lunes, 21 de octubre de 2013

Coisa de abestalhado: história para se contar na beira do Rio (de Janeiro).

Enquanto as esquinas  perigosas se misturam com as ruas penumbradas e solitárias, ouvimos zunidos.


De onde vem? Para onde vão? De quem são esses passos que caminham sem rumo, sem firmeza e sem esperança?



Pudera eu dizer que são pesadelos esses tempos de negrinhos com cabelos crespos arranhados no chão da cidade fria e perdida; de negrinhas cujos corpos tem marcas da violência de homens de todos os tipos, com ou sem penetração...

Pudera eu dizer que as falácias da ficção científica e cinematográfica hollywoodiana não ofuscam olhos tupiniquins com tanto glamour...

(Pintura: Na beira do rio de João Werner )


Pudera, ainda, eu dizer que as histórias do campo, onde há leite tirado na hora, flores orvalhadas, pitomba no pé, barro massapé para pisar e cana cortada na hora pra chupar interessa a gente de todo tipo na cidade...
Pudera, quem sabe, eu dizer que a palavra amor é falada com delicadeza não importa para quem se diga e que os olhos quando se abrem ao lado de uma amada o dia todo iluminam: filho, avó, tia avó, madrasta e cunhada e o vizinho que de lado espia a conversa da macharada...
E quando alguém resolve desmanchar a história contada na margem do rio, para mostrar que o ocorre de verdade no meio do Rio. 


Há sempre um espertinho, estraga prazer, a dizer: meu fio cuidado que falar mentira em cidade grande já virou mania, mas dá morte na certa, porque aqui quem sonha perde tempo, dinheiro e ainda recebe alcunha pra vida inteira de abestalhado.



Em dias em que os sonhos parecem ser coisas de abestalhados.



Ângela Pereira.















martes, 30 de julio de 2013

Alegria.

A alegria aparece quando no encontro com nós mesmos, encontramos os outros. A vida precisa de coragem, força e leveza. Quem nos ensina isso é a  própria natureza.




Allegría
Come un lampo di vita
Allegría
Come un pazzo gridar
Allegría
Del delittuoso grido
Bella ruggente pena, seren
Come la rabbia di amar
Allegría
Come un assalto di gioia
Allegría
I see a spark of life shining
Allegría
I hear a young minstrel sing
Allegría
Beautiful roaring scream
Of joy and sorrow, so extreme
There is a love in me raging
Allegría
A joyous, magical feeling
Allegría
Come un lampo di vita
Allegría
Come un pazzo gridar
Allegría
Del delittuoso grido
Bella ruggente pena, seren
Come la rabbia di amar
Allegría
Come un assalto di gioia
Del delittuoso grido
Bella ruggente pena, seren
Come la rabbia di amar
Allegria
Come un assalto di gioia
Alegría
Como la luz de la vida
Alegría
Como un payaso que grita
Alegría
Del estupendo grito
De la tristeza loca
Serena
Como la rabia de amar
Alegría
Como un asalto de felicidad
Del estupendo grito
De la tristeza loca
Serena
Como la rabia de amar
Alegría
Como un asalto de felicidad
There is a love in me raging
Alegría
A joyous, magical feeling

jueves, 25 de julio de 2013

Ser mulher negra... ( Andila Nahusi)


Mulheres negras


Enquanto o couro do chicote cortava a carne, 
A dor metabolizada fortificava o caráter; 
A colônia produziu muito mais que cativos, 
Fez heroínas que pra não gerar escravos matavam os filhos; 
Não fomos vencidas pela anulação social, 
Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial; 
O sistema pode até me transformar em empregada, 
Mas não pode me fazer raciocinar como criada; 
Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo, 
As negras duelam pra vencer o machismo, 
O preconceito, o racismo; 
Lutam pra reverter o processo de aniquilação 
Que encarcera afros descendentes em cubículos na prisão; 
Não existe lei maria da penha que nos proteja, 
Da violência de nos submeter aos cargos de limpeza; 
De ler nos banheiros das faculdades hitleristas, 
Fora macacos cotistas; 
Pelo processo branqueador não sou a beleza padrão, 
Mas na lei dos justos sou a personificação da determinação; 
Navios negreiros e apelidos dados pelo escravizador 
Falharam na missão de me dar complexo de inferior; 
Não sou a subalterna que o senhorio crê que construiu, 
Meu lugar não é nos calvários do brasil; 
Se um dia eu tiver que me alistar no tráfico do morro, 
É porque a lei áurea não passa de um texto morto;

