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viernes, 15 de agosto de 2014

Aprendi a contar, mulher.


"E só tô beijando o rosto de quem dá valor
Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis"
 Novos Baianos.

( Fotografia: Ângela Fisher e Carol Beckwith)

Aprendi a contar, mulher:
Primeiro, é preciso saber contar com nós mesmas. 

Segundo, há que saber, verdadeiramente, se contamos com mais alguém.
SE sim, ótimo!
SE não, já temos a nós mesmas: 
Inteiramente capazes de  sermos felizes por nós mesmas 
E conquistar o que e a quem nos interesse ter ao lado. 
Mas somente o que e quem nos interesse 
E o que e quem também saiba contar.


jueves, 25 de julio de 2013

25 de julho- Sou mulher de pele preta. Com muito orgulho, sou negra.



Sou mulher de pele preta. 
Com muito orgulho, sou negra.
Ao som do atabaque
Do berimbau, do agogô
E do pandeiro.

Por essa cor carrego 
Marcas do açoite que  ficaram
Dores que não são só minhas.
Do meu sangue pulsa alegria
E sonhos que não são só meus

Não, não me entrego 
Minhas ancestrais não deixam
Meu cabelo crespo
Eu não mais estico
Pro caminho o quero apontando livre

Não, não me entrego 
Minhas companheiras não deixam
O corpo é meu.
E eu decido,
Mas o meu corpo é coletivo e eu resisto.

Não, não me entrego
Minha gente não deixa
De mãos, trabalhadoras, dadas 
 O caminho vamos construindo...

25 de julho- Dia de luta latino Americano e Caribenho da Mulher negra.


lunes, 17 de junio de 2013

Desmascarando o patriarcado, desmontando o capitalismo

Dentre algumas vantagens da internet tem-se a aproximação de pessoas com ideais semelhantes. Ela aproxima pela busca da liberdade, pelo gosto pela poesia, pelo regionalismo,pela simplicidade e pela luta feminista.   E eis que com uma força, sensibilidade e criatividade inspiradora  encontro uma poesia da Fulô  Ivanessa Catingueira no blog da MMM.   Meses antes essa luta fez nos encontrarmos na Cúpula dos Povos  onde trocamos algumas palavras de  incentivo pela construção do feminismo  a partir da formação de um coletivo feminista  a vir a se tornar um núcleo da Marcha Mundial das Mulheres no sertão de São Francisco/ BA.

Que sensação boa...  O feminismo  anti-capitalista está se espalhando pelo Brasil e pelo mundo. 

Compartilho uma das poesias da querida Ivanessa Catingueira a partir do blog da Marcha Mundial das Mulheres. (http://marchamulheres.wordpress.com/2013/06/17/poesia-feminista-desmascarando-o-patriarcado-desmontando-o-capitalismo/#comments)


*Por Ivanessa Catingueira

ação 2010

Mulheres quando reunidas
Se reconhecem na face da outra.
Tantas histórias severinas marcadas
Pela opressão patriarcal.
Mãos calejadas
Corpos ensanguentados
Olhos marejados de dor.




Gemidos que tramam a resistência
Olhares de búzios e malês
Bocas que anunciam a REBELDIA.
Explodem GRITO de revolta
Virado em furação.
As Mulheres perderam a PACIÊNCIA.
Colocam blocos, corpos
caras, cores e dores na rua.
Empurram a opressão
Pra praças, becos, campos e vielas
O batuque do tambor denuncia
Cada minuto de dor
outrora calado, sufocado, privado.
Na roda nagô
A sabedoria das mães de santo
Reascende o caminho
De luta, de comando
Trilhado pelas matriarcas ancestrais.
Mulheres auto-organizadas
(a auto-organização é nosso escudo)
na mesma cadência compassada
Despidas, de pés no chão.
Suas vozes metralham balas de esperança na terra
Tecem de fio lilás
Com o pretume das veias afro indígenas latinas
O novo mundo.
Cada vez mais sedentas por vida
Famintas de LIBERDADE
Continuaremos em marcha
Pisando em praça de guerra
Em trincheira de batalha
Desmascarando o patriarcado
Desmontando o capitalismo
Até que se desfaçam em pó.
Um batalhão de outras Dandaras, Dinalvas, Felipas,Tuíras, Heleniras,Zeferinas, Zapatistas, Mahins…
De candeeiro na mão
Tocarão fogo no mundo
Reascendendo a chama de força
Pra forjar a Revolução!
Feminismo da luta de classes
Feminismo por necessidade.
*Ivanessa Catingueira é militante da MMM no Sertão do São Francisco/BA

