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domingo, 19 de octubre de 2014

Como as nossas mães e os nossos pais... Mas é preciso força!

Ontem duas músicas me acompanharam durante o dia todo:  "Como os nossos pais" e "Maria Maria" ambas na voz de Elis Regina. 
A primeira faz menção aos tempos que as flores cantadas numa música não necessariamente eram flores, mas uma substituição de palavras para burlar a censura da ditadura militar. A segunda me faz lembrar e afirmar a força que temos, nós mulheres da classe trabalhadora, para virar o jogo. 

Ainda sinto cheiro da nova estação!




Com elas, lembrei-me de como a história se repete, mesmo em proporções diferentes e com peculiaridades. Hoje como quando era com as nossas mães e com os nossos pais, a história se repete como farsa, parafraseando Marx " A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa". 

A constatação de que acontecimentos da história  tendem a si repetir, nesse caso me refiro a conjuntura político-eleitoral com os apoios da mídia burguesa ao candidato de sua classe, Aécio Neves, bem como com as agressões sofridas por quem quer se expressar sem ter sua voz coagida pela polícia, denota como nós mulheres precisamos continuar sendo fortes porque somos parte importante da luta pela superação do sistema capitalista patriarcal. 

A luta de classes, tema trabalhado por Marx, por exemplo, em " O 18 brumário de Louis Bonaparte", salta aos olhos vistos.  Os adesivos nas portas das casas, nos automóveis e nas roupas expressam não apenas uma posição eleitoral, mas a posição e aspirações de classe de cada um/a.  Logo adesivos da candidatura de Aécio Neves apregoadas em celulares e casas de policiais ou  adesivos de Dilma em carros de catadores de papelão não representam mera posição eleitoral. Representam, em aparência, as decisões, posições e aspirações de classe da população brasileira.  Há mediações a serem feitas nessa afirmação, entretanto,  mas de forma geral pode-se compreender desta forma. 

Até as mobilizações nas universidades públicas estão sendo coagidas em nome de um Estado de Direito, que sabemos tem uma posição de classe, como aconteceu na semana passada na UFPB.  ( vide nota das entidades representativas dos professores,  técnicos administrativos e estudantes no endereço eletrônico  http://www.adufpb.org.br/site/nota-oficial-em-defesa-dos-direitos-a-liberdade-de-expressao-da-autonomia-universitaria-e-contra-a-repressao-na-ufpb/)

Outra constatação em relação a conformação das forças políticas no congresso brasileiro após o 1º turno das e eleições ( vide texto "Mais fisiológico, mais conservador"  disponpivel em http://www.asmetro.org.br/portal/gestao/21-clipping/4621-revista-carta-capital-mais-fisiologico-mais-conservador-a-estacao-uruguai),  pede um processo de reflexão-ação  das organizações da classe trabalhadora quanto à sua atuação. 

Nesse quesito, estamos (a esquerda) com sérios problemas a serem analisados e trabalhados em busca da construção de uma correlação de forças que nos dê condições de virar o jogo.

De algumas reflexões que venho fazendo, e da análise de outras leituras, penso que desafios importantes já discutidos em outros espaços estão mais que atuais. 
> Ou a esquerda partidária, sindical e dos movimentos sociais fazem uma autocrítica franca de sua forma de intervenção, voltando-se para as bases ou o cenário vai piorar consideravelmente.  É preciso conquistar companheiras na universidade, mas sair dela e colocar os pés nos chão das comunidades, trabalhando numa perspectiva de educação popular feminista. Aqui me refiro ao movimento feminista.
> Restringir-se aos espaços institucionais, enquanto espaço da política é ao meu ver seguir dando tiros nos pés de quem já está cambaleante... É preciso atuar nele, mas a prioridade precisa ser a elevação da consciência das pessoas para se organizarem nas ruas;
>Enquanto se continuar olhando pros umbigos de cada organização e não se colocar os pés no solo das comunidades  desse país como hoje as igrejas pentecostais , principalmente, vem fazendo diuturnamente será difícil revertermos esse quadro.  
Tem-se visto nas comunidades o crescimento frenético de igrejas evangélicas.  Além de todo trabalho de pregação nas ruas em cultos em calçadas. Essa perspectiva de religião surge juntamente com a revolução industrial baseado na filosofia da acumulação capitalista, logo é uma "saída" fácil para aliviar os pesos do cotidiano da classe trabalhadora, mas em contrapartida aprisiona a consciência desta aos valores conservadores capitalistas.  Funcionam, portanto, então enquanto partido da burguesia, assim como faz a mídia burguesa. 
>Construir instrumentos feministas de comunicação alternativa: Rádios comunitárias feministas ou se incorporar com rádios comunitárias  já existentes com participações; investir em folhetins com linguagem acessível. Para as mulheres mais instruídas investir nos blogs como alternativa para furar a grande mídia.  E seguir utilizando o facebook, mas atentar com cautela para exposições desnecessárias. 
A nossa luta é longa, precisamos estar fortes, seguras e unidas para somar as forças das mulheres da classe trabalhadora.
"Não há de ser inutilmente" 

