miércoles, 13 de enero de 2010

Com sinceridade:

Às vezes as mesmas palavras que se unem em prosa e em verso com tamanha congruência, separam-se e perdem sentido diante das inconstâncias da estima e da vida.

Estou me sentindo assim: como letras soltas, mas mesmo assim às vezes, com muito sentido e direção e persuasivas pela lúcida clareza que se juntam em palavras. Mas, na maioria das vezes, como letras que se juntam em palavras que não têm liga. Palavras sem liga, sem preposição (para que ou para quem, de que ou de quem, com que ou com quem...) ficam ao léo num dicionário para serem decifradas ou pegas quando alguém lhes acha conveniente.


(...)

Ângela Pereira

13 de janeiro de 2010.

martes, 12 de enero de 2010

: º ) ? -------> Devaneios poéticos e inconstantes...

Eh... há muito o que se avançar( incluo-me) na sensibilidade das relações humanas...Palavras bem/malditas ganham dimensões que a gente nem mesmo imagina que elas ganhariam... mas é assim... palavras às vezes parecem ter vida própria... somente parecem. Porque elas sem corpo, sem gestos, sem sons, sem contexto são só meras palavras sem sentido! E viver sem sentido... é sem sentido! Há também muito o que se avançar na percepção do tempo certo de se dar passos... avançar sem respeitar o tempo do (sentimento/sofrimento) do outro e querer forçar algo que não existe é inconsequente.

Ando vivendo sentido e buscando sentido... isso é o que importa!

Ângela Pereira.
12 de janeiro de 2010.

lunes, 11 de enero de 2010

Meu corpo

O meu corpo não é apenas barreira forte

Grande barreira que assusta os baixos...

Que desafia os altos.

Que subestima os medianos...


O meu corpo é barreira cheia de frestas...

Por onde sinto o mundo

Por onde circula a brisa...

Por onde corre sangue...

De onde exalam perfumes...

De onde fluem gestos parcos...

De onde saltam palavras...

Sentidas e (Res)sentidas


O meu corpo

Pode ser opaco...

Ou translúcido!

Depende de quem o ver!


O meu corpo tem fala própria!

Só não percebe quem não quer ver!


Os insensíveis que dele só esperam voz...

Jamais entenderão a dona dele...

Não pela suposta mudez...

Mas pela pouca capacidade de praticarem a insensatez...


Ângela Pereira.

11 de janeiro de 2010.


Insexpira!

Ins

Ex

Ins

Ex

Ins

Ex

Ins...

Ex

Ins...

Ex

pIRa!!!

ariP!!!

Pira!!!

"Escrevo para me manter viva." (Clarice Lispector)


viernes, 8 de enero de 2010

Moço, cuidado com ela!

Moço, cuidado com ela!

Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...

Imagine uma cachoeira às avessas:

Cada ato que faz, o corpo confessa.

Cuidado, moço

Às vezes parece erva, parece hera

Cuidado com essa gente que gera

Essa gente que se metamorfoseia

Metade legível, metade sereia.

Barriga cresce, explode humanidades

E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar

Mas é outro lugar, aí é que está:

Cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..

Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente

Que vai cair no mesmo planeta panela.

Cuidado com cada letra que manda pra ela!

Tá acostumada a viver por dentro,

Transforma fato em elemento

A tudo refoga, ferve, frita

Ainda sangra tudo no próximo mês.

Cuidado moço, quando cê pensa que escapou

É que chegou a sua vez!

Porque sou muito sua amiga

É que tô falando na "vera"

Conheço cada uma, além de ser uma delas.

Você que saiu da fresta dela

Delicada força quando voltar a ela.

Não vá sem ser convidado

Ou sem os devidos cortejos...

Às vezes pela ponte de um beijo

Já se alcança a "cidade secreta"

A atlântida perdida.

Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.

Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas

Cai na condição de ser displicente

Diante da própria serpente

Ela é uma cobra de avental

Não despreze a meditação doméstica

É da poeira do cotidiano

Que a mulher extrai filosofando

Cozinhando, costurando e você chega com mão no bolso

Julgando a arte do almoço: eca!...

Você que não sabe onde está sua cueca?

Ah, meu cão desejado

Tão preocupado em rosnar, ladrar e latir

Então esquece de morder devagar

Esquece de saber curtir, dividir.

E aí quando quer agredir

Chama de vaca e galinha.

São duas dignas vizinhas do mundo daqui!

O que você tem pra falar de vaca?

O que você tem eu vou dizer e não se queixe:

Vaca é sua mãe. de leite.

Vaca e galinha...

Ora, não ofende. enaltece, elogia:

Comparando rainha com rainha

Óvulo, ovo e leite

Pensando que está agredindo

Que tá falando palavrão imundo.

Tá, não, homem.

Tá citando o princípio do mundo!


(ELISA LUCINDA)



martes, 5 de enero de 2010

Consentimento.

O que me consome não tem nome

Não tem sabor

Nem cor

Nem cheiro


O que me consome não tem forma

Não tem movimento

Não é grande nem pequeno

Nem alto nem baixo


O que me consome não tem forças

Mas suga

Espedaça

Aperta

E joga no lixo resquícios de...


É tão sem graça...

Tão vazio...

Que tenho até vergonha de lhe dar cabimento.


Mais tarde o prenderei no buraco negro.

E durante o dia o deixarei ir embora

Na esperança de um consentimento.


Ângela Pereira.

05 de janeiro de 2010.

lunes, 4 de enero de 2010

A escrita do mundo.

Se eu me dispuser a escrever o mundo,

Terei muita imaginação sobre o que escrever.

Mas não quero apenas imaginar

Quero viver o mundo!

Mas também quero escrevê-lo.

E agora?

É preciso se inventar uma nova maneira de viver!


