domingo, 6 de abril de 2014

"Negra! Negra! Negra! Negra!": Me gritaram negra. Que lindo soa...


Me Gritaron Negra


Tenía siete años apenas,
apenas siete años,
¡Que siete años!
¡No llegaba a cinco siquiera!

De pronto unas voces en la calle
me gritaron ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!

“¿Soy acaso negra?” – me dije ¡SÍ!
“¿Qué cosa es ser negra?” ¡Negra!
Y yo no sabía la triste verdad que aquello escondía. Negra!
Y me sentí negra, ¡Negra!
Como ellos decían ¡Negra!
Y retrocedí ¡Negra!
Como ellos querían ¡Negra!
Y odié mis cabellos y mis labios gruesos
y miré apenada mi carne tostada
Y retrocedí ¡Negra!
Y retrocedí…
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Neeegra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!

Y pasaba el tiempo,
y siempre amargada
Seguía llevando a mi espalda
mi pesada carga

¡Y cómo pesaba! ...
Me alacié el cabello,
me polveé la cara,
y entre mis cabellos siempre resonaba
la misma palabra
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Neeegra!
Hasta que un día que retrocedía,
retrocedía y que iba a caer
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¿Y qué?

¿Y qué? ¡Negra!
Sí ¡Negra!
Soy ¡Negra!
Negra ¡Negra!
Negra soy

¡Negra! Sí
¡Negra! Soy
¡Negra! Negra
¡Negra! Negra soy
De hoy en adelante no quiero
laciar mi cabello
No quiero
Y voy a reírme de aquellos,
que por evitar – según ellos –
que por evitarnos algún sinsabor
Llaman a los negros gente de color
¡Y de qué color! NEGRO
¡Y qué lindo suena! NEGRO
¡Y qué ritmo tiene!
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO
Al fin
Al fin comprendí AL FIN
Ya no retrocedo AL FIN
Y avanzo segura AL FIN
Avanzo y espero AL FIN
Y bendigo al cielo porque quiso Dios
que negro azabache fuese mi color
Y ya comprendí AL FIN
Ya tengo la llave
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO
¡Negra soy!
 
 (Victoria Santa Cruz)
 
Fonte: Portal Vermelho

martes, 1 de abril de 2014

Campanha "Eu não mereço ser estuprada".

Sobre os últimos debates em relação ao estupro, com pouco tempo,  reproduzo aqui o texto da Jornalista Nana Queiroz que iniciou a campanha  na internet após divulgação de  pesquisa sobre  o uso de roupas curtas para as mulheres e a motivação para o estupro.

