domingo, 10 de febrero de 2013

" A Revolução dos Bichos" de George Orwell.


Socializo uma sugestão de leitura e de filme para quem ainda não teve a oportunidade de ver.

Segue uma síntese para dar vontade de ver o filme e ler o livro.

" O sonho de um velho porco de criar uma granja governada por animais, sem a exploração dos homens, co cnretiza-se com uma revolução. Como acontecem com as revoluções, a dos bichos também está fadada à tirania, com a ascensão de uma nova casta ao poder. Nesta fábula feita sob medida para a Revolução Russa, todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que outros.

Síntese

Num belo dia, os animais da fazenda do Sr. Jones se dão conta da vida indigna a que saõ submetidos: eles se matam de trabalhar para os homens, lhes dão todas as suas energias em troca de uma ração miserável, para ao final serem abatidos sem piedade. Liderados por um grupo de porcos, os bichos então expulsam o fazendeiro de sua propriedade e pretendem fazer dela um Estado em que todos serão iguais.
Logo começam  as disputas internas, as perseguições e a exploraçaõ do bicho pelo bicho, que farão d agranja um arremedo grotesco da sociedade humana.

Punlicada em 1945, A Revolução dos Bichos foi imediatamente interpretada como uma fábula satírica sobre os descaminhos da Revolução Russa, chegando a ter sido utilizada pela propaganda anticomunista.
A novela de George Orwell de fato fazia uma dura crítica ao totalitarismo soviético; mas seu sentido trasncende amplamente o contexto do regime stalinista.
Mais do que nunca esta pequena obra-prima de ficção inglesa parece falar aos nossos dias, quando a concentração de poder e de riquezas, a manipulação da informação e as desigualdades sociais parecem atingir um ápice histórico. ( Fonte: http://vestibular.uol. com.br/resumos-de-livros/a-revolucao-dos-bichos.jhtm)

Link do filme completo:http://www.youtube.com/watch?v=I5KI0b2H6ks




Link do livro:

http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/animaisf.pdf




sábado, 9 de febrero de 2013

"A Fonte das Mulheres". O filme.


Para interessadas/os que não assistiram segue uma boa sugestão de filme:  "A fonte das Mulheres."

Um filme que mostra a realidade das mulheres no oriente*, cercada de violência e de opressão, que precisam explorar formas diversas de resistência e de sublevação para serem consideradas seres humanos e respeitadas como tal.

Segue a sinopse:

Em um pequeno vilarejo, situado entre o Norte da África e o Oriente Médio, as tradições islâmicas são seguidas a risca. Entre elas, a existência da mulher como procriadora é regra básica, mas existe uma que faz com que elas sejam as responsáveis por buscar água em um local distante e de difícil acesso, restando para os homens a tarefa de matar o tempo bebendo e falando da vida. Certo dia, Leila (Leila Bekthi), uma das mais jovens e alfabetizadas do grupo, resolve que a melhor maneira de mudar esse cenário, fazendo com que os homens assumam esta tarefa, é cortar o que eles mais gostam: o sexo. A polêmica decisão do grupo acaba interferindo nas relações entre os habitantes e provocando provocar uma verdadeira revolução cultural no povoado e mudando para sempre as suas vidas. ( Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-178832/)


 *Com os comentários do companheiro Félix Jácome :

"No oriente não: no mundo muçulmano! Senão nós caimos naquela dicotomia ocidente x oriente e nos damos mal!
Outro detalhe é que a história do filme é "baseada" numa peça de teatro de Aristófanes, teatrólogo da Grécia Antiga (essencialmente a idéia das mulheres se reunirem pra fazer uma greve de sexo contra os homens). A peça chama-se Lisístrata."


Link: ( filme completo dublado)

http://www.youtube.com/watch?v=JOXfXbAq-Ls





viernes, 8 de febrero de 2013

É ele.O mundo.

Percorrem olhos esguios os cantos do mundo. 
Quer encontrar algo,
Não sabe o quê. 

Dois minutos depois fita ao fundo,
Sabe muito bem o que quer.
É ele. O mundo.

Não estivesse distante.

08 dias contados.

Ângela Pereira.

domingo, 3 de febrero de 2013

O que esperamos de um relacionamento: Paz...













