domingo, 14 de febrero de 2010

É o que me interessa (Lenine/Dudu Falcão)

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
A sombra é uma paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Por trás do seu sossego, atraso o meu relógio
Acalmo a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussure em meu ouvido
Só o que me interessa

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa...

http://www.youtube.com/watch?v=l9q8eVg2WtQ

viernes, 12 de febrero de 2010

Que queres de mim?

“Mente quieta, espinha ereta

e coração Tranqüilo”.


Quero a tua mais imperfeita alegria

Já que perfeição inexiste...


Quero a tua capacidade de travestir-se de um e de outro...

O colocar-se no lugar do outro...


Quero a tua habilidade de sorrir

Mesmo quando a alma chora...


Quero a tua simplicidade

E o deixar fluir...


Quero a tua leveza

E a extrema beleza de a vida sentir...


Quero a tua determinação

E o saber dizer NÃO.


Quero o teu sonho real

E a vontade de lutar...


Quero de ti...

Um amor tão forte que nada possa acabar.

O amo eu!


Ângela Pereira.

lunes, 8 de febrero de 2010

Mulheres em marcha até que todas sejamos livres!


Marcha de Mulheres *

Adital -
Em 2010, mais uma vez, nós militantes da Marcha Mundial das Mulheres dos cinco continentes estaremos em marcha. Vamos marchar para demonstrar nossa perseverança e nossa força como mulheres organizadas, com distintas experiências, culturas políticas e origens étnicas. Temos uma identidade e objetivos comuns: o desejo de superar a injusta ordem atual que provoca violência e pobreza, e construir o mundo que queremos baseado na paz, justiça, igualdade, liberdade e solidariedade.

Vamos marchar em solidariedade com aquelas mulheres que não tem liberdade para fazê-lo devido às guerras e aos conflitos armados; devido à divisão sexual do trabalho que mantém as mulheres prisioneiras em suas próprias casas; devido ao sistema capitalista e patriarcal que determina que a esfera pública - ruas, lugares de trabalho, lugares de aprendizado e política, espaço para lazer - está reservada aos homens. E devido à falta de tempo das mulheres, por que temos que fazer malabarismos para dar conta das responsabilidades do cuidado com as pessoas ao nosso redor.

Vamos marchar para reivindicar nossos direitos. Vamos marchar para resistir àqueles que querem tirar os direitos que temos conquistado em nossa luta contra a ofensiva do fundamentalismo religioso e dos setores conservadores da sociedade e do Estado. Estaremos em marcha pelo mundo que queremos, no qual a autonomia, a autodeterminação e a solidariedade são pilares da organização da nossa sociedade.

Vamos marchar em luta contra a mercatilização das nossas vidas, sexualidade e corpos. Não somos objetos para vender ou comprar! Nos negamos a ser tratadas como pedaços de carne pelo tráfico de mulheres, pela indústria pornográfica e publicitária! Não vamos aceitar a violência em nossas casas e locais de trabalho! Estaremos em marcha até que todas as mulheres vivam suas vidas livres de violência e ameaça de violência.

Vamos marchar para denunciar o sistema capitalista sexista, racista e homofóbico que explora o trabalho reprodutivo e produtivo das mulheres e que concentra a riqueza na mão de poucos. Demandamos igualdade salarial entre homens e mulheres pra trabalhos iguais, um salário mínimo justo, a reorganização e distribuição do trabalho doméstico e de cuidados e seguridade social sem nenhum tipo de discriminação. Estaremos em marcha até que todas as mulheres tenham autonomia econômica.

Vamos marchar pelo fim imediato dos conflitos armados e do uso do corpo das mulheres como botim de guerra. Vamos marchar para denunciar os interesses econômicos que se escondem por trás dos conflitos, o controle dos recursos naturais, o controle dos povos e o lucro da indústria armamentista. Estaremos em marcha até que todas as mulheres sejam reconhecidas e valorizadas como protagonistas dos processos de paz, reconstrução e manutenção ativa da paz em seus próprios países.

Vamos marchar contra a privatização dos recursos naturais e dos serviços públicos. Vamos marchar pela soberania alimentar e energética, contra a destruição e controle dos nossos territórios e contra as falsas soluções frente a mudança climática. Estaremos em marcha até que nossos direitos a saúde, a educação, a água potável, ao saneamento, a terra, a moradia e soberania sobre nossas sementes tradicionais sejam garantidos.

Some-se a nossa ação!

Mulheres em movimento mudam o mundo!

A 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres será organizada em dois momentos principais:

- De 8 a 18 de março, com marchas e mobilizações nacionais simultâneas de diferentes tipos, formas, cores e ritmos que também marcarão o centenário da Declaração do Dia Internacional das Mulheres, proposto pelas delegadas à 2ª Conferencia Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhague em 1910.