“Eu não mereço ser estuprada”: um artigo da criadora do movimento

Nana Queiroz iniciou campanha online contra a ideia de atribuir culpa do estupro à vítima
Nana Queiroz iniciou campanha online contra a ideia de atribuir culpa do estupro à vítima
O texto abaixo, de Nana Queiroz, foi publicado originalmente na bbc brasil. Nana, 28 anos, é autora do movimento “Eu não mereço ser estuprada”, criado no Facebook na última quinta-feira em resposta ao resultado de uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) segundo a qual 65% dos brasileiros acham que mulheres com roupas curtas merecem ser atacadas.
Desde que iniciei o protesto on-line “Eu não mereço ser estuprada”, na noite da última quinta-feira, recebi uma série de depoimentos de mulheres, homens e adolescentes que foram vítimas de abuso sexual. É incrível como essas histórias têm força, muito mais força que os números. E o que vi é que o estupro geralmente não ocorre à noite, num beco escuro. Ele ocorre, principalmente, em situações mais cinzentas.
No Distrito Federal, onde vivo, uma pesquisa publicada no ano passado, por exemplo, indicou que 85,2% dos estupros acontecem dentro da casa da vítima ou do agressor. Os números são chocantes, e me sinto na obrigação de contar sobre alguns rostos por trás das estatísticas.
Todos os nomes a seguir são fictícios.
Joana foi abusada sexualmente pelo pai durante toda a infância. O mais curioso é que ela só percebeu ter sido vítima de abuso na vida adulta – e o pai dela não percebeu até hoje. Sabe por quê? Porque ele nunca a penetrou. Enfiava a mão por dentro de sua calcinha, acariciava seus seios mas, para ele, abuso sexual é penetração.
No entanto, segundo a Lei Ordinária Federal nº 12.015, de 2009, que alterou o Código Penal Brasileiro, o crime de estupro não se refere somente à penetração, mas a qualquer ato de “conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima”.
Outra história. Certa noite, Maria estava entediada. Foi à casa de um amigo em quem confiava muito para ouvir música e beber até cair. Temerosa de dirigir para casa embriagada, ela pediu para dormir em seu sofá até que o efeito do álcool se dissipasse. Acordou algumas horas depois com a bruta inserção de um pênis em sua vagina. Ela gritou, protestou, exigiu que parasse. Ele prosseguiu até não conseguir mais lutar contra ela. Argumentou que a culpa era dela por ter dormido na casa dele.
Nesse caso, vale um raciocínio básico: na dúvida, é estupro. Não tem certeza se ela está suficientemente consciente? É estupro. Não sabe se álcool ou drogas afetaram sua capacidade de julgamento? É estupro. Ela está semiacordada? É estupro.
Devíamos nos concentrar em explicar aos homens como não estuprar, e não em dizer às mulheres como não serem estupradas.
Marco foi estuprado aos cinco anos pelo irmão. Na vida adulta, ele teve coragem de contar aos pais. Pressionado para dar explicações, o abusador, que era bem mais velho que Marco, afirmou: “Eu já havia percebido que ele era gay, imaginei que ele iria gostar, e ele gostou.”
Mas crianças não podem “gostar” ou não de sexo. Elas ainda não têm a maturidade e os critérios para definir se desejam ou não uma relação sexual. A ONG Childhood, que trabalha com vítimas de pedofilia, explica que “a natureza sexuada, inerente a qualquer criança, não pode ser entendida no sentido genital, mas sim no contexto de uma série de experiências psicológicas e físicas que vão, aos poucos, dando forma a seu pensamento e a seu corpo, ao que ela pensa sobre seu corpo e como o sente”.
Mais: vocês sabiam que mais de um terço dos abusadores de crianças são também menores de idade? Ou seja, você que forçou seu primo ou prima mais nova a ter envolvimento sexual com você também cometeu um abuso, mesmo sendo menor de idade. Este é o caso de Marcelo, um belo homem que foi abusado constantemente por um primo cinco anos mais velho durante a infância.
Quando enfrentou o abusador, apoiado pela família, na vida adulta, o abusador alegou: “Eu também era menor de idade, portanto, não sou culpado”. É, sim. Mas, claro, deve ser tratado como um menor ofensor, que não tinha seu caráter ainda completamente formado.
Finalmente, gostaria de dizer que tenho recebido e-mails de pessoas que sugerem castração e pena de morte para abusadores. Não creio que a solução esteja por aí. A lei brasileira já protege amplamente o abusado. Temos que pedir que ela seja aplicada e não que endureça. O trabalho deve se concentrar em educar os homens para que não estuprem, as mulheres para que denunciem, os policiais para que não culpem as vítimas e os familiares para que não acobertem os casos de abuso intrafamiliares.
O primeiro passo para evitar mais histórias como as de Marco, Marcelo, Maria e Joana é a mudança do discurso. Diga às suas filhas que elas são dignas e que seu corpo é só delas. Ensine seus filhos a respeitar as mulheres e buscar o sexo como uma experiência mágica a dois. Não deixemos esse movimento morrer. Eu lancei a pergunta, agora, a resposta é com vocês!

domingo, 23 de marzo de 2014

Solitude + amor próprio = amor compartilhado em equilíbrio.

Deu vontade de compartilhar. Apenas substituiria a palavra solidão por solitude.




"Primeiro fique sozinho.
Primeiro comece a se divertir sozinho.
Primeiro amar a si mesmo.
Primeiro ser tão autenticamente feliz, que se ninguém vem, não importa; você está cheio, transbordando.
Se ninguém bate à sua porta, está tudo bem -
Você não está em falta.
Você não está esperando por alguém para vir e bater à porta.
Você está em casa.
Se alguém vier, bom, belo.
Se ninguém vier, também é bom e belo
Em seguida, você pode passar para um relacionamento.
Agora você se move como um mestre, não como um mendigo.
Agora você se move como um imperador, não como um mendigo.
E a pessoa que viveu em sua solidão será sempre atraídos para outra pessoa que também está vivendo sua solidão lindamente, porque o mesmo atrai o mesmo.
Quando dois mestres se encontram - mestres do seu ser, de sua solidão -felicidade não é apenas acrescentada: é multiplicada.
Torna-se uma tremendo fenômeno de celebração.
E eles não exploram um ao outro,, eles compartilham.
Eles não utilizam o outro.
Em vez disso, pelo contrário,
ambos tornam-se UM e
desfrutam da existência que os
rodeia."

