tem mulher firme arrebentando as suas correntes
a vida toda alguma coisa tentou me matar e eu me refiz
Dandara Acotirene
Salve! negras dos sertões negras da Bahia
Salve! Clementina, Leci, Jovelina
Salve! Nortistas caribenhas clandestinas
Salve! Negras da América latina (2X)
Salve! Eu sei não é facil chegar
Salve! a gente sabe levantar
Salve! Aonde eu for é o seu lugar
Salve! Permanecemos vivas (2X)"

Ellen Oléria.

martes, 4 de noviembre de 2014

Somos do Sul, com muito orgulho não nos renderemos.

♪♫♩♫♭♪"Somos Sur (Ana Tijoux)
Tu nos dices que debemos sentarnos
Pero las ideas solo pueden levantarnos.
Caminar, recorrer, no rendirse ni retroceder.
Ven y aprende como es paja absurda.
Nadie sobre todos
Todo es para todo, todos para nosotros es.
Soñamos en grande, gritamos algo no queda más remedio.
Esto no es utopía es alegre rebeldía del baile de los que sobran
De la danza que hay hoy día.
Levantarnos para decir ya basta.
Ni africa ni america latina se subasta.un carr
Todos los callados, todos los sometidos, todos los invisibles
Todos los callados, todos los sometidos, todos los invisibles
Nigeria, bolivia, chile, guatemtala, puertorico y tunez.
Argelia, venezuela, guatemala, nicaragua, mozanbique, costa rica.
Camerun, conga, somalia, méxico, república dominicana, tanzania.
Fuera yanqui de américa latina, franceses inglese y holandeses
Yo te quiero libre palestina.
Saqueo, pisoteo, colonización, mil veces venceremos
Del cielo al suelo y del suelo al cielo vamos.
Canto blanco vuelve pa tu pueblo
No te tenemos miedo. Tenemos vida y fuego
Fuego en nuestros manos, fuego en nuestros ojos
Tenemos tanta vida y esta fuerza color rojo.
La niña maría no quiere tu catsigo se va a liberar con el suelo palestino
Somos africanos, latinoamericanos
Somos este sur y juntamos nuestras manos." ♪♫♩♫♭♪

Ana María Merino Tijoux (1977) é uma cantora franco-chilena, conhecida pelos nomes
 artísticos Ana Tijoux ou Anita Tijoux. Ela começou sua carreira como MC do grupo de hip-
hop Makiza durante os anos 90. A partir de 2006, Ana iniciou uma carreira solo, e gravou 
uma colaboração com a cantora mexicana Julieta Venegas. Depois do seu segundo álbum, 
1977, ela ganhou maior notoriedade, e sua música chegou à trilha da série de televisão 
Breaking Bad. Ana é conhecida por tratar de temas como pós-colonialismo, feminismo, 
ambientalismo e justiça social em suas letras.

Sua família ficou exilada na França durante a ditadura de Augusto Pinochet no Chile.





martes, 28 de octubre de 2014

Se tenho a poeira como companheira, faço da poeira a minha camarada.



O plantador 

Quanto mais eu ando,
mais vejo Estrada.
Mas se eu não caminho,
não sou é nada.
Se tenho a poeira
como companheira,
faço da poeira
o meu camarada.
Se tenho a poeira
Como companheira,
faço da poeira
o meu camarada.
O dono quer ver
a terra plantada.
Diz de mim que vou
Pela grande estrada:
"Deixem-no morrer,
não lhe deem água,
que ele é preguiçoso
e não planta nada."
Eu que plantei tudo
e não tenho nada,
ouço tudo e calo,
na caminhada.
Deixem que ele diga,
que eu sou preguiçoso,
mas não planto em tempo
que é de queimada.
Deixem que ele diga,
que eu sou preguiçoso,
mas não planto em tempo
que é de queimada.

(Geraldo Vandré)

Sem basismo, estou com o povo que não é bobo!