- Marchas e ações simultâneas entre 7 e 17 de outubro, com uma mobilização internacional em Kivu do Sul, na Republica Democrática do Congo, como uma forma de fortalecer o protagonismo das mulheres na resolução dos conflitos armados.

Serão realizadas mobilizações, ações e atividades entre estes dois períodos, em vários países e também em nível regional:

- Américas: 21 - 23 de agosto, na Colômbia
- Ásia e Oceania: 12 - 14 de maio, nas Filipinas
- Europa: 30 de junho, na Turquia

A ação internacional é aberta a todas as mulheres e grupos de mulheres que queiram se unir a nós na luta pela construção do mundo que queremos, baseado nas alternativas das mulheres. Venham marchar conosco!

No Brasil, vamos marchar de 8 a 18 de março, entre Campinas e São Paulo. As informações e contatos nos estados estão disponíveis em www.sof.org.br/acao2010, ou pelo telefone (11) 38193876 .

A Marcha Internacional também tem um site, com textos, logos e outros materiais que podem ser usados para preparar a ação assim como notícias dos diversos países participantes: http://www.mmm2010.info


* Marcha Mundial das Mulheres

Poesia

"A poesia me alimenta.É, ao mesmo tempo, fuga e afirmação da vida!"

Ângela Pereira

domingo, 7 de febrero de 2010

Mas é carnaval...

Um pouco mais de loucura

Um pouco menos de sensatez...

Um pouco menos de perfeição

Um pouco mais de embriaguez...

Um pouco mais de coragem!

Ângela Pereira.07 de fevereiro de 2010.


Noite dos Mascarados
Composição: Chico Buarque

- Quem é você?
- Adivinha se gosta de mim
Hoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim:
- Quem é você, diga logo...
- ...que eu quero saber o seu jogo
- ...que eu quero morrer no seu bloco...
- ...que eu quero me arder no seu fogo
- Eu sou seresteiro, poeta e cantor
- O meu tempo inteiro, só zombo do amor
- Eu tenho um pandeiro
- Só quero um violão
- Eu nado em dinheiro
- Não tenho um tostão...Fui porta-estandarte, não sei mais dançar
- Eu, modéstia à parte, nasci prá sambar
- Eu sou tão menina
- Meu tempo passou
- Eu sou colombina
- Eu sou pierrô
Mas é carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira que você me quer
O que você pedir eu lhe dou
Seja você quem for, seja o que Deus quiser
Seja você quem for, seja o que Deus quiser

lunes, 1 de febrero de 2010

Dá-me a tua mão!


Vem...

Dá-me tua mão.

Essa que é áspera

Essa que amola o facão

Essa que espreme a roupa

Essa que pega na enxada


Vem...

Dá-me a tua mão.

Essa que ergue a bandeira.

Essa que empurra os vilões

Essa que segura na saia

Essa que rompe os grilhões.


Vem!

Dá-me tuas mãos

Dá-me teus braços

E tuas pernas

E teu corpo inteiro

Pois é junto dele

Que quero

Em multirão

Fazer revolução!


Ângela Pereira

02 de fevereiro de 2010.

Manifesto!

Poesia de quem e para quem resiste!





Eu não te darei minhas forças...

Não desperdiçarei meus sonhos!

Na construção do poder camuflado





Eu não te darei minhas melhores idéias...

Não desperdiçarei meus sonhos!

Na construção do falso direito e do dever instaurado


Eu não te darei promessas...

Não desperdiçarei meus sonhos!

Na tortura silenciosa de quem trabalha


Eu não te darei espaço...

Não desperdiçarei meus sonhos!

Na ilusão de me roçar em brechas que me apertam


Eu não te darei minha voz firme...

Não desperdiçarei meus sonhos!

Na falsa tentativa de ser ouvida.


Podes até extrair meu suor...

Assim como sugas o de outras/os trabalhadoras/es

Mas não terás o meu sangue

Ele somente entrego à classe trabalhadora!


Ângela Pereira.

1º de fevereiro de 2010.

A destruição do Estado e as tarefas dos sujeitos revolucionários em suas organizações políticas.

Ângela Pereira*

Sávia Cássia.

Ao contrário da intelectualidade burguesa, o marxismo define o Estado como produto do antagonismo entre as classes e instrumento de controle de uma classe sobre a outra. Assim a necessidade de destruição do Estado está relacionada ao fim das classes como forma de superação do modo de produção, fundado na exploração e apropriação do trabalho alheio. Segundo Lenin,

“O Estado é o produto e a manifestação do antagonismo inconciliável das classes. O estado aparece onde e na medida em que os antagonismos de classes não podem objetivamente ser conciliados. E, reciprocamente, a existência do Estado prova que as contradições de classes são inconciliáveis.” (Lenin, pág.25).