************* OSHO *************





sábado, 8 de marzo de 2014

2014: Muitos 8 de março virão...

Apesar de estar afastada do ativismo da militância social, continuo muito inquieta com toda a conjuntura econômico-social e política por qual passamos e, realista, tendo a não florear a realidade. Muitos 8 de março virão: confusos, fetichizados e festejados por muitos/as, especialmente pelos donos de grandes empresas capitalistas e por homens e mulheres que reproduzem o discurso do capital. Virão como sinônimo de luta, também, mas ainda para poucas mulheres que entendem a conjuntura, sabem do conteúdo histórico-político desse dia para a atual condição das vidas das mulheres em todo o mundo.

Embora devamos reconhecer que as mulheres atuais diferem bastante daquelas com posturas recatadas e submissas das senhoritas e senhoras de outrora , tendo uma postura pró-ativa nas suas vidas, buscando sua autonomia emocional e material, os tempos são confusos e entorpecem  muita gente com discursos de que as mulheres já conquistaram espaços demais na sociedade e que têm poder sobre o próprio corpo. 

A entrada  das mulheres no mundo do trabalho não foi conquista das mulheres, embora se repita isso em alto e bom tom nos quatro cantos do mundo.  Num mundo em que a ganância  pelos lucros e pelo enriquecimento de poucos, as mulheres trabalhadoras foram empurradas para as fábricas e demais setores, posteriormente, pela necessidade de ampliação  e exploração da força de trabalho. Com uma força de trabalho barateada e com jornadas de trabalho desumanas, mulheres  foram introduzidas na produção sem contudo, lhe fosse retirada o papel central no processo de reprodução do capital. 
O capital passa a explorar a força de trabalho das mulheres nas fábricas e desresponsabiliza-se de investir na reprodução dessa força de trabalho, cabendo assim às mulheres o papel de cozinhar, lavar, cuidar dos filhos e de idosos e  parcela da reprodução biológica de mais trabalhadores e o lazer de homens com vidas subsumidas ao trabalho . 
A divisão sexual de trabalho  que antes  existia apenas no espaço privado ( domicílios) amplia-se para o espaço  público da produção. E a mulher acumula tarefas na produção e na reprodução do capital. 
É bem verdade, que as lutadoras sufragistas introduziram a mulher no mundo oficial da política tendo direito a votar e ser votadas. Bem sabemos, entretanto, que esse espaço é limitado pela expressão da sociedade atual. Como a base material da sociedade, continua expressa numa ideologia burguesa, patriarcal e conservadora, o que temos, no Brasil hoje, são bancadas cada vez mais conservadoras e reacionárias que tem tentado e, infelizmente, conseguido retroceder nos direitos das mulheres conquistados com tanto ardor. Então hoje, questiono-me , nessa conjuntura, até que ponto vale disputar a construção de uma reforma política para ampliar a participação das mulheres  no parlamento enquanto a consciência,determinada por essa base material, de trabalhadoras e trabalhadoras (comprada ou  não) tem elegido homens como Marco Feliciano, Kátia Abreu e similares. 
Seguindo...Concorda-se que as mulheres hoje estão em grande números nas escolas e centros de formação universitários e que hoje ser cantora não lhe dá necessariamente o atributo de prostituta. Mas que muitas prostitutas também já não recebem o atributo como tal, já que a prostituição velada acontece muitas vezes dentro das próprias relações monogâmicas em que o casamento confere aquisição do contrato matrimonial, o controle sobre o corpo da mulher como propriedade. 
Controle esse ainda mantido pela  religião que abomina e sataniza as mulheres que abortam mesmo em caso de estupros degradantes de almas femininas . Controle da mídia burguesa que veicula imagens de corpos femininos para serem vendidos às mentes masculinas e femininas como dignas de serem consumidas, juntamente com os carros e motos, com as cervejas e mais uma gama sem número de produtos. 
Controle pelos pangadões  musicais que   reduzem às mulheres  a objetos sexuais . Inclusive aqueles cantados por mulheres que se acham poderosas quando na verdade estão a jogar água no moinho da opressão e confundem  tantas  outras mentes, reduzindo o poder das mulheres ao poder do pussy. Popozudas iludidas seguem criando conflitos entre mulheres da mesma classe trabalhadora, sob o hit " Beijinho no ombro", enquanto deveríamos estar nos unindo, TODAS, contra as opressões racistas, homofóbicas, patriarcais e capitalistas. 
Não menos alarmante, a violência de gênero segue sendo uma das expressões maiores da questão social e da ideologia machista na vida das mulheres. Os estupros coletivos borbulham no oriente médio  e no ocidente "civilizado" a exemplo do Caso de Queimadas ( Paraíba) e New Hit ( Bahia). Casos que chocaram a sociedade, todavia, não tiveram resoluções exemplares que precisam ter.

