A poetisa registrou nos seus rascunhos: Está liberado o carpe-diem! Enquanto a liberdade não chega. Por Ângela Pereira.
Etiquetas
- Poesias... (166)
- Citações... (91)
- Música... (48)
- Pensamentos... (36)
- Crônicas... (32)
- Poesias feministas... (19)
- Cartas. Luta... (13)
- Economia Política- Trabalhos (11)
- Homenagens... (11)
- Filmes e documentários. (8)
- Notas (7)
- Prosas poéticas... (7)
- Frases... (6)
- Literatura - Comentários e citações... (5)
- Contos... (4)
- Ensaios... (4)
- Vídeos (4)
- Astrologia... (3)
- Crônicas.... (3)
- Lembrete... (3)
- Artigo (2)
- Haikais... (2)
- Livros... (2)
- Mestrado- Serviço Social (2)
- Resenhas (2)
- Teatro (2)
- Meus riscos... (1)
- Negritude... (1)
- Saúde (1)
- Tirinhas... (1)
domingo, 30 de mayo de 2010
PARA OS QUE VIRÃO
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.
Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.
Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.
Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.
É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
( Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros. )
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.
THIAGO DE MELLO.
domingo, 23 de mayo de 2010
(...)
E por quê?
Roubaram-me as interrogações
e só me deixaram pontos finais.
Mas prefiro, resistindo, as reticências...
Não por dúvida ou hesitação,
mas por convicção.
Os caminhos são mais vastos.
As respostas podem ser múltiplas
E recuperar as interrogações.
Os sentimentos são imprevisíveis.
A vida também!
E não me dá muita atenção.
Ângela Pereira.
23 de maio de 2010.
viernes, 21 de mayo de 2010
Com que molho mesmo?
O frango, o pato, o pavão, o faisão, a codorna e a perdiz foram convocados e viajaram até a cúpula. O cozinheiro do rei lhes deu as boas-vindas:
- Foram chamados – explicou – para que me digam com que molho preferem ser comidos.
Uma das aves se atreveu a dizer:
- Eu não quero ser comida de nenhuma maneira.
E o cozinheiro colocou as coisas no seu lugar:
- Isso está fora de questão.
Eduardo Galeano.
jueves, 20 de mayo de 2010
Para que asas se tenho sonhos reais ?
E se um dia quiserem me tirar as asas...
Direi: leve-as, já cansei de carregar o fardo.
Não preciso de asas para voar!
Ângela Pereira.
20 de maio de 2010.
sábado, 15 de mayo de 2010
Faço das palavras alheias: As/aos minhas/meus camaradas!
Quando o apito da mina
entrar o fundo da noite
chamando pro amor ou pro
trabalho,
embora faça frio
vão me chamar.
(...)
Quando for a hora de trocar
os ternos, quando
o turno fechar seu ciclo interno,
o pão estiver escasso
e as lanternas
tremerem nesses pulsos combatentes,
saibam que estou à escuta
Em qualquer parte
E sempre trabalhando entre vocês.
Em qualquer emergência,
Em qualquer tempo
Podemos compartir nossas tarefas:
Trabalhamos às vésperas do fogo.
Por isso meus irmãos vão me chamar.
Heitor Saldanha.(1910-1986)
jueves, 13 de mayo de 2010
A maternidade como escolha: Ser ou não ser mãe? Eis a questão.
Qual a relação que existe entre a maternidade e a opressão das mulheres? Toda mulher tem que ser mãe? Por que as mulheres têm o direito de decidir ser ou não mãe? Essas são algumas questões que queremos trazer para reflexão neste breve texto.
Vivemos numa sociedade em que historicamente ser mulher é sinônimo de maternidade. Essa relação quase que obrigatória foi construída ideológica e socialmente a partir de instituições como a família, a Igreja e o Estado.
A mulher durante muito tempo assumiu apenas a tarefa de cuidar da família e dos afazeres domésticos. Enquanto que ao homem cabia a tarefa de trabalhar apenas fora de casa, para suprir as necessidades financeiras. Essa separação de tarefas é chamada de divisão sexual do trabalho. Essa divisão de tarefas permite a manutenção do sistema Capitalista, uma vez que retira do sistema o gasto com pagamento do trabalho doméstico e do Estado, o papel de implantar e manter creches, lavanderias públicas e outros equipamentos sociais que lhes garanta uma vida mais tranqüila; além de reproduzir a forma de pensar dessa sociedade através de gerações pela criação das/dos filhas/os e manter o poder de provedor ao homem como “chefe” da família -o patriarca.
