lunes, 17 de junio de 2013

Desmascarando o patriarcado, desmontando o capitalismo

Dentre algumas vantagens da internet tem-se a aproximação de pessoas com ideais semelhantes. Ela aproxima pela busca da liberdade, pelo gosto pela poesia, pelo regionalismo,pela simplicidade e pela luta feminista.   E eis que com uma força, sensibilidade e criatividade inspiradora  encontro uma poesia da Fulô  Ivanessa Catingueira no blog da MMM.   Meses antes essa luta fez nos encontrarmos na Cúpula dos Povos  onde trocamos algumas palavras de  incentivo pela construção do feminismo  a partir da formação de um coletivo feminista  a vir a se tornar um núcleo da Marcha Mundial das Mulheres no sertão de São Francisco/ BA.

Que sensação boa...  O feminismo  anti-capitalista está se espalhando pelo Brasil e pelo mundo. 

Compartilho uma das poesias da querida Ivanessa Catingueira a partir do blog da Marcha Mundial das Mulheres. (http://marchamulheres.wordpress.com/2013/06/17/poesia-feminista-desmascarando-o-patriarcado-desmontando-o-capitalismo/#comments)


*Por Ivanessa Catingueira

ação 2010

Mulheres quando reunidas
Se reconhecem na face da outra.
Tantas histórias severinas marcadas
Pela opressão patriarcal.
Mãos calejadas
Corpos ensanguentados
Olhos marejados de dor.




Gemidos que tramam a resistência
Olhares de búzios e malês
Bocas que anunciam a REBELDIA.
Explodem GRITO de revolta
Virado em furação.
As Mulheres perderam a PACIÊNCIA.
Colocam blocos, corpos
caras, cores e dores na rua.
Empurram a opressão
Pra praças, becos, campos e vielas
O batuque do tambor denuncia
Cada minuto de dor
outrora calado, sufocado, privado.
Na roda nagô
A sabedoria das mães de santo
Reascende o caminho
De luta, de comando
Trilhado pelas matriarcas ancestrais.
Mulheres auto-organizadas
(a auto-organização é nosso escudo)
na mesma cadência compassada
Despidas, de pés no chão.
Suas vozes metralham balas de esperança na terra
Tecem de fio lilás
Com o pretume das veias afro indígenas latinas
O novo mundo.
Cada vez mais sedentas por vida
Famintas de LIBERDADE
Continuaremos em marcha
Pisando em praça de guerra
Em trincheira de batalha
Desmascarando o patriarcado
Desmontando o capitalismo
Até que se desfaçam em pó.
Um batalhão de outras Dandaras, Dinalvas, Felipas,Tuíras, Heleniras,Zeferinas, Zapatistas, Mahins…
De candeeiro na mão
Tocarão fogo no mundo
Reascendendo a chama de força
Pra forjar a Revolução!
Feminismo da luta de classes
Feminismo por necessidade.
*Ivanessa Catingueira é militante da MMM no Sertão do São Francisco/BA

domingo, 16 de junio de 2013

As mulheres iranianas, Marjane Satrapi e Persépolis

Cada dia mais eu me orgulho de ter nascido mulher.  Entrar em contato com histórias de mulheres que não se permitem a condição de submissas, não sem dor, traz-me tanta força.

É desse jeito que me senti hoje ao assistir o filme da roteirista, ilustradora e autora de livros infantis iraniana Marjane Satrapi. Que história de vida! 


"Marjane Satrapi, nome artístico de Marjane Ebihamis, nasceu em Rasht e cresceu em Teerã, vinda de uma família distinta de uma camada ocidentalizada da sociedade Iraniana. É filha de pais politicamente ativos, contrários a monarquia do Xá, pela crescente repressão das liberdades civis e as consequências da política iraniana na vida cotidiana. Entretanto, com a Revolução Iraniana, e o regime inicial do governo de Ruhollah Khomeini, os pais de Marjane se sentiram intimidados pelos fundamentalistas muçulmanos que estavam no poder.
Os pais de Marjane receavam que a jovem, uma adolescente de 14 anos com muita força de vontade e pouca disciplina, entrasse em conflito com as novas, e rigorosas, regras públicas para mulheres. Eles conseguiram que ela fosse estudar fora do país e em 1983 ela chegou em Viena, Áustria, para frequentar o Liceu Francês de Viena. De acordo com sua autobiografia em forma de novela gráfica, Persépolis, ela ficou em Viena ao longo do Ensino Médio, morando na casa de amigos,  em pensionatos e repúblicas estudantis, apesar de ter ficado dois meses desabrigada. Depois de uma crise quase mortal de pneumonia, em decorrência das graves condições de vida, ela acabou retornando para o Irã.

