jueves, 27 de febrero de 2014

Mujeres con la revolucion bolivariana! MMM


MUJERES CON LA REVOLUCION BOLIVARIANA DE VENEZUELA
DEFENDEMOS LA DEMOCRACIA Y LA VIDA: NO A LA VIOLENCIA GOLPISTA



Un nuevo episodio en la escalada de desestabilización contra la democracia y la Revolución Bolivariana de Venezuela ha ocurrido en este mes de febrero. Las acciones generadas por opositores internos e internacionales evidencian, cada vez más, una estrategia que anuda viejas y nuevas formas de violencia buscando implantar un ambiente de guerra contra el pueblo, que las mujeres latinoamericanas denunciamos y repudiamos.


·      Denunciamos la violencia económica, que se despliega constantemente por medio de la especulación, el acaparamiento de productos básicos para crear escasez, los rumores para generar pánico, el ataque y boicot a los bienes y servicios públicos. Todo esto se traduce en una alteración de las condiciones y calidad de vida de las mujeres y de las familias, abocadas a resolver en lo cotidiano su sobrevivencia en medio de la adversidad, lo que supone más y más trabajo y desgaste emocional.



·      Denunciamos la violencia política y social, ejercida por medio de episodios desestabilizadores y golpistas como el de estos días y de ataques sistemáticos a las instituciones y decisiones democráticas de un país que, como ningún otro en estos tiempos, ha promovido y respetado la soberanía popular expresada en 19 procesos electorales.  A esto se suma el ataque abierto a la organización popular, acosada por violencia directa, por la criminalización mediática, por los rumores difamatorios.


·      Denunciamos la violencia mediática, que no conoce límites en su infame tarea de desinformar, de mentir y fraguar versiones alteradas de los hechos, para proyectar al mundo falsas imágenes de una sociedad dividida en dos bandos, o incluso de una sociedad levantada contra un gobierno ilegítimo, cuando la realidad muestra un pueblo y un gobierno acosados por la escalada desestabilizadora que impulsan élites y poderes nacionales e internacionales. Esta violencia mediática afecta los derechos y dignidad del pueblo bolivariano como también el derecho de todos los pueblos del mundo de tener acceso a información veraz y fidedigna.


·      Denunciamos la violencia armada, que hemos visto en estos días en la actuación de grupos de perfil paramilitar, cuyas acciones dejan ya un saldo de seis víctimas mortales y numerosos heridos.  Alertamos sobre la peligrosidad extrema de esta forma de violencia, que siembra la muerte y el terror para inducir un escenario de conflicto y caos que justifique cualquier intervención.


·      Denunciamos la violencia imperialista, que no ha cesado en sus maniobras de intervencionismo, usando medios de todo tipo, en sus afanes de poner fin a la Revolución Bolivariana, a los procesos de integración alternativa, de recuperar y ampliar el control político, económico y cultural en Venezuela y en la región.

Convocamos a todas las mujeres de la región y del mundo a mantener, desde hoy, una campaña permanente de denuncia de estos hechos violentos, de sus impactos en la vida de las mujeres y el pueblo venezolano, de acompañamiento a nuestras hermanas que se encuentran en pie de lucha para defender el camino democrático y soberano de la Revolución Bolivariana, y de apoyo incondicional a la alternativa de PAZ que enarbolan el gobierno y el pueblo.

Convocamos a conmemorar el legado y la presencia del compañero eterno Hugo Chávez, cuyo compromiso feminista confluye ya con la celebración del Día Internacional de las Mujeres.

Hacemos nuestra la consigna de nuestras hermanas bolivarianas:

POR LA MATRIA, POR LA PAZ y POR LA VIDA

Marcha Mundial de las Mujeres – América Latina
Red Latinoamericana Mujeres Transformando la Economía –REMTE

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martes, 25 de febrero de 2014

Carta da MMM- 8 de março de 2014.