(Fonte: http://www.mulher30.com.br)

Balzac batendo à porta.

A mulher de 30.
Por Honoré de Balzac*

“Tome a mesma moça aos 20 e aos 30 anos. No segundo momento ela será umas sete ou oito vezes mais interessante, sedutora e irresistível do que no primeiro.
Ela perde o frescor juvenil, é verdade. Mas também o ar inseguro de quem ainda não sabe direito o que quer da vida, de si mesma e de um homem. Não sustenta mais aquele ar ingênuo, uma característica sexy da mulher de 20. Só que isso é compensado por outros atributos encantadores que reveste a mulher de 30.
Como se conhece melhor, ela é muito mais autêntica, centrada, certeira no trato consigo mesma e com seu homem. Aos 30, a mulher tem uma relação mais saudável com o próprio corpo e orgulho da sua vagina, das suas carnes sinuosas, do seu cheiro cítrico. Não briga mais com nada disso. Na verdade, ela quer brigar o menos possível. Está interessada em absorver do mundo o que lhe parecer justo e útil, ignorando o que for feio e baixo – astral. Quer é ser feliz. Se o seu homem não gosta dela do jeito que é, que vá procurar outra. Ela só quer quem a mereça.
Aos 30 anos, a mulher sabe se vestir. Domina a arte de valorizar os pontos fortes e disfarçar o que não interessa mostrar. Sabe escolher sapatos e acessórios, tecidos e decotes, maquiagem e corte de cabelo.  Gasta mais porque tem mais dinheiro. Mas, sobretudo, gasta melhor. E tem gestos mais delicados e elegantes.
Aos 30, ela carrega um olhar muito mais matador quando interessa matar. E finge indiferença com muito mais competência quando interessa repelir. Ela não é mais bobinha. Não que fique menos inconstante. Mulher que é mulher,se pudesse, não vestiria duas vezes a mesma roupa nem acordaria dois dias seguidos com o mesmo humor. Mas, aos 30 ela,já sabe lidar melhor com esse aspecto peculiar da sua condição feminina. E poupa (exceto quando não quer) o seu homem desses altos e baixos hormonais que aos 20 a atingiam e quem mais estivesse por perto, irremediavelmente.
Aos 20, a mulher tem espinhas. Aos 30, tem pintas, encantadoras trilhas de pintas, que só sabem mesmo onde terminam uns poucos e sortudos escolhidos.
Sim, aos 20 a mulher é escolhida. Aos 30, é ela quem escolhe. E não veste mais calcinhas que não lhe favorecem. Só usa lingeries com altíssimo poder de fogo. Também aprende a se perfumar na dose certa, com a fragrância exata.
A mulher de 30, mais do que aos 20, cheira bem, dá gosto de olhar, captura os sentidos, provoca fome. Aos 30, ela é mais natural, sábia e serena. Menos ansiosa, menos estabanada. Até seus dentes parecem mais claros; seus lábios, mais reluzentes; sua saliva, mais potável. E o brilho da pele não é a oleosidade dos 20 anos, mas pura luminosidade.
Aos 20 ela rói as unhas. Aos 30, constrói para si mãos plásticas e perfeitas. Ainda desenvolve um toque ao mesmo tempo firme e suave. Ocorre algo parecido com os pés, que atingem uma exatidão estética insuperável. Acontece alguma coisa também com os cílios, o desenho das sobrancelhas, o jeito de olhar. Fica tudo mais glamouroso, mais sexualmente arguto.
Aos 30, quando ousa, no que quer que seja, a mulher costuma acertar em cheio. No jogo com os homens já aprendeu a atuar no contra – ataque. Quando dá o bote é para liquidar a fatura. Ela sabe dominar seu parceiro sem que ele se sinta dominado. Mostra a sua força na hora certa e de forma sutil.
Não para exibir poder, mas para resolver tudo ao seu favor antes de chegar ao ponto de precisar exibi-lo. Consegue o que pretende sem confrontos inúteis. Sabiamente, goza das prerrogativas da condição feminina sem engolir sapos supostamente decorrentes do fato de ser mulher.”
Diria que este texto é uma versão mais apimentada da mulher de 30. Na cama, elas dão um banho em qualquer uma de 20. E ainda existem os homens que acham que trocar uma de 30 por uma de 20, é um bom negócio. Não sabem o que estão perdendo. O fogo e o vigor da mulher de 30, é imbatível.