A família Satrapi é de ascendência iraniana (ou azerbaijana) e são descendentes de Nasser al-Din Shah, Rei e Xá da Pérsia, de 1848 até 1896. Sobre isso Satrapi declarou:

"Mas você tem que saber que os reis da dinastia Qajar tiveram centenas de esposas. Fizeram milhares de crianças. Se você multiplicar essas crianças pelas gerações seguintes, pode-se dizer que existem de 10 a 15 000 príncipes [e princesas]. Não há nada de muito especial nisso."
— Marjane Satrapi

Em seguida, ela estudou Comunicação Visual, e posteriormente obteve o mestrado em Comunicação Visual pela Faculdade de Belas artes em Teerã, Universidade Islâmica Azad. Nesta época ela foi a diversas festas ilegais na casa de amigos, onde conheceu Reza, um veterano da guerra do Irã-Iraque. Ela casou com ele aos 21 anos, mas acabou se divorciando cerca de 3 anos depois.

Satrapi, em seguida, mudou-se para Estrasburgo, França. Atualmente ela é casada com Mattias Ripa, um sueco, e mora em Paris, onde trabalha como ilustradora e autora de livros infantis.

Seu trabalho mais recente, de 2010, é "Bordados". O livro fala sobre o ritual pós-almoço na casa da avó de Marjane: enquanto os homens iam fazer a sesta, as mulheres lavavam a louça. Logo depois começava uma sessão cujo acesso só era permitido a elas - o "bordado", que nos é narrado com o humor cortante característico da autora. As mulheres de Marjane buscam a emancipação sexual, mesmo que secretamente, revelando um feminismo mordaz.
Em 2011 dirigiu Frango com ameixas, em parceria com Vincent Paronnaud, também diretor de Persépolis. O filme fala sobre um violinista que perde a vontade de viver depois que seu violino preferido quebra, sem conseguir o repôr devidamente.

Satrapi também é responsável pela arte do álbum Préliminaires do roqueiro Iggy Pop."


Que muitas outras mulheres incríveis retirem suas burcas, seus véus, seus aventais e que quebrem as correntes que nos prendem, porque juntas somos mais fortes.


Ótimo filme!

sábado, 15 de junio de 2013

Minha vida escrevo eu.


Dedilhando a liberdade
Minha vida escrevo eu.



Lápis ou computador

Datilografo digitais 

Pegadas na areia 
Na grama ou na lama

Face na face
Boca na boca
No megafone ou no microfone

Voz e palavra
Língua  ativa e afiada

 Pois em minha vida mando eu.


Eu tô solta na vida.


Ellen Oléria, cantora, musicista  e atriz braziliense, feminista, negra de voz  forte, alegria e talento circulando no  sangue e saindo pelos poros. Tive oportunidade de assitir ao  show  dessa mulher em ocasião da Ação 2010 da Marcha Mundial das  Mulheres, antes do aparecimento  no The Voice Brasil. 
Hoje me bateu a vontade de ouvi-la  e somar mais forças.
Segue abaixo uma letra e um vídeo de uma das músicas de que gosto bastante.




Solta Na Vida

Ellen Oléria

Medo da vida, desconhecido
Nina Simone no meu ouvido
Corro de atrevida, não esmorecida
Eu sou como o rolamento mortal do crocodilo
Bravura pura em mais de 70kg
Independente da cor do meu vestido
Esconderijo, creia. eu improviso, veja
Eu mesma faço a minha santa ceia.
Corre sangue bom na minha veia
Pacificamente violenta
Como aranha caranguejeira na teia
Eu canto pra que eu nunca esqueça
Pra que eu nunca esqueça
Pra que eu nunca esqueça
Burca, Marjane enxerga além desse viés
Lua, guarda o segredo das marés
Nua da cabeça aos pés
Luta, um desafio pra fieis
Patriotismo, civismo, nacionalismo
Xenofobismo, machismo, racismo
Um abismo chama outro abismo
Chama outro abismo
Chama outro abismo
E eu tô solta na vida
Eu tô solta na vida
Eu tô, eu tô, eu tô, eu tô
Felicidades, planos pra virada do ano
Todo dia é novo e eu vi que a vida na terra tá se acabando
Nunca fui disso, mas acradito
De vez em quando eu medito
Se existe destino não sei, axé não negocio
Nem sempre a morte chega com aviso
E eu tô ligada já conheci palma e vaia
E no cerrado asfalto é a minha praia
Saúdo a planta e os animais
Sabedoria samurai
E eu sei que gentileza nunca é demais
Há o que me deixa ainda emocionada
O vento, a saia. O vento subindo a saia rodada
A chuva que não para
E a blusinha dela tomara que caia
As arvores que contavam história arrancadas
A casa da gente invadida pela enxurrada
Sim eu já vi, se liga aqui.
Eu sobrevivi sem pena.
Só a caneta pra registrar
O que eu não esqueci.
E eu não esqueci que
E eu tô solta na vida
Eu tô solta na vida
Eu tô, eu tô, eu tô, eu tô
Tô solta na vida
Solta na vida
Tô solta na vida
Solta na vida
Eu tô, eu tô, eu tô.

domingo, 9 de junio de 2013

A violência contra as mulheres no Egito: Cairo 678.