CARTA DO 08 MARÇO DE 2014
Feminismo em Marcha para Mudar o Mundo

Neste 8 de março, dia internacional de luta das mulheres, nós da Marcha Mundial das Mulheres reafirmamos com nossa presença nas ruas que o feminismo é um movimento popular que está e continuará em luta denunciando a opressão vivida por nós nesse  sistema que combina o patriarcado com o capitalismo, a desigualdade, o racismo, a lesbofobia e a destruição da natureza.
As mulheres do mundo inteiro resistem à ofensiva do capitalismo que apresenta “falsas soluções” baseadas na expansão do mercado como mais exploração dos recursos naturais, novas tecnologias de controle do nosso corpo, da natureza e do conhecimento. As respostas do capital para tentar sair de sua crise e aumentar suas taxas de lucro são falsas soluções que só promovem a opressão com mais concentração de renda, militarização, criminalização das lutas por meio de um processo violento dos Estados.
Em uma sociedade baseada no incentivo do consumo orientando a vida e as relações, percebemos a expansão da mercantilização em todas as dimensões. Isso se dá especialmente com a exploração do corpo das mulheres, desde a indústria da beleza, até o tráfico e a prostituição. Nosso corpo é constantemente controlado e regulado a partir de padrões morais de sexualidade que estimulam a violência e a discriminação de lésbicas, em uma sociedade em que tudo gira a favor do prazer dos homens e, para as mulheres, a maternidade continua sendo uma obrigação.
Denunciamos a imposição da maternidade como destino obrigatório das mulheres e reafirmamos a autonomia de decisão sobre os nossos corpos. Exigimos o direito de decidir se queremos ou não manter uma gravidez indesejada. Para isto lutamos pela legalização do aborto realizado pelo SUS de forma gratuita e segura.
Repudiamos a cooptação do discurso feminista “meu corpo me pertence” para “meu corpo é meu negócio”. Por isso, somos contra o projeto do Dep. Jean Wyllys que, ao invés de contribuir para a melhoria de condições de vida das mulheres prostituídas, legaliza a cafetinagem, consolida a sexualidade como um serviço comercial de compra e venda, e aprofunda a exploração das mulheres. Refirmamos nosso compromisso na luta pelo fim da prostituição e nossa solidariedade com as mulheres que se encontram nessa situação. Denunciamos a máfia milionária da prostituição e da pornografia que se apresentam com a maquiagem da indústria do lazer e do entretenimento.
Denunciamos as grandes obras e mega eventos como copa do mundo e Formula 1 como espaços para naturalizar a prostituição, facilitar o trafico de mulheres e meninas e como uma forma de aprofundar a pobreza e desorganizar a vida da população pobre, via remoções de favelas e terrenos ocupados. Denunciamos a FIFA como uma máfia cada vez mais autoritária e corrupta e reivindicamos o esporte como um direito das mulheres como atividade de lazer, integração e amizade entre os povos.
Neste dia de luta, nos solidarizamos com as mulheres e meninas do Brasil e de todo mundo que sobrevivem e lutam contra a violência que sofrem em casa, nas ruas, no trabalho e as mulheres vítimas de conflitos produzidos e estimulados pelo imperialismo.
Denunciamos a impunidade e lentidão da justiça brasileira, em especial nos casos de estupro de meninas na cidade de Coari, Amazonas, onde o prefeito Adail Pinheiro, pratica pedofilia, alicia e compra meninas para a exploração sexual há mais de 10 anos. Exigimos que este caso seja tratado pela justiça nacional já que os órgãos do Estado do Amazonas tem sido conivente com a situação.
Exigimos que o Estado Brasileiro não aceite mais nenhuma morte de mulheres e meninas vítimas da violência sexista e que implemente a lei Maria da Penha em sua totalidade. Para isto, os estados e municípios devem aplicar recursos em políticas de enfrentamento a violência e o judiciário precisa enfrentar o machismo dos juízes e outros profissionais do setor.  Queremos outro modelo de segurança que garanta o efetivo combate à violência contra a mulher e que não sirva para criminalizar os movimentos sociais e a pobreza. 
Estamos em luta para transformar o modelo de produção e consumo. Por isso, denunciamos a imposição dos agrotóxicos e das sementes transgênicas que geram dependência das agricultoras e agricultores. Denunciamos os projetos de irrigação para beneficiar o agronegócio como o projeto do Perímetro Irrigado da Chapada do APODI, no Rio Grande do Norte, que, se concluído, destruirá a organização e produção das trabalhadoras desta região. Conclamamos todas a resistir e lutar! 
Nos somamos à luta dos movimentos do campo para que as prioridades do governo, hoje, voltadas para o agronegócio se revertam para a reforma agrária, demarcação das terras indígenas e quilombolas como único caminho para garantia de soberania alimentar livre de transgenia, de veneno no ar, na água e na terra e nos alimentos que chegam a nossa mesa.
A estrutura patriarcal do Estado brasileiro não exclui apenas as mulheres da política, como também exclui as mulheres da própria cidadania. Isso coloca barreiras para o avanço das nossas reivindicações históricas, como o combate mais efetivo a violência contra as mulheres, a descriminalização e a legalização do aborto e, principalmente, a implementação de políticas que garantam a autonomia das mulheres sobre suas vidas e seus corpos.
No Brasil, embora tenhamos uma presidenta e sejamos 51% do eleitorado, ocupamos menos de 10% do senado e menos de 9% na câmara de deputados. Os mecanismos que nos afastam dos espaços de poder e decisão, são: a dupla jornada de trabalho, a falta de financiamento público para campanhas, a insuficiência de políticas públicas como creches, educação infantil em período integral, dentre outras.
Para despatriarcalizar o Estado e a política é preciso radicalizar a democracia e construir espaços e processos efetivos de participação popular. Essa é nossa agenda para 2014, ano em que construímos com mais de cem movimentos sociais o plebiscito popular por uma constituinte exclusiva, soberana e popular sobre o sistema político.
Conclamamos às mulheres para a auto-organização e afirmamos nossa estratégia de fortalecimento como sujeito político que constrói uma força mundial em aliança com os movimentos sociais.
Nesse 8 de março de 2014 renovamos nosso compromisso na luta por um mundo anticapitalista, antirracista e antilesbofóbico, por uma sociedade baseada nos valores de liberdade, igualdade, justiça, paz e solidariedade.