domingo, 9 de junio de 2013

PL do Estatuto do Nascituro: As mulheres não são depósitos de esperma.

Temos ouvido tantas histórias na mídia que mostram casos chocantes de mulheres que tem sido violentadas no mundo todo. Chocantes são as histórias dos países do oriente médio em que os casos de assédio e violência sexual, física, psicológica; a desvalorização pela condição de ser mulher, as condições de trabalho são extremamente adversas. Casos em que mesmo as mulheres sendo estupradas são obrigadas a casarem com os estupradores e a ter filhos contra própria vontade.

No Brasil, estamos prestes a ver avançar em forma de lei o conservadorismo ainda maior sobre a vida das mulheres. Aprovado na Comissão de Finanças e Tributação, no dia 05 o Projeto de lei PL (489/2007) conhecido como Estatuto do Nascituro, elaborado pelos Ex-deputados Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini ( PHS-MG). Agora o mesmo será submetido  a comissão de constituição e justiça. 

O movimento feminista considera este projeto um retrocesso para a vida das mulheres brasileiras. É verdade que a nossa condição de vida melhorou em relação a de outros países como os que estão submetidos a religiões fundamentalistas, entretanto, são reais a violência contra as mulheres em formas variadas, o controle dos nossos corpos e de nossa sexualidade e o impedimento de uma vida livre de estereótipos, da heteronormatividade sexual, da imposição de padrões de beleza, dentre outras tantas agressões. 

Como se vê, ser mulher num país em que as ideologias patriarcais, religiosas e capitalista se interconectam e  empregnam a consciência das pessoas e nas estruturas de um Estado que não é laico significa ser objeto. 

Como muitas de nós cada vez menos aceitamos a condição de objeto, não nos calamos/calaremos diante de todos os tipos de opressão a que estamos submetidas.

Aproveito para veicular Moção de Repúdio da Marcha Mundial das Mulheres ao Estatuto do Nascituro.