A maternidade também foi e continua sendo divinizada e naturalizada pela igreja, como único fim do ato sexual, cabendo a mulher o espaço doméstico, a tarefa de educar os filhos para a ordem sócio-econômica vigente e a manutenção de comportamentos recatados tidos como de “bons costumes”.
Somente depois de muitas lutas feministas, as mulheres começaram a sair de casa para trabalhar, a ter direito ao voto e a terem um maior domínio sobre as suas vidas e seus corpos. Embora isso não as tenha livrado da cansativa tarefa de lidar com uma jornada dupla de trabalho, representou um significativo avanço para a mudança do papel das mulheres na sociedade moderna. É verdade ainda, que muitas mulheres foram induzidas a buscar trabalho fora de casa, por necessidade de sobrevivência e complementação da renda dos maridos ou como única renda em casos de algumas famílias em que a mulher lidera, e então isso não necessariamente representou liberdade e diminuição da opressão contra as mulheres como afirma Helena Hirata:
E o que isso tem a ver com a maternidade?
Ser mãe não é tarefa fácil, principalmente para mulheres em condições financeiras precárias. A sobrecarga de trabalho externo e doméstico acaba tornando desgastante a tarefa de criar, educar, cuidar dos filhos, visto que somente ou principalmente a ela é destinada essa tarefa. Além disso, os filhos em alguns relacionamentos são colocados como empecilhos para a separação de um casal cuja vida conjugal não é estável por violência ou por não existir mais condições de manter o casamento, havendo uma condição imposta de submissão da mulher ao homem.
Atualmente, com o desenvolvimento de métodos contraceptivos, o controle da gravidez e o planejamento familiar são possíveis, a despeito de descuido, desinformação ou situações de violência contra a mulher e opressão/imposição à relação sexual sem camisinha ou uso de outros métodos contraceptivos. O fato de a mulher ser disponibilizado métodos de contracepção foi também um dos fatores impulsionadores do adiamento da maternidade para maiores idades ou pela escolha de não se ter filhos. A maior liberação da sexualidade e a permissão aos prazeres sexuais também foi um importante avanço na concepção do controle das mulheres sobre o próprio corpo.
As possibilidades cada vez maiores de proteção e de planejamento familiar oferecidas no Sistema Único de Saúde são importantes elementos para fortalecer a decisão das mulheres a terem ou não filhos. Todavia muito a que se avançar na realização de atividades de promoção da saúde junto às mulheres e às famílias, como por exemplo, a formação de grupos de mulheres, na realização de ações intersetoriais que garantam a mulher o direito de escolha pela maternidade a partir de políticas públicas, por exemplo, de enfrentamento à violência contra a mulher.
A maternidade deve ser uma escolha condicionada a viabilidade de oferecer uma vida digna ao/à filho/a, sendo essa responsabilidade não apenas da família , mas do Estado também . Nesse caso, a maternidade realmente será um ato de amor e uma escolha acertada.
*Integrante do Coletivo de Mulheres Alexandra Kollontai e Fisioterapeuta.
jueves, 29 de abril de 2010
Discurso fácil, prática contestável e historinha para boi dormir.
Ângela Pereira.*
“De boas intenções o inferno está cheio”. O ditado popular é tão real quanto à necessidade de se olhar para o cotidiano com olhos mais críticos.
Vivemos tempos seguros, democráticos, em que a liberdade de expressão é uma das nossas melhores ferramentas e o grito do povo é ouvido, certo?
Errado. Democracia (burguesa) que existe apenas no discurso é “conversa pra boi dormir”. Essa conversa é historinha para criança dormir, ou é pesadelo guardado para o presente-futuro delas.
Em tempos de governos ditos democráticos populares, cujos discursos parecem progressistas, cada vez mais se percebe a incongruência entre a prática e o discurso bonito destes. O tempo passa, mas a forma de fazer política, restrita à tática parlamentar e aos espaços institucionalizados, revestida de coerção, de cooptação, de fragilização e criminalização dos movimentos sociais; práticas de coronelismo e tantos outros desvios passam aos nossos olhos, deixando os mais atinados politicamente, indignados com tamanha falsidade e incoerência.
“Ruim é quando isso vem de pessoas que já foram militantes” já dizia a colega.
