domingo, 27 de mayo de 2012

A Marcha das Vadias e a Mercantilização do corpo e vida das mulheres


Publicada em: 25.05.2012 


Há um ano atrás a Marcha das Vadias foi construída como uma resposta irreverente contra a responsabilização das mulheres pelas violências sofridas e a estigmatização dos corpos femininos. Potencializada pela mobilização nas redes sociais, a Marcha ganhou vários países e, no Brasil, várias cidades. Algumas conseguiram dialogar com a conjuntura local e denunciar práticas de machismo naturalizadas, como por exemplo, a denúncia da prática machista de Rafinha Bastos na televisão e em sua casa de show em São Paulo.
Passado um ano dessa movimentação é preciso refletir tanto sobre as formas como o capitalismo e o patriarcado mercantilizam a vida e o corpo das mulheres, como os instrumentos de resistências aos quais dispomos. Essa segunda tarefa passa por perceber que, muitas vezes, a violência contra as mulheres precisa de uma resposta rápida e incisiva, como se deu com a Marcha das Vadias, mas que seu enfrentamento deve ser um processo cotidiano, que vai além de um evento.
Desde o final dos anos 70, o conjunto do movimento de mulheres, através da insígnia “nosso corpo nos pertence”, buscou questionar as imposições do patriarcado sobre a autonomia das mulheres – questão de fundo da Marcha das Vadias. Essa bandeira tem significado a luta das mulheres pelo direito de viver a sua sexualidade livremente, a luta por autonomia sobre o corpo e a vida, desde o exercício autônomo do desejo e do direito ao prazer, à legalização do aborto.
Retomamos esta luta, aprofundando a compreensão da sua dimensão anti-capitalista, uma vez que denunciamos como a sociedade de mercado impõe padrões de beleza racistas e sexistas e como o mercado difunde uma ideia do corpo das mulheres como objeto - em constante ajuste, retoque, conserto.  As indústrias farmacêuticas e cosméticas acumulam lucros estrondosos, à custa da propagação da insegurança das mulheres, gerando, além de tudo, graves doenças como os distúrbios alimentares.
 A associação entre capitalismo e patriarcado, que transforma as mulheres em objetos, está no centro da violência sexista. O Brasil possui o sétimo maior índice de homicídios de mulheres do mundo. Essas mulheres são assassinadas, muitas vezes, porque não se calaram diante de situações de violência ou porque exerceram sua autonomia. Conforme aponta pesquisa da Fundação Perseu Abramo (2010), a cada dois minutos 5 mulheres são espancadas no país, a cada minuto 5 mulheres sofrem assédio sexual, e a cada hora 220 mulheres são obrigadas a ter relações sexuais forçadas.
Essa situação de extrema objetificação da mulher está expressa no indignante caso de violência machista e sexista ocorrido no município de Queimadas no estado da Paraíba. Um estupro coletivo de cinco mulheres, sendo duas delas, assassinadas brutalmente por dez homens durante uma festa realizada por eles com o intuito de “presentear” o aniversariante com o estupro dessas mulheres. Este foi um ato de extremo machismo e misoginia pelo nível de crueldade, violência e desprezo pela vida das mulheres, derivados de um clima de terror que gera a perseguição e morte, caracterizados pelo abuso físico e verbal, estupro, tortura, escravidão sexual, espancamentos.  Este crime bárbaro precisa ser punido com todo rigor da lei!
 Além disso, a prostituição continua sendo vista por muitos como uma forma de viver a sexualidade. Para nós, ela representa a mercantilização, violência e subjulgação as quais as mulheres são submetidas. Sabemos que a indústria do sexo é um setor internacionalmente articulado, que gera lucros enormes e é associado ao tráfico de drogas, armas, corrupção e esquemas de crime organizado e sobrevive da exploração massiva do corpo de mulheres e crianças.  Somos solidárias às mulheres que são vítimas dessa forma de exploração da sociedade patriarcal, mas é preciso perceber que a prostituição só existe em um sistema que se articula em torno da subordinação das mulheres e, portanto, não produz nada relacionado à liberdade e autonomia, ao contrário, a mulher se encontra escravizada por uma rede mercantilizada de controle do seu corpo e da sua vida. Essas redes funcionam como organizações criminosas que traficam e escravizam na sua maioria mulheres jovens negras entre 17 e 27 anos.
Essas formas materiais e simbólicas que constituem a opressão das mulheres na conjuntura atual revelam a necessidade de formas de mobilização e instrumentos de resistência que ultrapassem os limites da Marcha das Vadias. Essa resistência tem sido forjada há anos pelo conjunto dos movimentos de mulheres, pela articulação de mulheres nos movimentos mistos e pelas alianças entre movimentos que tem na sua base a luta por outro sistema. Não é possível “resolver” a opressão das mulheres, nos auto-intitulando “todas vadias”. Mas é preciso aprender com as novas formas de articulação, potencializadas pelas tecnologias da informação e comunicação, atualizando nossas formas de ação.
É preciso reafirmar a importância da auto-organização e resistência das mulheres para construção de um mundo baseado na igualdade, na solidariedade e livre de violência. É preciso fortalecer a nossa luta cotidiana contra a mercantilização das mulheres.
Negamos a falsa liberdade, oferecida pelo mercado, que se encerra unicamente na ideia de não ter impedimentos para a ação. Esta idéia está na base da banalização da sexualidade, tornando-a mais um produto a serviço dos lucros. Temos que ir além disso. É preciso construir a liberdade como condição necessária para a igualdade e como condição da autonomia tanto coletiva como individual das mulheres. Somente a partir desta compreensão é que faz sentido seguir em marcha até que TODAS sejamos livres!
Assim, estamos em constante luta para que as mulheres não sejam caracterizadas como vadias por sair dos padrões de comportamento, nem como qualquer outro símbolo que as menospreze e as diminua.  Reafirmamos o direito de todas as mulheres viverem livre de estigmas, estereótipos, violência e exploração!!! 