Não precisa se esconder segurança, 
Sei que cê tá me seguindo, pela minha feição, minha trança; 
Sei que no seu curso de protetor de dono praia, 
Ensinaram que as negras saem do mercado 
Com produtos em baixo da saia; 
Não quero um pote de manteiga ou um xampu, 
Quero frear o maquinário que me dá rodo e uru; 
Fazer o meu povo entender que é inadmissível, 
Se contentar com as bolsas estudantis do péssimo ensino; 
Cansei de ver a minha gente nas estatísticas, 
Das mães solteiras, detentas, diaristas. 
O aço das novas correntes não aprisiona minha mente, 
Não me compra e não me faz mostrar os dentes; 
Mulher negra não se acostume com termo depreciativo, 
Não é melhor ter cabelo liso, nariz fino; 
Nossos traços faciais são como letras de um documento, 
Que mantém vivo o maior crime de todos os tempos; 
Fique de pé pelos que no mar foram jogados, 
Pelos corpos que nos pelourinhos foram descarnados. 
Não deixe que te façam pensar que o nosso papel na pátria 
É atrair gringo turista interpretando mulata; 
Podem pagar menos pelos os mesmos serviços, 
Atacar nossas religiões, acusar de feitiços; 
Menosprezar a nossa contribuição na cultura brasileira, 
Mas não podem arrancar o orgulho de nossa pele negra;

Refrão: 
Mulheres negras são como mantas kevlar, 
Preparadas pela vida para suportar; 
O racismo, os tiros, o eurocentrismo, 
Abalam mais não deixam nossos neurônios cativos.



Composição de Eduardo de Facção Central e Cantada por Yzalú .

25 de julho- Sou mulher de pele preta. Com muito orgulho, sou negra.



Sou mulher de pele preta. 
Com muito orgulho, sou negra.
Ao som do atabaque
Do berimbau, dagogô
E do pandeiro.

Por essa cor carrego 
Marcas do açoite que  ficaram
Dores que não são só minhas.
Do meu sangue pulsa alegria
E sonhos que não são só meus

Não, não me entrego 
Minhas ancestrais não deixam
Meu cabelo crespo
Eu não mais estico
Pro caminho o quero apontando livre

Não, não me entrego 
Minhas companheiras não deixam
O corpo é meu.
E eu decido,
Mas o meu corpo é coletivo e eu resisto.

Não, não me entrego
Minha gente não deixa
De mãos, trabalhadoras, dadas 
 O caminho vamos construindo...

25 de julho- Dia de luta latino Americano e Caribenho da Mulher negra.


miércoles, 3 de julio de 2013

O melhor lugar do mundo é aqui e agora!

Nos momentos de ansiedade, vale lembrar: 




O melhor lugar do mundo é aqui 
E agora 
O melhor lugar do mundo é aqui 
E agora 

Aqui, onde indefinido 
Agora, que é quase quando 
Quando ser leve ou pesado 
Deixa de fazer sentido 

Aqui, onde o olho mira 
Agora, que o ouvido escuta 
O tempo, que a voz não fala 
Mas que o coração tributa 

O melhor lugar do mundo é aqui 
E agora 
O melhor lugar do mundo é aqui 
E agora 

Aqui, onde a cor é clara 
Agora, que é tudo escuro 
Viver em Guadalajara 
Dentro de um figo maduro 

Aqui, longe, em Nova Deli 
Agora, sete, oito ou nove 
Sentir é questão de pele 
Amor é tudo que move 