Moção de repúdio ao Estatuto do Nascituro

nem papas nem juizesAção 2010 da Marcha. Foto: Elaine Campos.
A Marcha Mundial das Mulheres repudia com indignação o Projeto de Lei (PL 489/2007) de autoria dos Ex Deputados Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini (PHS-MG), que propõe instituir o Estatuto do Nascituro. Este projeto foi aprovado na comissão de finanças no dia 05/06 através do substitutivo da deputada Solange Almeida do PMDB do RJ.
O PL passa a considerar sujeito pleno de direito o óvulo fecundado, ou seja, o organismo concebido e não nascido passa a ter mais direitos do que a mulher.
Tal projeto pretende ainda legalizar a violência sexual que as mulheres sofrem, principalmente o estupro, tornando inadmissível o aborto consequente desta violação e instituindo o pagamento de auxílio para sustentação do nascido até os 18 anos. O projeto institui a chamada “Bolsa Estupro”, como é conhecida pelos movimentos de mulheres, reforçando que a punição recairá sobre a própria mulher violentada. A bolsa deverá ser paga pelo agressor e, caso não o faça, o ônus recairá sobre o Estado.
O estupro é um crime hediondo. Através deste projeto, o estuprador passa a ser chamado de genitor, e a vítima é obrigada a se relacionar com o criminoso, já que ele deverá assumir a paternidade. Também vão perder o direito ao aborto legal as mulheres com risco de vida e as grávidas de fetos anencéfalos, uma recente conquista do movimento de feminista através do Supremo Tribunal de Justiça.
Afora a hipocrisia, o abrandamento e a naturalização do crime do estupro, e a violação de vários direitos das mulheres, se destaca a pretensão do legislador em querer determinar quando começa a vida, questão que nem a ciência ousou fazer. Ao analisar os dispositivos desta proposta, cai por terra o discurso de “proteção da vida”, pois não se vê nada além do que já tratam as legislações vigentes sobre direitos de personalidade, direito de saúde e direitos patrimoniais dos recém nascidos.
Caso aprovado este projeto, fica proibida ainda qualquer manifestação que trate do assunto aborto, cerceando o direito do debate, quesito fundamental para a democracia.
Assim, entendemos que a proposta do “Estatuto do nascituro” deve ser rechaçada, pois ela significa mais um dos ataques dos conservadores, machistas e opressores que:
- Condena as mulheres à submissão, mantendo-as expostas à violência;
- Reflete a omissão do legislativo diante do aborto como elemento de preservação da vida das mulheres e de garantia da autonomia;
- Golpeia a democracia, a igualdade e a justiça, atingindo bens e valores construídos historicamente.
O avanço rumo à aprovação do chamado “Estatuto do Nascituro” deve ser visto como ameaça aos direitos das mulheres. Nele, estão reunidas as pautas mais retrogradas e de submissão, ostentadas pelo patriarcado e pelas instituições que o perpetuam ao longo dos séculos: o controle sobre o corpo das mulheres, a institucionalização da violência sexual e o domínio sobre o destino e a vida das mulheres.
acao2010legalize
Ação 2010 da Marcha. Foto: Marcela Mattos.
A próxima votação será da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
Precisamos enviar e-mails para os deputados(as) membros desta comissão, pedindo que se posicionem contrários ao Estatuto do Nascituro e que impeçam sua aprovação nesta Comissão.
Enviamos abaixo nome e endereços eletrônicos dos deputados(as). É importante que cheguem mensagem de todos os estados para estes deputados, e é preciso também pressionar os deputados em cada estado.
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania – CCJC
1º Vice-Presidente: Mauro Benevides (PMDB/CE) dep.maurobenevides@camara.leg.br
2º Vice-Presidente: Luiz Carlos (PSDB/AP) dep.maurobenevides@camara.leg.br
3º Vice-Presidente: Carlos Bezerra (PMDB/MT) dep.carlosbezerra@camara.leg.br
TITULARES
Décio Lima PT/SC (Gab. 218-IV)  dep.deciolima@camara.leg.br
Luiz Couto PT/PB (Gab. 442-IV)  dep.luizcouto@camara.leg.br
Fabio Trad PMDB/MS (Gab. 452-IV)  dep.fabiotrad@camara.leg.br
Luiz Carlos PSDB/AP (Gab. 750-IV) dep.luizcarlos@camara.leg.br
William Dib PSDB/SP (Gab. 304-IV) dep.williamdib@camara.leg.br
Legalizar o aborto! Direito ao nosso corpo!
 Marcharemos até que todas sejamos inteiramente LIVRES!
MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES

sábado, 13 de abril de 2013

Companheira do MST presa por lutar pela Reforma Agrária...


Reproduzo aqui a nota do MST em solidariedade a companheira de luta, Cicinha, denunciando a criminalização dos que lutam pela reforma agrária e de forma geral contra a ordem capitalista estabelecida.
Não será a tentativa de calar mais uma companheira, que nos fará desistir da luta. 

                                  
                                  " Não ficar de joelhos, porque não é racional renunciar a ser livre"
                                                                                                        Carlos Marighella




Companheira do MST presa por lutar pela Reforma Agrária e denunciar a privatização da Água no Semi-árido Paraibano.