Marcha Mundial das Mulheres

domingo, 16 de febrero de 2014

Inspiração: Viver sem tempos mortos ( Beauvoir).

VIVER SEM TEMPOS MORTOS

A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice.

O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim ... provisoriamente!

Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. 

O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo.

Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida.

Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.

 Na voz de Fernanda Montenegro.

"O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo."

http://www.youtube.com/watch?v=4gcBeOqNdpU


Ultrapassemos!

domingo, 9 de febrero de 2014

Só citando Conceição Evaristo: "A noite não adormece nos olhos das mulheres"

Depois de tanto tempo sem postar  algo, ainda apenas reproduzindo, venho aqui inspirar-me com Conceição Evaristo que exauta as vigilantes e resistentes mulheres.

( Fotografia de  Giovanni Marrozini : "la nouvelle-semence 1")



A noite não adormece nos olhos das mulheres

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
a lua fêmea, semelhante nossa,
em vigília atenta vigia
a nossa memória.

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
há mais olhos que sono
onde lágrimas suspensas
virgulam o lapso
de nossas molhadas lembranças.

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
vaginas abertas
retêm e expulsam a vida
donde Ainás, Nzingas, Ngambeles
e outras meninas luas
afastam delas e de nós
os nossos cálices de lágrimas.

A noite não adormecerá
jamais nos olhos das fêmeas
pois do nosso sangue-mulher
de nosso líquido lembradiço
em cada gota que jorra
um fio invisível e tônico
pacientemente cose a rede
de nossa milenar resistência.

(Conceição Evaristo – Em memória de Beatriz Nascimento)

sábado, 21 de diciembre de 2013

Quando a poesia não sai, o corpo fala...


Aproveitei  para dar uma passada e lembrar de um das coisas que me movem, postando  uma poesia de Viviane Mosé.

Essa é para quem anda retendo poesia, inclusive eu.

