lunes, 4 de enero de 2010

A escrita do mundo.

Se eu me dispuser a escrever o mundo,

Terei muita imaginação sobre o que escrever.

Mas não quero apenas imaginar

Quero viver o mundo!

Mas também quero escrevê-lo.

E agora?

É preciso se inventar uma nova maneira de viver!


Então, viverei escrevendo

E escreverei vivendo.


Sentirei escrevendo

Escreverei sentindo


Cantarei escrevendo

Escreverei cantando


Amarei escrevendo

Escreverei amando


Dançarei escrevendo

Escreverei dançando


Escreverei escrevendo

Escreverei escrevendo


Lutarei escrevendo

Escreverei lutando


Realizarei escrevendo

Escreverei realizando


Percebi que o futuro já é presente!

Escrevo vivendo

VIVO escrevendo!


Ângela Pereira.

04 de janeiro de 2010.

O silêncio: respiração contínua do mundo.

Quero que o mundo respire!!!

Quero um pouco de silêncio pela vida do mundo!
Quero um pouco de silêncio pela vida
Quero um pouco de silêncio
Quero um pouco
Quero um
Quero

Ângela Pereira.
04 de janeiro de 2010.


Dá-me tua mão.

Clarice Lispector

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

viernes, 1 de enero de 2010

A militância se torna cada vez mais séria e necessária!

Mais um ano se passou...

Entre mortos e feridos vamos resistindo...

Alimentando-nos com a mística revolucionária socialista...

E se indignando com a dor da/o companheira/o de classe.

Indignando-se com a destruição do planeta,

Da natureza e do próprio ser humano por ele mesmo.


A capacidade humana de autodestruir-se não é mais novidade.

Mesmo que queiram nos vendar, o planeta reclama...

Sentimos muito mais calor ou muito mais frio...

Chovem pedras de gelo ou neva demais...

Ou nas ruas, as calçadas estão cheias de pessoas que dormem ao relento,

De grande número de desempregados e de trabalhadores informais,

De crianças pedintes, de jovens e mulheres exploradas...


Muitos lutadores e lutadoras foram criminalizados

Por quererem uma sociedade justa...

Muitos morreram...

Muitos ainda continuam debaixo de lonas...

Em cortiços... Abaixo de viadutos.

Mas continuamos firmes e fortes

Alimentados pela certeza de que esse sistema

Não nos serve e de que é preciso destruí-lo.


Muitos, todavia, fraquejaram...

Trocaram de lado...

Substituíram o discurso radical,

Vinculado às necessidades reais da classe trabalhadora

Ao discurso fácil do possível!

Da pseudodemocracia.

O dinheiro, fetiche do capital, falou mais alto!

E gerindo a crise, numa confortável posição, continuarão...


A burguesia ri em mesas fartas

À custa do suor da classe trabalhadora...

A burguesia é cada vez mais cínica...

Encoberta a postura carrasca,

Com falsos discursos de responsabilidade social,

Desenvolvimento sustentável,

De cidadania...

O inimigo está difuso e com várias caras,

Mas todos vestem terno e gravata com o linho da exploração.


Os alimentos estão doentes com uso de agrotóxicos.

As sementes que trazem vida, já nascem mortas com os transgênicos.

Têm alimentos, mas onde estão?

Tem terra pra plantar, mas estas permanecem

Nas mãos de latifundiários e de grandes transnacionais.


Água e energia continuam sendo mercadorias.

Os altos preços da energia são covardia!

Há tempos, mercantilizaram a cultura,

E, como indústria cultural,

Usam-na pra alienar as massas.


As mulheres sustentam grande peso desse sistema,

Na reprodução social dele à mulher

Cabe o papel de procriar, limpar, lavar, passar

E dispor o corpo dela para ao patriarcal prazer dar.

Não tem direito a decidir pelo aborto

E sofrem violências profundas que marcam a alma!


O amor também é mercadoria,

“perdeu” a essência e na aparência,

É limitado e superficial.

A propriedade privada dita as relações.


Do lado de cá, quanto mais se explora a classe trabalhadora,

Mas é imperativo não fraquejar

E a luta continuar!


É pelos sorrisos de quem tem força criativa.

Pela capacidade de amar adormecida

Na dureza dos corpos cansados.


É pelo desejo de sentir os prazeres

Mais sinceros e carregados de solidariedade.


É pelo desejo do trabalho criativo

O tempo da arte ativo.