No dia 08 de março do ano passado, no município de Sousa, Paraíba, cerca de quinhentas mulheres e homens do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra fizeram uma mobilização ocupando o perímetro irrigado das Várzeas de Souza para denunciar a falta de rigor na fiscalização dos lotes irrigados que deveriam ser destinados prioritariamente para fins da reforma agrária, além do uso abusivo e descontrolado de agrotóxicos na produção agrícola de milho pelo Grupo Santana, empresa do agronegócio que mais se beneficia da irrigação.
Mais uma vez, no dia 08 de março de 2013, as mulheres e homens do MST ocuparam a mesma área de bombeamento do açude de coremas reivindicando Água para os assentamentos Nova Vida I e II; Terra para os 350 acampados e acampadas da região; além do cancelamento da licitação dos lotes 20 e 21 que totalizam quase 1000 ha de terras irrigadas. Também denunciamos que o Grupo Santana, empresa do agronegócio, continua sendo quem mais se beneficia das políticas públicas federais e estaduais de acesso a água no semi-árido Paraibano, utilizando essa irrigação na produção de milho e sorgo para fabricação de ração animal, sendo que nesse momento de intensa estiagem, de acordo com a constituição brasileira, essa água deveria ser priorizada para consumo humano, seguido de consumo animal e por último o consumo vegetal e não para gerar lucros nas contas bancárias de empresas do agronegócio.
Como repressão das denuncias realizadas, na tarde de ontem (08/04/2013) a companheira Cícera Soares Timóteo, militante do MST, foi presa e acusada injustamente de roubo, dano do patrimônio privado e incêndio. O grupo Santana principal privilegiado pelas políticas públicas de distribuição de água se coloca como vítima e acusa a Companheira Cícera através do Ministério Público Estadual que entrou com o mandado de prisão.
Nós exigimos a imediata libertação da companheira Cícera e a retirada no mandado de prisão.  Seguiremos com as denúncias, resistindo contra a privatização das águas e da terra, e, lutando pela mudança do modelo de produção no semi-árido com o objetivo de trazer o desenvolvimento humano para a população da Paraíba!
Não aceitamos mais a indústria da seca e esse modelo de produção que desumaniza, alertando que as mulheres e crianças são os que mais sofrem com o desvio de recursos públicos que deveriam ser utilizados para a convivência com o semi-árido e que são historicamente empregados em benefício das oligarquias e atualmente também por empresas do agronegócio.
           
Reforma Agrária: Por Justiça Social e Soberania Popular!
João Pessoa, 09 de abril de 2013.
Secretaria Estadual MST – PB