 Seguiria, listando, as inúmeras  situações que expressam a condição das mulheres nos dias atuais, mas essas linhas já apresentam alguns dos dilemas centrais.
 São as pistas de que precisaremos ainda de muitos 8 de março para , numa perspectiva revolucionária, suplantar um modelo de sociedade que tira a liberdade  de trabalhadores, mas sobretudo das mulheres trabalhadoras. 

 Por isso, seguiremos em luta até que todas sejamos livres!

 Ângela Pereira.

O Inferno astral, trinta e um anos e as jabuticabas.

Depois de um fase em que Saturno rodopiou loucamente destruindo os nós mal amarrados, levantando a poeira daquilo que não faz mais sentido e  apontando o que ainda precisa ser feito, chegou o momento do temido "Inferno Astral". (Uma ressalva: Saturno, em seu retorno, ainda está bem agitado, mas um pouco menos...)

Muita gente confunde  esse termo da astrologia , fazendo referência a uma pessoa de cujo signo é um carma na vida dela. Porém numa rápida pesquisa sobre assuntos correlatos, encontrei o significado astrológico do tal "inferno astral". 
Esse período corresponde ao 30 dias anteriores ao dia do aniversário. Nele  as pessoas ficam mais introspectivas , interiorizando processos, avaliando situações, avanços e retrocessos do ano que passou. Há uma queda de energia, que segundo o site Terra ( www.terra.com.br) corresponde ao momento em que "o Sol, durante o ano astral ( ano marcado do dia do nosso aniversário até um dia antes do mesmo ano seguinte), começa a caminhar através da última casa do nosso mapa astral", no meu caso no signo de Peixes ( 27/02. a 29/03). "Esse lugar representa nosso inconsciente, as energias que não conseguimos definir e por esta energia ser, de fato, tão confusa, acabamos atraindo situações, pessoas e acontecimentos que esbarram nessa mesma energia. É uma fase em que podemos ficar doentes, sofrer perdas e passar por situações confusas."

Outro site (www.zastros.com.br) ressalva " não significa uma fase de azar, mas sim um momento de reflexão e avaliação para o início de um novo ciclo. Os que estiverem passando por esse momento podem relaxar e se preparar para comemorar e viver as novidades."

Verdade ou não, ando bastante reflexiva  e com um cansaço  quase que inexplicável, não fosse as horas com olhos atentos, pensamentos a mil  e mãos doloridas de escrever no computador laudas de uma dissertação de mestrado. 

Nessas condições, dei de cara hoje com um texto de um autor de que gosto muito e , junto com os seus sabiás do livro " Carta aos adolescentes e a seus pais", outrora tivera e ainda tem uma importância muito grande na minha vida. 
Hoje me saltou aos olhos (cansados) o texto a seguir que compartilharei com os leitores desse despretensioso blog. 

"O tempo e as jabuticabas.
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo.Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que, apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos a limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos“. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena."
Rubem Alves

É bem assim que me sinto atualmente. O tempo está passando e, eu, preferindo saborear as jabuticabas que somente alegram o meu paladar. 