Reforçando o desabafo- reflexão de Romero Venâncio, socializo uma breve narrativa de um episódio por mim vivenciado num bar de um bairro periférico dessa cidade na noite em que a comemoração pela vitória de Dilma/Ricardo ganhava principalmente as ruas da orla pessoense.
Um homem, com seus aproximados 47 anos, um pouco ébrio e com uma leve deficiência intelectual, baixo, negro, com nome de um santo católico apostólico-romano, com o corpo sujo de suor e de poeira se aproximou e me cumprimentou.
Eu estava com uma camisa vermelha toda cheia de adesivos de Dilma, por isso suponho tê-lo atraído. Começo então a conversar com ele perguntando com o que trabalhava. Ele me respondeu que trabalha com limpeza.


Aí dialogamos um pouco sobre a vitória de Dilma. Os comentários dele me pareciam bem coerentes. E me chamou atenção a frase " Eu votei nela, mas eu quero saber o que ela vai trazer para a Paraíba". E depois completa "o povo não é bobo". Eu retirei um dos adesivos da minha camisa e coloquei na camisa dele. No mesmo momento chega outro homem, pedindo dinheiro, ai ele me alertou " Cuidado com ele: é um esperto". O Homem com nome de santo chega perto do outro e diz " Você é tão jovem. Vá trabalhar! ". O outro sai aborrecido e resmungando.
O Homem com nome de santo resolve conversar com outras pessoas no bar e nos deixa por alguns minutos. Depois ele retorna e me explica: " Voltei. Voltei porque gostei de você." E me pediu para que tirasse o adesivo de Dilma. Eu falei por três vezes seguidas " Mas me explique por que?" A boca que liberou os argumentos tão facilmente alguns minutos atrás se calou. Ele não respondeu a minha pergunta e seguiu retirando o adesivo de Dilma.
Depois apertou minha mão e beijou o meu rosto.
A minha opção de comemorar a vitória de Dilma num bairro periférico ao invés de ir a orla valeu muito à pena.
Sei que não posso generalizar a fala do Homem com nome de santo para analisar a conjuntura política, mas já me lembro de ter ouvido essa expressão ("o povo não é bobo!") várias vezes, de bocas muito parecidas com a do Homem com nome de santo.
Mesmo não sendo religiosa, mas concordando com o sentido de algumas expressões desse cunho, encerro esse comentário com um trecho do versículo 34 de Mateus 12 "a boca fala do que está cheio o coração" (Mateus 12:34)
O "coração" do povo pobre brasileiro anda machucado, mas não desiste. Sabe que precisa sobreviver e quer melhorar de vida.
E o povo pobre por estar com o "coração" machucado, sabe bem que há sempre que desconfiar... 
Vota em Dilma, mas "quer saber o que ela (Dilma) trará para a Paraíba".


Ângela Pereira.



UM DESABAFO OU REFLEXÃO... TANTO FAZ... VAI...


Em 1989 a maioria dos pobres do Nordeste e Norte votou em peso no Collor (vivi e sofri este ano). Lula, candidato dos trabalhadores e ex-lider operário à época perdeu exatamente entre os pobres (ninguém disse nada ou caiu a gritaria de que pobre não sabe votar). Em 1994 mais uma vez os pobres votaram em FHC na onda do plano real (ninguém disse que pobre não sabe votar)... em 1998 mais uma vez FHC (ano símbolo da quebradeira do Brasil e desmonte do setor público brasileiro) e ninguém falou dos pobres que não sabiam votar (até FHC gostou e aplaudiu os rincões que o elegeram)... Estranho, preconceituoso, fascista e elitista é este papo de que os pobres do Norte e Nordeste votaram nesse 26 de outubro de 2014 por “bolsa família” e políticas sociais... De fato... e como não votariam? A necessidade tem falado mais alto entre os pobres em quase todas as eleições desde os anos 80... Por que só agora vem a gritaria? Olhemos as palavras e de onde estão saindo as pérolas do tipo: “ignorantes”, “burros”, “famélicos” ou daquelas senhoras da marcha com Deus e outras merdas dos dias atuais: corrupção, imoralidade, Impeachment (com as fontes da Veja e Globo). Será que precisa dizer de quais estados do Brasil são essa gente que grita assim???? Na verdade a questão é mais funda: um brutal preconceito de classe (histórico desde a montagem da casa grande) e pautado no velho cinismo (ainda de classe, também) dos “bem educados” que tudo sabem... São os 500 anos do cipó de aroeira no lombo de pobres e pretos... Isto é que essa gente não quer que mude... e olhe que Dilma/Lula/PT nem vão mudar nada e nem vão tirar os privilégios dessa gente (nem tenho ilusões)... “Só quero ver quando Zumbi chegar”... Por fim, dedico a essa gente escrota a música de Geraldo Vandré dos anos 60... Me representa!!!!!!!!!!!!!!