Então, viverei escrevendo

E escreverei vivendo.


Sentirei escrevendo

Escreverei sentindo


Cantarei escrevendo

Escreverei cantando


Amarei escrevendo

Escreverei amando


Dançarei escrevendo

Escreverei dançando


Escreverei escrevendo

Escreverei escrevendo


Lutarei escrevendo

Escreverei lutando


Realizarei escrevendo

Escreverei realizando


Percebi que o futuro já é presente!

Escrevo vivendo

VIVO escrevendo!


Ângela Pereira.

04 de janeiro de 2010.

O silêncio: respiração contínua do mundo.

Quero que o mundo respire!!!

Quero um pouco de silêncio pela vida do mundo!
Quero um pouco de silêncio pela vida
Quero um pouco de silêncio
Quero um pouco
Quero um
Quero

Ângela Pereira.
04 de janeiro de 2010.


Dá-me tua mão.

Clarice Lispector

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

viernes, 1 de enero de 2010

A militância se torna cada vez mais séria e necessária!

Mais um ano se passou...

Entre mortos e feridos vamos resistindo...

Alimentando-nos com a mística revolucionária socialista...

E se indignando com a dor da/o companheira/o de classe.

Indignando-se com a destruição do planeta,

Da natureza e do próprio ser humano por ele mesmo.


A capacidade humana de autodestruir-se não é mais novidade.

Mesmo que queiram nos vendar, o planeta reclama...

Sentimos muito mais calor ou muito mais frio...

Chovem pedras de gelo ou neva demais...

Ou nas ruas, as calçadas estão cheias de pessoas que dormem ao relento,

De grande número de desempregados e de trabalhadores informais,

De crianças pedintes, de jovens e mulheres exploradas...


Muitos lutadores e lutadoras foram criminalizados

Por quererem uma sociedade justa...

Muitos morreram...

Muitos ainda continuam debaixo de lonas...

Em cortiços... Abaixo de viadutos.

Mas continuamos firmes e fortes

Alimentados pela certeza de que esse sistema

Não nos serve e de que é preciso destruí-lo.


Muitos, todavia, fraquejaram...

Trocaram de lado...

Substituíram o discurso radical,

Vinculado às necessidades reais da classe trabalhadora

Ao discurso fácil do possível!

Da pseudodemocracia.

O dinheiro, fetiche do capital, falou mais alto!

E gerindo a crise, numa confortável posição, continuarão...


A burguesia ri em mesas fartas

À custa do suor da classe trabalhadora...

A burguesia é cada vez mais cínica...

Encoberta a postura carrasca,

Com falsos discursos de responsabilidade social,

Desenvolvimento sustentável,

De cidadania...

O inimigo está difuso e com várias caras,

Mas todos vestem terno e gravata com o linho da exploração.


Os alimentos estão doentes com uso de agrotóxicos.

As sementes que trazem vida, já nascem mortas com os transgênicos.

Têm alimentos, mas onde estão?

Tem terra pra plantar, mas estas permanecem

Nas mãos de latifundiários e de grandes transnacionais.


Água e energia continuam sendo mercadorias.

Os altos preços da energia são covardia!

Há tempos, mercantilizaram a cultura,

E, como indústria cultural,

Usam-na pra alienar as massas.


As mulheres sustentam grande peso desse sistema,

Na reprodução social dele à mulher

Cabe o papel de procriar, limpar, lavar, passar

E dispor o corpo dela para ao patriarcal prazer dar.

Não tem direito a decidir pelo aborto

E sofrem violências profundas que marcam a alma!


O amor também é mercadoria,

“perdeu” a essência e na aparência,

É limitado e superficial.

A propriedade privada dita as relações.


Do lado de cá, quanto mais se explora a classe trabalhadora,

Mas é imperativo não fraquejar

E a luta continuar!


É pelos sorrisos de quem tem força criativa.

Pela capacidade de amar adormecida

Na dureza dos corpos cansados.


É pelo desejo de sentir os prazeres

Mais sinceros e carregados de solidariedade.


É pelo desejo do trabalho criativo

O tempo da arte ativo.


É pelo comum aos comuns

É pelo socialismo

É pelo comunismo

Que a militância se torna cada vez mais séria e necessária!


Ângela Pereira

Consulta Popular na Paraíba.

1º de dezembro de 2010.

Feliz Ano novo!!!!

Sobre a música.
É pra isso que a arte existe: sublimar as nossas dores e alegrias.
Só não vale fingir demais.
Nem todo mundo que ver a felicidade do outro.
Mesmo assim.. vamos lá seguindo com quem está com a gente e conquistando corações e mentes pro projeto chamado Liberdade!

O Homem Falou
Composição: Gonzaguinha

Pode chegar
Que a festa vai
É começar agora
E é prá chegar quem quiser
Deixe a tristeza prá lá
E traga o seu coração
Sua presença de irmão
Nós precisamos
De você nesse cordão...

Pode chegar
Que a casa é grande
E é toda nossa
Vamos limpar o salão
Para um desfile melhor
Vamos cuidar da harmonia
Da nossa evolução
Da unidade vai nascer
A nova idade
Da unidade vai nascer
A novidade...

E é prá chegar
Sabendo que a gente tem
O sol na mão
E o brilho das pessoas
É bem maior
Irá iluminar nossas manhãs
Vamos levar o samba com união
No pique de uma escola campeã...

Não vamos deixar
Ninguém atrapalhar
A nossa passagem
Não vamos deixar ninguém
Chegar com sacanagem
Vambora que a hora é essa
E vamos ganhar
Não vamos deixar
Uns e outros melar...

Oô eô eá!
E a festa vai apenas
Começar
Oô eô eá!
Não vamos deixar
Ninguém dispersar
(O Homem Falou)...(final 2x)