*Honoré de Balzac  foi um escritor francês de romances clássicos que está entre as grandes figuras da literatura mundial. Seu nome original foi Balssa Honoré nasceu em Tours, em 20 de maio de 1799. Filho de um oficial do camponês, teve uma infância infeliz. Forçado por seu pai, estudou direito em Paris 1818-1821. No entanto, ele decidiu dedicar-se à escrita, apesar da oposição dos pais. Entre 1822 e 1829 viveu na pobreza abjeta e teatro trágico escrever romances melodramáticos mal sucedidas. Em 1825, ele tentou a sorte como um editor e impressora, mas foi forçado a sair do negócio em 1828 à beira da falência e da dívida para o resto de sua vida. Em 1829, ele escreveu o romance Os Chouans, o primeiro que leva o seu nome, baseado na vida de Breton camponeses e seu papel na insurreição monarquista de 1799, durante a Revolução Francesa. Embora ele pode ver algumas das imperfeições de seus primeiros escritos, é o seu primeiro romance importante e marca o início de sua evolução imparável como escritor. Trabalhador incansável, Balzac poderia produzir cerca de 95 romances e vários contos, peças de teatro e artigos de jornal nos próximos 20 anos. Em 1832, ele começou sua correspondência com uma condessa polonesa, Eveline Hanska, Balzac, que prometeu casar após a morte de seu marido. Ele morreu em 1841, mas Eveline e Balzac não se casar até março de 1850. Balzac morreu em 18 de agosto de 1850. Em 1834, ele concebeu a ideia de fundir todos os seus romances em uma única obra, "A Comédia Humana". Sua intenção era proporcionar um grande afresco da sociedade francesa em todos os seus aspectos, desde a Revolução de seu tempo. Em uma famosa introdução escrita em 1842, explicou a filosofia do trabalho, que se reflete em alguns dos pontos de vista dos escritores naturalista Jean Baptiste Lamarck e Geoffroy Saint-Hilaire Étienne. Balzac disse que, como os diferentes ambientes e património produzir diversas espécies de animais, as pressões sociais criam diferenças entre os seres humanos. Propõe-se assim para descrever cada um o que ele chamou de "espécie humana". O trabalho deve incluir 150 novelas, divididas em três grupos principais: costumes, estudos filosóficos e analíticos. O primeiro grupo, que cobre a maior parte de seu trabalho como está escrito, é subdividida em seis cenas: privado, provincial, parisiense, militares, políticos e camponesa. Os livros incluem dois mil caracteres, a mais importante das quais aparecem ao longo do trabalho. Balzac foi capaz de completar cerca de dois terços deste grande projeto. Entre os melhores romances mais conhecidos da série incluem Goriot (1834), que narra o sacrifício excessivo de um pai com suas filhas ingratas, Eugenia Grandet (1833), que conta a história de um pai avarento e obcecado com o dinheiro que destrói felicidade de sua filha, Cousin Bette (1846), um relato da vingança cruel de um ciumento velho e pobre, a busca do absoluto (1834), um estudo fascinante de monomania e ilusões perdidas (1837-1843). O objetivo foi o de fornecer uma descrição Balzac sociedade absolutamente realista francês, algo fascinante para o autor. Mas sua grandeza está na capacidade de transcender a mera representação e dar seus romances uma espécie de surrealismo. A descrição do ambiente no seu trabalho é quase tão importante como o desenvolvimento dos caracteres. Balzac disse uma vez que "os acontecimentos da vida pública e privada estão intimamente relacionados à arquitetura", e assim descreve as casas e quartos em que seus personagens se movem de forma a revelar as suas paixões e concupiscências. Embora personagens de Balzac são perfeitamente crível e real, quase todos eles são de propriedade da sua monomania própria. Todo mundo parece mais ativo, vivo e desenvolveram seus modelos ao vivo, ainda vida é superar uma característica de seus personagens. Balzac se torna mediocridade sublime da vida, expondo as partes mais escuras da sociedade. Dá o usurário, a cortesã e grandeza dandy de heróis épicos. Outro aspecto do extremo realismo de Balzac é a sua atenção para as exigências mundanas da vida diária. Longe de trazer vidas idealizadas, seus personagens continuam obsessivamente preso em um comércio de mundo materialista e crises financeiras. Na maioria dos casos, essas questões estão no cerne de sua existência. Por exemplo, a ganância é um de seus assuntos preferidos. Balzac em seus diálogos demonstra um comando extraordinário da linguagem, adaptando com incrível capacidade de retratar uma variedade de personagens. Sua prosa, embora às vezes excessivamente detalhado, possui uma riqueza e dinamismo que o torna irresistível e absorvente. Entre suas muitas obras são, além dos já mencionados, os romances A Pele Fatal (1831), O lírio do vale (1835-1836), César Birotteau (1837), Esplendor e miséria das cortesãs (1837-1843) e O sacerdote de Tours (1839); Tales Libertines (1832-1837), O jogo Vautrin (1839) e suas famosas cartas para o estrangeiro, que representam a longa correspondência que durou de 1832 a Eveline Hanska. ( Fonte: http://epdlp.com/escritor.php?id=1432)