Doenças


Muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão
mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema
pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima
lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema
palavra suor é melhor do que palavra cravo
que é melhor do que palavra catarro
que é melhor do que palavra bílis
que é melhor do que palavra ferida
que é melhor do que palavra nódulo
que nem chega perto da palavra tumores internos
palavra lágrima é melhor
palavra é melhor
é melhor poema

Viviane Mosé

Viviane Mosé (Espírito Santo16 de janeiro de 1964) é poetisafilósofapsicóloga psicanalista e especialista em elaboração e implementação de políticas públicas. Mestre e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Publicou sua tese de doutorado Nietzsche e a grande política da linguagem em 2005 pela editora Civilização Brasileira. ( Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Viviane_Mos%C3%A9)

miércoles, 11 de diciembre de 2013

Ricardo Brindeiro segue presente entre nós!


Passados 7 dias da despedida da presença física do querido Companheiro Ricardo Brindeiro, seguem as muitas homenagens de um homem extremamente querido pela solidariedade, alegria, simplicidade e opção de classe que fez. 

Ricardo Brindeiro segue presente entre nós!






Abaixo, socializo texto escrito pelo camarada Alder Júlio em homenagem ao lutador do povo: Brindeiro.












RICARDO BRINDEIRO, UM MILITANTE AMOROSO

Alder Júlio Ferreira Calado


Ricardo Brindeiro segue vivo entre nós, após sua grande viagem à Casa do Pai/Mãe, em cujos braços é acolhido, e com a festiva recepção de tanta gente querida que nos precedeu: Dom Oscar Romero, Dom Helder (que lhe ministrou as primeiras ordens menores), Margarida Maria Alves, Pe. José Comblin, Éliton Santana e tantas outras figuras venerandas.
Partiu, em sua grande viagem, aos seus densamente bem vividos 61 anos, ele que nasceu, em Recife, no dia 15 de agosto de 1952, numa família católica de classe média. Desde cedo, já revelava sinais de seu apreço à liberdade e de seu amor às pessoas, em especial aos pobres.
Em tenra juventude, experimentou um duplo apelo: à militância e à mística. Uma militância multiforme: nas pastorais sociais, no movimento estudantil, na política partidária, nos movimentos populares, nas organizações de base de nossa sociedade. De início, engajou-se em grupos de jovens da Igreja Católica. Depois, na militância estudantil universitária, em seu curso de Arquitetura, na UFPE, apoiando ou participando de campanhas de chapas do DCE.
Quanto ao apelo à mística, antes mesmo de sua tocante experiência de estudos no ITER (Instituto de Teologia do Recife), passa por uma repentina aventura: sem nada dizer em casa, põe-se a viajar mundo afora, indo parar em Óbidos – PA, em busca de uma experiência num Seminário franciscano. Durou pouco tempo. Mais tarde, quis vivenciar uma experiência ecumênica, tendo sido acolhido pelo conhecido monge Michel Bergman e demais irmãos na Comunidade de Taizé, em Alagoinhas, na Bahia. Tempo de fecundo encontro com Deus, nos irmãos. Aí também chegou a contribuir como arquiteto, projetando a capela desta Comunidade.
Foi, porém, no Instituto de Teologia do Recife (ITER), onde vem a ter o auge de sua experiência de formação teológica, tendo sido inspirado por figuras docentes como Humberto Plummen, René Guerre, Ivone Gebara, Sebastião Armando, Eduardo Hoornaert, Marcelo Augusto, além de tantos colegas de ITER espalhados por esse Nordeste, inclusive aqui em João Pessoa, a exemplo do Pe. Antônio Paulo Cabral de Melo.
Estudando no ITER, não abriu mão de morar e trabalhar intensamente com a Comunidade da Favela Brasília Teimosa, onde, pela imposição das mãos de Dom Helder, chegou a receber as Ordens Menores, tendo depois decidido seguir outras trilhas de militância junto ao povo dos pobres.
Vivia-se, no Brasil, um período de intensa efervescência dos movimentos populares, na qual a chamada “Igreja na Base” tinha um lugar de destaque, seja pela densa atuação das CEBs, das pastorais sociais (CIMI, Pastoral da Terra, Pastoral Operária, Pastoral da Juventude do Meio Popular e outras), do CEBI. Duas participações de Ricardo aí merecem destaque: sua contribuição, na área musical, no processo de elaboração do Ofício das Comunidades e de outros cantos litúrgicos, com Pe. Reginaldo Veloso e o o pessoal do Morro da Conceição. Também, ele conta com entusiasmo sua participação ao lado de várias figuras que atuaram na famosa Missa dos Quilombos, em começos dos anos 80.
Nessa época, também, juntamente com todo o povo dos pobres da Arquidiocese de Olinda e Recife, viveu tempos sombrios, logo após a resignação (aposentadoria) de Dom Helder, no augre da perseguição à “Igreja dos Pobres”, comandada pelo Vaticano. Para suceder a Dom Helder, o Vaticano nomeia Dom José Cardoso. Este arcebispo não tardou em comandar a vasta operação de desmonte, punindo, expulsando e substituindo os agentes de pastoral que animavam, à luz da Teologia da Libertação, a caminhada do Povo de Deus, naquela arquidiocese.
