miércoles, 2 de febrero de 2011

Iemanjá me leve para Aiocá...

Iemanjá me leve para Aiocá...
Lá prometo resgatar o brilho do olhar...
Em todo tempo livre cantar...
Para os teus filhos dançar...
Muito perfume te ofertar...
E muitas rosas te dar...
Em todas as ondas mergulhar...
Com tubarões nadar...
E com golfinhos desfilar...


Oh Iemanjá!

Sei que o caminho não é tão longo
Só me faltam alguns passos
Para eu te encontrar aí na terra de Aiocá...


Me leve para Aiocá...

Odoyá..odoyá...


Ângela Pereira.
02 de fevereiro de 2011(Aniversário da morte de Iemanjá).

Homenagem à Iemanjá.

lunes, 31 de enero de 2011

Silêncio aos cretinos...

Quando o que vale muito
Se transforma em pouco
E o encanto cai ao chão,


É porque a vida grita em galhardia

O óbvio:

Nem todos são bons como imaginamos...

Nem todos merecem o amor dado...

Nem todos merecem estar vivos...


Porque a vida merece encantamento,
Mas também respeito...

Aos pobres de espírito...
Aos jogadores de plantão...
Só lamento a superficialidade...
E denuncio a cretinice!

Mesmo assim continuo...
Espalhando poesia...
Dando amor a quem merece
Até que provem o contrário!

Ângela Pereira.
31 de janeiro de 2011.

sábado, 29 de enero de 2011

"A dor é inevitável. O sofrimento é opcional" !


"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."


Carlos Drummond de Andrade.

viernes, 28 de enero de 2011

Propriedade e desapego.

Precisamos ser o que vivemos, não o que temos ou queremos ter. Pensar dessa forma faz uma grande diferença. É assim que se consolida ainda mais a visão de que a vida não merece outra coisa do que ser vivida intensamente: nas suas complexidades, nos seus desafios, na sua ininteligibilidade, nas suas experiências mais inovadoras...

Avanço ainda mais para a idéia e, na prática, na necessidade de construirmos relações pautadas pelo cuidado, pelo afeto sensível e intenso, sem querer ter as pessoas como posse. Não é tarefa fácil quando vivemos numa sociedade em que o seu cerne é a apropriação da força do trabalho dos despossuídos dos meios de produção, da forma mais grosteca que existe, uma vez que se tira muitas vezes o direito de vida de homens e de mulheres e que determina a reprodução da ideologia capitalista.
Naquilo que nos resta de tempo livre, aos que resta, porque aos trabalhadores informais cada vez mais lhes é tirado esse direito, cabe a nós procurarmos viver com toda a força e sensibilidade, com relações pautadas na simplicidade, no respeito, principalmente aos companheiros de classe, porque aos que já fizeram a sua opção do lado da trincheira que explora impiedosamente a vida, desejo os maiores dos sofrimentos.
Aos que acreditam e lutam por uma sociedade socialista, com relações pautadas em valores diferentes, em que se prevaleça a alegria, o cuidado, o afeto de sua forma mais profunda e intensa, trata-se de uma necessidade revolucionária afastar-se do apego.
Tentemos exercitar desde já o desapego e deixar que ao menos nas nossas relações, por enquanto, acabemos com a noção doentia de propriedade. Embora a estrutura e as condições materiais sejam outras, nossa tarefa é continuar seguindo na contra-hegemonia.

Ângela Pereira
28 de janeiro de 2010.

sábado, 22 de enero de 2011

Ser poeta.

É flutuar entre o mundo real
E o das ilusões

É catucar o ferimento
E oferecer o tormento.

É debulhar o encantamento
Que a vida traz por dentro.

É parecer rídulo ao expor o sentimento
E relevar o desleixo de quem não tem sentimento.

É ter vida finda
E vida infinita.

É viver o indivíduo
E transcender o coletivo.

É se doar sem querer receber
E receber sem querer se doar.

É dia de sol
E noite de chuva.

É praia
E submarino.

É um dia vida
E o outro morte.

É ter incerteza das certezas
E ter clareza na escuridão.

É ter ao menos alegria de espalhar poesia
Para o sim e para o não!


Ângela Pereira.
22 de janeiro de 2011.

Entrega.

Não quero mais.
Tome os rótulos
Os corpos... os copos...
Os risos... os choros...
E as poesias.

Daqui em diante sou eu quem dito as regras.
Tomarei às rédeas do coração buliçoso.

Ângela Pereira.
22 de janeiro de 2011.

Desmatamento.

Como se arrancam as árvores do chão?

Decepando por inteiro.
Espantando os pássaros primeiro.
Suturando o tronco inteiro.
Minando o chão primeiro.
Arrancando a raiz por inteiro.
Trelando com os azes primeiro.
As raízes tolhendo por inteiro.
Matando rancores primeiro.
Errando o alvo inteiro.
Negando sentimento primeiro.
Tocando o coração alheio
Olhando, porém, o que há de faceiro naquele que de primeiro me foi por inteiro.

Ângela Pereira.
22 de janeiro de 2011.

viernes, 21 de enero de 2011

Ser poeta






Às poetisas e aos poetas...





Ser poeta é ser mais alto, é ser maior


Do que os homens! Morder como quem beija!


É ser mendigo e dar como quem seja!


Rei do reino de Aquém e de Além dor!





É ter mil desejos o esplendor!


E não saber se quer que se deseja!


É ter cá dentro um astro que flameja


É ter garras e asas de condor!





É ter fome, é ter sede de infinito!


Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...


É condensar o mundo num só grito!





E é amar-te assim perdidamente...


É seres alma, e sangue, e vida em mim!


E dizê-lo cantando a toda gente!





Florbela Espanca

Foto: Florbela Espanca em 1898.

Tudo passa

Os gemidos da mão estremecida
Os brinquedos do tempo de criança
O sorriso fugaz da esperança
E a primeira paixão da nossa vida

O adeus que se dá por despedida
E o desprezo que agente não merece
O delírio da lágrima que desce
Nos momentos de angústia e de desgraça
Tudo passa, na vida tudo passa
Mas nem tudo que passa agente esquece

Chico Pedrosa

Cumplicidade

Cecília Fidelli:
Valorizar a vida!
Cora Coralina...
Dias cheios de sensibilidade

Amo poetisas e poetas
porque eles conseguem se entender.
Cumplicidade
para além dos tempos
E das distâncias.


Ângela Pereira (Anja) e Cecília Fidelli.

Manhã do dia 21 de janeiro de 2011.