A poetisa registrou nos seus rascunhos: Está liberado o carpe-diem! Enquanto a liberdade não chega. Por Ângela Pereira.
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sábado, 1 de octubre de 2011
CARTA ÀS TRABALHADORAS, AOS TRABALHADORES, ÀS USUÁRIAS E AOS USUÁRIOS DAS USF’s NOVA UNIÃO E NOVA ESPERANÇA.
Florestan Fernandes
Sempre existe a hora da chegada e a da partida. E dos momentos da vida precisamos colher o aprendizado e as boas lembranças. Como afirmação das minhas convicções e em nome da gratidão por esse aprendizado e da capacidade de continuar acreditando naqueles que produzem o trabalho e o cuidado em saúde é que escrevo essa carta.
Meu histórico de vida e de militância não me permitiram considerar a experiência no Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) enquanto apoiadora matricial em João Pessoa (gestão) apenas como a primeira experiência profissional. Encarei cada momento de aproximação com as trabalhadoras e os trabalhadores das Unidades de Saúde da Família em que estive apoiando, com as usuárias e os usuários e com os demais integrantes do Distrito Sanitário III como uma oportunidade de aprender, muito mais do que ensinar ou determinar o que fazer.
Na universidade aprendi muita coisa, dentre elas a fisioterapia, mas os meus principais educadores foram o movimento estudantil e a extensão popular junto a comunidades populares. Foi com as pessoas que estiveram junto a mim nessa fase de minha vida que aprendi ainda mais a respeitar as diferenças, a reconhecer as habilidades e as potencialidades das pessoas, mesmo quando elas estão descrentes de suas capacidades. Aprendi que muitas vezes o conhecimento popular é mais útil e verdadeiro, que o conhecimento científico. Mas aprendi também que ao se juntar, com humildade, o conhecimento científico com o saber popular é possível se colher ótimas experiências de cuidado e, portanto, de amor ao próximo, no meu caso de amor à classe trabalhadora.
É com a classe trabalhadora que me identifico. É das experiências de resistência desta e de luta que alimento a minha vida e a minha ideologia. É com ela que quero continuar seguindo nas mesmas fileiras, indignando-me com todo o tipo de exploração e precarização decorrente da exploração do trabalho pelo capital.
É com e pela classe trabalhadora que mantenho firmes as minhas convicções ideológicas e meus valores de vida e de respeito à humanidade. É também por ela que desejo cada vez com mais afinco a libertação humana em sua forma mais radical, ou seja, desejo uma sociedade em que novas mulheres e novos homens convivam se respeitando e compartilhando a produção social de forma igualitária com a posse coletiva dos meios de produção, compartilhando a diversidade sociocultural e étnica em todo seu tempo livre, aquele que hoje lhes é retirado pela exploração da mais valia. Compartilhando os momentos de elaboração literária, teórica e as mais simples trocas em comunidades como parte fundamental do desenvolvimento das capacidades humanas.
É pela identificação com a classe trabalhadora que não me deixei convencer por falsos discursos democráticos, quando vi no cotidiano da saúde práticas autoritárias/fiscalizadoras de desrespeito ao trabalhador e ao vínculo deste com o seu trabalho; quando vi sobrecargas de trabalho, desvios de funções e/ou multifuncionalidade, cobranças para atingir metas sem que estruturalmente se tivesse condições de executá-las numa lógica fordista de produção; quando vi a cooptação de lideranças comunitárias e de profissionais ditos engajados politicamente para assumir a defesa da gestão, sem que esses executassem o seu trabalho de forma qualificada no seu cotidiano; quando vi o pseudo-cuidado com o trabalhador quando no seu cotidiano de trabalho lhes é questionado o direito de 30 dias de férias e o mesmo não pode gozá-lo de forma ininterrupta por não se contratar mais profissionais para substituí-lo; quando senti em minha jornada de trabalho, legalmente de 30 horas semanais, aumentada para 40 horas semanais numa frenética dinâmica para atingir todas as atribuições construídas para os apoiadores matriciais, estes que são as mãos e os pés do nível central.