jueves, 15 de noviembre de 2012

Lado a lado

"Caminha, mulher e entrelaça os teus dedos com outros dedos femininos.
Assim poderás lado a lado de mãos dadas, com vozes firmes, compartilhar histórias, teorias e experiências concretas. 
É assim que, lado a lado, nos olhamos, nos afirmamos e cobriremos o sangue vermelho das mulheres oprimidas, exploradas, estupradas, assassinadas com o forte lilás misturado ao nosso colorido."

Ângela. 14 de novembro de 2012.

lunes, 23 de abril de 2012

Por que escolhi ser mulher?


Por que escolhi ser mulher?
Porque é daí que parto
Que desenrolo o mundo sob meus dedos
Atrapalhando a ordem e o imposto
É desse jeito que me lanço
E canto das coisas do mundo
Me viro em várias
Me és
Te sou
Porque cada mulher é uma
E tem todo o direito de ser do jeito que der
 
Na telha
O que sei fazer? De um tudo
O que quero? Muito mais
Eu vou assim me procurando em outra
Mas quando acreditarmos umas nas outras
Pintaremos o mundo com as cores que quisermos
Mudaremos tudo de lugar
Todo dia um pouquinho
E seremos tantas em tão breve tempo
Empunhando a força do braço gritaremos
- esse sim é o mundo que a gente quer. 
 
Tita- Marcha Mundial das Mulheres em João Pessoa.



jueves, 25 de noviembre de 2010

Mulher:


Se te ensinaram a ter uma voz macia,
A amar com paixão
_ Isso não precisa problema
Mas se a sua voz se cala diante de outra mais forte
Se o amor vira submissão
E se o cuidado impede a luta
_ Nem que seja por um momento
Pode ser necessário gritar,
Odiar
e criticar com firmeza:
Por amor

( Lira Alli)

martes, 21 de septiembre de 2010

Soem bem alto os sons de liberdade



Soem bem alto os sons de liberdade
Que seja leve e partilhada
Que seja vinda e desejada
Que seja feminista e encarnada...
Pelo corpo de quem ama a revolução!

Ângela Pereira



Desenho por Ângela Pereira.

domingo, 25 de julio de 2010

Somos mulheres

Sensíveis
Valentes

Somos mulheres
Que amam e que sentem...
Sentem a dor da covárdia
Sentem a dor da opressão
Mesmo assim somos capazes
De lutar por emancipação
Mesmo quando o mundo
Nos obriga a dizer não.
Não para as correntes
Não para a escravidão
Não para o sistema
Que insiste em negar
Nossa existência e nos inferioriza
Que jamais se cansará,
De nos oprimir e explorar
Que nega a nossa existência
E a nossa capacidade de agir e pensar

Somos mulheres
Mulheres valentes,
Mulheres que pensam
Agem e sentem
Mulheres que lutam com dignidade
Mulheres lutando por liberdade!

Izaquiane- Movimento de Mulheres Camponesas (MMC- Roraima)
Vitória- ES.

domingo, 4 de abril de 2010

Mulheres ( auto-organização)

Quiseram nos limitar a um mundo
em que os homens ditam regras opressoras...

Quiseram nos fazer frágeis,
doces, prisioneiras de nós mesmas...

Quiseram nos amarrar nos tabus,
no puritanismo, nas paredes da casa...

Deixaram marcas profundas na nossa mente,
no nosso corpo, na nossa história...

Mas, ousadas, dizemos não!
Libertárias, dizemos não!
Subversivas, dizemos não!
Socialistas, dizemos não!
Feministas, dizemos não!

