domingo, 27 de diciembre de 2009

Andanças...

“Ando devagar porque já tive pressa...”

(Almir Sater e Renato Teixeira)


Ando por aí deixando

Sentimentos incompletos

Histórias inconclusas...


Ando por aí trocando

O pensamento de dentro pelo de fora

O de antes pelo de outrora


Ando por aí pensando

No que me faz assim

E no que me traz pra mim...


Ando por aí amando

O vento, o mar, o ar

As músicas, a poesia e as pessoas...


Ando por aí despertando

De uma vida latente

Aprendendo a andar

Com os choros lavar a alma

Com os tombos levantar a estima

Com as experiências me levar à vida...


Ando por aí, descalça, disposta a sentir

Cada vez mais o que da vida tenho a conquistar.


Ângela Pereira.

25 de dezembro de 2009.

Engenho Machado. Pernambuco.

miércoles, 23 de diciembre de 2009

Carta do I Encontro das (de) Mulheres do Campo e da Cidade da Paraíba

Nós mulheres da Paraiba, agricultoras familiares, camponesas, assentadas, trabalhadoras rurais, sindicalistas, trabalhadoras domésticas, donas de casa, estudantes, educadoras reunidas nos dias 27, 28, 29 e 30 de novembro, em João Pessoa, no I Encontro Estadual das Mulheres do Campo e da Cidade, reafirmamos a luta por justiça, em defesa da igualdade e pelo fim da violência contra as mulheres!

Entendemos que a forma como a sociedade está organizada coloca a mulher numa situação de violência, opressão e exclusão social, negando seus direitos. Somos as principais vítimas do desemprego, do trabalho precário, dos menores salários e da falta de políticas públicas.

Nossa vida e nosso corpo são tratados pela sociedade capitalista como mercadoria. Continuamos sendo as únicas responsáveis pela casa, pela família e pelo cuidado e educação dos filhos, além de estarmos distantes dos espaços de poder e de decisão.

Denunciamos o patriarcado e todas as formas de violência contra as mulheres. Somos constantemente alvos da violência: moral, psicológica, patrimonial, sexual e física. Denunciamos o não cumprimento da Lei Maria da Penha, que coíbe a violência, pune os agressores e traz segurança para as mulheres. Todos os dias, milhares de mulheres continuam sendo vítimas de violência no Brasil e no mundo. Na Paraíba, este ano, já foram assassinadas 42 mulheres, com 26 sofreram tentativas de homicídio xx estupros

Denunciamos o agronegócio que concentra terras, contamina os nossos recursos naturais, viola o direito das agricultoras camponesas em conservar a biodiversidade e nos tira o direito de produzir alimentos saudáveis.

Lutamos por uma Paraíba com a participação igualitária entre homens e mulheres, por justiça e autonomia das mulheres. Pelo direito de acesso à terra, à água, moradia digna, por soberania alimentar e pelo combate à violência contra a mulher em todas as suas formas.

Exigimos que o poder público em todas as suas instâncias cumpra seu papel de proteção às vítimas da violência, respeitando as mulheres violentadas e garantindo a segurança para seus filhos e filhas. Exigimos também políticas públicas que valorizem o trabalho da mulher camponesa e da cidade.

Precisamos construir uma nova sociedade, pautada num projeto popular, onde a valorização do trabalho seja sinônimo de emancipação e as mulheres tenham autonomia sobre seus corpos e suas vidas.

Vamos continuar nos organizando e lutando até que todas as mulheres sejam livres da opressão, e da violência.

Mulheres do Campo e da Cidade construindo uma nova Sociedade!!!

viernes, 18 de diciembre de 2009

Tornar-se mulher!

“Ninguém nasce mulher: tornar-se mulher”
Simone de Beauvoir


Não devo como mulher que venho me tornando

Permitir-me ao erro de me magoar por não me amar

E não amar a outras companheiras com quem tenho em comum

A opção pela classe trabalhadora.


Não devo como mulher que venho me tornando

Ceder aos impulsos da carência

Meramente para tentar supri-la.

Depois da sensação provisória de preenchimento,

o “vazio” volta porque o ponto não preenche o todo

E o todo é profundo e sensível!


Não devo como mulher que venho me tornando

Permitir que outra mulher seja machucada,

Torturada, explorada

Sem abrir a boca e soltar o grito.


Não devo como mulher que venho me tornando

Em desatino ser impaciente

Com os anos de luta que virão

Sob julgo dos valores patriarcais

Que vingaram.


Não devo como mulher que venho me tornando

Esconder de mim mesma

As marcas que riscaram na história:

O grito mais alto da voz grossa

A comida na mesa servida

A toalha na porta do banheiro

O dinheiro na mão retido

A pressão psicológica das filhas na saia

E a tristeza das traições...


Não devo como mulher que venho me tornando

Deixar de avançar com a dor coletiva

De milhares de mulheres mortas,

Violentadas pelo poder do homem

E do capital.


E devo, sobretudo, não deixar de sonhar alegremente

Com a emancipação feminina

Pois é em busca dela

Que venho me tornando mulher!


Ângela Pereira.

Praia do Cabo Branco. 18 de dezembro de 2009.

Falso silêncio

Hoje:

As perguntas se calaram

As respostas silenciaram


Fingi que ouvi somente

O som do vento e das ondas do mar


Mas o corpo não se cala

Se contorce

Se retorce


Desata a falar o que boca

E mente teimam a calar.