Ainda seguindo a temática da postagem anterior, recomendo que assistam ao Filme Cairo 678

Um filme  baseado na história real de três mulheres ( Fayza, Seba e Nelly) com modos de vidas diferentes no Egito, que após sofrerem com assédios sexuais e estupros nas ruas de Cairo, no trabalho e dentro das próprias casas, ganham força e realizam ações de denúncia e de respostas a essas violências, estimulando outras mulheres em situações semelhantes a se rebelarem.

Uma dessas mulheres é Seba, uma jovem moderna que, após ser violentada durante um jogo de futebol, se torna ativista dos direitos femininos e passa a ensinar autodefesa para mulheres.
Dona de casa obediente aos costumes, Fayza é outra vítima do abuso e do preconceito contra mulher. Ela sofre assédio no ônibus que pega diariamente. A terceira mulher é Nelly, uma aspirante a comediante. Ela faz história ao se tornar a primeira mulher no Egito a processar alguém por abuso sexual.
O filme é um drama dirigido por Mohamed Diab e estreiou no Brasil no ano passado.
Bom filme!


PL do Estatuto do Nascituro: As mulheres não são depósitos de esperma.

Temos ouvido tantas histórias na mídia que mostram casos chocantes de mulheres que tem sido violentadas no mundo todo. Chocantes são as histórias dos países do oriente médio em que os casos de assédio e violência sexual, física, psicológica; a desvalorização pela condição de ser mulher, as condições de trabalho são extremamente adversas. Casos em que mesmo as mulheres sendo estupradas são obrigadas a casarem com os estupradores e a ter filhos contra própria vontade.

No Brasil, estamos prestes a ver avançar em forma de lei o conservadorismo ainda maior sobre a vida das mulheres. Aprovado na Comissão de Finanças e Tributação, no dia 05 o Projeto de lei PL (489/2007) conhecido como Estatuto do Nascituro, elaborado pelos Ex-deputados Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini ( PHS-MG). Agora o mesmo será submetido  a comissão de constituição e justiça. 

O movimento feminista considera este projeto um retrocesso para a vida das mulheres brasileiras. É verdade que a nossa condição de vida melhorou em relação a de outros países como os que estão submetidos a religiões fundamentalistas, entretanto, são reais a violência contra as mulheres em formas variadas, o controle dos nossos corpos e de nossa sexualidade e o impedimento de uma vida livre de estereótipos, da heteronormatividade sexual, da imposição de padrões de beleza, dentre outras tantas agressões. 

Como se vê, ser mulher num país em que as ideologias patriarcais, religiosas e capitalista se interconectam e  empregnam a consciência das pessoas e nas estruturas de um Estado que não é laico significa ser objeto. 

Como muitas de nós cada vez menos aceitamos a condição de objeto, não nos calamos/calaremos diante de todos os tipos de opressão a que estamos submetidas.

Aproveito para veicular Moção de Repúdio da Marcha Mundial das Mulheres ao Estatuto do Nascituro.

