domingo, 28 de marzo de 2010

Clarice Lispector fala por mim...

"Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre."

"Minha consciência é inconsciente de si mesma, por isso eu me obedeço cegamente."

''Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos."..


"Eu vivo à espera de inspiração com uma avidez que não dá descanso. Cheguei mesmo à conclusão de que escrever é a coisa que mais desejo no mundo, mesmo mais que amor."


"O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções."


"Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.
"Enquanto escrevo (...) vou ter que fingir que alguém está segurando a minha mão."

"Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas,
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos."

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."

"Tenho que ter paciência para não me perder dento de mim: vivo me perdendo de vista. Tenho que ter paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco sem saída."

"A loucura é vizinha da mais cruel sensatez. Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente."

Clarice Lispector


miércoles, 24 de marzo de 2010

“Pedagogia das quedas”.

Quantos dias e noites perdidos pelo choro?

Quantos dias árduos e noites ardidas...

Quantas possibilidades perdidas...

Quantas barreiras erguidas...


Quantos dias e noites perdidos pelo choro?

Quanto peso carregado...

Quantos planos desgastados?

Quantas perguntas-respostas enganadas?


Quantas quedas mais sem se levantar?

Nenhuma mais!!!

Nem mais um dia sem luta!


Ângela Pereira.

lunes, 22 de marzo de 2010

Essas mulheres que marcham.

Eram tantas

Vindas de tantos lugares

Com lilás mais claro...

Ou mais escuro...

Com vermelho forte

Da cor que corre o sangue nas veias...

E com muitas outras cores

Em arco-íris...


Eram também

Negras, indígenas, brancas...

Eram hetero, bissexuais ou lésbicas...

Eram altas, baixas, médias, gordas, magras

Sem padrão...

Eram jovens, idosas e crianças...


Eram brasileiras

Eram, sobretudo, mulheres... umas mais outras menos

Todas se tornando, à maneira Beauvoir, mais mulheres...


Os rostos cansados...

São de mulheres que marcham.

Os corpos suados...

São de mulheres que marcham.

Os gritos entoados...

São de mulheres que marcham.

Os abraços apertados...

São de mulheres que marcham.

Os beijos trocados...

São de mulheres que marcham.


O caminho para a liberdade

É dessas mulheres que marcham!


Ângela Pereira.

22 de março de 2010.

domingo, 21 de marzo de 2010

São ataduras, mulheres!

Os joelhos, tornozelos e pés, mulheres, estão desde então marcados...
São tantos panos... de tamanhos diversos...

São ataduras! Mulheres...
Suponho que as ataduras correram de lugar.
Antes estavam nas bocas e prendiam as mãos, umas às outras.
Hoje mostram o quanto o corpo cansado, expropriado no dia a dia resiste.

São ataduras! Mulheres...
Proponho que as ataduras corram de lugar.
Que as ataduras das mulheres que resistiram a cem kilômetros de caminhadas;
Que as ataduras de mulheres espancadas no dia a dia pela violência sexista
Sejam somente símbolos de resistência
E se precisarem, mulheres, que virem armas!

Ângela Pereira.
21 de março de 2010.

sábado, 20 de marzo de 2010

Não aprovo.

Aposto no improvável...

Naquilo que não se prova


Corro pelos atalhos

Buscando o caminho mais fácil


Descubro

Provo

Atalho


Ilusão, porque não?

Não aprovo!


Ângela Pereira.

lunes, 15 de marzo de 2010

Marcha pelo corpo que é nosso!

O corpo que é somente nosso

Reclama o cansaço...

Mas entra no passo...

E marca o compasso.


O corpo que é somente nosso...

Rir, chora, canta, dança, dói...

Pelo sonho da liberdade...


O corpo que é somente nosso

Pede o direito ao próprio corpo...

Pela legalização do aborto


O corpo que é somente nosso...

Se molha em chuva

Se queima em sol forte...

E persiste...


O corpo que é somente nosso...

Grita contra o poder do capital

Juntos formam barreiras...

Na luta de classes


O corpo que é somente nosso

Aclama a força das mulheres:

Seguiremos em marcha até todas sejamos livres!!!


Ângela Pereira.

15 de março de 2010.

Jordanésia- SP. 7º dia de marcha na ação 2010 da Marcha Mundial das Mulheres.

viernes, 5 de marzo de 2010

Liberte-se, mulher

Liberte-se, mulher

Desse sonho de aguardar

Que te libertem

Com os braços cruzados.