Sofri com a sobrecarga de trabalho dos técnicos de enfermagem; com cada hora a mais de trabalho levada para casa pelas enfermeiras; com a desvalorização dos Agentes Comunitários de Saúde; com as vezes que tive que informar aos profissionais a necessidade de realização de ações com as quais eu discordava por ser contra os meus princípios ideológicos. Sofri com a falta de solidariedade entre as categorias profissionais e entre pessoas da mesma profissão, por não se reconhecerem em si como classe trabalhadora que precisa se unir para obter as vitórias a curto e a longo prazo de que necessitamos. Sofri com a dificuldade de transporte de usuários que precisavam do serviço fisioterapêutico de média complexidade. Sofri com o número insuficiente de fisioterapeutas para atender as demandas das comunidades em seu território na atenção domiciliar; com a rede para reabilitação não estruturada e com os clamores jogados aos ventos...
Sofri, enfim, com tudo aquilo que subjugou indivíduos, duvidou de suas capacidades, desvalorizou suas potencialidades, cooptou importantes forças de mobilização social e ex-companheiras/os de militância.
O sofrimento, todavia, não me esmoreceu. Deu-me forças e me fez procurar cada vez mais entender as tramas do Sistema Capitalista. É nesse sentido que caminho, buscando entender o inimigo, fomentando debates e lutas entre aqueles que se sensibilizam quanto ao seu papel na sociedade de mulheres e homens livres que precisamos construir desde já e que virá. Virá porque somos muitos e seremos cada vez mais, trabalhadoras e trabalhadores conscientes de sua situação de explorados e que entenderão que a saída para a libertação não se dá, de outra forma, senão pela luta organizada da classe trabalhadora.
Para mim não se trata de gerir a crise e sim de procurar cada vez avançar para processos verdadeiramente democráticos, em que as pessoas tenham voz e vez, para que as horas gastas em reuniões com comunidades, em conferências e em conselhos de saúde, por exemplo, possam ser de fato colocadas em prática porque serão fruto da luta de movimentos sociais e partidos políticos organizados e com força social. Não se trata de reduzir a participação popular a espaços simbólicos de poder com poucos porcentos do orçamento anual em discussão. Não se trata de ouvir o usuário apenas para deixá-lo mais calmo e diminuir as denúncias contra uma gestão. Trata-se de buscar a resolução efetiva do problema para que nem ele nem outro precise passar pela mesma situação. Trata-se, portanto, de ser coerente na teoria e na prática aos valores e as concepções socialistas.
Não permito que desqualifiquem meus sonhos e minhas convicções, afirmando que as minhas atuais opções serão alteradas com a maturidade. Não aceito as insinuações de que o tempo retirará de mim o desejo pela revolução socialista e pela libertação de homens e mulheres. Não aceito. Por que não me deixarei cooptar e esmagar e lutarei sempre!
Gostaria de encontrá-las/los juntos nessa luta. Desejos de felicidades e de força para seguir em frente resistindo e lutando.
Ângela Maria Pereira.
Trabalhadora!
João Pessoa, 05 de novembro de 2010.
RELEMBRANDO:
Manifesto!
Eu não te darei minhas forças...
Não desperdiçarei meus sonhos!
Na construção do poder camuflado
Eu não te darei minhas melhores idéias...
Não desperdiçarei meus sonhos!
Na construção do falso direito e do dever instaurado
Eu não te darei promessas...
Não desperdiçarei meus sonhos!
Na tortura silenciosa de quem trabalha
Eu não te darei espaço...
Não desperdiçarei meus sonhos!
Na ilusão de me roçar em brechas que me apertam
Eu não te darei minha voz firme...
Não desperdiçarei meus sonhos!
Na falsa tentativa de ser ouvida.
Podes até extrair meu suor...
Assim como sugas de o outras/os trabalhadoras/es
Mas não terás o meu sangue
Ele somente entrego à classe trabalhadora!
Ângela Pereira.
1º de fevereiro de 2010.
sábado, 3 de septiembre de 2011
Um grito pela Saúde! 17º Grito das/os Excluídas/os " A terra grita pela vida... Todos nós por direitos"

Um Grito Pela Saúde!miércoles, 3 de agosto de 2011
O processo de subordinação da economia brasileira às relações imperialistas.
Os conflitos por recursos naturais nas várzeas de Souza (PB).
Ângela Pereira*
O capital avança, buscando se inserir em regiões antes não disputadas e tidas como empecilhos para a modernização do país pelo “problema histórico da seca”. No sertão da Paraíba, o capital com consentimento e participação do Estado tem interferido na dinâmica de vida de camponeses, que lutam por sua sobrevivência e manutenção no semi-árido paraibano.
A concentração fundiária, problema estrutural do Brasil, decorre de elementos da formação histórica, social e econômica do país. Historicamente, as terras brasileiras tem se concentrado nas mãos de poucos, a exemplo das sesmarias e das capitanias hereditárias, condição essa afirmada com a lei das terras de 1850, a partir da qual as terras tornaram-se bens comercializáveis, todavia, somente para aqueles que tinham poder de compra.