Considerando então que o Estado é o centro de poder que garante por meio da força o domínio de uma classe sobre a outra e na sociedade burguesa e que reproduz os mecanismos de exploração da classe trabalhadora, o papel dos sujeitos de organizações revolucionárias consiste na tomada do poder do Estado. Como afirma o trecho abaixo:

“Sem a conquista do Estado não é possível assegurar aos trabalhadores o controle dos meios de produção e a construção do socialismo. A conquista revolucionária do Estado implica na concepção de ruptura e destruição do Estado. (Consulta Popular, pág.41).

Sendo realizada a tomada do poder do estado, deve-se instaurar a ditadura do proletariado, com o objetivo de controlar os meios de produção e impedir a reorganização da classe burguesa. Esse processo, no entanto, deve ser concomitante à criação de instrumentos de substituição dos aparelhos do Estado que possibilitem uma transição ao comunismo, ou seja, a tomada do poder do Estado e o seu controle pelo proletariado é uma etapa necessária à superação da sociedade de classes.

No atual momento de descenso da luta de classes, é necessário constituir uma organização política de quadros capazes de combinar a necessidade de fomentar e fortalecer as lutas reivindicatórias populares e de massas, com as tarefas políticas próprias de um partido revolucionário.

“Nossa primeira e imperiosa obrigação é contribuir para formar revolucionários operários que estejam no mesmo nível dos revolucionários intelectuais em relação à sua atividade no Partido.“ (Lenin, pág. 17)

Cabe a essa organização, portanto, recolocar na esquerda o debate da perspectiva poder e a centralidade da tomada do Estado e ao mesmo tempo operar na elevação do nível de consciência da classe trabalhadora, acumulando na formação política de quadros revolucionários, na apropriação e aprimoramento de ferramentas da agitação e propaganda para o trabalho de base junto a trabalhadores e trabalhadoras em torno de pautas democrático- populares que embora não sejam diretamente tidas como revolucionárias, acumulam para o processo revolucionário no sentido de estimular as pessoas a se organizar e participarem de lutas de massas.

Entender o papel de dominação do Estado e a necessidade imperiosa de superação dele é tarefa fundamental para os sujeitos revolucionários. Apropriar-se da teoria revolucionária apenas, no entanto, não é suficiente, é preciso no cotidiano exercitar as tarefas mencionadas dentro das organizações revolucionárias.

Referências

Consulta Popular. Cartilha 19. Resoluções da 3ª Assembléia Nacional.

LENIN, V.I., QUE FAZER?, 1902.

LENIN,V.I.O Estado e a Revolução.São Paulo: Expressão Popular, 1ª edição, 2007.

* Texto redigido para a Disciplina Estado e Sociedade do Curso de Especialização em Economia e Desenvolvimento Agrário (UFES/ENFF) ministrada pelos Professores Hélder Gomes, Paulo Nakatani e Rogério (UFES).

viernes, 29 de enero de 2010

O Capital numa perspectiva dialética: fragmento e totalidade.

Quando a teoria nos aclara a vista e com o povo, ombro a ombro marchamos.

Respondemos : vale a pena viver quando se é comunista. ( Mario Iasi)


Ângela Pereira.*

Discorrer sobre as categorias marxistas sempre é um desafio. É no exercício de desafiar-se à assimilação e à compreensão das categorias essência e aparência do Capitalismo que esse texto se apresenta. Assim nesse breve texto serão tecidos comentários, resultantes do acúmulo das leituras, das aulas da disciplina Economia Capitalista I, bem como de outros materiais, sem pretensão, todavia, de esgotar as possibilidades de entendimento do conteúdo abordado.

No sistema capitalista, as pessoas são levadas a ver aquilo que as cerca a partir do imediato ou a partir de uma análise superficial do que realmente representa as relações sociais de produção e mesmo os produtos dessas relações. Perde-se a noção da totalidade e a partir de um olhar individual a aparência é naturalizada e valorizada como o verdadeiro olhar sobre determinado objeto ou relação social.

O sistema apresenta além das bases materiais para a sua sustentação, mecanismos de acorrentamento e de consolidação através da dominação das mentes dos indivíduos. A aparência sobrepõe a essência e faz as pessoas aceitarem normalmente as condições impostas.
Ao mundo da aparência determinado pela dominação da classe burguesa que coisifica, fragmenta e simplifica a realidade a fim de hegemonizar o seu projeto, Kosik (2002) dá o nome de pseudoconcreção.

