lunes, 13 de agosto de 2012

Eu-Mulher


Uma gota de leite

me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas.
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.
Eu-mulher em rios vermelhos
inaugura a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo
Antecipo
Antes-vivo
Antes-agora-o que há de vir.
Eu fêmea matriz
Eu força motriz
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-continuo
do mundo.

Conceição Evaristo

Fêmea-Fénix

Navego-me eu–mulher e não temo,
sei da falsa maciez das águas

e quando o receio
me busca, não temo o medo,
sei que posso me deslizar
nas pedras e me sair ilesa,
com o corpo marcado pelo olor
da lama.

Abraso-me eu-mulher e não temo,
sei do inebriante calor da chama
e quando o temor
me visita, não temo o receio,
sei que posso me lançar ao fogo
e da fogueira me sair inunda,
com o corpo ameigado pelo odor
da queima.

Deserto-me eu-mulher e não temo,
sei do cativante vazio da miragem,
e quando o pavor
em mim aloja, não temo o medo,
sei que posso me fundir ao só,
e em solo ressurgir inteira
com o corpo banhado pelo suor
da faina.

Vivifico-me eu-mulher e teimo,
na vital carícia de meu cio,
na cálida coragem de meu corpo,
no infindo laço da vida,
que jaz em mim
e renasce flor fecunda.
Vivifico-me eu-mulher.
Fêmea. Fênix. Eu fecundo.


Conceição Evaristo.

domingo, 12 de agosto de 2012

Domingo,


É início, reinício, meio, e até fim.
Tem algo de quieto, 
às vezes tédio.
às vezes preguiça

Tem algo de perto
às vezes mar
às vezes mato
às vezes casa


Tem algo de afeto
às vezes desejo
às vezes abraço
às vezes beijo

Tem algo de incerto.
Só se sabe que no dia seguinte,
É preciso  se ter mais coragem.

Ângela Pereira.

miércoles, 1 de agosto de 2012

Doce à gosto.



É do gosto doce qu'eu gosto.
Às vezes a saliva escorre amarga.
Que é pra deixar marcado o aprendizado
E a acidez escapa da boca
Quando o de fora é extremamente salgado



Gosto da diversidade, 
Mas prefiro o doce.
As palavras gentis.
Os abraços demorados.
As melodias alegres.
Os sorrisos abertos.
Os apegos sutis.

E que venha esse mês novo...
Que venha doce 
Agosto...


Ângela Pereira.

domingo, 29 de julio de 2012

Que a vida gire!


Há oportunidades que passam nas nossas vidas uma única vez. E deixamos  escapar. 

Há  outras que rondam a nossa vida, em círculos , esperando o momento em que com os

 olhos, o nariz, a boca, os pulmões, a voz  e os braços as agarremos. Se as deixamos 

escapar é porque não estávamos prontos. Melhor que a vida gire e que os sentidos e o

 corpo estejam atentos para agir.


Façamos poesia e façamos luta! Mais poetas revolucionários e revolucionários poetas, por favor!

Ando, vejo, sinto
Em meio a um cotidiano tão adverso
Tento fazer: do andar, do ver, do sentir um ato de indignação
Constante, jamais naturalizada
Enquanto houver injustiça!

O que na aparência parece pequeno

Não é pequeno em sua essência
Sociedade em criseCrise do capital
O mesmo capital que tolhe diariamente tudo que sonho

Quanto ao que sonho, não é só sonho

É certeza!
As contradições do dia-a-dia
 Me deixam cada vez mais convicto:Teremos dias melhores!

À quem diga:"És um mero sonhador!

"Que digam!Sigo a dica de um camarada comandante
Forjo o meu espírito revolucionário.

Está para chegar o mundo novo

De homens novo
sDe mulheres novas
Esse será o dia em que os/as oprimidos/asCantarão sua liberdade!

Classes não mais existirão

Estado? 
Para que(m)?
Povo firme, seguindo junto
Em um só cordão, construindo nossa tão sonhadaRevolução!

Está para chegar essa liberdade

Cantada em um mesmo hino
onde as vozes serão essencialmente as mesmas!
O hino de todas as coresPreto, colorido, lilás, vermelho!

Essas cores não serão outras,senão as cores do povo.

Das trabalhadoras e dos trabalhadores
Que carregam em sua história, em suas mãos
A marca da exploração.

O comunismo

É possível
É necessário
A história nos pede!
Sigamos firmes!

(Lucas Bezerra)


=ºD

martes, 24 de julio de 2012

**Gayatri Mantra **

(...) 