Fonte: MMM 

jueves, 24 de mayo de 2012

Cheia de vida... ( Gioconda Belli)


‎"Sou cheia de gozo,
cheia de vida,
carregada de energias
como um animal jovem e contente.
imantado o meu sangue com a natureza,
sentindo o chamado do monte
para correr feito um veado desenfreadamente,
acariciando o ar, [...]


Sinto que sou um bosque
que há rios dentro de mim,
montanhas,
ar fresco, ralinho
e parece-me que vou espirrar flores
e que, se abro a boca,
provocarei um furacão com todo o vento
que tenho contido nos pulmões."




Gioconda Belli

NOTA DA MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES- PARAÍBA



João Pessoa, 15 de maio de 2012.

A Marcha Mundial das Mulheres surgiu no Brasil no ano 2000 como uma grande mobilização que reuniu mulheres do mundo todo em uma campanha contra a pobreza e a violência. Defendemos a visão de que as mulheres são sujeitos ativos na luta pela transformação de suas vidas e que ela está vinculada à necessidade de superar o sistema capitalista patriarcal, racista, homofóbico e destruidor do meio ambiente. Somos, portanto, uma articulação feminista popular de âmbito local, nacional e internacional que surge a partir das condições de pobreza e violência vivenciadas pelas mulheres no mundo.
Entre as pautas da MMM estão a defesa dos bens comuns e serviços públicos, a luta pelo fim da violência contra a mulher, a reivindicação pela paz e desmilitarização, a luta pela autonomia econômica das mulheres no que se refere à capacidade de as mesmas serem provedoras de seu próprio sustento, assim como das pessoas que delas dependem, e decidir qual é a melhor forma de fazê-lo, bem como a organização das mulheres urbanas e rurais a partir da base e das alianças com movimentos sociais.
Nosso papel enquanto movimento social feminista é a luta em defesa das mulheres da classe trabalhadora, do campo e da cidade. A MMM irá continuar realizando lutas reivindicatórias com impacto real no que se refere aos direitos políticos e civis, às políticas sociais públicas e às condições de trabalho da classe trabalhadora. O objetivo de nossa luta é contribuir com a emancipação política e humana das mulheres, sendo, portanto, uma luta contra dois sistemas de dominação e exploração: o capitalismo e o patriarcado.
Consideramos que as análises de conjuntura permitem a leitura da realidade. Nesse sentido, nos valeremos, sempre que necessário, desse método essencial para auto-organização, formação e fortalecimento dos movimentos sociais na sua luta cotidiana nos diversos espaços de formação e debates na sociedade. Afirmamos a nossa autonomia política, liberdade de expressão e disponibilidade em dialogar com diversos setores da sociedade no sentido de alcançarmos os nossos intentos.
Estamos à disposição para o debate político, acerca das reivindicações da plataforma feminista no campo das políticas sociais, frente às reais condições de dominação e exploração sofridas pelas mulheres.