Ângela Pereira.

jueves, 27 de febrero de 2014

Mujeres con la revolucion bolivariana! MMM


MUJERES CON LA REVOLUCION BOLIVARIANA DE VENEZUELA
DEFENDEMOS LA DEMOCRACIA Y LA VIDA: NO A LA VIOLENCIA GOLPISTA



Un nuevo episodio en la escalada de desestabilización contra la democracia y la Revolución Bolivariana de Venezuela ha ocurrido en este mes de febrero. Las acciones generadas por opositores internos e internacionales evidencian, cada vez más, una estrategia que anuda viejas y nuevas formas de violencia buscando implantar un ambiente de guerra contra el pueblo, que las mujeres latinoamericanas denunciamos y repudiamos.


·      Denunciamos la violencia económica, que se despliega constantemente por medio de la especulación, el acaparamiento de productos básicos para crear escasez, los rumores para generar pánico, el ataque y boicot a los bienes y servicios públicos. Todo esto se traduce en una alteración de las condiciones y calidad de vida de las mujeres y de las familias, abocadas a resolver en lo cotidiano su sobrevivencia en medio de la adversidad, lo que supone más y más trabajo y desgaste emocional.



·      Denunciamos la violencia política y social, ejercida por medio de episodios desestabilizadores y golpistas como el de estos días y de ataques sistemáticos a las instituciones y decisiones democráticas de un país que, como ningún otro en estos tiempos, ha promovido y respetado la soberanía popular expresada en 19 procesos electorales.  A esto se suma el ataque abierto a la organización popular, acosada por violencia directa, por la criminalización mediática, por los rumores difamatorios.


·      Denunciamos la violencia mediática, que no conoce límites en su infame tarea de desinformar, de mentir y fraguar versiones alteradas de los hechos, para proyectar al mundo falsas imágenes de una sociedad dividida en dos bandos, o incluso de una sociedad levantada contra un gobierno ilegítimo, cuando la realidad muestra un pueblo y un gobierno acosados por la escalada desestabilizadora que impulsan élites y poderes nacionales e internacionales. Esta violencia mediática afecta los derechos y dignidad del pueblo bolivariano como también el derecho de todos los pueblos del mundo de tener acceso a información veraz y fidedigna.


·      Denunciamos la violencia armada, que hemos visto en estos días en la actuación de grupos de perfil paramilitar, cuyas acciones dejan ya un saldo de seis víctimas mortales y numerosos heridos.  Alertamos sobre la peligrosidad extrema de esta forma de violencia, que siembra la muerte y el terror para inducir un escenario de conflicto y caos que justifique cualquier intervención.


·      Denunciamos la violencia imperialista, que no ha cesado en sus maniobras de intervencionismo, usando medios de todo tipo, en sus afanes de poner fin a la Revolución Bolivariana, a los procesos de integración alternativa, de recuperar y ampliar el control político, económico y cultural en Venezuela y en la región.

Convocamos a todas las mujeres de la región y del mundo a mantener, desde hoy, una campaña permanente de denuncia de estos hechos violentos, de sus impactos en la vida de las mujeres y el pueblo venezolano, de acompañamiento a nuestras hermanas que se encuentran en pie de lucha para defender el camino democrático y soberano de la Revolución Bolivariana, y de apoyo incondicional a la alternativa de PAZ que enarbolan el gobierno y el pueblo.

Convocamos a conmemorar el legado y la presencia del compañero eterno Hugo Chávez, cuyo compromiso feminista confluye ya con la celebración del Día Internacional de las Mujeres.

Hacemos nuestra la consigna de nuestras hermanas bolivarianas:

POR LA MATRIA, POR LA PAZ y POR LA VIDA

Marcha Mundial de las Mujeres – América Latina
Red Latinoamericana Mujeres Transformando la Economía –REMTE

Enviar adhesiones a:
communication@marchemondiale.orgcommunication@marchemondiale.org
>
remte2@fedaeps.orgremte2@fedaeps.org>

martes, 25 de febrero de 2014

Carta da MMM- 8 de março de 2014.