OM BHUR BHUVA SVAHA

TAT SAVITUR VARENYAM
BHARGO DEVASYA DHIMAHI
DHIYO YO NAH PRACHODAYAT

(...)

domingo, 27 de mayo de 2012

A Marcha das Vadias e a Mercantilização do corpo e vida das mulheres


Publicada em: 25.05.2012 


Há um ano atrás a Marcha das Vadias foi construída como uma resposta irreverente contra a responsabilização das mulheres pelas violências sofridas e a estigmatização dos corpos femininos. Potencializada pela mobilização nas redes sociais, a Marcha ganhou vários países e, no Brasil, várias cidades. Algumas conseguiram dialogar com a conjuntura local e denunciar práticas de machismo naturalizadas, como por exemplo, a denúncia da prática machista de Rafinha Bastos na televisão e em sua casa de show em São Paulo.
Passado um ano dessa movimentação é preciso refletir tanto sobre as formas como o capitalismo e o patriarcado mercantilizam a vida e o corpo das mulheres, como os instrumentos de resistências aos quais dispomos. Essa segunda tarefa passa por perceber que, muitas vezes, a violência contra as mulheres precisa de uma resposta rápida e incisiva, como se deu com a Marcha das Vadias, mas que seu enfrentamento deve ser um processo cotidiano, que vai além de um evento.
Desde o final dos anos 70, o conjunto do movimento de mulheres, através da insígnia “nosso corpo nos pertence”, buscou questionar as imposições do patriarcado sobre a autonomia das mulheres – questão de fundo da Marcha das Vadias. Essa bandeira tem significado a luta das mulheres pelo direito de viver a sua sexualidade livremente, a luta por autonomia sobre o corpo e a vida, desde o exercício autônomo do desejo e do direito ao prazer, à legalização do aborto.
Retomamos esta luta, aprofundando a compreensão da sua dimensão anti-capitalista, uma vez que denunciamos como a sociedade de mercado impõe padrões de beleza racistas e sexistas e como o mercado difunde uma ideia do corpo das mulheres como objeto - em constante ajuste, retoque, conserto.  As indústrias farmacêuticas e cosméticas acumulam lucros estrondosos, à custa da propagação da insegurança das mulheres, gerando, além de tudo, graves doenças como os distúrbios alimentares.
 A associação entre capitalismo e patriarcado, que transforma as mulheres em objetos, está no centro da violência sexista. O Brasil possui o sétimo maior índice de homicídios de mulheres do mundo. Essas mulheres são assassinadas, muitas vezes, porque não se calaram diante de situações de violência ou porque exerceram sua autonomia. Conforme aponta pesquisa da Fundação Perseu Abramo (2010), a cada dois minutos 5 mulheres são espancadas no país, a cada minuto 5 mulheres sofrem assédio sexual, e a cada hora 220 mulheres são obrigadas a ter relações sexuais forçadas.
Essa situação de extrema objetificação da mulher está expressa no indignante caso de violência machista e sexista ocorrido no município de Queimadas no estado da Paraíba. Um estupro coletivo de cinco mulheres, sendo duas delas, assassinadas brutalmente por dez homens durante uma festa realizada por eles com o intuito de “presentear” o aniversariante com o estupro dessas mulheres. Este foi um ato de extremo machismo e misoginia pelo nível de crueldade, violência e desprezo pela vida das mulheres, derivados de um clima de terror que gera a perseguição e morte, caracterizados pelo abuso físico e verbal, estupro, tortura, escravidão sexual, espancamentos.  Este crime bárbaro precisa ser punido com todo rigor da lei!
 Além disso, a prostituição continua sendo vista por muitos como uma forma de viver a sexualidade. Para nós, ela representa a mercantilização, violência e subjulgação as quais as mulheres são submetidas. Sabemos que a indústria do sexo é um setor internacionalmente articulado, que gera lucros enormes e é associado ao tráfico de drogas, armas, corrupção e esquemas de crime organizado e sobrevive da exploração massiva do corpo de mulheres e crianças.  Somos solidárias às mulheres que são vítimas dessa forma de exploração da sociedade patriarcal, mas é preciso perceber que a prostituição só existe em um sistema que se articula em torno da subordinação das mulheres e, portanto, não produz nada relacionado à liberdade e autonomia, ao contrário, a mulher se encontra escravizada por uma rede mercantilizada de controle do seu corpo e da sua vida. Essas redes funcionam como organizações criminosas que traficam e escravizam na sua maioria mulheres jovens negras entre 17 e 27 anos.
Essas formas materiais e simbólicas que constituem a opressão das mulheres na conjuntura atual revelam a necessidade de formas de mobilização e instrumentos de resistência que ultrapassem os limites da Marcha das Vadias. Essa resistência tem sido forjada há anos pelo conjunto dos movimentos de mulheres, pela articulação de mulheres nos movimentos mistos e pelas alianças entre movimentos que tem na sua base a luta por outro sistema. Não é possível “resolver” a opressão das mulheres, nos auto-intitulando “todas vadias”. Mas é preciso aprender com as novas formas de articulação, potencializadas pelas tecnologias da informação e comunicação, atualizando nossas formas de ação.
É preciso reafirmar a importância da auto-organização e resistência das mulheres para construção de um mundo baseado na igualdade, na solidariedade e livre de violência. É preciso fortalecer a nossa luta cotidiana contra a mercantilização das mulheres.
Negamos a falsa liberdade, oferecida pelo mercado, que se encerra unicamente na ideia de não ter impedimentos para a ação. Esta idéia está na base da banalização da sexualidade, tornando-a mais um produto a serviço dos lucros. Temos que ir além disso. É preciso construir a liberdade como condição necessária para a igualdade e como condição da autonomia tanto coletiva como individual das mulheres. Somente a partir desta compreensão é que faz sentido seguir em marcha até que TODAS sejamos livres!
Assim, estamos em constante luta para que as mulheres não sejam caracterizadas como vadias por sair dos padrões de comportamento, nem como qualquer outro símbolo que as menospreze e as diminua.  Reafirmamos o direito de todas as mulheres viverem livre de estigmas, estereótipos, violência e exploração!!! 