Moção de repúdio ao Estatuto do Nascituro

nem papas nem juizesAção 2010 da Marcha. Foto: Elaine Campos.
A Marcha Mundial das Mulheres repudia com indignação o Projeto de Lei (PL 489/2007) de autoria dos Ex Deputados Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini (PHS-MG), que propõe instituir o Estatuto do Nascituro. Este projeto foi aprovado na comissão de finanças no dia 05/06 através do substitutivo da deputada Solange Almeida do PMDB do RJ.
O PL passa a considerar sujeito pleno de direito o óvulo fecundado, ou seja, o organismo concebido e não nascido passa a ter mais direitos do que a mulher.
Tal projeto pretende ainda legalizar a violência sexual que as mulheres sofrem, principalmente o estupro, tornando inadmissível o aborto consequente desta violação e instituindo o pagamento de auxílio para sustentação do nascido até os 18 anos. O projeto institui a chamada “Bolsa Estupro”, como é conhecida pelos movimentos de mulheres, reforçando que a punição recairá sobre a própria mulher violentada. A bolsa deverá ser paga pelo agressor e, caso não o faça, o ônus recairá sobre o Estado.
O estupro é um crime hediondo. Através deste projeto, o estuprador passa a ser chamado de genitor, e a vítima é obrigada a se relacionar com o criminoso, já que ele deverá assumir a paternidade. Também vão perder o direito ao aborto legal as mulheres com risco de vida e as grávidas de fetos anencéfalos, uma recente conquista do movimento de feminista através do Supremo Tribunal de Justiça.
Afora a hipocrisia, o abrandamento e a naturalização do crime do estupro, e a violação de vários direitos das mulheres, se destaca a pretensão do legislador em querer determinar quando começa a vida, questão que nem a ciência ousou fazer. Ao analisar os dispositivos desta proposta, cai por terra o discurso de “proteção da vida”, pois não se vê nada além do que já tratam as legislações vigentes sobre direitos de personalidade, direito de saúde e direitos patrimoniais dos recém nascidos.
Caso aprovado este projeto, fica proibida ainda qualquer manifestação que trate do assunto aborto, cerceando o direito do debate, quesito fundamental para a democracia.
Assim, entendemos que a proposta do “Estatuto do nascituro” deve ser rechaçada, pois ela significa mais um dos ataques dos conservadores, machistas e opressores que:
- Condena as mulheres à submissão, mantendo-as expostas à violência;
- Reflete a omissão do legislativo diante do aborto como elemento de preservação da vida das mulheres e de garantia da autonomia;
- Golpeia a democracia, a igualdade e a justiça, atingindo bens e valores construídos historicamente.
O avanço rumo à aprovação do chamado “Estatuto do Nascituro” deve ser visto como ameaça aos direitos das mulheres. Nele, estão reunidas as pautas mais retrogradas e de submissão, ostentadas pelo patriarcado e pelas instituições que o perpetuam ao longo dos séculos: o controle sobre o corpo das mulheres, a institucionalização da violência sexual e o domínio sobre o destino e a vida das mulheres.
acao2010legalize
Ação 2010 da Marcha. Foto: Marcela Mattos.
A próxima votação será da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
Precisamos enviar e-mails para os deputados(as) membros desta comissão, pedindo que se posicionem contrários ao Estatuto do Nascituro e que impeçam sua aprovação nesta Comissão.
Enviamos abaixo nome e endereços eletrônicos dos deputados(as). É importante que cheguem mensagem de todos os estados para estes deputados, e é preciso também pressionar os deputados em cada estado.
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania – CCJC
1º Vice-Presidente: Mauro Benevides (PMDB/CE) dep.maurobenevides@camara.leg.br
2º Vice-Presidente: Luiz Carlos (PSDB/AP) dep.maurobenevides@camara.leg.br
3º Vice-Presidente: Carlos Bezerra (PMDB/MT) dep.carlosbezerra@camara.leg.br
TITULARES
Décio Lima PT/SC (Gab. 218-IV)  dep.deciolima@camara.leg.br
Luiz Couto PT/PB (Gab. 442-IV)  dep.luizcouto@camara.leg.br
Fabio Trad PMDB/MS (Gab. 452-IV)  dep.fabiotrad@camara.leg.br
Luiz Carlos PSDB/AP (Gab. 750-IV) dep.luizcarlos@camara.leg.br
William Dib PSDB/SP (Gab. 304-IV) dep.williamdib@camara.leg.br
Legalizar o aborto! Direito ao nosso corpo!
 Marcharemos até que todas sejamos inteiramente LIVRES!
MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES

sábado, 8 de junio de 2013

O amor (próprio) tem cor púrpura.


A cor púrpura. Esse título de filme estava entre os que compõe a minha lista  de filmes a serem vistos (que cada dia aumenta). Entre os tantos outros que tem circulado em meus pensamentos, havia momentaneamente esquecido. Hoje ao deixar meus olhos passearem naquela lojinha de dvd's acessíveis do Shoping Terceirão em busca de outro filme, reencontrei esse título nas lembranças, as letras e a cor me saltaram aos olhos. 

A vontade de assistir filmes como outrora em minha infância/adolescência retornou com uma voracidade intrigante.  Tudo bem, sei que deveria estar me dedicando mais a minha dissertação, mas não há como deixar a vida sem movimento. Como os movimentos revestidos da bandeira lilás da Marcha Mundial das Mulheres andam, por minha parte, em espera, resta-me encher-me, ainda mais, do movimento das emoções que a sétima arte é capaz de provocar em nós.  Assim seja e assim está sendo. Entre as leituras para a dissertação, saltam histórias marcantes para lembrar-nos do essencial na vida.

