jueves, 19 de abril de 2012

Sem tempo para desamor

Sei... ainda tenho muito a aprender. Mas o que aprendi não me permite mais perder tempo com certas coisas da vida feitas pelos homens e mulheres.
Hoje tenho inteira apreensão do que se chama amor-próprio. Queiram dizer o que quiserem dizer. O meu amor-próprio precede qualquer expressão de desafeto, de grosseria, de inveja, de desrespeito. 
Não esperem que eu jogue pedras, que acenda holofotes, que grite em megafones...
Desamor, desrespeito, desafeto quando somente se oferece gentileza e amor... Cansa e merece indiferença.
Que isso vaila pra qualquer pessoa... Nem egoísmo nem falta de amor-próprio. Equílíbrio.
Porque quero ser nesse mundo aquilo que projeto pra ele. 
O meu tempo é o presente. O presente de mulheres e homens sensíveis aos amores do mundo.
Pros demais, felizmente, que a vida traga sensibilidade, amor-próprio e aprendizado.
Maturidade!


Ângela Pereira
18 de abril de 2012.


 



domingo, 26 de febrero de 2012

"Eros de asas despregadas"

Mira longe
Embora queira-te perto.
Sem laços
Sem pactos
Sem posse

Não fosse a pedra bruta
As correntes
já estariam mortas

Não fosse a propriedade
Voaria com asas despregadas
Eros anda triste...
Prenderam suas asas.
E está difícil soltá-las.

Ângela Pereira.






lunes, 20 de febrero de 2012

El amor- Eduardo Galeano

En la selva amazónica, la primera mujer y el primer hombre se miraron con curiosidad. Era raro lo que tenían entre las piernas. 

- Te han cortado?- preguntó el hombre. 
- No-dijo ella-. Siempre he sido asi. 

El la examinó de cerca. Se rascó la cabeza. Allí había una llaga abierta. 
Dijo: 

- No comas yuca, ni plátanos, ni ninguna fruta que se raje al madurar. Yo te curaré. Echate en la hamaca y descansá. 

Ella obedeció. Con paciencia tragó los menjunjes de hierbas y se dejó aplicar las pomadas y los ungüentos. Tenía que apretar los dientes para no reirse, cuando el le decía: 
- No te preocupes. 

El juego le gustaba, aunque ya empezaba a cansarse de vivir en ayunas y tendida en la hamaca. La memoria de las frutas le hacía agua la boca. 

Una tarde, el hombre llegó corriendo a través de la floresta. Daba saltos de euforia y gritaba: 
- Lo encontré! Lo encontré! 

Acababa de ver al mono curando a la mona en la copa de un árbol. 
- Es asi -dijo el hombre, aproximándose a la mujer. 

Cuando terminó el largo abrazo, un aroma espeso, de flores y frutas, invadió el aire. De los cuerpos, que yacían juntos, se desdprendían vapores y fulgores jamás vistos, y era tanta su hermosura que se morían de vergüenza los soles y los dioses. 


(Apaixonada por Eduardo Galeano)

domingo, 29 de enero de 2012

"O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas"



Não costumo postar esse tipo de texto aqui e desse tipo de fonte também, mas abri exceção para esse. Combina com a atual fase de minha vida.



"O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas"


Por Ivan Martins, editor executivo da Revista Época


Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor. 
Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou. 

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre. 

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem. 

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói. 

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome? 

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade. 

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda. 

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos. 

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer. 

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha. 

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil. 

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI149563-15230,00.html

Você só vê?


"Você só vê? É melhor usar todos os sentidos. E as vezes todos eles ainda são insuficientes pra alcançar a essência."

Ângela Pereira

jueves, 26 de enero de 2012

A poesia e a luta vão se espalhar...




Há... disse:
E que falta fará!
Se daqui perdemos algo ...
Ganhamos, ainda
A poesia e a luta vão se espalhar...
Saudade existirá ...
E quando ela chegar...
Pegue a cartilha com poesia...
Que é pra saudade matar.
Recite com alegria
Pra quando menos esperar
Paula Adissi voltar...

Ângela Pereira.
Homenagem à querida Paula Adissi.
Verão de 2012.

miércoles, 25 de enero de 2012

martes, 24 de enero de 2012

Nota da Consulta Popular sobre o despejo da comunidade Pinheirinho


São Paulo, 24 de Janeiro de 2012 

A Consulta Popular vem expor seu apoio às famílias que foram despejadas na comunidade Pinheirinho, município de José dos Campos, São Paulo e repudiar a ação de violência institucional e violações de direitos fundamentais do Governo do Estado de São Paulo e do Judiciário brasileiro.

O despejo das mais de 6 mil pessoas foi iniciado na madrugada de domingo (22), promovido pela polícia do estado de São Paulo e pela guarda civil de São José dos Campos. A decisão judicial de reintegração de posse foi concedida pela 6º Vara Cível de São José dos Campos e reafirmada pelo Superior Tribunal de Justiça. Ao mesmo tempo, havia decisão da Justiça Federal pela suspensão do despejo. As famílias, estabelecidas em um imóvel que não cumpria sua função social, aguardavam o processo de negociação entre prefeitura, estado e União, para regularização do terreno.

Não se trata de um caso isolado, mas certamente emblemático. A ação de despejo de 6 mil pessoas, que viviam em uma comunidade já estabelecida e em processo de negociação, demonstra a intransigências, ignorância e autoritarismo do governo de São Paulo. Essa ação é um triste exemplo do tratamento dado pelo Estado, particularmente pelos grupos e agentes mais conservadores, como o Governador do Estado do São Paulo, Geraldo Alckimin, aos que reivindicam direitos fundamentais, como a moradia. 

Ademais, lamentamos, mais uma vez, a postura do Judiciário, incapaz de efetivar os direitos fundamentais das classes populares e célere e eficiente para defesa da propriedade privada.

Precisamos discutir urgentemente a democratização do Judiciário e a eliminação dos despejos como forma de resolução dos conflitos fundiários, seja no campo ou na cidade. 

A Consulta Popular se põe em lado dos lutadores e lutadoras do povo. São as lutas populares, por moradia, democratização da cidade, trabalho digno, reforma agrária, dentre várias outras, que impulsionam as transformações que o Brasil precisa.

 Consulta Popular

sábado, 21 de enero de 2012

A luta continua!


Hoje se foi uma pequena mulher, forte, resistente, lutadora, digna da vida que teve. Uma mulher que dedicou parte de sua vida à defesa de uma sociedade justa, caminhando pelo mundo, resistindo e dando exemplo de vida para aqueles que como ela acreditam numa sociedade socialista. Vera Amaral foi um exemplo de mulher para ser lembrado. Educadora, sindicalista, nutricionista, coordenadora do Núcleo de Estudos em Saúde coletiva da UFPB, escreveu capítulos importantes da Reforma Sanitária brasileira na luta em defesa do SUS público, gratuito e de qualidade. Há poucos meses esteve conosco construindo o Fórum Paraibano em Defesa do SUS e contra as Privatizações, defendendo até o fim de sua vida, o direito de acesso à saúde de qualidade para a classe trabalhadora.


Ficam a saudade, as boas lembranças e o importante legado dos aprendizados que ela nos proporcionou.


Como ela sempre lembrava: A luta continua! 




viernes, 6 de enero de 2012








" Meus olhos arregalados
não piscam pra qualquer um 
nem fecham pra qualquer medo." 




Marta Medeiros