Fonte: MMM 

jueves, 24 de mayo de 2012

Cheia de vida... ( Gioconda Belli)


‎"Sou cheia de gozo,
cheia de vida,
carregada de energias
como um animal jovem e contente.
imantado o meu sangue com a natureza,
sentindo o chamado do monte
para correr feito um veado desenfreadamente,
acariciando o ar, [...]


Sinto que sou um bosque
que há rios dentro de mim,
montanhas,
ar fresco, ralinho
e parece-me que vou espirrar flores
e que, se abro a boca,
provocarei um furacão com todo o vento
que tenho contido nos pulmões."




Gioconda Belli

NOTA DA MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES- PARAÍBA



João Pessoa, 15 de maio de 2012.

A Marcha Mundial das Mulheres surgiu no Brasil no ano 2000 como uma grande mobilização que reuniu mulheres do mundo todo em uma campanha contra a pobreza e a violência. Defendemos a visão de que as mulheres são sujeitos ativos na luta pela transformação de suas vidas e que ela está vinculada à necessidade de superar o sistema capitalista patriarcal, racista, homofóbico e destruidor do meio ambiente. Somos, portanto, uma articulação feminista popular de âmbito local, nacional e internacional que surge a partir das condições de pobreza e violência vivenciadas pelas mulheres no mundo.
Entre as pautas da MMM estão a defesa dos bens comuns e serviços públicos, a luta pelo fim da violência contra a mulher, a reivindicação pela paz e desmilitarização, a luta pela autonomia econômica das mulheres no que se refere à capacidade de as mesmas serem provedoras de seu próprio sustento, assim como das pessoas que delas dependem, e decidir qual é a melhor forma de fazê-lo, bem como a organização das mulheres urbanas e rurais a partir da base e das alianças com movimentos sociais.
Nosso papel enquanto movimento social feminista é a luta em defesa das mulheres da classe trabalhadora, do campo e da cidade. A MMM irá continuar realizando lutas reivindicatórias com impacto real no que se refere aos direitos políticos e civis, às políticas sociais públicas e às condições de trabalho da classe trabalhadora. O objetivo de nossa luta é contribuir com a emancipação política e humana das mulheres, sendo, portanto, uma luta contra dois sistemas de dominação e exploração: o capitalismo e o patriarcado.
Consideramos que as análises de conjuntura permitem a leitura da realidade. Nesse sentido, nos valeremos, sempre que necessário, desse método essencial para auto-organização, formação e fortalecimento dos movimentos sociais na sua luta cotidiana nos diversos espaços de formação e debates na sociedade. Afirmamos a nossa autonomia política, liberdade de expressão e disponibilidade em dialogar com diversos setores da sociedade no sentido de alcançarmos os nossos intentos.
Estamos à disposição para o debate político, acerca das reivindicações da plataforma feminista no campo das políticas sociais, frente às reais condições de dominação e exploração sofridas pelas mulheres.

 Marcha Mundial das Mulheres – Paraíba

Contatos (articulação política):
e-mail: marchamulheres.jp@gmail.com

MUDAR A VIDA DAS MULHERES PARA MUDAR O MUNDO. MUDAR O MUNDO PARA MUDAR A VIDA DAS MULHERES!