domingo, 19 de octubre de 2014

Como as nossas mães e os nossos pais... Mas é preciso força!

Ontem duas músicas me acompanharam durante o dia todo:  "Como os nossos pais" e "Maria Maria" ambas na voz de Elis Regina. 
A primeira faz menção aos tempos que as flores cantadas numa música não necessariamente eram flores, mas uma substituição de palavras para burlar a censura da ditadura militar. A segunda me faz lembrar e afirmar a força que temos, nós mulheres da classe trabalhadora, para virar o jogo. 

Ainda sinto cheiro da nova estação!




Com elas, lembrei-me de como a história se repete, mesmo em proporções diferentes e com peculiaridades. Hoje como quando era com as nossas mães e com os nossos pais, a história se repete como farsa, parafraseando Marx " A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa". 

A constatação de que acontecimentos da história  tendem a si repetir, nesse caso me refiro a conjuntura político-eleitoral com os apoios da mídia burguesa ao candidato de sua classe, Aécio Neves, bem como com as agressões sofridas por quem quer se expressar sem ter sua voz coagida pela polícia, denota como nós mulheres precisamos continuar sendo fortes porque somos parte importante da luta pela superação do sistema capitalista patriarcal. 

A luta de classes, tema trabalhado por Marx, por exemplo, em " O 18 brumário de Louis Bonaparte", salta aos olhos vistos.  Os adesivos nas portas das casas, nos automóveis e nas roupas expressam não apenas uma posição eleitoral, mas a posição e aspirações de classe de cada um/a.  Logo adesivos da candidatura de Aécio Neves apregoadas em celulares e casas de policiais ou  adesivos de Dilma em carros de catadores de papelão não representam mera posição eleitoral. Representam, em aparência, as decisões, posições e aspirações de classe da população brasileira.  Há mediações a serem feitas nessa afirmação, entretanto,  mas de forma geral pode-se compreender desta forma. 

Até as mobilizações nas universidades públicas estão sendo coagidas em nome de um Estado de Direito, que sabemos tem uma posição de classe, como aconteceu na semana passada na UFPB.  ( vide nota das entidades representativas dos professores,  técnicos administrativos e estudantes no endereço eletrônico  http://www.adufpb.org.br/site/nota-oficial-em-defesa-dos-direitos-a-liberdade-de-expressao-da-autonomia-universitaria-e-contra-a-repressao-na-ufpb/)

Outra constatação em relação a conformação das forças políticas no congresso brasileiro após o 1º turno das e eleições ( vide texto "Mais fisiológico, mais conservador"  disponpivel em http://www.asmetro.org.br/portal/gestao/21-clipping/4621-revista-carta-capital-mais-fisiologico-mais-conservador-a-estacao-uruguai),  pede um processo de reflexão-ação  das organizações da classe trabalhadora quanto à sua atuação. 

Nesse quesito, estamos (a esquerda) com sérios problemas a serem analisados e trabalhados em busca da construção de uma correlação de forças que nos dê condições de virar o jogo.