O filme de Steven Spielberg, baseado no romance da escritora afro-americana Alice Walker, deixa, sobretudo, como aprendizado a necessidade da auto-valorização  e da auto-estima. A protagonista, Celie (Whoopi Goldberg) depois de tantos sofrimentos decorrentes de uma vida  sem amor, numa sociedade racista e patriarcal, e cheia de episódios de violência física, sexual, psicológica, com a ajuda de outras mulheres (Sofia-Oprah Winfrey-) mulher negra cansada de apanhar na vida; Shug Avery ( Margaret Avery), mulher negra que aproveitava a vida como cantora de blues, mas com um ar de tristeza por histórias do passado, conseguiu ganhar forças para mudar a sua condição de submissão e de opressão.

É um filme bastante interessante para trabalhar o tema do feminismo de uma forma emocionante.

Segue abaixo a sinopse e o link para assistir ao filme:


Georgia, 1909. Em uma pequena cidade Celie (Whoopi Goldberg), uma jovem com apenas 14 anos que foi violentada pelo pai, se torna mãe de duas crianças. Além de perder a capacidade de procriar, Celie imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, e é doada a "Mister" (Danny Glover), que a trata simultaneamente como escrava e companheira. Grande parte da brutalidade de Mister provêm por alimentar uma forte paixão por Shug Avery (Margaret Avery), uma sensual cantora de blues. Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza em cartas (a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie (Akosua Busia), missionária na África. Mas quando Shug, aliada à forte Sofia (Oprah Winfrey), esposa de Harpo (Willard E. Pugh), filho de Mister, entram na sua vida, Celie revela seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece.  (Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-2099/



Boa exibição!



sábado, 1 de junio de 2013

Entre cafés, o existencialismo e a busca da liberdade: Simone de Beauvoir e Paul Sartre.

Após rever um documentário sobre Simone de Beauvoir(abaixo),


(Documentário de Virginie Linhart produzido por Zadig Productions com colaboração de Sofiber em comemoração a publicação do Livro "O segundo Sexo" de Beauvoir) 

(...)  encontrei o filme "Os Amantes do Café Flore: Simone de Beauvoir e Sartre."

O filme, que recomendo, trata da cinebiografia do casal, mostrando o início do relacionamento, o apoio mútuo no desenvolvimento da escrita de livros dos dois filósofos existencialistas, os amores contigentes de ambos e a tentaiva de se exercitar uma suposta liberdade em nome do ato de escrever.
 Não é possível, de minha parte, saber ao certo se o filme foi fiel a biografia de Beauvoir e de Sartre. É possível, entretanto, perceber como a proposta de relacionamento diferente entre os dois provocou uma  grande repercussão  para o modo de vida e de relacionamentos da época. 
Quanto aos meandros do tipo de relacionamento que se propuseram a ter e da tão falada " liberalização sexual"  pretendo tratar em outra oportunidade, considerando aspectos atuais de uma sociedade pseudo-libertária em que ainda as mulheres são o segundo sexo. 

Segue abaixo o filme de que falo:





viernes, 31 de mayo de 2013

Homenagem a Reinaldo Carcanholo.

(Foto retirada do site: http://carcanholo.com.br/


Recebo a notícia do falecimento de Reinaldo Carcanholo bastante emocionada e saudosa. 

Fico com as lembranças dos momentos de irreverência, polêmicas e críticas que acompanhavam a presença desta pessoa na  formação da  nossa turma Carlos Marighella de Economia Política da Escola Nacional Florestan Fernandes e da UFES.

Desejo força à família, às/aos amigas/os para seguir em frente com as boas lembranças  e o amor à vida comprometida com uma sociedade de mulheres e homens livres.

Quando um homem se reconhece no outro
E com ele resolve dar as mãos para seguir a caminhada
Há que se reconhecer a grandeza dos gestos numa vida determinada.

Quando um homem se reconhece na outra
E com ela resolve dar as mãos para seguir a caminhada
Há que se reconhecer a contribuição para a luta numa vida dedicada

Quando a ele se juntam outras tantas companheiras e companheiros
Há que se reconhecer  que em nome da revolução socialista
vida vale  muito a pena. 

Ângela Pereira.



Entrevista com Reinaldo Carcanholo: 

Reinaldo Carcanholo era doutor em Economia da Universidade Nacional Autónoma do México, com mestrado em Ciências Econômicas da Universidade do Chile, colaborador do Movimemto dos Trabalhadores Sociais Sem terra no Brasil e membro da direção da Comissão Econômica para América Latina (CEPAL). Professor do Mestrado em Política Social da Universidade Federal do Espírito Santo ( ES).
>>>> Em nome da Turma Carlos Marighella de Economia Política da Escola nacional   Florestan Fernandes (Economia e desenvolvimento Agrário da UFES- Vitória/ ES).