É pelo comum aos comuns

É pelo socialismo

É pelo comunismo

Que a militância se torna cada vez mais séria e necessária!


Ângela Pereira

Consulta Popular na Paraíba.

1º de dezembro de 2010.

Feliz Ano novo!!!!

Sobre a música.
É pra isso que a arte existe: sublimar as nossas dores e alegrias.
Só não vale fingir demais.
Nem todo mundo que ver a felicidade do outro.
Mesmo assim.. vamos lá seguindo com quem está com a gente e conquistando corações e mentes pro projeto chamado Liberdade!

O Homem Falou
Composição: Gonzaguinha

Pode chegar
Que a festa vai
É começar agora
E é prá chegar quem quiser
Deixe a tristeza prá lá
E traga o seu coração
Sua presença de irmão
Nós precisamos
De você nesse cordão...

Pode chegar
Que a casa é grande
E é toda nossa
Vamos limpar o salão
Para um desfile melhor
Vamos cuidar da harmonia
Da nossa evolução
Da unidade vai nascer
A nova idade
Da unidade vai nascer
A novidade...

E é prá chegar
Sabendo que a gente tem
O sol na mão
E o brilho das pessoas
É bem maior
Irá iluminar nossas manhãs
Vamos levar o samba com união
No pique de uma escola campeã...

Não vamos deixar
Ninguém atrapalhar
A nossa passagem
Não vamos deixar ninguém
Chegar com sacanagem
Vambora que a hora é essa
E vamos ganhar
Não vamos deixar
Uns e outros melar...

Oô eô eá!
E a festa vai apenas
Começar
Oô eô eá!
Não vamos deixar
Ninguém dispersar
(O Homem Falou)...(final 2x)

miércoles, 30 de diciembre de 2009

Eita! Quem mandou provocar?!

O tempo passa rápido é hora então de contar:

Abstração meramente não mais espaço há...

A “práxis concreta” urge a pulsar...

Aquilo que não se mostra, escondido não pode mais estar

Só um pouco mais de disposição para furar a barreira do não.

Só um pouco mais de exposição para entender a atração

Que existe entre o que se esconde com o que é evidente

No aparente essencial e na essência aparente

Só resta aos contadores no frenesi do tempo que passa

Aproveitarem o que a vida em Carpe diem apresentará.

Mais beijos!


Ângela Pereira.

31 de dezembro de 2009.

Conversa de fim de ano e de reencontro.

Como tá a vida, minha cara?

E esses dias de fim de ano, qual a cor que tem?


A vida está seguindo em frente,

Andando com o tempo,

Ora lenta, ora acelerada,

Ora colorida, ora preto e branco...

E nem por isso feia,


Às vezes dura,

Às vezes deliciosa,

Agora muito mais deliciosa.

Quando se aprende a valorizar

De verdade cada segundo dela


O bom mesmo nesse tempo

É ter aprendido que é com ela

Que se aprende


E somente se jogando nela,

Sujeitando-se a erros e acertos

Que agente segue em frente.


A cor do fim de ano é misturada...

Um pouco de vermelho

Para lembrar o fogo revolucionário.


Um pouco mais de lilás,

Pra ajudar na emancipação

De mentes e corações de mulheres

E também de homens.


Um pouco de verde, azul e amarelo

Pra deixar marcada a beleza natural

Das matas, do mar e do sol...


E mais um pouquinho das outras cores...

Que se misturam nos rostos,

Nas vestes e nas cores da pele

Da classe trabalhadora!


Ângela Pereira

30 de dezembro de 2009.

À minha amiga- camarada Isabelle.












Numa amizade verdadeira,

É preciso estar aberto a tudo.


A receber carinhos, abraços

E mensagens bonitas.


A receber notícias alegres,

Mas também bilhetes molhados de lágrimas

Por aquela dor que somente

Esses amigos conseguem acalentar.


A experienciar a simplicidade

E a complexidade da vida.


A compartilhar pontos de vista

Ou discordar fortemente desse amigo

Sem que isso coloque a relação em perigo.


A se dispor a estar com o outro até em pensamento.

Ou principalmente em pensamento,

Porque isso significa que a amizade

É muito mais que de momento.


A reconhecer no outro suas fragilidades

E ajudá-lo a identificar os equívocos e reconhecê-los...


A, nos casos dos revolucionários,

Alimentar sonhos, despertando no outro.