Às vezes a voz tênue treme...
Às vezes nos falta teoria
Sem tempo livre é covardia...
Às vezes nos oprimem
Camaradas, quem diria...

lunes, 22 de marzo de 2010

Essas mulheres que marcham.

Eram tantas

Vindas de tantos lugares

Com lilás mais claro...

Ou mais escuro...

Com vermelho forte

Da cor que corre o sangue nas veias...

E com muitas outras cores

Em arco-íris...


Eram também

Negras, indígenas, brancas...

Eram hetero, bissexuais ou lésbicas...

Eram altas, baixas, médias, gordas, magras

Sem padrão...

Eram jovens, idosas e crianças...


Eram brasileiras

Eram, sobretudo, mulheres... umas mais outras menos

Todas se tornando, à maneira Beauvoir, mais mulheres...


Os rostos cansados...

São de mulheres que marcham.

Os corpos suados...

São de mulheres que marcham.

Os gritos entoados...

São de mulheres que marcham.

Os abraços apertados...

São de mulheres que marcham.

Os beijos trocados...

São de mulheres que marcham.


O caminho para a liberdade

É dessas mulheres que marcham!


Ângela Pereira.

22 de março de 2010.

domingo, 21 de marzo de 2010

São ataduras, mulheres!

Os joelhos, tornozelos e pés, mulheres, estão desde então marcados...
São tantos panos... de tamanhos diversos...

São ataduras! Mulheres...
Suponho que as ataduras correram de lugar.
Antes estavam nas bocas e prendiam as mãos, umas às outras.
Hoje mostram o quanto o corpo cansado, expropriado no dia a dia resiste.

São ataduras! Mulheres...
Proponho que as ataduras corram de lugar.
Que as ataduras das mulheres que resistiram a cem kilômetros de caminhadas;
Que as ataduras de mulheres espancadas no dia a dia pela violência sexista
Sejam somente símbolos de resistência
E se precisarem, mulheres, que virem armas!

Ângela Pereira.
21 de março de 2010.

lunes, 15 de marzo de 2010

Marcha pelo corpo que é nosso!

O corpo que é somente nosso

Reclama o cansaço...

Mas entra no passo...

E marca o compasso.


O corpo que é somente nosso...

Rir, chora, canta, dança, dói...

Pelo sonho da liberdade...


O corpo que é somente nosso

Pede o direito ao próprio corpo...

Pela legalização do aborto


O corpo que é somente nosso...

Se molha em chuva

Se queima em sol forte...

E persiste...


O corpo que é somente nosso...

Grita contra o poder do capital

Juntos formam barreiras...

Na luta de classes


O corpo que é somente nosso

Aclama a força das mulheres:

Seguiremos em marcha até todas sejamos livres!!!


Ângela Pereira.

15 de março de 2010.

Jordanésia- SP. 7º dia de marcha na ação 2010 da Marcha Mundial das Mulheres.

viernes, 5 de marzo de 2010

Liberte-se, mulher

Liberte-se, mulher

Desse sonho de aguardar

Que te libertem

Com os braços cruzados.



Mulher, encarna-te em ti

A vida e a morte

A força e a liberdade

Dessa vida que nasce hoje

Que vem de ontem

E se integra para criar uma mulher forte.


Guiomar Cuesta.

martes, 16 de febrero de 2010

E agora, Maria?

"Quando escrevo, me afirmo.

Quando falo, ganho sentido...

Quando penso ganho corpo

Meu corpo palavra."

(Na voz de Leandra leal, Camila,

no Filme “Nome Próprio”- Murillo Sales)






Tiraram teu sono

Pegaram-te no útero

E te trouxeram à vida

Ah! Vida...


E agora, menina?


Vestiram-te de rosa...

Compraram-te boneca...

Puseram-te na roda...

Levaram-na à escola...

Amarraram-te laços...


E agora, mocinha?


Cantaram-te a beleza...

Estamparam-te sorrisos...

Esconderam-te as clarezas...

Ditaram-te as regras...

Rompeu-te o teu sangue...


E agora, mulher?


Não mais és menina...

Não mais és mocinha...

Não mais pulas corda...

Nem brincas de roda...


E agora, mulher?