Esse problema tem se estendido até os dias atuais e tem ganhado novos elementos à medida que se complexificam as relações de exploração de recursos naturais e da força de trabalho pelo capital.
Avançando, o capital se apropria de terras antes tidas como não-agricultáveis em razão da escassez de água e investe na aplicação de alta tecnologia para irrigação através de construção de infraestrutura pelo poder público, sendo este responsável também pelo planejamento, ficando sob tutela da iniciativa privada nas Várzeas de Souza, Paraíba, as inversões nas parcelas e a execução dos processos de produção e comercialização
Trata-se de uma iniciativa do governo do Estado da Paraíba, tendo por objetivo dinamizar a economia estadual, através do desenvolvimento das atividades agrícolas e agroindustriais.
O projeto abrange o perímetro das terras dos municípios de Sousa e Aparecida, na mesorregião do Sertão da Paraíba, localizado a uma distância de 440 km da capital do Estado – João Pessoa, a região do Perímetro está ligada a esta e aos demais principais centros populacionais e portos da Região Nordeste do país por estradas pavimentadas.
As áreas que serão irrigadas estarão destinadas à produção de culturas alimentares e matérias-primas de alto valor comercial, com elevado nível tecnológico. Para atuarem nessa área listam-se três empresas agrícolas: a AGROVERTER, onde está sendo cultivada a romã, frutas (melão, banana) e sementes (arroz vermelho) e que está com projeto ainda em fase de liberação de recursos; Mocó Agropecuária, esta que se encontra na mesma situação que a AGROVERTER, e Santana Algodoeira, onde são cultivadas oleaginosas, sementes e algodão.
Observa-se como cita Bruno (2008), um conflito permanente entre o agronegócio e a agricultura familiar, uma vez que convivem na região, disputando a terra e o acesso à agua trabalhadores rurais sem terra e as agroindústrias. O projeto Várzeas de Sousa colocou em pauta a questão agrária e o de acesso à água, visto que se relaciona com um canal que atravessa um assentamento. Estado e assentados estão em conflito constante pelo uso das águas dos canais da redenção.
A luta pela distribuição das terras e a demanda de acesso à água acontece com participação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e resultou na ocupação de área que atualmente corresponde a dois assentamentos.
Embora tenha se avançado uma negociação entre o governo de estado e o INCRA e através de intervenção da Assembléia Legislativa tenha sido concedido o direito de uso da área, isso não atendeu às demandas dos trabalhadores rurais, existindo ainda forte tensão entre o projeto de agricultura de mercado e a e na utilização de tecnologias poupadoras de mão-de-obra e que impactam negativamente sobre o meio ambiente.
Bibliografia
BRUNO, Regina. Agronegócio e Novos Modos de conflituosidades em Fernandes, Bernardo Mançano (coord.) Campesinato e agronegócio na América Latina: a questão agraria atual (Buenos Aires: CLACSO).
* Pós-graduanda em Economia e Desenvolvimento Agrário pela Escola Nacional Florestan Fernandes e pela Universidade Federal do Espírito Santo-ES. Texto redigido para a disciplina Desenvolvimento Rural, ministrada pelo professor José Juliano de Carvalho Filho.
O PENSAMENTO DE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA E A SUA INTERPRETAÇÃO DA REVOLUÇÃO.
Ângela Maria Pereira*
Izaquiani Rodrigues Feitosa*
Na tentativa de compreender a realidade brasileira, o pensador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda busca delinear numa perspectiva weberiana o tipo ideal do homem brasileiro. Nesse sentido, recorre ao estudo da sociedade brasileira, a partir do qual compreende que o atraso histórico de desenvolvimento do Brasil tem relação com a forma de o brasileiro lidar com a coisa pública, forma esta relacionada ao chamado “jeitinho brasileiro”, que para Buarque recebe o nome de cordialidade. O autor aponta que sob ação de forças transformadoras somente com a superação da cordialidade e o desenvolvimento da impessoalidade, será possível constituir, num processo lento e gradual, um Estado Moderno forte, capaz de garantir o desenvolvimento do país.