CARTA DO 08 MARÇO DE 2014
Feminismo em Marcha para Mudar o Mundo

Neste 8 de março, dia internacional de luta das mulheres, nós da Marcha Mundial das Mulheres reafirmamos com nossa presença nas ruas que o feminismo é um movimento popular que está e continuará em luta denunciando a opressão vivida por nós nesse  sistema que combina o patriarcado com o capitalismo, a desigualdade, o racismo, a lesbofobia e a destruição da natureza.
As mulheres do mundo inteiro resistem à ofensiva do capitalismo que apresenta “falsas soluções” baseadas na expansão do mercado como mais exploração dos recursos naturais, novas tecnologias de controle do nosso corpo, da natureza e do conhecimento. As respostas do capital para tentar sair de sua crise e aumentar suas taxas de lucro são falsas soluções que só promovem a opressão com mais concentração de renda, militarização, criminalização das lutas por meio de um processo violento dos Estados.
Em uma sociedade baseada no incentivo do consumo orientando a vida e as relações, percebemos a expansão da mercantilização em todas as dimensões. Isso se dá especialmente com a exploração do corpo das mulheres, desde a indústria da beleza, até o tráfico e a prostituição. Nosso corpo é constantemente controlado e regulado a partir de padrões morais de sexualidade que estimulam a violência e a discriminação de lésbicas, em uma sociedade em que tudo gira a favor do prazer dos homens e, para as mulheres, a maternidade continua sendo uma obrigação.
Denunciamos a imposição da maternidade como destino obrigatório das mulheres e reafirmamos a autonomia de decisão sobre os nossos corpos. Exigimos o direito de decidir se queremos ou não manter uma gravidez indesejada. Para isto lutamos pela legalização do aborto realizado pelo SUS de forma gratuita e segura.
Repudiamos a cooptação do discurso feminista “meu corpo me pertence” para “meu corpo é meu negócio”. Por isso, somos contra o projeto do Dep. Jean Wyllys que, ao invés de contribuir para a melhoria de condições de vida das mulheres prostituídas, legaliza a cafetinagem, consolida a sexualidade como um serviço comercial de compra e venda, e aprofunda a exploração das mulheres. Refirmamos nosso compromisso na luta pelo fim da prostituição e nossa solidariedade com as mulheres que se encontram nessa situação. Denunciamos a máfia milionária da prostituição e da pornografia que se apresentam com a maquiagem da indústria do lazer e do entretenimento.
Denunciamos as grandes obras e mega eventos como copa do mundo e Formula 1 como espaços para naturalizar a prostituição, facilitar o trafico de mulheres e meninas e como uma forma de aprofundar a pobreza e desorganizar a vida da população pobre, via remoções de favelas e terrenos ocupados. Denunciamos a FIFA como uma máfia cada vez mais autoritária e corrupta e reivindicamos o esporte como um direito das mulheres como atividade de lazer, integração e amizade entre os povos.
Neste dia de luta, nos solidarizamos com as mulheres e meninas do Brasil e de todo mundo que sobrevivem e lutam contra a violência que sofrem em casa, nas ruas, no trabalho e as mulheres vítimas de conflitos produzidos e estimulados pelo imperialismo.
Denunciamos a impunidade e lentidão da justiça brasileira, em especial nos casos de estupro de meninas na cidade de Coari, Amazonas, onde o prefeito Adail Pinheiro, pratica pedofilia, alicia e compra meninas para a exploração sexual há mais de 10 anos. Exigimos que este caso seja tratado pela justiça nacional já que os órgãos do Estado do Amazonas tem sido conivente com a situação.
Exigimos que o Estado Brasileiro não aceite mais nenhuma morte de mulheres e meninas vítimas da violência sexista e que implemente a lei Maria da Penha em sua totalidade. Para isto, os estados e municípios devem aplicar recursos em políticas de enfrentamento a violência e o judiciário precisa enfrentar o machismo dos juízes e outros profissionais do setor.  Queremos outro modelo de segurança que garanta o efetivo combate à violência contra a mulher e que não sirva para criminalizar os movimentos sociais e a pobreza. 
Estamos em luta para transformar o modelo de produção e consumo. Por isso, denunciamos a imposição dos agrotóxicos e das sementes transgênicas que geram dependência das agricultoras e agricultores. Denunciamos os projetos de irrigação para beneficiar o agronegócio como o projeto do Perímetro Irrigado da Chapada do APODI, no Rio Grande do Norte, que, se concluído, destruirá a organização e produção das trabalhadoras desta região. Conclamamos todas a resistir e lutar! 
Nos somamos à luta dos movimentos do campo para que as prioridades do governo, hoje, voltadas para o agronegócio se revertam para a reforma agrária, demarcação das terras indígenas e quilombolas como único caminho para garantia de soberania alimentar livre de transgenia, de veneno no ar, na água e na terra e nos alimentos que chegam a nossa mesa.
A estrutura patriarcal do Estado brasileiro não exclui apenas as mulheres da política, como também exclui as mulheres da própria cidadania. Isso coloca barreiras para o avanço das nossas reivindicações históricas, como o combate mais efetivo a violência contra as mulheres, a descriminalização e a legalização do aborto e, principalmente, a implementação de políticas que garantam a autonomia das mulheres sobre suas vidas e seus corpos.
No Brasil, embora tenhamos uma presidenta e sejamos 51% do eleitorado, ocupamos menos de 10% do senado e menos de 9% na câmara de deputados. Os mecanismos que nos afastam dos espaços de poder e decisão, são: a dupla jornada de trabalho, a falta de financiamento público para campanhas, a insuficiência de políticas públicas como creches, educação infantil em período integral, dentre outras.
Para despatriarcalizar o Estado e a política é preciso radicalizar a democracia e construir espaços e processos efetivos de participação popular. Essa é nossa agenda para 2014, ano em que construímos com mais de cem movimentos sociais o plebiscito popular por uma constituinte exclusiva, soberana e popular sobre o sistema político.
Conclamamos às mulheres para a auto-organização e afirmamos nossa estratégia de fortalecimento como sujeito político que constrói uma força mundial em aliança com os movimentos sociais.
Nesse 8 de março de 2014 renovamos nosso compromisso na luta por um mundo anticapitalista, antirracista e antilesbofóbico, por uma sociedade baseada nos valores de liberdade, igualdade, justiça, paz e solidariedade.