O melhor lugar do mundo é aqui 
E agora 
O melhor lugar do mundo é aqui 
E agora 

Aqui perto passa um rio 
Agora eu vi um lagarto 
Morrer deve ser tão frio 
Quanto na hora do parto 

Aqui, fora de perigo 
Agora, dentro de instantes 
Depois de tudo que eu digo 
Muito embora muito antes 

O melhor lugar do mundo é aqui 
E agora 
O melhor lugar do mundo é aqui 
E agora 


(Gilberto Gil )

lunes, 24 de junio de 2013

Deixe entrar o sol.








Ande sempre para o sol
Olhe sempre para o sol
E tudo que você quiser
E tudo que você pensar será
Iluminado como o sol
Brilhante como o sol
Tudo o que você encontrar
E tudo que você amar
Será iluminado como o sol
Tudo foi feito pelo sol
Viva sempre em sua luz (do sol)
Tudo foi feito pelo sol


(Os mutantes)

Invento.





Vento

Quem vem das esquinas
E ruas vazias
De um céu interior
Alma
De flores quebradas
Cortinas rasgadas
Papéis sem valor
                                                                     Vento
Que varre os segundos
Prum canto do mundo
Que fundo nao tem
Leva
Um beijo perdido
Um verso bandido
Um sonho refém
Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar
Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar
                                                                                        Vento
Que dança nas praças
Que quebra as vidraças
Do interior
Alma
Que arrasta correntes
Que força as batentes
Que zomba da dor
                                                                                                                   Vento
Que joga na mala
Os móveis da sala
E a sala também
Leva
Um beijo bandido
Um verso perdido


Um sonho refém
Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar
Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar

( Ney Matogrosso)

Sem Feminismo, NÃO HÁ Socialismo!


"Não é a consciência do homem que lhe determina o ser,
 mas ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência."
Karl Marx


Quando os movimentos feministas anticapitalistas/socialistas afirmam que a combinação Patriarcado e Capitalismo resulta em profundos problemas que atingem principalmente as mulheres às vezes somos acusadas de estarmos sendo especificistas ou querendo hipervalorizar " a pauta das mulheres". 

Definitivamente a luta contra o patriarcado não é uma pauta apenas das mulheres! 
Precisamos avançar no processo auto-organizativo de mulheres, na formação de homens e mulheres para elevação do nível de consciência pela práxis revolucionária socialista e feminista.


A barbárie que se instala no mundo, produto do sistema capitalista  tem entre as suas maiores expressões à violência contra as mulheres em seus diversos sentidos. A violência sexual é a expressão mais aviltante e animalesca contra as mulheres. 

A crise estrutural que atinge o mundo, inerente ao modo de produção capitalista, intensifica as expressões da questão social e somos sim, as mulheres, as mais atingidas. 

A crise aparece na consciência e usa-se da ideologia patriarcal e capitalista para tentar recolocar à mulher no " lugar que lhe cabe: de propriedade do homem e do sistema."  Nesse sentido, tenta a todo custo acorrentar nossos corpos e nossa sexualidade/ reprodução. 


É preciso mais atenção!
  • Escutem e analisem as músicas que a massa ( muitos de nós inclusive) tem escutado.
  • Vejam as peças publicitárias em que somos comparadas com  cerveja e outros itens de consumo. Não significam nada?
  • Analisem as piadas machistas e homofóbicas. Elas são apenas brincadeiras?
  • Pesquisem sobre o assédio sexual/moral nos diversos ambientes. A quem principalmente atingem?
  •  Observem os discursos das forças religiosas (que também carregam a defesa do sistema capitalista). A quem está servindo?
  • Observem as relações hierárquicas e a divisão sexual do trabalho dentro e fora das organizações políticas. De que nos servem na construção daquilo de que precisamos e defendemos?

Há um cenário de muitas contradições, acirradas pela barbárie do sistema capitalista que atinge muito o próprio movimento feminista, deixando aparecer pseudo discursos e práticas feministas. 