lunes, 28 de enero de 2013

Vanderley Caixe. Presente! Presente! Presente!

Um dia na "praça da Alegria" da Universidade Federal da Paraíba, adquiri um livro de poesias com um rapaz que vendia livros já bastante folheados. 
Em tempo de engajamento no movimento estudantil e  de interesse ávido por poesias engajadas, chamou-me atenção um livro fino, com visual artesanal, com o título "19 poemas da prisão e um canto da terra".  

Passei os olhos nas páginas e encontrei uma poesia que para além da expressão da dor de Dionila Camponesa ao ser despejada, trouxe-me lembranças do passado. 

Lembranças de uma infância volteada de canaviais na Usina Central Olho D'Agua. 
Corre-corre entre canas queimadas, esconde-esconde em terra arada e restos de mata atlântica. Em tempo de safra, fuligem no chão e nos olhos. Corte de cana. Homens esguios com equipamentos de proteção individual improvisados, bonés e roupas sem cor, mas rostos bastante enegrecidos pela força do sol, junto à melanina própria deles. Barulho. Na pele pingos da água quente que esfriava as engrenagens da usina . Tratores e caminhões cheios de cana na ida à Escola Dr. José Hardman.  

Com a saída de meu pai (técnico agrícola) da Usina por não aceitar a opressão de gerentes e a condição salarial insuficiente para sustentar três filhas e uma esposa, com a repetição dessa situação em outras usinas por onde o mesmo trabalhou e com a aproximação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais ( MST) compreendi a dimensão da poesia escrita por Vanderley Caixe.

Hoje com mais alguns anos de vida, com outras histórias vividas, com algum aprendizado na militância social e algumas leituras a mais, ouvir novamente a poesia Dionila Camponesa, recitada numa homenagem ao lutador Vanderley Caixe  no Encontro Estadual do MST, aflorou lembranças, reafirmou minha origem e a minha luta. 

Não somos as primeiras, nem somos os primeiros. Não seremos as últimas, nem seremos os últimos.O nosso inimigo  é gigante. Destrói  vidas, alegrias e sonhos. 
A nossa luta  precisa ser leal aquelas/es cujas vidas foram ceifadas na tortura diária do corte de cana, àquelas/es que carregam na memória e no corpo à tortura da ditadura militar, àqueles/as que hoje passam fome nas ruas de todo o mundo para alimentar a ganância e ambição desmedida de um sistema desumano.

Sejamos vários/s " Vanderley Caixes",  escrevendo poesia na luta e na luta recitando poesia.

DIONILA CAMPONESA
  
Dionila camponesa despejada,
lavoura destruída e trecos no chão.
Sessenta e oito anos amainando a terra,
amainando os filhos, produzindo o pão.

Dionila da terra semente,
da terra o ventre,
do filho do chão.
Oitocentos mil pequenos proprietários,
quatrocentos e cinqüenta mil posseiros e,
dois milhões de pequenos arrendatários,
/juntos na expulsão.

Acompanhados, os tratores chegaram com a
polícia e a ordem do juiz.
Não ficou casa,
/não ficou planta no chão.
Sua lavoura destruída
e seus trecos debaixo do pé de pau.