A II Turma Carlos Marighella de Economia Política e Desenvolvimento Agrário da Escola Nacional Florestan Fernandes-Universidade Federal do Espírito Santo lamenta a inestimável perda do professor Reinaldo Carcanholo.

Intelectual comprometido com as lutas do povo brasileiro, pensador crítico e educador exemplar, Reinaldo Carcanholo teve uma atuação marcante em nossa Turma Carlos Marighella. Além da referência na compreensão e ensino do marxismo, o professor Reinaldo sempre esteve junto à turma e aos educando nos momentos em que sua presença e colaboração política e acadêmica foram necessárias e decisivas.

É com pesar que nos despedimos do professor Carcanholo. Perdemos um companheiro, mas suas contribuições permanecem em cada um de nós, na forma de compromisso com o pensamento radicalmente crítico e com a práxis revolucionária.

De vários estados brasileiros, em 30 de maio de 2013.



>>>>Ao Velho Comunista,
Em primeiro lugar devo me apresentar. Meu nome é Ninguém. Pelos próximos dois anos terei o nome de 3ª Turma de Economia Política. Para muitos de nós, esse nome ficará cravado na nossa memória. E, dessa forma, este também será meu nome. Mas ainda assim, meu sobrenome é Ninguém. Venho de vários lugares do país. E, neste país de “ninguéns” tenho mudado as estatísticas e contrariado o destino. Sou já, um Ninguém com bacharel, licenciado, com título reconhecido e tudo mais. Sou Pedagogo da Terra, sou Economista, sou Agrônomo, sou Engenheira Florestal, sou Jornalista e tanto mais títulos que eu nem imaginava que teria, mas cá estou. Rompendo barreiras, derrubando os números. Não quero parar.
Pois bem, o motivo dessa carta é prestar minha humilde, mas honesta, homenagem a você. Vou deixar as pompas e formalismos de lado e, por hora, o chamarei por “você”. Foi graças a você que pudemos estar aqui, depois de atravessar quilômetros de distância, percorrer sertões, cidades, estradas de chão e pista. Foi graças a você que pudemos ingressar em nova etapa dessa trajetória ainda sem fim rumo ao desconhecido mundo das ideias.



Foi graças a você que tivemos contato com o misterioso mundo das mercadorias e, sem saber, fomos nos dando conta que esse é o nosso mundo. E que, desvendando o mistério das mercadorias desvendamos o mistério do nosso mundo. E, veja você, eu achava que muito já tinha vivido. Mas ao mesmo tempo achava que muito ainda tinha por viver. E, à medida que conheço esse misterioso mundo, mais me dou conta que pouco ou nada sei. Mas veja bem, sem você, talvez essa empreitada nem tivesse início. E, graças a você, hoje estou em condições de alcançar um novo título: o de Especialista. Olha só, Especialista... Quem diria. Eu, que sou um Ninguém na vida. Num país de “ninguéns”, agora posso me tornar Especialista.


Graças a você, agora posso ter aulas com esses Professores. Na verdade, eles são seus alunos.  O que faz de você o professor dos professores. Menos pelas “honrarias” da Universidade Pública desse país que nunca se importou com meu conhecimento. Mas sim, pela escola da vida e da luta, na qual você educou estes seus alunos, hoje, nossos Professores.


Pois bem, Professor dos Professores. É graças a você que também passei a conhecer algo novo pra mim. E isso não é fácil escrever em uma humilde, ainda que em honesta carta como essa. Há cerca de uns 10, 20, no máximo 30 anos, eu que Ninguém me formei na vida, comecei a me engajar em um projeto. Projeto que, pra mim, era novo. Olhava à minha volta, entre os da minha idade, jovens, moços e moças, adultos, alguns já mais velhos e via que meu projeto era novo, inovador. Achava que não resistiria ao tempo algo tão novo assim. Mas, aos poucos, fui vendo que ele tinha raízes no passado. Num passado distante. Mas que o fio da história não deixou ele se perder. Era como se fôssemos conhecidos de outras épocas. De um tempo que eu não vivi, mas que guardava em minha memória. Difícil de explicar. Mas você irá me entender. Procurava na televisão, nos jornais, revistas, depois na internet. E não achava nada. Nada do meu projeto. Nada dos meus sonhos. Achava que era algo novo, mas sabia que tinha algo lá atrás. Foi quando conheci você. Você, caro professor, é esse fio que não se rompia. O elo com nosso longínquo passado. A nossa memória de um tempo não vivido. Foi graças a você que fiquei sabendo da ascensão e queda do stalinismo. Da dificuldade de tantos outros iguais a mim, Ninguéns na vida, mas que ergueram um país, na verdade um continente de “ninguéns”. Foi graças a você que fiquei sabendo que pelo nosso continente, enquanto os militares a mando do império das mercadorias matavam no pau de arara, a choques elétricos, o nosso projeto, você resistiu e nos contou da resistência em armas. Contou que ela se espalhou pelos continentes e assombrou nossos inimigos. Foi graças a você, professor, que ficamos sabendo que algo novo se abria, mas que esse algo novo não era tão novo assim. Mais, ele tinha profundas raízes nesse século 20. Que era um projeto de futuro, mas que carregava o passado consigo. Você, caro professor dos professores, é esse elo com nosso passado. E, graças a você, sei hoje, que esse meu projeto tem uma longa história. E ele é mais forte com isso. Você é esse elo que carrego na memória.