As mídias burguesas tem mostrado atos com mulheres nuas nas ruas, ao estilo "marcha das vadias" como o supra-sumo do feminismo do século XXI.

É preciso analisar a conjuntura em sua totalidade. 

Estou convencida de que esse tipo de atividade, contribui mais e mais com  a tentativa de controle dos nossos corpos e da nossa sexualidade.  Ela juntamente com a ideologia machista/ capitalista que é impregnada nas nossas consciências por todo conjunto de cultura de massa ao qual me referi intensifica a desorientação dos movimentos feministas e mistos para a superação dessa condição que nos foi imposta. Além disso, a afirmação de que as mulheres já conquistaram muita coisa, repetida como um mantra por aqueles que enxergam apenas a aparência dos fenômenos, tem por objetivo negar a necessidade de auto-organização das mulheres. 

Essa é, portanto, também  uma estratégia burguesa para desmobilizar a classe trabalhadora. 

Não bastam leis (embora elas sejam importantes para tentar frear à violência), é preciso muito mais que as políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres. O que não anula a necessidade de lutar por elas. 

Mas sobretudo, é preciso destruir o capitalismo, para construir outras bases sociais e econômicas que determinem uma consciência coletiva e solidária não opressora entre homens e mulheres.

Pois sem Feminismo não há socialismo!


Ângela Pereira.


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Abaixo segue matéria sobre a pesquisa da OMS em relação à violência contra as mulheres.




Mais de 1/3 das mulheres do mundo é vítima de violência física ou sexual.
Dados foram divulgados pela Organização Mundial da Saúde.

Da Reuters
Foto de arquivo mostra protesto realizado em Santiago, no Chile, contra violência sexual e doméstica com mulheres (Foto: Arquivo/Santiago Llanquin/AP)Foto de arquivo mostra protesto realizado em Santiago, no Chile, contra violência sexual e doméstica com mulheres (Foto: Arquivo/Santiago Llanquin/AP)
Mais de um terço de todas as mulheres do mundo é vítima de violência física ou sexual, o que representa um problema de saúde global com proporções epidêmicas, aponta um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta quinta-feira (20).
A grande maioria das mulheres sofre agressões e abusos de seus maridos ou namorados, além de ter problemas de saúde comuns que incluem ossos quebrados, contusões, complicações na gravidez, depressão e outras doenças mentais, diz o relatório.
"Esta é uma realidade cotidiana para muitas, muitas mulheres", disse Charlotte Watts, especialista em política de saúde na Escola de Higiene & Medicina Tropical de Londres e uma dos autores do relatório.
O relatório, uma coautoria de Watts e Claudia Garcia-Moreno, da OMS, concluiu que quase dois quintos (38%) de todas as mulheres vítimas de homicídio foram assassinadas por seus parceiros, e 42% das mulheres que foram vítimas de violência física ou sexual por parte de um parceiro sofreram lesões como consequência.
O relatório constatou que a violência contra as mulheres é uma das causas para uma variedade de problemas de saúde agudos e crônicos, que vão desde lesões imediatas, infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, à depressão e transtornos de saúde mental.
As mulheres que sofrem violência de seus parceiros são mais propensas a ter sífilis, clamídia ou gonorréia. E mulheres de algumas regiões, incluindo a África sub-saariana, têm quase duas vezes mais probabilidade de serem infectadas com o vírus da Aids, diz o relatório.

Orientação e ajuda às vítimas


A OMS está emitindo orientações para os profissionais de saúde sobre como ajudar as mulheres que sofrem violência doméstica ou sexual. Eles salientam a importância em treinar os profissionais de saúde para reconhecer quando as mulheres podem estar em risco de ser agredida pelo parceiro e saber como agir.
Em um comunicado que acompanha o relatório, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que a violência causa problemas de saúde com "proporções epidêmicas", acrescentando: "os sistemas de saúde do mundo podem e devem fazer mais pelas mulheres que sofrem violência."