Holanda (1995) aponta em seu livro “Raízes do Brasil” uma caracterização de como o brasileiro lida com as suas relações pessoais e institucionais. Para ele a cordialidade do brasileiro é revestida de uma postura de pessoalidade expressa num comportamento pouco ético e em que se verifica a dificuldade de se cumprir normas sociais estabelecidas. Sob um comportamento característico de generosidade, de hospitalidade esconde-se um caráter que se aproveita da proximidade para se estabelecer o domínio do privado sob público. Seria então esse comportamento típico do povo brasileiro de lidar com a coisa pública que contribuía para o atraso do país.
A contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade- daremos ao mundo o “homem cordial’. A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro (...)” (HOLANDA, 1995, pág. 146);
O autor faz a defesa de um projeto republicano que preza pela manutenção da coisa pública e apresenta então a concepção de revolução como a superação lenta e gradual da cordialidade, que conduziria à lenta modernização do país. Essa modernização se dará, segundo o autor, pelo avanço de forças que superem a cordialidade típica brasileira e desenvolvam a impessoalidade nas relações no estado. Essas forças são a imigração e o fim da escravidão que resultam no trabalho livre e no desenvolvimento da vida urbana.
Esse projeto requer também um tipo ideal de estado Moderno a ser desenvolvido em que se verificam o domínio sobre o território, o monopólio da violência, uma burocracia que lide com a administração do mesmo e uma moeda própria. Em conjunto com esses elementos, o autor valoriza a superação da cordialidade e o desenvolvimento de uma impessoalidade que conflua para o cumprimento de normas sociais a saber por exemplo de uma Constituição Federal.
Fazendo uma análise das relações entre indivíduos, família e Estado, Holanda (1995) afirma que “o Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas vontades particularistas, de que a família é o melhor exemplo.” Para ele o estado precisa ser livre da pessoalidade de modo a garantir o fortalecimento da modernização do país através de um projeto republicano.
A elite brasileira, expressão da cordialidade, de acordo com o autor seria implacável em suas posições um obstáculo para a modernização do país. A cordialidade brasileira estaria expressa na postura, por exemplo, do funcionalismo público, uma vez que este se aproveita das ferramentas e funções do Estado para benefício próprio como apresenta no trecho abaixo ao autor.
“para o funcionário ‘patrimonial’, a própria gestão política apresenta-se como assunto de seu interesse particular; as funções, os empregos e os benefícios que deles aufere, relacionam-se a direitos pessoais do funcionário e não a interesses objetivos, como sucede o verdadeiro Estado Burocrático, em que prevalecem a especialização de funções e o esforço para se assegurarem garantias jurídicas aos cidadãos” (Holanda , 1995, pág. 145-146)
Embora não apresente uma análise marxista da realidade brasileira, Sérgio Buarque de Holanda traz a contribuição para a compreensão da formação cultural do povo brasileiro, observando que a elite brasileira é empecilho para o desenvolvimento do país, uma vez que apresenta uma cultura personalista, egocêntrica e privatista que teria dificultado e fortalece o caráter contratualista da sociedade brasileira.
Referência
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia das Letras. 1995, 26 edição. Capítulo 05- O Homem cordial. Pág. 141- 151.
* Pós-graduandas em Economia e Desenvolvimento Agrário pela Escola Nacional Florestan Fernandes e pela Universidade Federal do Espírito Santo-ES. Texto redigido para a disciplina Pensamento Econômico Brasileiro, ministrada por Rogério Falleiros e Vinícius ( deptº de Economia da UFES-ES)
A intervenção do estado é capaz de garantir a superação da crise capitalista atual?
Em momentos em que o capitalismo expressa de forma mais acentuada suas contradições, entrando em crise, retoma-se mais fortemente o debate sobre a viabilidade desse modo de produção para a humanidade, bem como sobre o papel do Estado na manutenção do sistema. Várias perspectivas teóricas e ideológicas tentam caracterizar a crise do capital, para entendê-la e subsidiar intervenções junto à realidade. Aqui se toma como referencial a perspectiva marxista na análise da atual crise do capital e do papel do Estado.
Dentre as diversas explicações para a atual crise, destacam-se as leituras de origem keynesiana e marxista, que são pano de fundo para a análise da atuação do Estado. Segundo economistas keynesianos, a crise atual se deu pela falta de atuação do Estado no controle do mercado, como afirma Carcanholo,
La postura de origen keynesiana es de que la crisis fue el resultado de la ausencia de regulación estatal sobre el capital “financiero” y de que el Estado, con una política adecuada y bien estructurada, será capaz de solucionar los problemas y superar las contradicciones del funcionamiento del capitalismo dentro de un tiempo mayor o menor. (Carcanholo, 2010)
Por outro lado, os economistas marxistas procuram explicações que considerem dialeticamente as características de funcionamento do capital. Para isso recorrem às teorias marxistas, que entendem a crise como inerente ao sistema capitalista e aplicam-na à realidade atual do sistema econômico.