Uma dessas medidas punitivas voltou-se contra a Comunidade do Morro da Conceição, animada pelo Pe Reginaldo Veloso. Este também foi substituído. A comunidade reage à destituição de Pe. Reginaldo e à sua substituição pelo Pe. Constante. Com o propósito de “tomar posse”, o novo vigário pede a chave da Matriz, guardada pelo povo. O povo se reúne, faz uma manifestação, na qual também Ricardo estava presente, e até compôs uma música de resistência, tematizando o sentido de chave. O estribilho da música dizia:: “A chave, a chave / A chave eu não dou / A chave é de Pedro / Que é pescador.” A propósito,  lembra o Pe. Paulo Cabral que “No processo de reintegração de posse, movido pela arquidiocese, o oficial de justiça, com todo o respaldo policial, quebra os cadeados e abre a Igreja.”
Recém-casado com Ana Gusmão, após um período de trabalho de Ricardo junto à FASE, decide o jovem casal vir fazer uma experiência missionária em João Pessoa, a convite dos Missionários Mazzianos, no Alto do Mateus, no final dos anos 80, com a mediação de Pe. Robson, e com a entusiástica acolhida da Comunidade Mazziana, animada por figuras muito queridas, entre as quais o Pe. Carlos Avanzi, o Pe. Dario Vaona, o Pe. Lorenzo e as Religiosas da mesma Congregação.
Na companhia da comunidade mazziana, ele e Aninha passam a animar várias atividades educativas, em especial o Projeto de Educação Popular“Beira da Linha”, desenvolvendo uma série de atividades educativas com as crianças, adolescentes e jovens do bairro: desde teatro, música a outras atividades pedagógicas, sempre numa perspectiva de formação da consciência cidadã.
Graças a essas atividades com a moçada do bairro, inclusive por meio de distintas iniciativas lúdicas – quantos milagres fez Ricardo com seu violão e suas paródias! - vai brotando uma nova consciência na comunidade, de modo a despertar um fecundo sentimento de protagonismo, inclusive no plano político. Várias ações, vários atos públicos foram então realizados, por melhorias concretas das condições de vida daquela comunidade.
Por esse tempo, Ricardo contribuiu ativamente nos debates e iniciativas relativas ao Estatuto da Criança e do Adolescente, contribuiu com o Centro de Direitos Humanos Margarida Maria Alves, do qual foi presidente. Militante do PT, chegou a candidatar-se a Vereador. E, sobretudo, tornou-se o principal ícone em sucessivas manifestações e atos públicos realizados pelos movimentos sociais, pelas pastorais e pelas organizações de base de nossa sociedade, animando com suas canções, com seu violão, com suas palavras de orem...
Nos últimos anos, como membro da assessoria do Mandato do Dep. Luiz Couto, do PT, ocupou o melhor do seu tempo colaborando com qualidade com as reuniões e debates dos movimentos sociais, em especial a Consulta Popular, a Assembléia Popualr, de cujas reuniões e encontros era dos mais assíduos, ora ajudando a construir o Grito dos Excluídos e Excluídas, ora participando de comissões de organização, etc. Nesse sentido, entendo a ação de Ricardo Brindeiro como a de um intelectual orgânico a serviço dos “de baixo”, em especial em sua atuação na prática prática.
Homem de fé que, desde sua humilde e espontânea disposição em se nos apresentar, primeiro, como pecador,  não hesita em explicitar sua fé, ao seu modo (com fome diária de Eucaristia, assíduo exercício das leituras do dia, inclusive em seu período de grande provação), estava sempre disponível para participar dos encontros do Movimento Fé e Política e de tantas atividades das CEBs e da “Igreja na Base”. Fez também parte do Conselho de Justiça e Paz, criado por Dom Marcelo Carvalheira, na Arquidiocese da Paraíba.
Merece destaque sua participação no Grupo Kairós/Nós Também Somos Igreja, grupo iniciado por inspiração do Pe. José Comblin, desde 1998, e que já há vários anos, se reúne semanalmente na UFPB, do qual Ricardo foi um dos membros mais assíduos, a debater temas delicados de conjuntura eclesial, textos de teólogos e teólogas da Libertação, etc.
Para quem não o conhecia de perto, talvez tenha sido surpresa a densa festa de alegria e esperança em que se transformou seu velório, celebrado tanto em Recife (dia 3/12, dia de sua páscoa definitiva) quanto no Alto do Mateus (em João Pessoa, dia 4/12). Aqui, na Igreja de São Mateus, a comunidade do Alto se fazia presente com muita força. Também amigos e amigas tantas de outros bairros, de outros municípios, de outros Estados. Presentes sua esposa Ana, seus filhos Mateus e Francisco. Não bastassem os depoimentos e testemunhos de tanta gente, como esquecer o testemunho prestado pelo seu filho Mateus, de 25 anos, a expressar o rico legado do pai, fundado na pedagogia do exemplo e da amorosidade, manifesta inclusive nos momentos de dar bronca nos filhos. Antes de nos dizer qualquer coisa, tomava seu violão, tocava/cantava uma música, olhava para nós e nos falava o que tinha a nos dizer.
Também não me foi surpresa a mensagem recebida de Pe. Reginaldo Veloso, hoje, dia 6/12, dando conta de que “Ricardo Brindeiro e Madiga, Nelson Mandela são os grandes sinais de Natal deste ano de 2013.” Sentimento que fazemos nosso!
Com seu jeito amoroso de ser e de militar, Ricardo se torna figura emblemática de militante de um novo tipo. Distanciando-se daquele perfil sisudo e enrijecido, Ricardo testemunhava sinais de bondade, abertura, amorosidade a temperar sua vida de profundo compromisso com a causa libertadora do povo dos pobres, na pespectiva do Seguimento de Jesus.
Obrigado, Ricardo! Você segue vivo e presente a nos inspirar práticas de amorosidade com o Planeta, com os humanos e com toda a comunidade de viventes, pelas trilhas do Reinado de Deus!