Mais uma favela vai ser construída de despejo,
de desemprego. De toda a injustiça do mundo.

Dionila, a cobiça é o chão!
Mexa nervos e músculos,
O que resta das rugas do rosto ao sol.
Faça da enxada as asas
/e como o pássaro, busque o céu!
Olhe aqueles que com a força dos seus braços
/ganham o mísero pão.

Seja a força para que eles continuem produzindo,
/a macaxeira, a batata e o feijão.

Dionila, dos altos dos céus:
Inspire a força dos seus filhos de Coqueirinho e Cachorrinho,
/ameaçados pela Usina Central Olho D’água.
Estenda seus braços por toda Alagamar,
Piacas, Caipora, Várzea Grande, Riacho dos Currais.
Vá aos agricultores da Fazenda Paripe,
/para eles enfrentarem a
especulação imobiliária.

Lembre-se da luta dos agricultores de Capim-de-Cheiro
/que há anos enfrentam a Usina Maravilha e, agora, os proprietários Assis e
Vasconcelos.
Dionila seja a força de Camucim,
do Sítio das Moças
de Taquara, do Sítio Arame, Capim-de-Cheiro, dos municípios de Alhandra,
Caapora e Pitimbu,
/que o inferno verde dos diabos da Fazenda Tabu está expulsando.
Seja a guarda de Joaquim, seu irmão de roça e da terra,
/ameaçado por todos aqueles proprietários rurais em Mangueira.

Dionila, nossa mãe camponesa,
Olhai os índios da Baia da Traição - da Nação Potiguar;
Olhai pelos pescadores da Barreira Grande,
Acaú, Tejucupapo e todos os outros;
Olhai por Mataraca, Sapé, Rio Tinto, Santa Rita, que
pelas mãos que as usinas vão matar, na calda envenenada,
nos pilares da cana-de-açúcar - a destruição do ar
- a destruição da terra - a destruição dos rios.

Dionila verta por nós as lágrimas que o despejo enxugou.
Dionila,
é o boi - o capim
é o trator - a cana
é o capanga - o latifúndio
é o policial - o poder
é a lei - a injustiça
é o dinheiro - o lucro que sua fome vai gerar
é o projeto do álcool
é o plano - o filho legítimo do sistema
é o que você não entende,
/o que seus olhos não compreendem
neste dia de Feliz Ano Novo.! 

 (um dia de um ano, na cidade de Pedras de Fogo, Estado da Paraíba, os tratores da Usina Central Olho D’Água, acompanhado de 40 policiais, um oficial de justiça e do mandado de um juiz – mais tarde afastado por corrupção e prevaricação – expulsaram D. Dionila de sua casa, derrubaram as jaqueiras, mangueiras e a própria casa, destruindo toda a plantação de feijão-de-corda e batata. A Usina precisava plantar cana-de-açúcar.)

(In: 19 poemas da Prisão e um Canto da terra. Vanderley Caixe)

domingo, 6 de enero de 2013

Há vida lá fora...

No final do ano passado, depois de ponderar os prós e contras da decisão, optei por sair do  Facebook. A vida moderna apresenta ferramentas  que criam falsas necessidades para  mulheres e homens. A dificuldade de me concentrar em atividades para as quais deveria  realmente focar; a necessidade de privacidade e de auto-preservação foram alguns dos motivos que levaram a sair do facebook

Depois de passar um tempo, ainda com a vontade de dar uma olhada diária nas postagens de pessoas e compartilhar poesias, textos e fotografias bonitas, percebi o quanto o desapego a essa ferramenta me permitiu aproveitar o tempo com atividades mais interessantes.  
Resgatei a prática da leitura como lazer. O prazer de assistir filmes, mania da adolescência que ficara esquecida,e somente algumas vezes retomava, foi resgatado não como mania, mas como necessidade. Abri-me à possibilidade de concentrar as necessidades, a indignação e o agit-prop faceboquiano em atividades que de fato trarão mais acúmulo de informação/formação e elevação do nível cultural que os compartilhamentos de trechos entrecortados, que citações incompletas de autores, poetisas e poetas que ilusoriamente poderia conhecer.