Partiendo de la base teórica marxista, la actual crisis económica mundial debe ser vista como resultado de se haber alcanzado el límite del proceso por intermedio del cual El capital obtenía parte de su rentabilidad de las ganancias ficticias. La crisis financiera que explotó en los Estados Unidos de América fue, en verdad, la manifestación aguda de um intento de solucionar un problema estructural del sistema capitalista. (Carcanholo, 2010)
A atual crise do capital difere de anteriores por acontecer num estágio em que a forma de capital predominante é o capital financeiro ou fictício. Essa conformação, ao mesmo tempo em que significou a capacidade de ampliação rápida da possibilidade de acumular a partir da especulação financeira, representou a vulnerabilidade de um sistema baseado em “dinheiro” fictício, que não possui lastro real.
A crise atual, que teve origem no mercado de hipotecas habitacionais, e mais especificamente no crescimento espetacular do crédito ‘subprime’, embora tenha sido na rede de seguros estruturada para garantir grau de investimento às hipotecas securitizadas e no elevado grau de alavancagem das instituições financeiras, investidores e demais agentes econômicos, juntamente com as densas relações especulativas estabelecidas com outros instrumentos no mercado de ‘hedge’, num sistema financeiro desregulamentado, que ela ganhou força para avançar rapidamente, assegurar pesadas perdas para os que se aventuraram à obtenção de ganhos fáceis e contaminar toda a economia “real”, conduzindo-a para uma recessão mundial, de dimensões assustadoras. (Gontijo, 2009)
É necessário, então, situar o debate, trazendo importantes contribuições para se entender uma trama complexa de relações que se estabelece entre as formas funcionais do capital.
Não só como forma de dissimular cada vez mais a relação da origem da produção da riqueza através da exploração da força de trabalho e apropriação da mais valia social, mas também se metamorfosear em respostas às crises, o capital e suas formas funcionais ao longo dos anos estabelece uma relação de autonomia relativa entre si. De acordo com Carcanholo e Sabadini (2009) apud Marx (1985) “toda a conexão com o processo real de valorização do capital se perde assim até o último vestígio, e a concepção de capital como autômato que se valoriza por si só se consolida”.
Segundo Sabadini (2009), o capitalismo sempre desenvolveu novas formas funcionais, modificando as relações de poder, de trocas e de classes com objetivo de valorizar o valor, adquirir mais valia. Metamorfoseia ainda suas formas funcionais para se contrapor a queda tendencial da taxa de lucro.
Na atual fase do sistema capitalista, coexistem os capitais produtivo, bancário portador de juros e fictício. O primeiro é aquele está diretamente envolvido com o processo produtivo, em que se gera a mais valia a partir da exploração da força de trabalho em meios de produção que pertencem aos capitalistas.
O segundo, por sua vez, trata-se do capital criado pelo sistema bancário para dar prosseguimento à valorização do valor sem, contudo, interferir diretamente no processo produtivo, estando basicamente relacionado ao financiamento na esfera da produção ou de circulação.
O capital fictício, oriundo da existência generalizada do capital portador de juros, é aquele que é representado por um título (títulos de dívida pública, concessões, fundos de pensão, por exemplo) e que pode ser vendido no mercado financeiro. É tido como fictício porque não possui substância real e não contribui para a produção de riqueza e para a circulação. Além disso, tem caráter especulativo, estando sujeito a variações de preço por determinações várias e assumindo um aspecto mais complexo e desmaterializado (Carcanholo e Sabadini, 2009).
Aprofundando-se ainda mais a análise da crise é preciso recorrer mais atentamente ao cerne da contradição do capital- a queda tendencial da taxa de lucro- que se dá no sistema produtivo. No processo de valorização do valor, o capital precisa acumular cada vez mais, para isso ele se autonomiza em formas funcionais; aumenta a capacidade produtiva a partir do aumento da composição orgânica do capital e da diminuição dos gastos com o capital variável por exemplo. Nesse processo de busca incessante por acumulação, ciclicamente, o capital entra numa crise de superprodução de capital, como nos mostra José Martins.