Mulher, encarna-te em ti

A vida e a morte

A força e a liberdade

Dessa vida que nasce hoje

Que vem de ontem

E se integra para criar uma mulher forte.


Guiomar Cuesta.

Cumplicidade.

Se preferir
Temos o tempo...
Mas se desejar
Temos todo o tempo do mundo!
Mas se amar
Temos a viela, o tempo, o céu, o mar, as estrelas, a lua, as nuvens e o sol como cúmplices...
É só amar!

Ângela Pereira.

domingo, 28 de febrero de 2010

Desafio é pra ser enfrentado!

Quem não se desafia às experiências jamais saberá da sua capacidade real de acertar. Saberá da sua fraqueza diante das dificuldades e da certeza de que ficar estático leva ao nada, ao comum. Precisamos, companheiras e companheiros, realizar o incomum, o extraordinário.

Ângela Pereira.

sábado, 27 de febrero de 2010

Os pensamentos econômicos clássico, neoclássico e reformista: contribuições teóricas para a sustentação do capital.

Ângela Pereira*


O “Sistema Capitalista desenvolveu” ao longo dos anos a capacidade de resistir a crises, isso, todavia, não se deu de forma natural como alguns dos seus defensores reproduziram fervorosamente. Vários economistas se debruçaram para entender o funcionamento do sistema nos seus aspectos principais e acessórios e orientar politicamente as ações dos capitalistas e dos governos. Alguns pensadores centrais que elaboraram teorias que subsidiaram a sustentação desse sistema foram os da economia clássica (Adam Smith e David Ricardo), os pensadores neoclássicos, também chamados de utilitaristas (Wiliam Stanley Jevons, Carl Menger, Léon Walras) e o pensador reformista (John Maynard Keynes).

Nesse texto, cabe-nos elencar algumas das contribuições teóricas que esses economistas trouxeram para formar os pensamentos liberais e reformistas e fortalecer a ideologia capitalista.

Adam Smith foi o primeiro a elaborar um modelo abstrato coerente da estrutura e funcionamento do sistema capitalista. Em seu livro “A Riqueza das Nações” expôs o fundamento histórico e sociológico da organização econômica capitalista em uma teoria. Para ele as formas de produção e de distribuição das necessidades materiais da vida eram determinantes das relações sociais entre classes e membros delas e das instituições que formavam a sociedade. E a forma natural de organização era a capitalista, uma vez que os seres humanos tinham a propensão natural à troca, isto é, a realizar compra e venda. Dessa forma o mercado era tido como algo natural ao ser humano. A lógica de funcionamento do mercado contida no pensamento de Smith é que quanto mais mercadorias o ser humano consegue na troca, mais ele produz. Tanto mais ele irá produzir, quanto mais especializado ele estiver. Nesse sentido, o homem vai garantido a acumulação de riqueza.

A idéia que prevalecia na obra de Smith é que existia uma “mão invisível” que conduzia as pessoas a promoverem o bem - estar social, sem que essa ação fosse intencional. Essa “mão invisível” ou “sabedoria divina” é que conduzia os homens ao progresso, com o aumento da liberdade e da segurança da maioria dos produtores. Para Adam Smith quando toda a sociedade, enquanto indivíduos, age pensando em satisfazer suas necessidades, aquela tende a evoluir. É isso que move a mão invisível do mercado.

Smith mencionava a existência de três classes sociais (proprietários de terra, os capitalistas e os trabalhadores) cuja renda era oriunda da divisão da produção anual de todo o país (aluguéis, lucro e salário) e reconhecia a existência do conflito de classes entre os proprietários de terra e os capitalistas em torno dos frutos da propriedade da terra e do capital.

Admitia ainda que o trabalho era o único criador verdadeiro de riqueza. Tanto mais rico será o indivíduo quanto mais trabalho de outro ele consegue se apropriar na troca. A isso ele chama de trabalho comandado. Trabalho é igual a valor, mas o valor que tem no trabalho a base é o trabalho apropriado por outro Para ele valor é preço. O que importa não é quanto custa determinada mercadoria depois de ser produzida, mas sim, quanto ela valerá depois de ser trocada. Ou seja, uma pessoa é tão rica quanto for sua capacidade de se apropriar do trabalho de outro. A isso chamamos de trabalho comandado.

Em sua teoria do valor- trabalho dizia que o valor de troca de uma mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho contido nessa mercadoria, isso nas economias pré-capitalistas, depois em estágio mais avançado Smith afirmou que o valor de troca ou o preço é representado pela soma dos salários, dos lucros e dos aluguéis.