A capacidade de se indignar

Com o mundo de injustiças do capital

Que machuca, oprime e aliena.


E apresentar àqueles que chamamos de camaradas

Experiências de luta que fortalecem

A mística revolucionária.


Afinal maior amizade e verdadeira

É aquela que compartilha ideais solidários,

Libertários de um mundo em que

Sorrisos e lágrimas de felicidade

Serão a principal expressão de liberdade

No seu mais puro significado.


Ângela Pereira

29 de dezembro de 2009.

lunes, 28 de diciembre de 2009

O livro dos Abraços- Eduardo Galeano.

Que deliciosa surpresa tive ao pestanejar os olhos na tela do computador e ler mesmo em PDF, sem poder pegar e marcar no livro ( coisa que destesto) O Livro dos Abraços de Eduardo Galeano. Um presente de um companheiro fascinado por Galeano.
Que originalidade apresentam os escritos desse homem! Em tão poucas palavras é capaz de contar grandes histórias, brincando com as palavras...

Abaixo lhes presenteio com alguns excertos que extrai de " O livro dos Abraços". Nem terminei de lê-lo, mas já valeu muito a pena ter trocado figurinhas com o Compa Gaucho. Obrigado , moço!

“Celebração da voz humana


Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Porque todos, todos temos algo a dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou perdoada”.


“A fome


Um sistema de desvinculo: boi sozinho se lambe melhor..., o próximo, o outro, não é seu irmão, nem seu amante. O outro é competidor, um inimigo, um obstáculo a ser vencido ou uma coisa a ser usada. O sistema, que não dá de comer, tampouco dá de amar: condena muitos à fome de pão e muitos a fome de abraços.”


O diagnóstico e a terapêutica


O amor é uma das doenças mais bravas e contagiosas. Qualquer um reconhece os doentes dessa doença. Fundas olheiras delatam que jamais dormimos, despertos noite após noite pelos abraços e padecemos febres devastadoras e sentimos uma irresistível necessidade de dizer estupidezes. O amor pode ser provocado, deixando cair um punhadinho de pó de me ame, como por descuido, no café ou na sopa ou na bebida. Pode ser provocado, mas não pode impedir. Não o impede nem água benta, nem o pó de hóstia tampouco o dente de alho, que nesse caso não serve pra nada. O amor é surdo frente ao verbo divino e ao esconjuro das bruxas. Não há decreto de governo que possa com ele, nem poção capaz de evitá-lo, embora as vivanduras, apregoem, nos mercados, infalíveis, beberagens com garantia e tudo.

Eduardo Galeano (O livro dos Abraços).




Cada ponto de vista é um ponto.

Ninguém nessa vida é unanimidade. Como dizem por aí, numa visão mais religiosa-cristã, “nem Jesus é” imagina se eu iria querer essa proeza.

Somos movidos pelas afinidades... Bem que na física tentaram explicar a atração de coisas opostas... Mas como a física não explica tudo e como estamos abertos a não acreditar e discordar das explicações da ciência, eu discordo então.

Discordo, então, a partir de um ponto de vista: Socialista.

Discordo que tenha que ser benevolente com alguém que faz escolhas pelo sofrimento alheio da/o outra/o que conscientemente explora alguém no sentido de sua sobrevivência.

Discordo que tenha que insistir em estimular mudanças naqueles que já fizeram escolha, dita definitiva, pelo sistema capitalista, que tem no seu cerne a desumanização e a exploração do ser humano por si mesmo.

Discordo que tenha que me submeter a gostar de comportamentos que afirmam esse sistema. Até posso suportá-los... Afinal depois de anos submetidos aos fetiches dele é difícil de nos libertarmos desses comportamentos.

Todavia é bom deixar claro que não discordo de maneira dogmática (imutável), discordo de forma ortodoxa (fiel) e dialogável, ou seja, discordo a partir de um ponto de vista dialógico, dialético e materialista- histórico; socialista, com opção de classe definida- a classe trabalhadora.

Não sou definitivamente dona de verdades absolutas, só defendo as minhas verdades com afinco! E como sou humana, suscetível a erros e acertos, tenho clareza de que as minhas verdades podem estar equivocadas. Estou aberta a reconhecer meus equívocos... É assim que venho caminhando: tentando acertar...


Ângela Pereira.

28 de dezembro de 2009.

João Pessoa-PB.

domingo, 27 de diciembre de 2009

DECLARAÇÃO FINAL DA ASSEMBLEIA DA FRENTE NACIONAL PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DAS MULHERES E PELA LEGALIZAÇAO DO ABORTO.