Já tens profissão

Já sabes o que queres

Não é ilusão.

Já tens corpo e forma

O busto entorpece

O corpo enlouquece

A vida merece...


E agora, mulher?


Vês mais que o óbvio

Não queres prisão

Não queres tormenta

Nem mais ilusão...

O que queres, então?

“O que quero tem nome!

Nome próprio!”




Ângela Pereira

16 de fevereiro de 2009.

viernes, 18 de diciembre de 2009

Tornar-se mulher!

“Ninguém nasce mulher: tornar-se mulher”
Simone de Beauvoir


Não devo como mulher que venho me tornando

Permitir-me ao erro de me magoar por não me amar

E não amar a outras companheiras com quem tenho em comum

A opção pela classe trabalhadora.


Não devo como mulher que venho me tornando

Ceder aos impulsos da carência

Meramente para tentar supri-la.

Depois da sensação provisória de preenchimento,

o “vazio” volta porque o ponto não preenche o todo

E o todo é profundo e sensível!


Não devo como mulher que venho me tornando

Permitir que outra mulher seja machucada,

Torturada, explorada

Sem abrir a boca e soltar o grito.


Não devo como mulher que venho me tornando

Em desatino ser impaciente

Com os anos de luta que virão

Sob julgo dos valores patriarcais

Que vingaram.


Não devo como mulher que venho me tornando

Esconder de mim mesma

As marcas que riscaram na história:

O grito mais alto da voz grossa

A comida na mesa servida

A toalha na porta do banheiro

O dinheiro na mão retido

A pressão psicológica das filhas na saia

E a tristeza das traições...


Não devo como mulher que venho me tornando

Deixar de avançar com a dor coletiva

De milhares de mulheres mortas,

Violentadas pelo poder do homem

E do capital.


E devo, sobretudo, não deixar de sonhar alegremente

Com a emancipação feminina

Pois é em busca dela

Que venho me tornando mulher!


Ângela Pereira.

Praia do Cabo Branco. 18 de dezembro de 2009.

miércoles, 18 de noviembre de 2009

A prioridade é socialista e feminista!

Quando a linha sai do prumo...

E a cabeça dispersa em coisas menores...


Sempre existe alguém

Que lhe pede esmola na rua...

Sofre de amor insano...

E carrega o filho nas costas

Pra nos lembrar do rumo a seguir...


A prioridade é a revolução:

Socialista e feminista!


Ângela Pereira.

19 de novembro de 2009.

lunes, 9 de noviembre de 2009

Mulher bomba!

“Como meu sangue nunca vai
Nunca vai, vai virar vinho
No final do mês
Se acende o pavio
Então...” ( O Rappa-Homem bomba)


Ante o incêndio do corpo

Se põe no espaço

Se atira do alto


Espera o regalo

Dos colos do paraíso

No outro lado


Enquanto desse lado

Escorre o vermelho

Na terra que sangra


O povo chora

A criança sem mãe

A mãe sem filho

O pai sem prumo


Enquanto desse lado

Não precisa ser bomba

Basta estar vivo

E ser alvo

Sujeito atado

A bomba do lado

O tiro acertado!


O povo chora

A criança sem mãe

A mãe sem filho

O pai sem prumo...

A vida sem rumo.

Ângela Pereira.

10 de novembro de 2009.

miércoles, 24 de junio de 2009

Mãe não precisa de data!


Mãe é mulher!


É mulher que ama...

É mulher que rir...

Mas também...

É mulher que sofre...

É mulher-vítima...

Oprimida...

Explorada...


É mulher-produção!

Criadora!

Produtora!


É mulher-reprodução!

Carrega o fardo.

Sustenta o parto!


É mulher- mulher!

Desejada...

Liberada...


É mulher-vida!

Emancipada!

Libertada!


Mãe não precisa de data!

Mãe... precisa de força

Liberdade!

Condição!

Emancipação!


Homenagem a todas as mães e mulheres que não precisam de dia comemorativo, precisam de força e emancipação para a difícil e deliciosa tarefa de ser mulher!


Ângela Pereira.

10 de maio de 2009. Dia da mãe-mulher, assim como qualquer outro.