domingo, 27 de mayo de 2012

A Marcha das Vadias e a Mercantilização do corpo e vida das mulheres


Publicada em: 25.05.2012 


Há um ano atrás a Marcha das Vadias foi construída como uma resposta irreverente contra a responsabilização das mulheres pelas violências sofridas e a estigmatização dos corpos femininos. Potencializada pela mobilização nas redes sociais, a Marcha ganhou vários países e, no Brasil, várias cidades. Algumas conseguiram dialogar com a conjuntura local e denunciar práticas de machismo naturalizadas, como por exemplo, a denúncia da prática machista de Rafinha Bastos na televisão e em sua casa de show em São Paulo.
Passado um ano dessa movimentação é preciso refletir tanto sobre as formas como o capitalismo e o patriarcado mercantilizam a vida e o corpo das mulheres, como os instrumentos de resistências aos quais dispomos. Essa segunda tarefa passa por perceber que, muitas vezes, a violência contra as mulheres precisa de uma resposta rápida e incisiva, como se deu com a Marcha das Vadias, mas que seu enfrentamento deve ser um processo cotidiano, que vai além de um evento.
Desde o final dos anos 70, o conjunto do movimento de mulheres, através da insígnia “nosso corpo nos pertence”, buscou questionar as imposições do patriarcado sobre a autonomia das mulheres – questão de fundo da Marcha das Vadias. Essa bandeira tem significado a luta das mulheres pelo direito de viver a sua sexualidade livremente, a luta por autonomia sobre o corpo e a vida, desde o exercício autônomo do desejo e do direito ao prazer, à legalização do aborto.
Retomamos esta luta, aprofundando a compreensão da sua dimensão anti-capitalista, uma vez que denunciamos como a sociedade de mercado impõe padrões de beleza racistas e sexistas e como o mercado difunde uma ideia do corpo das mulheres como objeto - em constante ajuste, retoque, conserto.  As indústrias farmacêuticas e cosméticas acumulam lucros estrondosos, à custa da propagação da insegurança das mulheres, gerando, além de tudo, graves doenças como os distúrbios alimentares.
 A associação entre capitalismo e patriarcado, que transforma as mulheres em objetos, está no centro da violência sexista. O Brasil possui o sétimo maior índice de homicídios de mulheres do mundo. Essas mulheres são assassinadas, muitas vezes, porque não se calaram diante de situações de violência ou porque exerceram sua autonomia. Conforme aponta pesquisa da Fundação Perseu Abramo (2010), a cada dois minutos 5 mulheres são espancadas no país, a cada minuto 5 mulheres sofrem assédio sexual, e a cada hora 220 mulheres são obrigadas a ter relações sexuais forçadas.
Essa situação de extrema objetificação da mulher está expressa no indignante caso de violência machista e sexista ocorrido no município de Queimadas no estado da Paraíba. Um estupro coletivo de cinco mulheres, sendo duas delas, assassinadas brutalmente por dez homens durante uma festa realizada por eles com o intuito de “presentear” o aniversariante com o estupro dessas mulheres. Este foi um ato de extremo machismo e misoginia pelo nível de crueldade, violência e desprezo pela vida das mulheres, derivados de um clima de terror que gera a perseguição e morte, caracterizados pelo abuso físico e verbal, estupro, tortura, escravidão sexual, espancamentos.  Este crime bárbaro precisa ser punido com todo rigor da lei!
 Além disso, a prostituição continua sendo vista por muitos como uma forma de viver a sexualidade. Para nós, ela representa a mercantilização, violência e subjulgação as quais as mulheres são submetidas. Sabemos que a indústria do sexo é um setor internacionalmente articulado, que gera lucros enormes e é associado ao tráfico de drogas, armas, corrupção e esquemas de crime organizado e sobrevive da exploração massiva do corpo de mulheres e crianças.  Somos solidárias às mulheres que são vítimas dessa forma de exploração da sociedade patriarcal, mas é preciso perceber que a prostituição só existe em um sistema que se articula em torno da subordinação das mulheres e, portanto, não produz nada relacionado à liberdade e autonomia, ao contrário, a mulher se encontra escravizada por uma rede mercantilizada de controle do seu corpo e da sua vida. Essas redes funcionam como organizações criminosas que traficam e escravizam na sua maioria mulheres jovens negras entre 17 e 27 anos.
Essas formas materiais e simbólicas que constituem a opressão das mulheres na conjuntura atual revelam a necessidade de formas de mobilização e instrumentos de resistência que ultrapassem os limites da Marcha das Vadias. Essa resistência tem sido forjada há anos pelo conjunto dos movimentos de mulheres, pela articulação de mulheres nos movimentos mistos e pelas alianças entre movimentos que tem na sua base a luta por outro sistema. Não é possível “resolver” a opressão das mulheres, nos auto-intitulando “todas vadias”. Mas é preciso aprender com as novas formas de articulação, potencializadas pelas tecnologias da informação e comunicação, atualizando nossas formas de ação.
É preciso reafirmar a importância da auto-organização e resistência das mulheres para construção de um mundo baseado na igualdade, na solidariedade e livre de violência. É preciso fortalecer a nossa luta cotidiana contra a mercantilização das mulheres.
Negamos a falsa liberdade, oferecida pelo mercado, que se encerra unicamente na ideia de não ter impedimentos para a ação. Esta idéia está na base da banalização da sexualidade, tornando-a mais um produto a serviço dos lucros. Temos que ir além disso. É preciso construir a liberdade como condição necessária para a igualdade e como condição da autonomia tanto coletiva como individual das mulheres. Somente a partir desta compreensão é que faz sentido seguir em marcha até que TODAS sejamos livres!
Assim, estamos em constante luta para que as mulheres não sejam caracterizadas como vadias por sair dos padrões de comportamento, nem como qualquer outro símbolo que as menospreze e as diminua.  Reafirmamos o direito de todas as mulheres viverem livre de estigmas, estereótipos, violência e exploração!!! 