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Recrudesce no Brasil um processo de criminalização dos movimentos sociais, organizações e militantes. Isto para bloquear o avanço das lutas por direitos e transformação social. No caso da luta das mulheres não é diferente.

Forças patriarcais tradicionais, constituídas pelas oligarquias, a ultra direita fascista e setores fundamentalistas das igrejas cristãs, nos últimos anos deslancharam um processo de perseguição e criminalização da luta das mulheres por autonomia e autodeterminação reprodutiva atingindo em primeiro lugar as mulheres que recorreram a prática do aborto e aqueles/as que as apóiam.

Numa perversa aliança entre neoliberais e conservadores, vivemos uma conjuntura de cerceamento do direito ao debate democrático sobre a problemática do aborto, ao mesmo tempo em que cresce no Estado o poder e influência destas forças. Ocupam o parlamento, os espaços de controle social e avançam no controle da gestão da rede pública de educação e de saúde, e nesse caso, ameaçando os princípios do SUS com impacto negativo na qualidade do atendimento às mulheres. Dados de estudos e pesquisas sobre a mortalidade de mulheres comprovam que, pela magnitude da proporção de mulheres negras mortas nos serviços de saúde, configura-se num verdadeiro genocídio perpetrado pelo Estado brasileiro contra esta população.

As forças patriarcais, religiosas ou não, atuam também na base dos partidos políticos e movimentos sociais, disputando ideologicamente o debate de projeto de sociedade junto à juventude e à ampla parcela cristã dos/as militantes e dirigentes. Por este estratagema tentam impor sua doutrina religiosa, visão de mundo e visão sobre as mulheres, a sexualidade e a reprodução humana.

A adesão ao ideário conservador no campo da sexualidade e reprodução construiu as contradições que hoje enfrentamos nos partidos de esquerda e nos movimentos do campo democrático popular, que, construindo um projeto libertador, recuam em propostas libertárias quanto à autonomia das mulheres.

Hoje no Brasil, parte dos algozes da inquisição com suas vestes e capuzes tem uma nova face: o paletó, o jaleco branco, a toga, que no legislativo, nos tribunais, serviços de saúde, delegacias se arvoram a prender, julgar, punir e condenar as mulheres que, em situação limites de sua vida, optaram pela prática do aborto como ultimo recurso diante de uma gravidez indesejada.

Temos hoje uma das piores e mais reacionária legislatura no Congresso Nacional desde a ditadura, que ataca os movimentos sociais pela via das CPIs, entre elas a CPI do Aborto, ao mesmo tempo em que aprova a concordata entre o Brasil e o Vaticano, uma ameaça ao princípio da laicidade do Estado brasileiro.

Nesta conjuntura, nós integrantes da Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto reafirmamos:

- nosso compromisso com a construção da Frente formada por movimentos sociais e setores democráticos brasileiros;
- nosso compromisso com a defesa radical das mulheres e movimentos sociais engajados nas lutas sociais;
- nosso compromisso de não abandonar e prestar solidariedade a todas as mulheres que precisaram recorrer ao aborto,
- nosso compromisso com a construção de um Brasil justo e democrático.
Convocamos todas as mulheres a mobilizarem sua inquietude, rebeldia e indignação na luta feminista em defesa das mulheres;
Convocamos os setores democráticos a somarem-se em aliança contra a criminalização das mulheres e dos movimentos sociais;
Não aceitamos qualquer proposta de plebiscito sobre o tema do aborto. Esta prática não pode ser transformada em questão plebiscitária. Esta é uma questão de foro íntimo de cada uma de nós mulheres. As mulheres devem ter garantida a sua capacidade moral e soberana de tomar decisões sobre suas vidas.
Exigimos dos poderes da República a observância dos Tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário e observância das resoluções das Conferências de Políticas para Mulheres, cumprindo a revisão, coordenada pela SPM em 2005, da legislação que pune o aborto e avançando na sua legalização nos termos da proposta consensuada no âmbito da Comissão Tripartite formada pela sociedade civil, executivo e legislativo.

Nenhuma mulher deve ser presa, punida, maltratada ou morrer pela prática do aborto.

Pela autonomia e cidadania de todas as mulheres! Pelo fim da criminalização das mulheres!

Pela legalização do aborto!
São Paulo, 07 de Dezembro de 2009