De algumas reflexões que venho fazendo, e da análise de outras leituras, penso que desafios importantes já discutidos em outros espaços estão mais que atuais. 
> Ou a esquerda partidária, sindical e dos movimentos sociais fazem uma autocrítica franca de sua forma de intervenção, voltando-se para as bases ou o cenário vai piorar consideravelmente.  É preciso conquistar companheiras na universidade, mas sair dela e colocar os pés nos chão das comunidades, trabalhando numa perspectiva de educação popular feminista. Aqui me refiro ao movimento feminista.
> Restringir-se aos espaços institucionais, enquanto espaço da política é ao meu ver seguir dando tiros nos pés de quem já está cambaleante... É preciso atuar nele, mas a prioridade precisa ser a elevação da consciência das pessoas para se organizarem nas ruas;
>Enquanto se continuar olhando pros umbigos de cada organização e não se colocar os pés no solo das comunidades  desse país como hoje as igrejas pentecostais , principalmente, vem fazendo diuturnamente será difícil revertermos esse quadro.  
Tem-se visto nas comunidades o crescimento frenético de igrejas evangélicas.  Além de todo trabalho de pregação nas ruas em cultos em calçadas. Essa perspectiva de religião surge juntamente com a revolução industrial baseado na filosofia da acumulação capitalista, logo é uma "saída" fácil para aliviar os pesos do cotidiano da classe trabalhadora, mas em contrapartida aprisiona a consciência desta aos valores conservadores capitalistas.  Funcionam, portanto, então enquanto partido da burguesia, assim como faz a mídia burguesa. 
>Construir instrumentos feministas de comunicação alternativa: Rádios comunitárias feministas ou se incorporar com rádios comunitárias  já existentes com participações; investir em folhetins com linguagem acessível. Para as mulheres mais instruídas investir nos blogs como alternativa para furar a grande mídia.  E seguir utilizando o facebook, mas atentar com cautela para exposições desnecessárias. 
A nossa luta é longa, precisamos estar fortes, seguras e unidas para somar as forças das mulheres da classe trabalhadora.
"Não há de ser inutilmente" 

domingo, 21 de septiembre de 2014

Sobre os medos : o medo e o amor ou a falta dele.

Da série "Apresentando Simona Talma" e refletindo sobre a vida, posto outra música dela que fala de amor-próprio,  de desamor, dos nossos medos e dos medos que o mundo capitalista nos impõe.

"A felicidade é uma questao de sintonia lá fora e aqui dentro do coração".
 A  minha felicidade é a maratona de luta pela liberdade, mas não é qualquer liberdade!



             Sobre o Amor



Simona Talma

Nós que somos tão puros
Tão cheios de boas intenções
Criamos muros
Nos escondemos de tudo
Do amor e da morte
Do medo e da sorte

Nós temos medo do mundo
Ladroes e das canções de amor
Nos somos vitimas
Maltratamos os velhos
E nem conseguimos amar nossos filhos
Nem vemos os outros humanos

Quem nos salva da solidão
A felicidade não tem condição
A felicidade é uma questao de sintonia lá fora
E aqui dentro do coração

No youtube: https://www.youtube.com/watch?v=ZiBG3kzS75I

Isso é sobre Prostituição: " Orgasmos falsos, caros, de papel"

Não tenho tempo hoje para escrever um texto bem fundamentado sobre a prostituição. Mas aproveito para postar  um texto escrito por uma companheira da Marcha Mundial das Mulheres de Minas Gerais sobre o tema da regulamentação da prostituição ao som da Banda Lily Braun com participação especial de Simona Talma.



Nunca de cara ( Banda Lily Braun)

Puta

Viveu sua fase culta
Do bordel para a esquina de qualquer rua
De bar em bar
Puta
Inquilina dos corações vazios
Sua cama é pra guardar troféus
De orgasmos falsos, caros, de papel
De papel
Cada tara
Mesmice secreta
No armário guardado o consolo
Mais uma vez, nunca de cara
Nunca de cara
Puta
Inquilina dos corações vazios
Sua cama é pra guardar troféus
De orgasmos falsos, caros, de papel
De papel