Ângela Pereira.

Praia do Cabo branco.

17 de dezembro de 2009.

Homem sub-mar

Do meu lado dorme um corpo

Parece morto


Mas NÃO! Transpira o cansaço da noite anterior

Em que caçava o que comer

Em que circulava na indiferença

Em que soluçava o choro retido


Se ainda fosse de prazer

Que esse homem transpirasse

Se assim fosse diminuiria a minha dor


Mas a realidade já nada me esconde.

Nem a bela aparência do mar

Me faz esquecer da essência

Que faz o homem do mar

Só receber excrecência.


Ângela Pereira.

Praia do Cabo Branco- João Pessoa

17 de dezembro de 2009.

martes, 15 de diciembre de 2009

Filosofia e Ciência

Homenagem a Sérgio Lessa


Abram seus corações para a verdade! Que é legal pra dedeu

Conhecer a história da Filosofia é fundamental

Para construirmos um mundo novo, legal


Para Aristóteles e Platão pensar era necessário

Poucos pensavam, muitos trabalhavam

E o mito predominava no imaginário


Com o tempo a igreja se desafia

Começa formar especialista em filosofia

Um pensar baseado na fé e na religião

Quem pensar diferente cale! Cuidado com a inquisição


Séculos adiante a razão enfrenta a fé

Isto remeche toda filosofia

Começando nascer pensadores da burguesia


O conhecimento então atende a função

De enricar poucos da nação

O poder continua minado

E o coração permanece privado


Nesse tempo o espírito dita a razão

Fenomenológico é afirmar com o não

Mas surge um tal de Marx para explicar a essência

Que se esconde por trás da aparência


Esse caba enlouquece o mundo

Ao mergulhar muito fundo

Na história da revolução


Depois dele muitos outros vieram

E outros tantos virão...

Para explicar com a razão


Sergio Lessa fortaleceu

O sonho da revolução!

E convida a todos a brindar a história

Com o gole dialético da cerveja marxista em Vitória.


II Turma de Pós-Graduação em Economia e Desenvolvimento Agrário ( UFES/ENFF).

Novembro de 2009.

domingo, 13 de diciembre de 2009

Amor libertário

Sonho com o tempo em que
Mulheres e homens se libertarão...

Com o tempo em que o discurso
Será expressão da verdadeira prática
Com o tempo em que os sentimentos
Serão sinceros e abertos
Sem precisar dos outros esconder

O sonho que sonho todavia
Não deve ser mera fantasia
Deve ser por simpatia
Conquistado dia a dia
Deve ser por alegria
Compartilhado em harmonia

E se indignado for
Deve romper com as correntes
Que sufocam o amor
Deve matar o algoz
Se torturado for

E com sangue lilás
Deixar na história jamais
Traçarem planos de dor.

Ângela Pereira.
05 de dezembro de 2009.
Clube dos Estivadores. Serra –ES.

domingo, 22 de noviembre de 2009

Negra|o, te libertaram?

Marcaram nossa história com sangue
Prenderam nosso sorriso branco em uma gaiola
Riscaram nossa carne com brasa
Achando-se superiores

Assinaram a lei Áurea
Querendo diminuir o peso da culpa histórica
Mas não passou de mera oratória
E assim se faz a história.

Com navios negreiros
Com chicotadas violentas
Com famílias desfeitas
Com sonhos apagados
Com corpos tombados

Rejeitaram nossa linda cor
Como se fosse anormal
Nos puseram alcunhas
Num desrespeito total
Nos fizeram substituir o cabelo crespo
Por outro artificial


Mas Zumbi ensinou
E a história marcou
Com a força de Dandara
Muita luta travou

É tempo de fincar pé
Lembrar as opulências
Do inimigo carrasco
Mas de cabeça erguida
Permanecer na resistência
Aclamando a liberdade

É tempo de fincar pé
E a essa luta juntar
Mais que identidade negra
Já que a força negra
Também é proletária

É tempo de fincar pé
Gritar em alto tom:
Sou negro sim!
E carrego comigo o grito da liberdade
Sou negra sim!
Quero a verdadeira liberdade

Que somente a revolução proletária trará.


Ângela Pereira.
20 de novembro de 2009.
Aeroporto de Brasilia, rumo ao Curso de Economia Política e Desenvolvimento Agrário em Vitória-ES.

miércoles, 18 de noviembre de 2009

A prioridade é socialista e feminista!

Quando a linha sai do prumo...

E a cabeça dispersa em coisas menores...


Sempre existe alguém

Que lhe pede esmola na rua...

Sofre de amor insano...

E carrega o filho nas costas

Pra nos lembrar do rumo a seguir...


A prioridade é a revolução:

Socialista e feminista!


Ângela Pereira.

19 de novembro de 2009.

O beijo de Oxum...

Do negro corpo transcende um som forte
Do beijo de Oxum...
Beleza da lua-noite
Barulho das águas doces...

Do negro corpo sentir o momento
Chamar Xangô sem brigar
Com Oyá e Obá
Espaço para todas há

Do negro corpo que ansia liberdade
Quero carícias
Leveza solitária...
Beleza libertária...

Do negro corpo que rompe o silêncio
Com sussurros
Quero o momento...
De revê-lo por dentro...
Despindo as vestes de Oxum
E compartilhando o prazer que a natureza ofertar...

Ângela Pereira.
18 de novembro de 2009.