Fonte: MMM 

jueves, 24 de mayo de 2012

NOTA DA MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES- PARAÍBA



João Pessoa, 15 de maio de 2012.

A Marcha Mundial das Mulheres surgiu no Brasil no ano 2000 como uma grande mobilização que reuniu mulheres do mundo todo em uma campanha contra a pobreza e a violência. Defendemos a visão de que as mulheres são sujeitos ativos na luta pela transformação de suas vidas e que ela está vinculada à necessidade de superar o sistema capitalista patriarcal, racista, homofóbico e destruidor do meio ambiente. Somos, portanto, uma articulação feminista popular de âmbito local, nacional e internacional que surge a partir das condições de pobreza e violência vivenciadas pelas mulheres no mundo.
Entre as pautas da MMM estão a defesa dos bens comuns e serviços públicos, a luta pelo fim da violência contra a mulher, a reivindicação pela paz e desmilitarização, a luta pela autonomia econômica das mulheres no que se refere à capacidade de as mesmas serem provedoras de seu próprio sustento, assim como das pessoas que delas dependem, e decidir qual é a melhor forma de fazê-lo, bem como a organização das mulheres urbanas e rurais a partir da base e das alianças com movimentos sociais.
Nosso papel enquanto movimento social feminista é a luta em defesa das mulheres da classe trabalhadora, do campo e da cidade. A MMM irá continuar realizando lutas reivindicatórias com impacto real no que se refere aos direitos políticos e civis, às políticas sociais públicas e às condições de trabalho da classe trabalhadora. O objetivo de nossa luta é contribuir com a emancipação política e humana das mulheres, sendo, portanto, uma luta contra dois sistemas de dominação e exploração: o capitalismo e o patriarcado.
Consideramos que as análises de conjuntura permitem a leitura da realidade. Nesse sentido, nos valeremos, sempre que necessário, desse método essencial para auto-organização, formação e fortalecimento dos movimentos sociais na sua luta cotidiana nos diversos espaços de formação e debates na sociedade. Afirmamos a nossa autonomia política, liberdade de expressão e disponibilidade em dialogar com diversos setores da sociedade no sentido de alcançarmos os nossos intentos.
Estamos à disposição para o debate político, acerca das reivindicações da plataforma feminista no campo das políticas sociais, frente às reais condições de dominação e exploração sofridas pelas mulheres.

 Marcha Mundial das Mulheres – Paraíba

Contatos (articulação política):
e-mail: marchamulheres.jp@gmail.com

MUDAR A VIDA DAS MULHERES PARA MUDAR O MUNDO. MUDAR O MUNDO PARA MUDAR A VIDA DAS MULHERES!


Nota de Repúdio à violência sexista no Município de Queimadas na Paraíba.

A violência contra a mulher não é o mundo que agente quer!
Se é violência contra a mulher agente mete a colher!

http://sof.org.br/marcha/?pagina=inicio&idNoticia=735


Nota de repúdio à violência sexista no Município de Queimadas na Paraíba.

Nós, da Marcha Mundial de Mulheres, conscientes de que é preciso mudar o mundo e a vida das mulheres, expressamos toda nossa indignação com o caso de violência machista e sexista ocorrido no município de Queimadas no estado da Paraíba. O estupro coletivo de cinco mulheres, sendo duas delas, assassinadas brutalmente por dez homens durante uma festa realizada por eles com o intuito de “presentear” o aniversariante com o estupro dessas mulheres,” foi um episódio revoltante, que não encontra em nosso vocabulário uma palavra capaz de traduzi-lo. Este revelou o cúmulo da objetificaçao da mulher, considerada um objeto descartável, ou seja: as mulheres perderam a condição de seres humanas. este crime bárbaro precisa ser punido com todo rigor da lei.” . Este e outros crimes como de Elisa Samudio, Márcia Nakagina são exemplos que assustam pelo nível de crueldade e banalização da violência.

Por isto, denunciamos essa violência como resultado de uma sociedade machista e patriarcal e misógina, onde o corpo e a vida das mulheres são vistos como um elemento a ser dominado. Neste sentido, sempre reforçamos: é preciso mudar o mundo para que a vida das mulheres mude, para que as mulheres não sofram mais as conseqüências desse modelo de sociedade machista e patriarcal onde suas vidas são ceifadas pela violência sexista e tratadas como mercadoria e presente.