Superprodução de capital é exactamente (sic) isso, o aumento desmensurado da produtividade da força de trabalho global, dos sectores industriais produtivos de mais-valia, lucro e capital. Nesse movimento de busca pelo lucro ou de manutenção de uma taxa média de lucro, o que ocorre é que, contraditoriamente, o capital superproduzindo provoca uma queda na taxa de lucro. (...) O problema não é uma abundância de mercadorias que não podem ser vendidas. O problema é uma abundância de mercadorias que não podem ser vendidas a uma determinada taxa de lucro. (Martins, 2009)
Quando o ciclo de valorização do valor é interrompido por algum motivo, a crise se expressa aparentemente, por exemplo, através do desemprego em massa, redução dos salários e aumento de jornada de trabalho, conseqüente baixo consumo, pedido de concordata pelas empresas, concentração de capitais em empresas e quedas nas bolsas de valores. O que para nós aparenta ser a crise do capital é na essência, a saída da crise.
O aumento da exploração da força de trabalho, de investimentos e de conflitos armados (queima de capitais variável e constante) são o que Marx chama de contra-tendências para retomar o processo de valorização do valor.
Independente de maiores explicações a cerca do caráter da crise, é notório que a mesma acontece num momento em que o Estado, balizado pelas definições do consenso de Washington e pelos organismos internacionais de fomento (Fundo monetário Internacional, FMI, e principalmente pelo Banco Mundial, BIRD), atua sob orientações neoliberais de não intervenção no mercado. Embora essa crise não tenha abalado definitivamente o neoliberalismo, os governos e economistas retornaram o debate sobre o papel do Estado em momentos de crise, responsabilizando-o para o salvação da crise.
Desta forma, coube aos Estados intervirem para estabilizar o sistema. Dentre as ações dos governos estiveram à destinação de grandes reservas de suas poupanças internas para bancos e empresas capitalistas.
Os governos dos países periféricos e dos países centrais são motivados a usarem parte dos recursos públicos recolhidos da população na forma de impostos, ou depositados como poupança nos bancos, para serem usados pelos capitalistas. E assim, com a poupança de toda a população, sem pagar juros, eles podem reorganizar seus negócios sem custos e tentar sair da crise mais rapidamente (Assembleia Popular, 2009).
Além disso, os governos foram orientados por grupos capitalistas a flexibilizarem leis trabalhistas, a reduzirem impostos de produção de bens industrializados com objetivo de “reaquecer a economia dos países” e em alguns casos, sob argumento de defesa da soberania do país, aumentar a produção de armamentos bélicos e aumentar a coerção sobre mobilizações dos trabalhadores. Sendo esta última, uma importante fonte histórica de recuperação da economia a partir da queima de capital.
Como se vê o comportamento do Estado demonstra o seu atrelamento à classe dominante e a atuação pela manutenção do sistema capitalista.
Como o Estado nasceu da necessidade de refrear os antagonismos de classes, no próprio conflito dessas classes, resulta, em princípio, que o Estado é sempre o Estado da classe mais poderosa, da classe economicamente dominante que, por isso, se toma a classe politicamente dominante e adquire, assim, novos meios de oprimir e explorar a classe dominada. (Lenin, 2007)
No tocante a crise, a Estado busca superar a crise do capital na aparência e consegue através da injeção de capital das reservas públicas em empresas capitalistas; fortalecendo-o. Todavia, do ponto de vista da totalidade as medidas dos governos são insuficientes para resolver as crises do sistema capitalista, uma vez que estas são inerentes ao funcionamento deste, tendo relação com a contradição capital- trabalho.
Referências
ASSEMBLEIA POPULAR. Cartilha da Assembleia Popular para debater a crise. 2009.
CARCANHOLO, R. A. Crisis econômica, riqueza fiticia y gastos militares: uma Interpretación marxista. Disponível em http://www.rosavermelha.org/files/2010/04/crise-atual-02.htm. Acesso em 27 de junho de 2010.
CARCANHOLO, R. SABADINI, M.. Capital fictício e lucros fictícios. Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política, v. 24, p. 41-65, 2009. – Home-Page.
GONTIJO, C. e OLIVEIRA, F. A crise da Globalização Financeira. Anais do XIV Encontro Nacional de Economia Política da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP), São Paulo, PUC-SP, junho de 2009.
LENIN,V.I.O Estado e a Revolução.São Paulo: Expressão Popular, 1ª edição, 2007.
SABADINI, Mauricio de S. Valor, formas funcionais do capital e capital fictício em Marx. Anais do XIV Encontro Nacional de Economia Política da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP), São Paulo, PUC-SP, junho de 2009.