 Marcha Mundial das Mulheres – Paraíba

Contatos (articulação política):
e-mail: marchamulheres.jp@gmail.com

MUDAR A VIDA DAS MULHERES PARA MUDAR O MUNDO. MUDAR O MUNDO PARA MUDAR A VIDA DAS MULHERES!


Nota de Repúdio à violência sexista no Município de Queimadas na Paraíba.

A violência contra a mulher não é o mundo que agente quer!
Se é violência contra a mulher agente mete a colher!

http://sof.org.br/marcha/?pagina=inicio&idNoticia=735


Nota de repúdio à violência sexista no Município de Queimadas na Paraíba.

Nós, da Marcha Mundial de Mulheres, conscientes de que é preciso mudar o mundo e a vida das mulheres, expressamos toda nossa indignação com o caso de violência machista e sexista ocorrido no município de Queimadas no estado da Paraíba. O estupro coletivo de cinco mulheres, sendo duas delas, assassinadas brutalmente por dez homens durante uma festa realizada por eles com o intuito de “presentear” o aniversariante com o estupro dessas mulheres,” foi um episódio revoltante, que não encontra em nosso vocabulário uma palavra capaz de traduzi-lo. Este revelou o cúmulo da objetificaçao da mulher, considerada um objeto descartável, ou seja: as mulheres perderam a condição de seres humanas. este crime bárbaro precisa ser punido com todo rigor da lei.” . Este e outros crimes como de Elisa Samudio, Márcia Nakagina são exemplos que assustam pelo nível de crueldade e banalização da violência.

Por isto, denunciamos essa violência como resultado de uma sociedade machista e patriarcal e misógina, onde o corpo e a vida das mulheres são vistos como um elemento a ser dominado. Neste sentido, sempre reforçamos: é preciso mudar o mundo para que a vida das mulheres mude, para que as mulheres não sofram mais as conseqüências desse modelo de sociedade machista e patriarcal onde suas vidas são ceifadas pela violência sexista e tratadas como mercadoria e presente.

Não cansaremos na denúncia e cobrança por justiça, pois atos como estes não serão aceitos pela sociedade, para que a igualdade e liberdade permeiem a vida das mulheres em sua plenitude. Neste contexto, dizemos não à ameaça dos que querem calar o grito das mulheres de Queimadas por justiça. Se ainda existem casos abafados de violência contra as mulheres neste município paraibano, que seja investigado incansavelmente e determinado as devidas punições dos criminosos que aterrorizam a vida das mulheres, para que nenhuma mulher venha a sofrer a dor provocada pelo machismo, nem seja estuprada, nem assassinada.

Não basta apenas constatar que este caso foi um caso de violência na sociedade paraibana e sim é preciso reconhecer que este é um crime cometido pelo machismo instalado por este modelo de sociedade capitalista e patriarcal vigente. Quando dizemos que o machismo mata, vai além de palavra de ordem ou teorias, mais uma realidade onde os crimes de ódio e a banalização da violência têm sido uma triste marca , o que coloca o Brasil em 12 lugar de pais em números de assassinatos .
Até abril deste ano, já foram assassinadas 41 mulheres na Paraíba sendo 26 por crimes machistas e sexistas e 15 por suposto envolvimento com drogas é devido a essa realidade que se faz necessário e urgente, que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da violência contra a mulher dê uma atenção especial a Paraíba e para o caso de Queimadas, pois a omissão do estado compromete a segurança das mulheres.

Este é um momento importante para denunciarmos todas as formas de violências feitas às mulheres, o tráfico de mulheres e meninas, as violências físicas, morais e psicológicas, o assédio sexual, o estupro, como formas de exercer o poder de sexo, classe e raça sobre o corpo e a autonomia da vida das mulheres, como também, o fim da impunidade de todos esses criminosos.

Também denunciamos as violências já naturalizadas na nossa sociedade, como a tripla jornada de trabalho diários das mulheres, seus empregos precarizados, a invisibilidade do trabalho doméstico no campo e na cidade, a diminuição de investimentos em políticas publicas pelo Estado e em equipamentos sociais que garantam às mulheres creches de qualidade, cozinhas comunitárias, lavanderias públicas, o que resulta na utilização da mão-de-obra de outras mulheres no trabalho doméstico e de cuidados.