Há militantes e MILITANTES, colega. Militância não se mede apenas pela história, militância se avalia e critica pela coerência entre o que se pensa, o que se diz e o que se faz. E ressalva-se, nem todo militante é revolucionário, embora alguns se apropriem desse adjetivo.
Vivemos em tempos em que a verborragia de militantes históricos, hoje em espaços do Estado burguês, já não engana nem a eles mesmos, uma vez que a história de um passado não tão remoto, de lutas mais aguerridas, está registrada na memória. Causos desse tipo não se esquecem tão facilmente, a menos que o fetiche do dinheiro e do micro-poder já tenha feito estrago maior e de forma bem mais avassaladora que o habitual. O que não é impossível.
Mas fácil, creio eu, seria deixar as máscaras caírem em frente aos holofotes. Fingir é cansativo demais.
O povo, que gosta de ditados populares, também sabe contar histórias de verdade:
Um dia os bois acordarão bem alimentados, bem fortes e acompanhados pelo restante da boiada. Difícil será segurá-los, a não ser pela morte!
* Antes de tudo militante popular e da classe trabalhadora.
www.descasulando.blogspot.com
miércoles, 28 de abril de 2010
Rascunho anônimo
Já lhe falei dos meus rascunhos secretos?
Se me puser um lápis na mão
Corre sérios riscos
De ter sua superfície desenhada
Cada parte do corpo
Parece-me um tanto sem vida
Porque são apenas partes
Cada parte merece
Um rascunho novo que a ela se some
Cada parte merece
Uma cor nova que a ela se misture
Cada parte merece
Uma outra parte que se complete
Cada parte merece uma poesia, leve e profunda, escrita
E uma noite em lua cheia, para recitá-la.
Ângela Pereira.
28 de abril de 2010.
lunes, 26 de abril de 2010
As poetisas nem sempre são boas...
Troco o desdém por arrogância
No mercado dos porcos prefiro os mais imundos
E a indiferença será minha resposta
E se te puserem cordas nos pescoço
Aperte-as!
Esfole o grito.
E se te amarrarem as mãos...
Espreme-as!
Em reflexo rompa as amarras.
As poetisas nem sempre são boas...
A poesia nem sempre é doce!
Ângela Pereira
26 de abril de 2010.
sábado, 17 de abril de 2010
Sexta-feira.
Pensei que sendo uma sexta-feira fosse encontrar o burburinho de uma cidade provinciana, em que os bichos e bichas estão soltos, gritando, despejando, vomitando o que incomoda a alma e o corpo, vindo do que a semana cheia de sobrecargas e do não-tempo livre resultou.
Abri os olhos, ainda fechados pelo cansaço da semana. Que susto! As pessoas sumiram...
Sai correndo pelas ruas... Batendo nas portas das casas vizinhas, entrando nos bares da esquina... Ninguém encontrei. Foram embora e me deixaram? Rapitados, convencidos ou com os próprios pés? E mãos?
Desolada diante da procura sem êxito, parei... ofegante. Comecei a ouvir uns sons que rompendo o silêncio, o meu próprio silêncio, me alegrava. Gargalhadas, músicas, aplausos. Pareciam felizes!
Tinha demorado a acordar e a desesperança do cotidiano sem invenções, por pouco, me fez perder o trem. Gritei: Pare!!! Também quero entrar!
Não era qualquer trem. As frases dos livros que li começaram a saltar à mente e a boca não as reteve.
Um camarada barbudo, com cabelos brancos e aparentemente cansado, era responsável pelo passeio. Mas tinham outras tantas figuras que pra mim eram apenas histórias de livros e de militantes “sonhadores”. Tinha um Lenin e uma Rosa. Uma kollontai, uma Clara. Um Carlos, uma Olga. Um Zumbi e uma Dandara. Uma Eleonora, uma Aurora. Um Zapata e um Che Guevara. Há...tinha outras e outros mais, mas nem mais dos nomes lembrara.
Como ainda estava em vida, resolvi saltar depois de mais algumas estações.
Percebi que o caminho é tão mais longo. Percebi que o silêncio da sexta-feira, nada mais era o silêncio feito pelas mordaças. Mas percebi também que não estava sozinha... Outras e outros camaradas desceram do trem.
Reconheci-os, entrelacei as mãos e seguimos em frente!
Ângela Pereira.
17 de abril de 2010.