João Pessoa, 6 dezembro de 2013.





martes, 3 de diciembre de 2013

Saudades de quem vai, iluminando quem fica: Ricardo Brindeiro presente! presente! presente!


Hoje, 03 de dezembro de 2013, o mundo perdeu um lutador do povo que durante muitos dias de sua vida trilhou seu caminho acreditando na possibilidade de que possamos, trabalhadoras/es unidos,  mudar o mundo, acabando com as opressões e injustiças que nos atingem: Ricardo Brindeiro.

Ao receber hoje pela manhã uma ligação telefônica de um companheiro para me informar da despedida de Ricardo Brindeiro, uma lágrima caiu dos olhos e a saudade apertou o peito. Ao longo do dia várias lembranças passaram por minha mente, sendo que todas foram de momentos extremamente alegres e de luta. Transformei minha tristeza em alegria. Não pela dor da perda de um camarada tão querido e generoso. Mas por gratidão de ter compartilhado com esse companheiro momentos extremamente significativos na minha vida. 
Com Brindeiro, iniciei a minha militância na Assembléia Popular, fazendo trabalho de base na comunidade do Alto do Mateus em João Pessoa. Entoando canções de luta e palavras de ordem contra os altos preços da energia. Também com Brindeiro estive em várias  reuniões e mobilizações de rua em que sua voz e seu fiel companheiro,o violão, fazia ressoar a mística para animar lutadoras e lutadores do povo na luta por uma sociedade justa. Esteve conosco no ato das Mulheres do Campo e da Cidade contra a violência e a impunidade, animando mais de 700 mulheres da Paraíba que reivindicaram o fim da violência contra as mulheres e a efetivação de políticas públicas dirigidas as mulheres vítimas de violência.
 Compartilhei com Brindeiro muitos momentos de risadas, brincadeiras e de generosidade. Uma carona em um momento difícil  da minha vida para rever minha família no Natal há cerca de um ano foi apenas mais uma expressão do tamanho da solidariedade que este homem era capaz de emanar em nome de uma sociedade de homens e mulheres livres.
Mesmo nos momentos mais difíceis do tratamento contra um câncer de pulmão , este homem manteve-se alegre, esperançoso e incentivando a união de lutadores e lutadoras para seguirem em frente.
Depois das várias lembranças, a tristeza foi. A saudade chegou, mas a luz  da alegria desse grande lutador ficará entre nós para nos lembrar que a luta se faz sorrindo e cantando.