David Ricardo, também é defensor do liberalismo e é tido por excelência um pensador da burguesia industrial do início desse século XIX. Para Ricardo não existem relações sociais. O capitalismo para ele é algo hipotético, isolado. É dessa forma isolada que ele analisa a sociedade, e não de forma global.

Afirma que era necessária a prevalência do Capital sobre a propriedade da terra. E se preocupa com as questões referentes à agricultura e a renda da terra. Neste momento (século XIX), um dos grandes problemas da sociedade era o aumento incontrolável dos preços dos produtos básicos. Isso aumentava o preço dos salários, ou seja, da remuneração da força de trabalho, significando um aumento do preço da renda da terra. Para Ricardo, isso era um grande problema, visto que a pobreza no meio dos trabalhadores começa a crescer não porque estivesse preocupado com os pobres, mas pela alta dos salários. Opondo-se a Smith, defendia que o valor das mercadorias é determinado também pela composição da estrutura produtiva, e não só o trabalho incorporado. O que ele quer é encontrar é uma medida invariável do valor.

Em síntese, os mentores da Economia Clássica acreditavam que o capitalismo era a forma de organização social e econômica natural para a sociedade, tomando por base a tendência natural à troca. Para evoluir esse sistema precisava acumular riqueza através do aumento da produtividade que somente se dava com a especialização e divisão das tarefas. Além disso, defendiam a existência de uma força divina ou de uma mão invisível do mercado que conduzia o progresso humano, sem influência direta de qualquer interesse. O mercado deveria se autoregular e o estado adotar a política do laissez-faire, permitindo que as forças de concorrência e livre jogo de oferta e procura regulassem a economia, não deveria este Estado, portanto, interferir cabendo a ele somente a função de proteção da sociedade da violência e invasão de outras sociedades independentes, administrar a justiça ; fazer e manter obras públicas cuja concessão não interessa aos capitalistas.

Os pensadores neoclássicos, também chamados de utilitaristas (Wiliam Stanley Jevons, Carl Menger, Léon Walras) têm em comum a defesa de uma perspectiva da teoria do valor. Essa perspectiva não entende o trabalho como substância do valor. A teoria do valor calcada no trabalho centra-se na explicação dos preços por fórmulas matemáticas e para eles o fundamento do valor está na utilidade. A utilidade é assim a capacidade de determinada mercadoria satisfazer necessidades, subjetivas e não materiais.

Defendem como principio a idéia de que os seres humanos por si só são egoístas. Os indivíduos são racionais e maximizadores. A emoção deve ser deixada de lado e o que interessa é aumentar os lucros agindo de forma racional. A economia explica o funcionamento da sociedade e o pensamento egoísta permite a maximização da utilidade. Também vêem o capitalismo de forma a-histórica, não considerando a existência de classes sociais e nem conflitos entre classes sociais e se busca harmonia social para o progresso. Da mesma forma que o pensamento clássico, os neoclássicos defendem a não intervenção do estado, a auto-regulação do mercado e o capitalismo lasseiz-faire como melhor expressão do sistema.

Diante de uma conjuntura de crises subseqüentes e de forte impacto sobre a continuidade do sistema, surge o teórico John Maynard Keynes, favorável a manutenção do sistema capitalista, mas que admite a necessidade de intervenção do estado para superar as crises do capital e retomada do progresso social. Keynes queria contribuir com os governos capitalistas com orientações teóricas que ajudassem a salvar o capitalismo. Fez isso abandonando a premissa da automoticidade do mercado, mas defendeu que o governo interviesse o mínimo possível na busca de lucros dos capitalistas, por isso era vista como reformista, propunha a realização de pequenas mudanças, mas para salvar o sistema capitalista de sua autodestruição.

Várias foram as contribuições que esses pensadores deram para o fortalecimento do sistema capitalista, contribuições estas que ainda são alvo de muitos estudos e críticas por economistas de diversas orientações políticas. O embate contra esse sistema capitalista requer a compreensão dele e de suas leis perpassa pela compreensão e pelo estudo mais sistemático desses pensadores.


Referência


HUNT, E.K. História do Pensamento Econômico: uma perspectiva crítica. Ed Campus, Rio de Janeiro. (1987)


* Texto escrito para a Disciplina Pensamento Econômico do Curso de Especialização em Economia e Desenvolvimento Agrário ( UFES/ENFF) ministrada pelo professor Marcelo Carcanholo- Professor de Economia da UFF.