A pseudoconcreção burguesa dispõe de mecanismos para normalizar, consensuar a aparência de que tudo está bem e não deve ser questionado. Exterioriza fenômenos, transformando tudo em coisas aparentes. Coisifica relações. Formula meios de reproduzir essas exteriorizações e determina verdades do sistema. Para isso dispõe de instrumentos ideológicos como a educação formal e informal que se dá nas células escola, família, religião, mídia, partidos políticos, movimentos sociais, organizações não-governamentais, sindicatos e estado.
Negando uma visão pontual, sem, contudo, negar a realidade da aparência, Karl Marx convida à leitura da realidade de forma dialética e histórica, a partir de pontos de vista diferenciados, considerando visões individuais de diferentes sujeitos bem como a visão generalista que permite a compreensão total da atuação do capital.

Na teoria marxista uma mesa, não é apenas um objeto produzido para o uso humano individual ou coletivo, mas também tem utilidade para o capital. Uma mesa é uma mercadoria que carrega consigo valor, valor de uso e valor de troca. Essa mesa dentro do modo de produção capitalista é produto da exploração da força de trabalho dos marceneiros nos meios de produção de um patrão e tem seu papel na acumulação do capital.
Para o indivíduo que se apropria dessa mesa numa loja o que lhe interessa é o uso da mesa, por exemplo, para alimentação ou estudo. Para o patrão capitalista, a mesa é mais uma mercadoria produzida dignamente e que lhe trará lucro pelo esforço de seu trabalho, retornando o investimento. Para os marceneiros é a forma de ao final do mês receber o salário para a manutenção da vida deles e das suas famílias. Portanto do ponto de vista individual desses sujeitos, isto é, na aparência, a mesa tem utilidades diferenciadas e justas.
Do ponto de vista da totalidade, ou seja, na essência, a mesa é um momento do processo de acumulação capitalista que envolve produção e reprodução do capital em toda a sua extensão, considerando, por exemplo, elementos como o retorno de investimento em capital constante em cima da extração de mais valia do trabalho dos marceneiros e transferência de capital do lucro da venda da mesa para a reprodução do capital. Na essência é considerada a existência de burguesia e proletariado, estando as classes implicadas num processo de exploração da primeira pela segunda como pode ser confirmado no trecho abaixo:

“A coisa muda de aspecto quando consideramos não o capitalista e o trabalhador isolados, mas a classe capitalista e a classe trabalhadora, não o processo de produção isolado, mas o processo de produção capitalista em sua continuidade e em toda a sua extensão social.(Marx”, K. O Capital, p.665b)



Para Carcanholo, reafirmando Marx, observar a mais valia do ponto de vista da totalidade e da reprodução significa considerar “as classes como um todo: de um lado a burguesia e de outro o conjunto dos trabalhadores assalariados, o proletariado”.


Outros elementos podem ser incorporados à análise das categorias essência e aparência na situação mencionada. Antes de a mesa chegar à loja e à casa do seu comprador, ela passou por um processo de transformação a partir do trabalho. Trabalho esse realizado por um grupo de marceneiros que teve parte do seu trabalho, o trabalho excedente, apropriado pelo patrão capitalista. Trata-se da mais valia.


Além da mais valia, o patrão retira do valor produzido pelos marceneiros para pagar seu salário. Do ponto de vista individual (aparência) de um trabalhador sem consciência de classe é natural receber um salário pequeno e um mês após a compra da mercadoria força de trabalho pelo capitalista, sem se sentir explorado. Ainda do ponto de vista individual, mas do trabalhador com consciência de classe, este já percebe que é explorado, uma vez que o salário que recebe é bem inferior ao tempo de consumo da força de trabalho, porém a visão ainda é limitada, vista de forma pontual. Na totalidade (essência), os trabalhadores se incorporam ao exército do proletariado explorado pela burguesia para sustentação e reprodução do sistema capitalista.


Diante do exposto, fica clara a necessidade de, na luta de classes, ampliar os olhares para as relações sociais inerentes ao capitalismo. Essa é uma importante postura revolucionária para compreender a atuação do capital sobre a classe trabalhadora e assim conseguir dialogar com esta na perspectiva de superação do capital, através da elevação do nível de consciência.


Referências


CARCANHOLO, Reinaldo; SABADINI, Maurício. Sobre o capital e a mais valia.


KOSIK, Karel. A dialética do Concreto. Rio de Janeiro: Paz e terra. 7ª edição, 2002.

MARX, Karl. O Capital.L.I.V.Rio de Janeiro,Difel,1980.


* Texto redigido para a disciplina Economia Capitalista I do Curso de Especialização em Economia e Desenvolvimento Agrário, misnitrada pelo Professor Reinaldo Carcanholo ( UFES).

miércoles, 27 de enero de 2010

Metade

Composição: Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.