Teria perdido contatos de pessoas distantes, de amigos (?), de intelectuais... Ficaram realmente os que valem a pena. Os que  lembram, ligam ou visitam para saber como estou passando os meus dias.  Faltariam informações sobre as atividades culturais da cidade? Ficarei sabendo daquilo que me interessa por outros sites e por amigas/os. 

Com quase trinta anos de idade, as minhas necessidades, as minhas ambições, as minhas vontades têm mudado. Se antes já buscava priorizar o que realmente me fazia bem, agora     o farei muito mais. 

É tempo de mais seletividade, de mais aprofundamento, de mais aprimoramento... De menos superficialidade, de menos aparência deslocada da essência. É tempo de mais amor-próprio, de mais segurança, de mais assertividade, de fazer o que realmente vale a pena e o que me faz bem...

Uma ressalva para os que de vez em quando circulam os olhos por esse despretensioso blog: O gosto pelas palavras e pela escrita me farão permanecer por aqui. Em alguns momentos, rascunhando poesia; em outros, reprisando pensamentos de mentes interessantes e em outros pegando o sentido e dando sentido às palavras em poesia. Espero que com melhor qualidade.
Feliz vida!

Ângela Pereira.

A coisa e o seu contrário

Enquanto as palavras próprias são maturadas , tomo emprestadas as de Ademar Bogo.
Contemplada!


Podemos com certeza dizer que não são as pessoas que não prestam, mas a estrutura do poder capitalista envolvente dos indivíduos na condução de seu projeto

03/01/2013
Ademar Bogo  
  
Circula pelas chamadas “redes sociais” um vídeo produzido pelo Movimento Gota d´Água, em que aparecem artistas conhecidos que, descontentes com a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, levantam a voz para chamar a atenção da sociedade e do governo sobre as consequências que trará o alagamento de aproximadamente 516 Km2 de terras pertencentes às comunidades indígenas na Amazônia. O que chama a atenção não é a campanha bem intencionada e altiva dos artistas, certamente todos pertencentes à classe média, mas os apoios que recebem de grandes veículos de comunicação, jornais, revistas e televisão, para criticarem o megaprojeto do governo que pretende construir até 2015 a terceira maior hidrelétrica do mundo.          
O fenômeno da critica feita por forças inesperadas ocorre porque, segundo Florestan Fernandes, a “coisa produz o seu contrário”. A coisa, neste caso, podemos considerar o governo, e o seu contrário significa que as forças tidas historicamente como de esquerda, ao chegarem ao mais alto cargo da República abandonaram a luta pelo poder e assumiram as funções da classe dominante, tomando para si os argumentos e as práticas antipopulares que antes questionavam.                  
A “coisa” vem produzindo o seu contrário na esfera dos projetos e das condutas. Se os escândalos institucionais seguem na mesma regularidade de antes da conquista do governo, significa que errado pode não ser o caráter das pessoas que se deleitam com as alturas alcançadas, mas o aparelho que se mantém tal qual como foi recebido, que, como instrumento de trabalho, entorta a consciência e deforma o espírito de quem o maneja.    
Podemos com certeza dizer que não são as pessoas que não prestam, mas a estrutura do poder capitalista envolvente dos indivíduos na condução de seu projeto; estando lá, defendem a ordem e a lei; favorecem aliados; intermediam negócios, empregam parentes e amigos e (se não todos) recebem comissões para o favorecimento pessoal, disputar eleições ou ter crédito em forma de favores a serem cobrados no futuro.           
Fidel Castro em sua gloriosa obra, A História me absolverá, diz em uma certa altura do discurso de seu próprio julgamento em 1953, após denunciar a matança dos prisioneiros, que, “O Estado não oferece garantias de vida a ninguém”. É o que também vemos confirmado na atualidade. A matança indiscriminada de pessoas de qualquer idade em todas as cidades brasileiras e, muitas vezes cometida pelos agentes do Estado; construção de obras que expulsam as pessoas de suas comunidades em nome do desenvolvimento; displicência com o cuidado e o zelo dos funcionários públicos em greve etc. E, não nos iludamos, não há uma repressão permanente nos moldes dos governos anteriores, porque não está havendo mobilizações significativas e articuladas que impeçam da “coisa” exercer a função do seu contrário histórico.                
A coisa virou o seu contrário, porque hoje governam os que ontem protestavam e protestam os que ontem governavam, e a classe média, sem partido porque os próprios partidos viram inverter os seus propósitos e desaprenderam a pensar e a querer transformações profundas no Estado, na exploração econômica, nas relações políticas e sociais.             
Todo e qualquer cidadão minimamente informado das ideias marxistas sabe que o Estado, e com ele toda a estrutura governamental, funciona em benefício do capital e que os trabalhadores ao tomá-lo para si devem utilizá-lo, no primeiro momento, para manter o funcionamento da sociedade mas, logo em seguida, modificá-lo para que possa valer a vontade da maioria, obviamente sem ter nesse meio a classe outrora dominante. A coisa virou o seu contrário porque o germe da ilusão que a democracia oferecida pela ordem capitalista seria o instrumento para resolver todos os problemas.         
A ordem institucional é tão perversa que se alimenta das condenações de seus próprios defensores, com ou sem provas, e, aqueles que são tomados pela força do contrário, nem se importam com as condenações; de certa forma, sentem que os que não são bem vistos, devem ser devolvidos para o mundo onde a coisa ainda continua sendo a coisa, um pouco menos ingênua.  
  