A “regulamentação” da prostituição e a vida das mulheres

Clarisse Goulart Paradis*
Nos últimos dias, com a aproximação da Copa do Mundo e com a execução de todos os seus preparativos, o projeto de lei do Dep. Jean Wyllys esteve em pauta, provocado pelo discurso da “regulamentação” da prostituição, envolto na necessidade de estruturar a indústria do sexo para o aumento do turismo no próximo período. A partir disso, li os poucos artigos que constam no seu conteúdo. Parece banal, mas um PL que trata de um assunto tão complexo, que pretende “resolver” o problema das pessoas em situação de prostituição, contém apenas seis artigos.
Existem alguns pontos perversos nesse projeto. Um deles diz respeito à categorização da exploração sexual. Segundo o mesmo há esse tipo de exploração quando não houver pagamento do “serviço sexual”, quando a prostituição for forçada, mediante grave ameaça ou violência, ou quando uma terceira pessoa apreender entre 50% e 100% do valor do programa. Essa categorização tem duas conseqüências graves – ela legaliza o “cafetão” como essa terceira pessoa que apreende até 50% do valor do programa, algo que ainda não era formalizado no contexto brasileiro e deturpa a ideia de exploração sexual.
Imagem postada no Blog da diretoria de mulheres da UNE
Fonte: Blog da Diretoria de Mulheres da UNE
Ao separar a prostituição da exploração sexual, o serviço sexual livre, do serviço sexual forçado, há uma intenção de reconhecer de maneira oficial a prostituição como uma solução possível para os problemas das mulheres, de legitimar o discurso da profissão do sexo como um disfarce para despenalização da cafetinagem. Isso alimenta um sistema lucrativo, nacional e internacional de exploração das mulheres, em busca de alimentar uma sexualidade masculina, construída como insaciável, incontrolável, irresponsável e que, portanto, necessita a todo o tempo da disponibilidade de corpos femininos em sua maioria, para a “satisfação” do seu querer sexual. Como nos mostra o verbete sobre o tema no dicionário crítico do feminismo:
“O grande mercado liberal assimila e monetariza os prazeres: a lógica consumista invade todos os domínios da vida e a expressão “trabalhadoras do sexo” legitima a ideia de que a mercadoria sexo se tornou um dado indiscutível da economia moderna. Toda noção ética é então varrida, toda relação de dominação é engolfada por uma lógica individualista. A prostituição se encontra assim excluída das formas de violência contra as mulheres” (Legardinier, 2009, p.200).
Além de legalizar a ação dos cafetões, o projeto de lei prevê o livre funcionamento das casas de prostituição. Para não dizer que o projeto não prevê nada sobre a vida e situação das pessoas em prostituição, ele garante a prestação de serviços em cooperativas ou de maneira autônoma e aposentadoria especial, após 25 anos de serviço.
Nesse contexto, o projeto pouco contribui para a vida das mulheres prostitutas. O Ministério do Trabalho já reconhece a prostituição como ocupação regular e a previdência social assegura o seu direito de contribuir para o INSS (não em regime especial como prevê a lei). O que vale ser chamado a atenção é que esta lei não visa melhorar a vida das mulheres prostitutas, não prevê nenhum tipo de política pública específica, que contribua para que essas mulheres não tenham que ser constantemente vítimas de insultos, violência e marginalização.  Ao contrário de promover os direitos e a autonomia econômica das prostitutas, o projeto visa suprir uma necessidade da indústria sexual, que juntamente com as grandes corporações, buscam utilizar o corpo das mulheres para faturar altos montantes em grandes eventos como a Copa do Mundo.
Ao normalizarmos a ideia da prostituição na vivência social, estamos contribuindo para mascarar as formas de violência contra as mulheres, para naturalizar a ideia de dominação masculina e para alimentar um sistema econômico extremamente articulado e lucrativo que explora o corpo de mulheres e meninas. Não é por acaso que o P.L circula nesta conjuntura e envolto do discurso da regulamentação.  Não é por acaso que o discurso de direitos das prostitutas só aparece em tempos de Copa do Mundo. Ao contrário desse projeto de lei, é preciso garantir uma vida sem qualquer tipo de violência para todas as mulheres, é preciso que o exercício da nossa sexualidade esteja livre do estigma da mercantilização dos nossos corpos e também do cerceamento e moralismo religioso. Nem santas, nem putas, buscamos que todas as mulheres sejam livres!
Referência:
LEGARDINIER, Claudine. Verbete: Prostituição I. In: HIRATA, Helena et all. Dicionário Crítico do Feminismo. Editora Unesp, 2009.
*Militante da Marcha Mundial das Mulheres em Minas Gerais.



Black is Beautiful! Por Simona Talma.