A sua história é nossa história! O seu trabalho está dando os frutos que talvez nem imaginasse. Cá estamos nós, hoje, terminando essa primeira etapa de mais 4 que virão. Pra nos tornarmos especialistas? Sim. Mas muito mais que isso, pra darmos continuidade nessa tua tarefa, árdua tarefa, de desvendar os mistérios por trás das mercadorias que agora sei, são os mistérios por trás do nosso mundo. Pra dar continuidade nessa tarefa de mudar o inevitável. Pra darmos continuidade nessa longa tradição comunista que você soube e sabe muito bem levá-la adiante. E é por isso que nós viemos lhe agradecer, por estarmos aqui, e por termos a certeza que pra cá voltaremos pra continuarmos essas tarefas que você nos deixou. Hoje, e já há algum tempo, não somos mais ninguéns. Somos filhos e filhas de um longo projeto, sem data pra encerrar, chamado comunismo. Somos filhos e filhas dele. E você, é nosso Professor.





 Em nome da 3ª Turma de Economia Política, pela Coordenação Política Pedagógica.


>>>>> São Mateus, 31 de maio de 2013.

Prezados familiares de Reinaldo Carcanholo!

Nesse momento de dor e tristeza, em que, consternados, nos deparamos com a notícia da perda do Reinaldo, é difícil pronunciar palavras. No entanto, queremos, entre um nó na garganta e lágrimas no coração, expressar por intermédio desta carta, nosso sentimento de solidariedade e compromisso.
A relação e contribuição do Professor Reinaldo com o MST, já se prolonga por mais de duas décadas. Talvez um dos primeiros professores da UFES a ministrar aulas no Centro de Formação do MST/ES. E por conseqüência, um dos primeiros a integrar o quadro de professores do MST Nacional e posteriormente junto à Escola Nacional Florestan Fernandes.
Nesse percurso, nos abriu portas na UFES encampando (contra os reacionários) o primeiro curso de Pós Graduação em Economia Política e Desenvolvimento Agrário para formadores e dirigentes de Movimentos Sociais do Brasil, que atualmente encontra-se na sua terceira edição.
Nos processos formativos, sempre que convidado, independente do local, nunca recebemos um não e, mais que isso, nunca impôs condições ou fez alguma exigência para sua participação. Dizia: “Para o MST eu sempre tenho agenda”!        
Falar, portanto, do Professor Reinaldo é acima de tudo, recordar da sua vida de intelectual comprometido, de educador e de militante das transformações sociais. Vida na qual a teoria e a prática se entrecruzam, transformando-o em um homem de ação e de pensamento.
Lega-nos o exemplo de estudioso rigoroso do Marxismo, sem ser dogmático. Ao estudar os clássicos tinha em mente, a necessidade de interpretar os dilemas da realidade atual para nela atuar de forma revolucionária. Um combatente nas trincheiras dentro e fora da Universidade para defender a importância da teoria crítica como arma e ferramenta de luta para os Movimentos Sociais.
Lega-nos o exemplo da solidariedade, do amigo que sempre foi em todas as horas que nos brindou com sua companhia. Sua simplicidade contagiava a todos e, convocava para seguir na mesma trilha do estudo e da luta. Homem de caráter, de alegria cativante, que, apesar das agruras da vida, inclusive do exílio, não perdeu a ternura e a capacidade de amar a família, os trabalhadores, o Brasil, que desejava livre, soberano e independente.
Lega-nos uma valiosa obra em seus trabalhos escritos, em suas palestras e intervenções teóricas. Mas, acima de tudo nos lega a sua própria vida, através do amor que dedicou a ela, do sentido que deu a ela até o último momento. Diante da gravidade da situação de saúde que o abateu, encarou essa condição, em pé!
Por isso, apesar da sua ausência física, Reinaldo não nos deixa. Permanece entre nós, nos instigando ao estudo, à vivência dos novos valores, acompanhando nossos passos na luta pela justiça e pelo socialismo.
Continua a nos dar o exemplo de um verdadeiro Marxista, nos ensinando que a revolução socialista é o horizonte da classe trabalhadora, bandeira com a qual continuamos comprometidos. Esta causa – da emancipação humana – com certeza o manterá vivo e presente em nossas salas de aula, em nossas bibliotecas, em nossos cursos de formação, em nossas reflexões e elaborações teóricas, em nossas lutas, em nossos espaços de confraternização e diálogos.
O MST, os Movimentos Sociais, a UFES, todos perdemos um grande intelectual; perdemos um pensador comprometido com os “de baixo”; perdemos um educador exemplar; perdemos um grande amigo!
Queridos familiares, esposa e filhos! Recebam da família do MST, a solidariedade, o reconhecimento e o significado deste GRANDE HOMEM junto a nós e para as lutas do povo.
Recebam o nosso abraço de carinho e amizade. Tenham a certeza de que continuaremos seguindo seus ensinamentos, seu exemplo e sua esperança num futuro melhor para os trabalhadores deste país e do mundo. VIVA REINALDO CARCANHOLO!
Um abraço socialista!