Não cansaremos na denúncia e cobrança por justiça, pois atos como estes não serão aceitos pela sociedade, para que a igualdade e liberdade permeiem a vida das mulheres em sua plenitude. Neste contexto, dizemos não à ameaça dos que querem calar o grito das mulheres de Queimadas por justiça. Se ainda existem casos abafados de violência contra as mulheres neste município paraibano, que seja investigado incansavelmente e determinado as devidas punições dos criminosos que aterrorizam a vida das mulheres, para que nenhuma mulher venha a sofrer a dor provocada pelo machismo, nem seja estuprada, nem assassinada.

Não basta apenas constatar que este caso foi um caso de violência na sociedade paraibana e sim é preciso reconhecer que este é um crime cometido pelo machismo instalado por este modelo de sociedade capitalista e patriarcal vigente. Quando dizemos que o machismo mata, vai além de palavra de ordem ou teorias, mais uma realidade onde os crimes de ódio e a banalização da violência têm sido uma triste marca , o que coloca o Brasil em 12 lugar de pais em números de assassinatos .
Até abril deste ano, já foram assassinadas 41 mulheres na Paraíba sendo 26 por crimes machistas e sexistas e 15 por suposto envolvimento com drogas é devido a essa realidade que se faz necessário e urgente, que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da violência contra a mulher dê uma atenção especial a Paraíba e para o caso de Queimadas, pois a omissão do estado compromete a segurança das mulheres.

Este é um momento importante para denunciarmos todas as formas de violências feitas às mulheres, o tráfico de mulheres e meninas, as violências físicas, morais e psicológicas, o assédio sexual, o estupro, como formas de exercer o poder de sexo, classe e raça sobre o corpo e a autonomia da vida das mulheres, como também, o fim da impunidade de todos esses criminosos.

Também denunciamos as violências já naturalizadas na nossa sociedade, como a tripla jornada de trabalho diários das mulheres, seus empregos precarizados, a invisibilidade do trabalho doméstico no campo e na cidade, a diminuição de investimentos em políticas publicas pelo Estado e em equipamentos sociais que garantam às mulheres creches de qualidade, cozinhas comunitárias, lavanderias públicas, o que resulta na utilização da mão-de-obra de outras mulheres no trabalho doméstico e de cuidados.

É importante reforçarmos e cobrarmos, que os mecanismos de políticas para às mulheres sejam prioridades nos orçamentos precários e vergonhosos das políticas sociais, e que se tornem de Estado no enfrentamento e combate às violências sofridas pelas mulheres, para que facilite na transição da transformação da estrutura socioeconômica - cultural machista, lesbofóbica, racista e patriarcal vigente.

Queremos um mundo onde as mulheres e os homens sejam livres em seus direitos, que só é possível pelas vias da igualdade, permitindo que as mulheres rumem ao exercício pleno de sua autonomia pessoal, social, política, econômica, cultural e sexual.

Nos identificamos e reconhecemos na historia da humanidade, os esforços de todas as mulheres do mundo na luta contra a violência sexista que é também uma violência de classe, onde os mais ricos exercem sobre as mais pobres seu poder de dominação e exploração.

A opressão e exploração sofrida por cada mulher, interessa a todas nós. Por um mundo sem violência contras as mulheres!

SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

São Paulo, 24 de abril de 2012.