Conheci essa mulher pela internet fora dos "The Voice" da vida.  As músicas misturam um tom suave com a força do questionamento e da luta. Virei fã porque além das músicas com conteúdo e da voz suave, ela é solidária às lutas das mulheres!

Para quem  não conhece Simone Talma, aí vai um pouquinho do trabalho dela:


                        Acesse o link: http://www.youtube.com/watch?v=b7uNw3Hy1Fc



Negro já foi da senzala
Mas negro hoje é da favela
A senzala hoje constroi seus muros de preconceito
Negro ja foi força escrava
Ja nao teve alma
Hoje a musica do mundo tem a forca do negro
Negro ja foi bicho feio
Cabelo ruim
Ja chorou na vida
Morreu de tristeza
Viveu longe dos seus
Pra morrer no trafico
Ganhar cota por redenção
Na minha historia
O negro é a beleza dos meus olhos negros
Negros
Negros

sábado, 20 de septiembre de 2014

É setembro! É primavera nos dentes!


Num setembro, bem mais leve que os outros meses, mas de muito trabalho é preciso segurar a primavera nos dentes! É preciso coragem!


"Quem tem consciência pra se ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa contra a mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade, decepado

Entre os dentes segura a primavera"


domingo, 14 de septiembre de 2014

Viva ao baculejo! ( Isso é uma ironia, é claro!)

Estava eu, bem acompanhada na última sexta-feira (12/09), no Centro de Histórico de João  Pessoa, buscando um pouco de cultura para sublimar as dores minhas e das/os outras/os.
 No meio do caminho, dois meninos  negros ( um de 12 anos e outro de 9 anos) recolhiam papelões próximo do Ponto de Cém Reis, empilhando-os em um carro improvisado de tamanho maior que os garotos. 

Perguntando onde moravam, disseram que moravam no centro mesmo, apenas com a mãe (mais uma mulher dentre tantas que criam os filhos sozinhos após abandono do pai) .  Segundo os meninos, ele estudavam e pareciam educados. Perguntamo-nos: Eles sobreviverão?  Talvez sim, talvez não.

Em seguida... 

Estranhei, verdadeiramente, em encontrar um centro histórico que antes era tão movimentado,  com poucas pessoas transitando. 
Algumas horas depois,  vi que  o Centro Histórico  se enchia de pessoas. Havia, entretanto, diferenças em relação às pessoas que frequentam atualmente aquele espaço. 
As tribos alternativas, ligadas à universidade, geralmente, parecem ter diminuído às idas a este espaço. 
Fiquei inquieta me perguntando por quê, mais tarde, eu teria talvez sinais para minhas perguntas. 


 Após passar algumas horas por lá, saio de um dos bares horrorizada com uma verdadeira cena de cinema ou novela global, não estivesse eu vendo a pura realidade.

Cerca de 7 carros da Guarda Municipal de João Pessoa, iluminaram com raios de luz vermelhos e atordoaram  as pessoas que ali estavam   com berrantes sons de sirenes. O provável, objetivo seria reprimir a juventude pobre e que ali consume drogas de forma explícita. 

Homens bem armados (não pelas armaduras de São Jorge), desfilavam seus super poderes sobre uma juventude, reprimindo e criminalizando a pobreza (a mando do governo petista) por essa ser a solução mais fácil: culpabilizar os indivíduos por usarem drogas, por serem "mal caráter"e, as suas prováveis explicações do senso comum e outras nem tanto do senso comum, assim.

( Polícia- Titãs)

A situação da juventude sem rumo, sublimando e, ao mesmo tempo, rebelando-se contra a ordem estabelecida  é expressão dos conflitos entre o capital e o trabalho  nos dias de hoje. A barbárie instalada que  grita nas periferias nessa cidade, bonita e aparentemente pacata, tem saído dos limites a ele impostos e seguem avançando sobre a pintura bonita financiada pela empresa Coral Tintas  que há alguns meses tentou  deixar o centro histórico, parecido com o passado. 

As pixações  que aparecem no centro histórico estão lá, então, para alertar que o passado não volta, que o presente  é  preocupante e que este presente já nos mostra  que o futuro, teoricamente, incerto, pode apontar um destino certo da incontrolabilidade do capital.