Ademar Bogo é filósofo, escritor e agricultor.

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/11434

viernes, 21 de diciembre de 2012

Uma Poesia para Saturno

Idade Madura 

As lições da infância
desaprendidas na idade madura.
Já não quero palavras, nem delas careço.
Tenho todos os elementos
Ao alcance do braço.
Todas as frutas
e consentimentos.
Nenhum desejo débil.
Nem mesmo sinto falta
do que me completa e é quase sempre melancólico.
Estou solto no mundo largo.
Lúcido cavalo
com substância de anjo
circula através de mim.
Sou varado pela noite, atravesso os lagos frios,
Absorvo epopéia e carne,
bebo tudo,
desfaço tudo,
torno a criar, a esquecer-me:
Durmo agora, recomeço ontem.

De longe, vieram chamar-me.
Havia fogo na mata.
Nada pude fazer,
nem tinha vontade.
Toda a água que possuía
irrigava jardins particulares
De atletas retirados, freiras surdas, funcionários demitidos.

Nisso, vieram os pássaros,
rubros sufocados, sem canto,
e pousaram a esmo.
Todos se transformaram em pedra.
Já não sinto piedade.

Antes de mim outros poetas,
depois de mim outros e outros
estão cantando a morte e a prisão.
Moças fatigadas se entregam, soldados se matam
No centro da cidade vencida.
Resisto e penso
numa terra enfim despojada de plantas inúteis,
num país extraordinariamente, nu e terno,
qualquer coisa de melodioso,
não obstante mudo,
além dos desertos onde passam tropas, dos morros
onde alguém colocou bandeiras com enigmas,
e resolvo embriagar-me.

Já não dirão que estou resignado
e perdi os melhores dias.
Dentro de mim, bem no fundo,
Há reservas colossais de tempo,
Futuro, pós-futuro, pretérito,
Há domingos, regatas, procissões,
Há mitos proletários, condutos subterrâneos,
Janelas em febre, massas da água salgada, meditação e sarcasmo.

Ninguém me fará calar, gritarei sempre
que se abafe um prazer, apontarei os desanimados,
negociarei em voz baixa com os conspiradores,
transmitirei recados que não se ousa dar nem receber,
serei, no circo, o palhaço,
serei, médico, faca de pão, remédio, toalha,
serei bonde, barco, loja de calçados, igreja, enxovia,
serei as coisas mais ordinárias e humanas, e também as excepcionais:
tudo depende da hora
e de certa inclinação feérica,
viva em mim qual um inseto.

Idade madura em olhos, receitas e pés, ela me invade
com sua maré de ciências afinal superadas.
Posso desprezar ou querer os institutos, as lendas,
descobri na pele certos sinais que aos vinte anos não via.

Eles dizem o caminho,
embora também se acovardem
em face a tanta claridade roubada ao tempo.
Mas eu sigo, cada vez menos solitário,
em ruas extremamente dispersas,
transito no canto homem ou da máquina que roda,
aborreço-me de tanta riqueza, jogo-a toda por um número de casa,
e ganho.


Carlos Drumond de Andrade