NºORD. ORGANIZAÇÕES QUE APOIAM

001- Marcha Mundial das Mulheres
002- Assembléia Popular na Paraíba
003- Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB
004- Frente Paraibana em defesa da Terra, dos Povos e das Águas do Nordeste
005- SINTEF
006- Consulta Popular
007- Comissão Pastoral da Terra – CPT
008- Programa Escola Zé Peão - SINTRICON – UFPB
009- SINTRICON
010- Movimento dos Sem Terra - MST
011- ARCIDE – Ação pelo Respeito e Cidadania da Diversidade
012- Associação de Cultura e Rock do Sertão - ACRS/PB
013- Grupo de Mulheres Lésbicas Maria Quiteria
014- Centro Comunitário Bom José – Pastoral do Menor
015- LEPEL /PB
016- Rede de Educação Cidadã – RECID
017- ADESPVIDA
018- Levante Popular da Juventude
019- Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTD
020- Movimento Negro de Sape
021- Movimento do Espírito Lilás – MEL
022- Fórum de Juventude de Sape
023- Mulheres de Mãos Dadas
024- Movimento das Comunidades Populares – MCP/UJP
025- Assoc. Paraibana dos Portadores de Anemias Hereditárias – ASPPAH
026- Fórum Paraibano de Promoção da Igualdade Racial – FOPPIR
027- Sindicato dos Trabalhadores Rurais
028- Tribunal Popular da Terra
029- Dgnitatis
030- Rede Nacional de Advogados Populares/PB
031- Associação Santos Dias
032- SINTER – PB
033- Fórum em Defesa da Agricultura Familiar e Reforma Agrária
034- Movimentos dos Pequenos Agricultores – MPA
035- CAPS Caminhar/Associação Caminhando
036- INTECAB/PB
037- Casa de Mulheres Renasce Companheiras
038- Associação de Deficientes e Familiares – ASDEF
039- JPT/Mulheres e LGBT
040- Fórum Estadual em Defesa do SUS e Contra as Privatizações
041- Grupo Flor Flor Estudos de Gênero – UEPB
042- Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – ABRAÇO – PB
043- Rede Afro/Movimento LGBT
044- Terra Livre – Movimento Popular do Campo e da Cidade
045- Fórum Estadual LGBT
046- Pastoral Afro
047- Sindicato das Trabalhadoras Domesticas
048- CRESS/PB
049- GAPEV – Grupo de Ação Pela Vida
050- CEMAR – Centro de Educação Integral Margarida Pereira da Silva
051- GVP – Gayrreiros do Vale do Paraíba
052- PJR/RJNE
053- Associação Comunitária Casa Branca
054- Comunidade Santa Clara – Castelo Branco
055- ACIS/ Pastoral da Criança e Grupo de Mulheres Com. Gervasio Maia
056- SMS/SP
057- Sindicato dos Aeroviários – PB
058- OCA de Pia Aborigine
059- RNAJVHA
060- Associação de Mulheres (AMUPAVIM)
061- CPCC – Centro Popular de Cultura e Comunicação
062- Centro de Referencia e Direitos Humanos da UFPB
063- Associação Comunitária do Conjunto Tibiri I
064- União da Juventude Comunista
065- UFPB/PRAC
066- Movimento Estudantil
067- MNCP
068- Centro Popular de Cultura e Comunicação
069- CA de Arquitetura e Urbanismo
070- Associação Paraibana dos Amigos da Natureza – APAN
071- ADUF/PB
072- AMAZONA – Associação de Prevenção a Aids
073- Centro de Ação Cultural – CENTRAC
074- BAMIDELE – Organização das Mulheres Negras da Paraíba
075- unha Coletivo Feminista
076- Instituto Marista da Solidariedade
077- MAC- Movimento de Adolescentes e Crianças
078- Pastorais Sociais
079- Pastoral da Aids
080- Movimento Organizado da Paraíba
081- Grupo de Juventude – Gramame
082- Mandato Popular Dep. Frei Anastácio
083- Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTD
084- Movimento dos Pequenos Agricultores
085- Marcha da Maconha
086- Mulheres de Terreiro
087- Pastoral do Menor
088- Fórum Estadual de ECOSOL
089- Fundação de Direitos Margarida Maria Alves
090- Mandato Popular Dep. Luis Couto
091- GAPEU
092- Sindicato das Trabalhadoras Domesticas
093- Associação Comunitária Santa Marta
094- Espaço Múltiplo
095- Missão de Desenvolvimento Social – MDS
096- Coletivo de Mulheres do Campo e da Cidade
097- Grupo de Mulheres Comunidade Gervasio Maia
098- Centro Cultural de Valorização das Tradições Afro – brasileira
099- Fórum Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente – Fórum DCA
100- PSOL
101- SOF- Sempreviva Organização feminista
102- REF - Rede Feminismo e Economia
103- Mulheres do PT

Fonte: MMM-