A barbárie quer triturar nossos  sonhos,  nós vamos deixar?


A solução para os nossos problemas, não são baculejos  de homens fardados que se acham superpoderosos. 

A juventude  precisa de outro mundo que não é esse que aí está.   
É preciso transformar a rebeldia em organização e luta, pois  no limite, a rebeldia desorganizada das ruas fica nas paredes  de prédios históricos descuidados, mas a rebeldia organizada move sonhos  e  pode virar esse mundo desumano de cabeça para baixo.

É preciso, no limite da ordem, políticas sociais  que retornem ao trabalhador o produto do seu suor. 
Para além dessa ordem, é preciso muito mais.  Essa juventude da periferia já deve ter pistas, enquanto que os estudantes e militantes intelectuais de sala de aula e de facebook acham que é preciso sublimar os baculejos...  Porque provavelmente nunca sentiram na pele os furos das balas que tem exterminado a juventude negra brasileira e a tortura que as Cláudias da vida têm sofrido por aí cotidianamente.



Ocupemos o centro histórico! Enquanto é tempo...

jueves, 28 de agosto de 2014

Não me amarra dinheiro não! Mas os mistérios.



Beleza Pura
( Caetano Veloso)
Não me amarra dinheiro não!
Mas formosura
Dinheiro não!
A pele escura
Dinheiro não!
A carne dura
Dinheiro não!...
Moça preta do Curuzu
Beleza Pura!
Federação
Beleza Pura!
Boca do rio
Beleza Pura!
Dinheiro não!...
Quando essa preta
Começa a tratar do cabelo
É de se olhar
Toda trama da trança
Transa do cabelo
Conchas do mar
Ela manda buscar
Prá botar no cabelo
Toda minúcia, toda delícia...
Não me amarra dinheiro não!
Mas elegância...
Não me amarra dinheiro não!
Mas a cultura
Dinheiro não!
A pele escura
Dinheiro não!
A carne dura
Dinheiro não!...
Moço lindo do Badauê
Beleza Pura!
Do Ilê-Aiê
Beleza Pura!
Dinheiro hié!
Beleza Pura!
Dinheiro não!...
Dentro daquele turbante
Do filho de Gandhi
É o que há
Tudo é chique demais
Tudo é muito elegante
Manda botar!
Fina palha da costa
E que tudo se trance
Todos os búzios
Todos os ócios...
Não me amarra dinheiro não!
Mas os mistérios...
Não me amarra dinheiro não!
Beleza Pura!
Dinheiro não!
Beleza Pura!
Dinheiro não!
Beleza Pura!
Dinheiro Hié!
Beleza Pura!
Ah! Ah! Ah! Ah!...(10x)

jueves, 21 de agosto de 2014

Aos Zé's do caroço!

Ontem, parei instantes para observar uma cena :
No fim da noite, já próximo da meia-noite, um homem trazia seu carrinho feito dos restos de uma geladeira, desses bem comuns pelas alamedas, ruas e becos  desse Brasil e produto da criatividade gerada pela carência.
 Seus passos não eram lineares. Alguns tropeços, combinados com soluços (provavelmente), de quem  buscou na cachaça o alívio da vida sem norte, das dores das contradições dessa ordem socioeconômica infeliz. 
No meio do caminho, uma parada para respirar, um "sopro de vida" ( lembrei da expressão de Clarice Lispector), depois era preciso seguir para  chegar em casa, encontrar um cão que latia desesperadamente (lembrei da cadela companheira de Fabiano, sertanejo retirante de "Vidas Secas" de Graciliano Ramos)  e cair de sono. 

Talvez para ele isso seja suficiente. 
Talvez ele esteja " Debaixo Dágua" (música de Arnaldo Antunes), em pleno sertão dentro da cidade  que dorme, degustando sua zona de conforto.
Torço, cotidianamente,  para que os milhares de "Zé de Caroço", espalhados nesse Brasil, consigam superar suas limitações das necessidades primeiras para conseguirem colocar, primeiro, a cabeça para fora D'água e, seguidamente, revirarem o mundo de cabeça para baixo!