Marcha Mundial das Mulheres

domingo, 16 de febrero de 2014

Inspiração: Viver sem tempos mortos ( Beauvoir).

VIVER SEM TEMPOS MORTOS

A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice.

O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim ... provisoriamente!

Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. 

O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo.

Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida.

Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.

 Na voz de Fernanda Montenegro.

"O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo."

http://www.youtube.com/watch?v=4gcBeOqNdpU


Ultrapassemos!

domingo, 9 de febrero de 2014

Só citando Conceição Evaristo: "A noite não adormece nos olhos das mulheres"

Depois de tanto tempo sem postar  algo, ainda apenas reproduzindo, venho aqui inspirar-me com Conceição Evaristo que exauta as vigilantes e resistentes mulheres.

( Fotografia de  Giovanni Marrozini : "la nouvelle-semence 1")



A noite não adormece nos olhos das mulheres

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
a lua fêmea, semelhante nossa,
em vigília atenta vigia
a nossa memória.

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
há mais olhos que sono
onde lágrimas suspensas
virgulam o lapso
de nossas molhadas lembranças.

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
vaginas abertas
retêm e expulsam a vida
donde Ainás, Nzingas, Ngambeles
e outras meninas luas
afastam delas e de nós
os nossos cálices de lágrimas.

A noite não adormecerá
jamais nos olhos das fêmeas
pois do nosso sangue-mulher
de nosso líquido lembradiço
em cada gota que jorra
um fio invisível e tônico
pacientemente cose a rede
de nossa milenar resistência.

(Conceição Evaristo – Em memória de Beatriz Nascimento)

sábado, 21 de diciembre de 2013

Quando a poesia não sai, o corpo fala...


Aproveitei  para dar uma passada e lembrar de um das coisas que me movem, postando  uma poesia de Viviane Mosé.

Essa é para quem anda retendo poesia, inclusive eu.

Doenças


Muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão
mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema
pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima
lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema
palavra suor é melhor do que palavra cravo
que é melhor do que palavra catarro
que é melhor do que palavra bílis
que é melhor do que palavra ferida
que é melhor do que palavra nódulo
que nem chega perto da palavra tumores internos
palavra lágrima é melhor
palavra é melhor
é melhor poema

Viviane Mosé

Viviane Mosé (Espírito Santo, 16 de janeiro de 1964) é poetisa, filósofa, psicóloga psicanalista e especialista em elaboração e implementação de políticas públicas. Mestre e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Publicou sua tese de doutorado Nietzsche e a grande política da linguagem em 2005 pela editora Civilização Brasileira. ( Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Viviane_Mos%C3%A9)