É importante reforçarmos e cobrarmos, que os mecanismos de políticas para às mulheres sejam prioridades nos orçamentos precários e vergonhosos das políticas sociais, e que se tornem de Estado no enfrentamento e combate às violências sofridas pelas mulheres, para que facilite na transição da transformação da estrutura socioeconômica - cultural machista, lesbofóbica, racista e patriarcal vigente.

Queremos um mundo onde as mulheres e os homens sejam livres em seus direitos, que só é possível pelas vias da igualdade, permitindo que as mulheres rumem ao exercício pleno de sua autonomia pessoal, social, política, econômica, cultural e sexual.

Nos identificamos e reconhecemos na historia da humanidade, os esforços de todas as mulheres do mundo na luta contra a violência sexista que é também uma violência de classe, onde os mais ricos exercem sobre as mais pobres seu poder de dominação e exploração.

A opressão e exploração sofrida por cada mulher, interessa a todas nós. Por um mundo sem violência contras as mulheres!

SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

São Paulo, 24 de abril de 2012.

NºORD. ORGANIZAÇÕES QUE APOIAM

001- Marcha Mundial das Mulheres
002- Assembléia Popular na Paraíba
003- Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB
004- Frente Paraibana em defesa da Terra, dos Povos e das Águas do Nordeste
005- SINTEF
006- Consulta Popular
007- Comissão Pastoral da Terra – CPT
008- Programa Escola Zé Peão - SINTRICON – UFPB
009- SINTRICON
010- Movimento dos Sem Terra - MST
011- ARCIDE – Ação pelo Respeito e Cidadania da Diversidade
012- Associação de Cultura e Rock do Sertão - ACRS/PB
013- Grupo de Mulheres Lésbicas Maria Quiteria
014- Centro Comunitário Bom José – Pastoral do Menor
015- LEPEL /PB
016- Rede de Educação Cidadã – RECID
017- ADESPVIDA
018- Levante Popular da Juventude
019- Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTD
020- Movimento Negro de Sape
021- Movimento do Espírito Lilás – MEL
022- Fórum de Juventude de Sape
023- Mulheres de Mãos Dadas
024- Movimento das Comunidades Populares – MCP/UJP
025- Assoc. Paraibana dos Portadores de Anemias Hereditárias – ASPPAH
026- Fórum Paraibano de Promoção da Igualdade Racial – FOPPIR
027- Sindicato dos Trabalhadores Rurais
028- Tribunal Popular da Terra
029- Dgnitatis
030- Rede Nacional de Advogados Populares/PB
031- Associação Santos Dias
032- SINTER – PB
033- Fórum em Defesa da Agricultura Familiar e Reforma Agrária
034- Movimentos dos Pequenos Agricultores – MPA
035- CAPS Caminhar/Associação Caminhando
036- INTECAB/PB
037- Casa de Mulheres Renasce Companheiras
038- Associação de Deficientes e Familiares – ASDEF
039- JPT/Mulheres e LGBT
040- Fórum Estadual em Defesa do SUS e Contra as Privatizações
041- Grupo Flor Flor Estudos de Gênero – UEPB
042- Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – ABRAÇO – PB
043- Rede Afro/Movimento LGBT
044- Terra Livre – Movimento Popular do Campo e da Cidade
045- Fórum Estadual LGBT
046- Pastoral Afro
047- Sindicato das Trabalhadoras Domesticas
048- CRESS/PB
049- GAPEV – Grupo de Ação Pela Vida
050- CEMAR – Centro de Educação Integral Margarida Pereira da Silva
051- GVP – Gayrreiros do Vale do Paraíba
052- PJR/RJNE
053- Associação Comunitária Casa Branca
054- Comunidade Santa Clara – Castelo Branco
055- ACIS/ Pastoral da Criança e Grupo de Mulheres Com. Gervasio Maia
056- SMS/SP
057- Sindicato dos Aeroviários – PB
058- OCA de Pia Aborigine
059- RNAJVHA
060- Associação de Mulheres (AMUPAVIM)
061- CPCC – Centro Popular de Cultura e Comunicação
062- Centro de Referencia e Direitos Humanos da UFPB
063- Associação Comunitária do Conjunto Tibiri I
064- União da Juventude Comunista
065- UFPB/PRAC
066- Movimento Estudantil
067- MNCP
068- Centro Popular de Cultura e Comunicação
069- CA de Arquitetura e Urbanismo
070- Associação Paraibana dos Amigos da Natureza – APAN
071- ADUF/PB
072- AMAZONA – Associação de Prevenção a Aids
073- Centro de Ação Cultural – CENTRAC
074- BAMIDELE – Organização das Mulheres Negras da Paraíba
075- unha Coletivo Feminista
076- Instituto Marista da Solidariedade
077- MAC- Movimento de Adolescentes e Crianças
078- Pastorais Sociais
079- Pastoral da Aids
080- Movimento Organizado da Paraíba
081- Grupo de Juventude – Gramame
082- Mandato Popular Dep. Frei Anastácio
083- Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTD
084- Movimento dos Pequenos Agricultores
085- Marcha da Maconha
086- Mulheres de Terreiro
087- Pastoral do Menor
088- Fórum Estadual de ECOSOL
089- Fundação de Direitos Margarida Maria Alves
090- Mandato Popular Dep. Luis Couto
091- GAPEU
092- Sindicato das Trabalhadoras Domesticas
093- Associação Comunitária Santa Marta
094- Espaço Múltiplo
095- Missão de Desenvolvimento Social – MDS
096- Coletivo de Mulheres do Campo e da Cidade
097- Grupo de Mulheres Comunidade Gervasio Maia
098- Centro Cultural de Valorização das Tradições Afro – brasileira
099- Fórum Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente – Fórum DCA
100- PSOL
101- SOF- Sempreviva Organização feminista
102- REF - Rede Feminismo e Economia
103- Mulheres do PT