Adelar João Pizetta - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra!



>>> Nota da Editora  Expressão Popular
É com muita tristeza que a equipe da Editora Expressão Popular recebeu a notícia do falecimento do professor Reinaldo Carcanholo. Além de um dos mais destacados economistas marxistas brasileiros, ele – seguindo à raiz da tradição marxiana – esteve durante toda sua trajetória de vida vinculado às lutas sociais no Brasil e na América Latina.
Estudante de economia da Universidade de São Paulo durante a ditadura civil-militar brasileira, Carcanholo se exilou no Chile, ainda sob o governo da unidade popular capitaneado por Salvador Allende, onde termina a sua graduação e trava contato com o grupo da Teoria da dependência. Alguns anos depois – novamente exilado após o golpe contra o governo de Allende, Carcanholo vai para o México preparar sua tese de doutoramento sob a orientação de Ruy Mauro Marini, na Universidade Nacional Autonóma do México. Entre as décadas de 1970 e 1980 esteve no Chile, México, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador sempre em estreita ligação com os movimentos sociais e com os processos de luta pela libertação dos povos contra as ditaduras latino-americanas. Como ele mesmo afirmava: "não fui um militante, sempre estive, da universidade, ligado à formação da militância". Para nós, sua postura crítica e combativa, sempre a postos para contribuir na construção do conhecimento com vistas a desvelar a dinâmica da sociedade capitalista entre os trabalhadores e em uma linguagem clara foi sua forma mais sincera de militância.
Na volta ao Brasil Carcanholo se torna professor universitário e uma das principais figuras da Sociedade de Economia Política (SEP) e da Sociedade de Economia Política latino-americana (SEPLA), da qual era atualmente vice-presidente. A sua vinculação aos movimentos sociais se acentua cada vez mais, contribuindo incansavelmente com cursos de formação no tema da Economia Política para movimentos sociais, entre eles, marcadamente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), contribuição que já dura mais de duas décadas. Sem nunca perder a perspectiva latino-americana, Carcanholo segue divulgando suas criativas análises em torno das categorias econômicas marxistas em diversos países. Devemos mencionar, neste sentido, a recente publicação de um dos seus mais brilhantes ensaios - "A dialética da mercadoria" - em Cuba, com intuitos de formação política dos trabalhadores.
Distante das vaidades acadêmicas que infestam os intelectuais atualmente, a postura de Carcanholo era sempre de disposição à luta e humildade em aprender com a dinâmica da realidade. Generosa e militantemente nos ofereceu dois de seus livros para publicarmos - Capital essência e aparência, vol. 1 (2010) e vol. 2 (2013) - bem como contribuiu com prefácios e apresentações de livros. Reinaldo Carcanholo, para além de um intelectual marxista criativo, que buscava seguir Marx não de forma dogmática, mas utilizando a sua teoria não apenas para interpretar a realidade, mas também para transformá-la. É irreparável perda o seu falecimento, mas estamos certos que o seu legado seguirá vivo nos militantes empenhados em construir a passagem do reino da necessidade para o reino da liberdade.
Carcanholo, retomando Brecht, é daqueles que lutam sempre, os imprescindíveis.
Equipe da Editora Expressão Popular
31.05.2013