"Viva a luta! Viva!
Nossa União! Quem são vocês? 
O povo unido outra vez.
Quem são vocês? O povo unido outra vez!"



domingo, 27 de octubre de 2013

Senhor Wang e o Deus da Fortuna- Teatro.

Escrevo para recomendar  aos/às amantes do teatro a participação no espetáculo   brechtiano " Deus da Fortuna"  do Coletivo Alfenin.  
( Fotografia de cena do espetáculo que mostra os colonos  em tempos da China Imperial se revoltando contra o patrão.)

Tive oportunidade de assistir e gostei bastante.  De forma lúdica a peça traz reflexões importantes sobre o capitalismo, abordando temas como o capital financeiro, o fetiche do capital,  mercantilização da vida, patriarcado,  consciência e luta de classes, revelando a complexidade da sociedade atual.

Segue abaixo uma sinopse  extraída do site do Coletivo Alfenin (http://teatroalfenim.blogspot.com.br/). 

Uma parábola sobre o capital em seu estágio global de volatilização. Narra a história de Wang, um proprietário de terras afundado em dívidas, na China Imperial. Zao Gong Ming, o Deus da Fortuna, surge à sua frente e lhe desvenda o futuro, com a condição de que seja erguido um Templo em sua honra. O proprietário deixará as formas primitivas de acumulação do capital para dedicar-se à especulação financeira.
 
O espetáculo, financiado pela Petrobrás, segue acontecendo até 16 de novembro, sempre nas sextas-feiras e sábados , às 20h, na Casa de Cultura  Cia da terra , na Praça Antenor Navarro (centro histórico) com entrada gratuita. 


lunes, 21 de octubre de 2013

Coisa de abestalhado: história para se contar na beira do Rio (de Janeiro).

Enquanto as esquinas  perigosas se misturam com as ruas penumbradas e solitárias, ouvimos zunidos.


De onde vem? Para onde vão? De quem são esses passos que caminham sem rumo, sem firmeza e sem esperança?



Pudera eu dizer que são pesadelos esses tempos de negrinhos com cabelos crespos arranhados no chão da cidade fria e perdida; de negrinhas cujos corpos tem marcas da violência de homens de todos os tipos, com ou sem penetração...

Pudera eu dizer que as falácias da ficção científica e cinematográfica hollywoodiana não ofuscam olhos tupiniquins com tanto glamour...

(Pintura: Na beira do rio de João Werner )


Pudera, ainda, eu dizer que as histórias do campo, onde há leite tirado na hora, flores orvalhadas, pitomba no pé, barro massapé para pisar e cana cortada na hora pra chupar interessa a gente de todo tipo na cidade...
Pudera, quem sabe, eu dizer que a palavra amor é falada com delicadeza não importa para quem se diga e que os olhos quando se abrem ao lado de uma amada o dia todo iluminam: filho, avó, tia avó, madrasta e cunhada e o vizinho que de lado espia a conversa da macharada...
E quando alguém resolve desmanchar a história contada na margem do rio, para mostrar que o ocorre de verdade no meio do Rio. 


Há sempre um espertinho, estraga prazer, a dizer: meu fio cuidado que falar mentira em cidade grande já virou mania, mas dá morte na certa, porque aqui quem sonha perde tempo, dinheiro e ainda recebe alcunha pra vida inteira de abestalhado.



Em dias em que os sonhos parecem ser coisas de abestalhados.



Ângela Pereira.