Fonte: MMM-

jueves, 17 de mayo de 2012

Regras do jogo para os homens que queiram amar as mulheres mulheres ( Gioconda Belli)


I
El hombre que me ame
deberá saber descorrer las cortinas de la piel,
encontrar la profundidad de mis ojos
y conocer lo que anida en mí,
la golondrina transparente de la ternura.

II
El hombre que me ame
no querrá poseerme como una mercancía,
ni exhibirme como un trofeo de caza,
sabrá estar a mi lado
con el mismo amor
conque yo estaré al lado suyo.

III
El amor del hombre que me ame
será fuerte como los árboles de ceibo,
protector y seguro como ellos,
limpio como una mañana de diciembre.

IV
El hombre que me ame
no dudará de mi sonrisa
ni temerá la abundancia de mi pelo,
respetará la tristeza, el silencio
y con caricias tocará mi vientre como guitarra
para que brote música y alegría
desde el fondo de mi cuerpo.

V
El hombre que me ame
podrá encontrar en mí
la hamaca donde descansar
el pesado fardo de sus preocupaciones,
la amiga con quien compartir sus íntimos secretos,
el lago donde flotar
sin miedo de que el ancla del compromiso
le impida volar cuando se le ocurra ser pájaro.

VI
El hombre que me ame
hará poesía con su vida,
construyendo cada día
con la mirada puesta en el futuro.

VII
Por sobre todas las cosas,
el hombre que me ame
deberá amar al pueblo
no como una abstracta palabra
sacada de la manga,
sino como algo real, concreto,
ante quien rendir homenaje con acciones
y dar la vida si es necesario.

VIII
El hombre que me ame
reconocerá mi rostro en la trinchera
rodilla en tierra me amará
mientras los dos disparamos juntos
contra el enemigo.

IX
El amor de mi hombre
no conocerá el miedo a la entrega,
ni temerá descubrirse ante la magia del enamoramiento
en una plaza llena de multitudes.
Podrá gritar -te quiero-
o hacer rótulos en lo alto de los edificios
proclamando su derecho a sentir
el más hermoso y humano de los sentimientos.

X
El amor de mi hombre
no le huirá a las cocinas,
ni a los pañales del hijo,
será como un viento fresco
llevándose entre nubes de sueño y de pasado,
las debilidades que, por siglos, nos mantuvieron separados
como seres de distinta estatura.

XI
El amor de mi hombre
no querrá rotularme y etiquetarme,
me dará aire, espacio,
alimento para crecer y ser mejor,
como una Revolución
que hace de cada día
el comienzo de una nueva victoria.

(Reglas de juego para los hombres que quieran amar a mujeres mujeres, Gioconda Belli)

lunes, 23 de abril de 2012

Por que escolhi ser mulher?


Por que escolhi ser mulher?
Porque é daí que parto
Que desenrolo o mundo sob meus dedos
Atrapalhando a ordem e o imposto
É desse jeito que me lanço
E canto das coisas do mundo
Me viro em várias
Me és
Te sou
Porque cada mulher é uma
E tem todo o direito de ser do jeito que der
 
Na telha
O que sei fazer? De um tudo
O que quero? Muito mais
Eu vou assim me procurando em outra
Mas quando acreditarmos umas nas outras
Pintaremos o mundo com as cores que quisermos
Mudaremos tudo de lugar
Todo dia um pouquinho
E seremos tantas em tão breve tempo
Empunhando a força do braço gritaremos
- esse sim é o mundo que a gente quer. 
 
Tita- Marcha Mundial das Mulheres em João Pessoa.



jueves, 19 de abril de 2012

Sem tempo para desamor

Sei... ainda tenho muito a aprender. Mas o que aprendi não me permite mais perder tempo com certas coisas da vida feitas pelos homens e mulheres.
Hoje tenho inteira apreensão do que se chama amor-próprio. Queiram dizer o que quiserem dizer. O meu amor-próprio precede qualquer expressão de desafeto, de grosseria, de inveja, de desrespeito. 
Não esperem que eu jogue pedras, que acenda holofotes, que grite em megafones...
Desamor, desrespeito, desafeto quando somente se oferece gentileza e amor... Cansa e merece indiferença.
Que isso vaila pra qualquer pessoa... Nem egoísmo nem falta de amor-próprio. Equílíbrio.
Porque quero ser nesse mundo aquilo que projeto pra ele. 
O meu tempo é o presente. O presente de mulheres e homens sensíveis aos amores do mundo.
Pros demais, felizmente, que a vida traga sensibilidade, amor-próprio e aprendizado.
Maturidade!


Ângela Pereira
18 de abril de 2012.


 



domingo, 26 de febrero de 2012

"Eros de asas despregadas"

Mira longe
Embora queira-te perto.
Sem laços
Sem pactos
Sem posse

Não fosse a pedra bruta
As correntes
já estariam mortas

Não fosse a propriedade
Voaria com asas despregadas
Eros anda triste...
Prenderam suas asas.
E está difícil soltá-las.

Ângela Pereira.






lunes, 20 de febrero de 2012

El amor- Eduardo Galeano

En la selva amazónica, la primera mujer y el primer hombre se miraron con curiosidad. Era raro lo que tenían entre las piernas. 

- Te han cortado?- preguntó el hombre. 
- No-dijo ella-. Siempre he sido asi. 

El la examinó de cerca. Se rascó la cabeza. Allí había una llaga abierta. 
Dijo: 

- No comas yuca, ni plátanos, ni ninguna fruta que se raje al madurar. Yo te curaré. Echate en la hamaca y descansá. 

Ella obedeció. Con paciencia tragó los menjunjes de hierbas y se dejó aplicar las pomadas y los ungüentos. Tenía que apretar los dientes para no reirse, cuando el le decía: 
- No te preocupes. 

El juego le gustaba, aunque ya empezaba a cansarse de vivir en ayunas y tendida en la hamaca. La memoria de las frutas le hacía agua la boca. 

Una tarde, el hombre llegó corriendo a través de la floresta. Daba saltos de euforia y gritaba: 
- Lo encontré! Lo encontré! 

Acababa de ver al mono curando a la mona en la copa de un árbol. 
- Es asi -dijo el hombre, aproximándose a la mujer. 

Cuando terminó el largo abrazo, un aroma espeso, de flores y frutas, invadió el aire. De los cuerpos, que yacían juntos, se desdprendían vapores y fulgores jamás vistos, y era tanta su hermosura que se morían de vergüenza los soles y los dioses. 


(Apaixonada por Eduardo Galeano)

domingo, 29 de enero de 2012

"O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas"



Não costumo postar esse tipo de texto aqui e desse tipo de fonte também, mas abri exceção para esse. Combina com a atual fase de minha vida.



"O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas"


Por Ivan Martins, editor executivo da Revista Época


Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor. 
Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou. 

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre. 

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem. 

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói. 

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome? 

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade. 

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda. 

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos. 

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer. 

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha. 

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil. 

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI149563-15230,00.html